sábado, 13 de julho de 2024

BOLSONARISTAS TIRAM O FOCO DA PERSEGUIÇÃO DA PF AO BOLSONARO CITANDO PICANHA DO LULA

 

História de Guilherme Caetano – Jornal Estadão

BRASÍLIA – Às vésperas da disputa eleitoral de 2024 e se estruturando para a corrida de 2026, aliados de Jair Bolsonaro (PL) têm apostado na estratégia de ignorar publicamente as diversas frentes de investigação da Polícia Federal contra o ex-presidente, enquanto atacam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Poder Judiciário.

Nesta semana, o bolsonarismo foi atingido duramente por dois movimentos da PF, o levantamento do sigilo no caso das joias sauditas — revelado pelo Estadão em março de 2023 e pelo qual o ex-presidente foi indiciado — e a nova operação no caso da “Abin Paralela”, que aponta que Bolsonaro articulou com o então chefe da agência de inteligência um plano para blindar o filho Flávio de investigações, segundo os investigadores.

Jair Bolsonaro com Alexandre Ramagem, ao lado do filho Flávio Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Jair Bolsonaro com Alexandre Ramagem, ao lado do filho Flávio Foto: Pedro Kirilos/Estadão© Fornecido por Estadão

O assunto foi evitado pela maioria dos deputados e senadores do PL, até para defender o governo Bolsonaro das acusações. Os bolsonaristas no Congresso têm apostado em duas principais frentes de comunicação. De um lado, desgastar o governo federal ao defender que a inclusão das carnes na cesta básica da reforma tributária só ocorreu por meio de uma articulação da oposição. De outro, atacar o Judiciário em razão da manutenção das prisões feitas no âmbito dos ataques do 8 de Janeiro.

Na bancada de 99 deputados do PL na Câmara, além de Eduardo Bolsonaro (SP), apenas Carla Zambelli (SP), Júlia Zanatta (SC), José Medeiros (MT), Hélio Lopes (RJ) e Daniel Freitas (SC) foram às redes para criticar a investigação da PF. No Senado, Bolsonaro teve apoio do filho Flávio, além de Marcos do Val (Podemos-ES), Jorge Seif (PL-SC) e Eduardo Girão (Novo-RN).

Um deputado federal da tropa de choque do ex-presidente disse ao Estadão, sob reserva, que muitos dos correligionários têm se ressentido com a falta de reciprocidade na defesa de Bolsonaro, e que por isso têm preferido ficar quietos sobre o cerco ao líder. Eles veem o ex-presidente como alguém que não se arrisca para defender os aliados, e se incomodam com o fato de terem sido abandonados quando precisaram de apoio em meio a investigações da polícia. Por isso, segundo esse aliado, a bancada tem preferido atacar Lula e Moraes e desviar do noticiário negativo contra Bolsonaro.

“Vai ter carne na cesta básica graças à atuação do PL”, escreveu a deputada Bia Kicis (PL-DF) sobre a aprovação da reforma tributária. O deputado Mario Frias (PL-RJ) foi na mesma linha e disse que “no final das contas, quem bancou a picanha foi o Partido Liberal”. Nikolas Ferreira (PL-MG) preferiu atacar Moraes: “Covarde. O que tem de cabelo tem de honra”. Já Gustavo Gayer (PL-GO) celebrou a suspensão de uma licitação de R$ 197 milhões da Secretaria de Comunicação do governo Lula feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Outros parlamentares dizem que, diferente da época do governo Bolsonaro, quando militantes perguntavam sobre como rebater as notícias contra o então presidente, a repercussão desse conteúdo hoje é menor, já que as ações da PF, sob a gestão Lula, são vistas como políticas.

“São tantas ações da PF que o povo acaba se confundindo. O povo não sabe o que é indiciamento. Não sabem por qual motivo o Bolsonaro ficou inelegível. Eles (investigadores) não focaram em bater numa coisa: é cartão de vacina, golpe de Estado, joias, agora Abin Paralela”, diz outro deputado que não quis se identificar.

Em chats bolsonaristas no WhatsApp e no Telegram, os usuários têm abordado o tema como mais uma perseguição ao ex-presidente e prova de supostos abusos de Moraes.

Uma das estratégias defendidas por bolsonaristas é focar na corrida ao Senado em 2026, para fazer uma bancada anti-STF Foto: Wilton Junior/Estadão

Uma das estratégias defendidas por bolsonaristas é focar na corrida ao Senado em 2026, para fazer uma bancada anti-STF Foto: Wilton Junior/Estadão© Fornecido por Estadão

As diversas investigações contra Bolsonaro podem ter um efeito de longo prazo no bolsonarismo, ao alimentar um sentimento de vingança. Nos bastidores, senadores do grupo defendem foco total do PL em eleger uma superbancada no Senado em 2026 para contra-atacar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A estratégia é lançar em cada Estado pelo menos dois nomes competitivos do bolsonarismo, atrelados um ao outro, na eleição para a Casa em 2026. Como haverá renovação de até dois terços e o eleitor poderá votar em dois nomes para senador, a ideia é pregar voto duplo no bolsonarismo e eleger uma grande quantidade de candidatos.

