sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SE O BRASIL FOSSE UMA EMPRESA ESTARIA FALIDO HÁ MUITO TEMPO



  

Jornal Hoje em Dia



A face mais cruel da recessão econômica é, sem dúvida, o desemprego. O trabalhador perde a sua fonte de renda que possibilita a manutenção de sua família, e também é a força que movimenta a economia, por meio do consumo de produtos e serviços. Para o empregador também não é uma tarefa fácil ter que reduzir seu número de funcionários. O treinamento de um profissional e os anos de experiência contam muito para o sucesso de um empreendimento.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), feito pelo Ministério do Trabalho, revelou nessa quinta que em 2015 foram fechadas 1 milhão e 542 mil postos de trabalho. Somente em dezembro passado – época em que normalmente as contratações, sobretudo temporárias, crescem – foram perdidas 596 mil vagas. Só em Minas foram 200 mil. Nada mais, nada menos, esse é pior resultado anual registrado pelo Caged desde 1992, há 24 anos, portanto.
Em seus pronunciamentos fantasiosos, os membros do governo alegam que neste ano as coisas “começarão a mudar”. Mas não há nada no horizonte que sinalize uma mudança que convirja para esse otimismo. Falta capital de giro, faltam investimentos em obras de infraestrutura, falta um ajuste fiscal que reduza a penosa carga tributária sobre as empresas e a população em geral.
Esse diagnóstico foi feito pelo presidente da Fiemg, a federação que congrega as indústrias do Estado, setor que vem sendo bastante penalizado pela atual conjuntura. Sem falar na questão política, com o Congresso e o governo se digladiando por poder e passando ao largo dos problemas nacionais.
E o desemprego provoca um outro problema, a inadimplência. A Serasa Experian, uma agência privada multinacional que formula análises de conjuntura, apontou que o Brasil iniciou 2016 com um recorde de 59 milhões de pessoas que estão com dívidas em atraso por pelo menos dois meses. E é a perda do emprego a principal causa da inadimplência.
Uma diretora da Serasa afirma que é possível superar a perda do emprego desde que se tenha organização e disciplina. O que, evidentemente, não é fácil para quem está nessa situação. Mas, segundo ela, é uma época que pode gerar oportunidades fora da área de atuação do profissional. Na falta de opção, não custa tentar.

VIGIAI E ORAI PARA NÃO SER PIOR QUE TÁ




Jornal Hoje em Dia 




O maior problema do Brasil, hoje, é a falta de dinheiro. Seja por parte da população, seja por parte dos governos. No caso da população é difícil conseguir um rendimento a mais para suprir a diminuição dos recursos. Já no caso dos governantes, a solução mais tentadora é sempre o aumento dos impostos. E isso mesmo nos tempos atuais, de aguda retração na economia e com os trabalhadores com seu poder aquisitivo em queda.
No caso do governo federal, por exemplo, a tábua de salvação, como demonstra a presidente Dilma Rousseff sempre que tem oportunidade de falar em público, é a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, a CPMF, ou imposto do cheque. Esta, se não fosse o Congresso, que a extinguiu em 2007, estaria vigendo até hoje, apesar de em seu próprio nome estar a expressão “provisória”.
Ela havia sido criada ainda nos anos 90, no governo de Fernando Henrique Cardoso, a pretexto de financiar o serviço de saúde pública. Mas, ao longo dos anos, seus recursos foram sendo carreados para outros fins, como o caixa único do governo. Enfim, se um governo consegue abocanhar mais um naco da renda dos contribuintes, dificilmente ele abrirá mão dele.
É por isso que há uma grande mobilização da sociedade civil contra a recriação da CPMF. Um outro caso que chama a atenção são as chamadas bandeiras das contas de energia. A vermelha, a mais alta, que vem vigorando há vários meses, representa o acréscimo de R$ 4,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos pela população.
E tão cedo ela não será revogada, já que os especialistas do setor alegam que os reservatórios ainda não estão no nível ideal, apesar da chuvarada da últimas semanas. A justificativa é de que a geração de energia vem sendo feita, além das hidrelétricas, pelas termoelétricas, que gastam algum tipo de combustível para funcionar, encarecendo bastante o preço do quilowatt.
Aparentemente, o risco de apagão no fornecimento está descartado, já que os reservatórios hoje estão com mais de 37% de seu nível ideal, quando, em janeiro passado, pela grande estiagem ocorrida, registravam apenas 16%. Com a recessão econômica, o consumo industrial também vem caindo.
O que vale agora é a vigilância dos consumidores, para que a bandeira vermelha não seja eternizada.

MUDAR PRESIDENTE É MUITO POUCO



  

Márcio Doti




Quem busca, de fato, uma solução para o Brasil sabe que impeachment é apenas um possível elemento entre os tantos necessários para ordenar a vida do país. Há tantos desacertos, que é pouco o afastamento de um presidente, por mais grave que seja a medida, democrática e nunca golpista, como querem rotular os malabaristas de sempre. Os sintomas que estão por toda parte mostram que trocar uma peça nesse tabuleiro viciado talvez seja apenas caminho de um fôlego sem, contudo, significar solução para a necessidade de endireitamento da vida nacional. Por mais que existam milhões querendo isso e apenas uns poucos oportunistas condenando a medida, por mais que exista uma imensa torcida, mesmo vencidas as cascas de banana colocadas no caminho, ainda será pouco para os que pretendem ver o Brasil consertado.
O que pensar de um país onde um senador da República, Delcídio do Amaral, na importante posição de líder do governo, é apanhado em escutas combinando até subornos e estradas de fuga para alguém apanhado no centro do escândalo da Petrobras, Nestor Cerveró, manipulador de milhões e milhões de reais e dólares, intermediador de operações criminosas e delator, cujas informações levaram até ao próprio Delcídio.
E há quem diga que esse senador importante da cúpula de governo só teve prisão autorizada porque nas gravações ele revelou intimidade com ministros de nossas altas cortes e é preciso acrescentar que tal senador deveria estar preso nas celas da Polícia Federal, em Curitiba, mas foi transferido sob a alegação de que um barulho o incomodava. Ele está hoje ocupando instalações do quartel do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar de Brasília. Ninguém duvide se estiver sendo tratado de “excelência”.
O país à espera dos consertos que todos desejamos está assistindo a todos os preparativos e medidas possíveis para facilitar a vida de criminosos e até constranger agentes da lei. Advogados de bandidos se juntam para publicar uma carta em que fazem críticas abertas ao juiz federal que comanda a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal e com a Justiça Federal, baseada em Curitiba. Prova indiscutível de que o país precisa mais que mudar de presidente.
E por falar em Dilma, ela editou medida provisória que facilita a vida dos empresários apanhados pela Lava Jato ao contrariar artigo da Lei Anticorrupção e permitir que suas empresas tenham relações comerciais com o serviço público. E, de igual modo, a presidente sancionou lei que dá acesso a advogados a qualquer processo que corra em qualquer instituição em claro favorecimento de bandidos que estejam sendo rastreados, cujas operações poderão ser identificadas e documentos poderão ser acessados por seus advogados.
Há muito mais do que isto. Há muita gente cujos processos estão parados ou caminhando em marcha lenta e que continua exercendo mandatos quando, em verdade, já deveria ter sido afastada do poder por força de erros cometidos, condenações formalizadas ou acusações muito fundamentadas. Há muitos vícios expostos e ao alcance. Cada qual que olhe em volta para descobrir que o país e os políticos perderam a vergonha da mesma forma que muitas autoridades. Será fácil perceber que mudar presidente é pouco.

OLHAR NOVO



  

Tio Flavio 



A vida nos dá cada solavanco, que é para ver se a gente acorda, aprende, toma atitudes e caminha. Assim foi comigo, que percebi o quanto somos ricos no momento em que consegui vislumbrar que aprendizado, experiência, respeito e crescimento são a nova moeda da modernidade, mais importante que o excesso de bens.
Sobre a descoberta de novos valores, que não são especificamente materiais, o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica tem uma bela afirmação: “Isso não é apologia à pobreza, mas é uma outra riqueza”. A partir do momento em que você está disposto a enxergar outras possibilidades, a aprender, um novo mundo se descortina. A partir do momento em que você admite que não sabe tudo dessa vida, se dá ao direito de crescer.
O cineasta chileno Alejandro Jodorowsky tem uma frase que me incomoda até hoje: “Pássaros criados em gaiola acreditam que voar é uma doença”. Estas palavras me impactam muito, pois já vivi (ou ainda vivo) em diversas gaiolas, que muitas vezes me limitam, me provocam o medo de experimentar o novo, fazendo com que eu não consiga alçar novos voos.
Foi juntando o sentido dessas duas frases, que diz respeito a se presentear ao descobrir novos valores e aprender a viver além das gaiolas, para que possa ensinar outras pessoas a voar, que me ajudou a quebrar um preconceito: eu, sem conhecer, achava que menores infratores morreriam nesta condição e que lugar nenhum por onde eles passassem ajudaria-os a ter um novo olhar.
Como a vida ensina, levei um tombo do alto dos meus conceitos preconcebidos. Ao conhecer o trabalho dos Centro Socioeducativos de Minas Gerais, locais em que adolescentes que cometeram atos infracionais cumprem medidas de restrição de liberdade, fiquei assustado. Existem diretores, técnicos, agentes, funcionários e colaboradores se dedicando diuturnamente para entregarem a esses adolescentes algo que eles jamais experimentaram: afeto, respeito, responsabilidade, crescimento cultura, referências positivas, disciplina.
O que vejo hoje nesses espaços coordenados pela Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) não serve só para calar aqueles que criticam, mas convidá-los a participar da construção de uma sociedade diferente.
Hoje vejo um mundo de profissionais que não estão num ambiente de privação de liberdade. É claro que muitos adolescentes só enxergam isso. Mas ali são locais de restabelecimento da liberdade que eles nunca souberam ter.
O mais importante de tudo isso é que uma infinidade de pessoas conseguem vencer as suas gaiolas, romper com algo que infelizmente é cultural (a falta de educação em seu sentido amplo), para fazer no dia a dia um trabalho valoroso: acreditar no ser humano e trabalhar pelo seu resgate e sucesso.
Aos profissionais de unidades socioeducativas fica a minha admiração e incentivo para que sigam acreditando nesses jovens que dali vão florescer. Que enfrentem seus desafios e sigam, fazendo o seu melhor.
*Palestrante, professor, autor de livros e idealizador do Tio Flávio Cultural

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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