Em São Paulo, por exemplo, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles, que pretende concorrer pelo Partido Novo, são cogitados como os principais nomes ao Senado. Se eleitos, farão uma bancada paulista 100% bolsonarista, ao lado do ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Bolsonaro, Marcos Pontes. O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, é outro nome cotado.

O Senado é estratégico para o bolsonarismo, já que a Casa pode pautar o impeachment de ministros do STF. Alexandre de Moraes, responsável pelas principais investigações contra o grupo de Bolsonaro na Corte, é tido como o principal alvo desse projeto.

Enquanto isso, algumas lideranças já colocaram em prática um calendário de manifestações de rua para esquentar a pauta anti-STF. No próximo domingo, a Avenida Paulista deve ser palco de um desses atos, com presença confirmada de parlamentares. As pautas, de acordo com o perfil Space Liberdade, que tem se engajado na convocação do evento, são o impeachment de Lula e Alexandre de Moraes, anistia aos presos do 8 de Janeiro e contra a descriminalização do aborto.

“A ideia é fazer uma manifestação por mês, e naturalmente novas lideranças vão surgindo para a eleição de 2026, diz a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que tem ajudado a chamar o público para as ruas.

ESTUDANTE DE DIREITO TEVE O ATREVIMENTO DE CRITICAR O MODO LOLUPETISTA DE GOVERNAR COM PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

“Depois de muita luta e 14 anos de espera, finalmente estamos presenciando a inauguração oficial de apenas metade do novo câmpus”, alertou a aluna Jamily Fernandes Assis, de 19 anos, do curso de Direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no mesmo palanque onde estavam, entre outros, o presidente Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro da Educação, Camilo Santana. Sublinhe-se o “apenas metade” dito pela aluna. Sua fala corajosa, tendo ao lado um abúlico presidente, escancarou o viço dos governos brasileiros e, em especial, o modo lulopetista de governar: a prioridade está nos anúncios de obras e promessas de recursos, preferencialmente exibidos com eventos grandiosos, cifras exuberantes, plateias providencialmente escolhidas e discursos eloquentes das autoridades.

Segundo tal lógica, o dia seguinte é um mero detalhe. Para Lula e o PT, fica desde já dispensada a apresentação de projetos detalhados, cronograma de entregas e desembolsos e – premissa ainda mais distante – um plano de gestão eficiente para fazer da obra anunciada uma realidade capaz de efetivamente beneficiar a comunidade. Anos atrás, a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha foi inaugurada por Lula sem ter corpo docente; a do ABC começou a funcionar em meio a um canteiro de obras atrasadas e abriu seu primeiro processo seletivo sem dispor sequer de laboratórios e de bibliotecas. Foram consequências inevitáveis do voluntarismo lulopetista, que resolveu fazer um esforço desmedido de expansão da rede federal de ensino superior sem pensar no óbvio – instalações precisam ser mantidas e universidades não existem pelo impulso das edificações: requerem pessoas, recursos e gestão.

O caso da Unifesp em Osasco, um exemplo memorável do mau uso do direito de fazer promessas, é parte do mesmo enredo. A construção da unidade inaugurada agora – pela metade, não é demais lembrar – foi prometida por Lula ainda em 2008, durante o seu segundo mandato, com o lançamento da pedra fundamental no terreno que abrigaria o câmpus. As promessas de expansão, no entanto, esbarraram em restrições de estrutura e atrasos nas obras. Resultado: os cursos do câmpus Quitaúna, no bairro de Osasco, começaram a funcionar em 2011, num prédio cedido pela prefeitura da cidade. Somente em 2016 o contrato para as obras seria assinado, com prazo previsto de 18 meses para a construção. Acabou durando oito anos, depois de consumir mais de R$ 100 milhões.

Nesta semana ficaram prontos os edifícios acadêmico e administrativo da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios de Quitaúna. Mas, como tratou de alertar a aluna Jamily Fernandes Assis no discurso ao lado de Lula, “é necessário reforçar que as obras do câmpus não estão completas” e “ainda nos faltam o auditório, o prédio da biblioteca, a quadra e os anfiteatros”. A biblioteca, por exemplo, teve sua construção iniciada no ano passado e só deve ficar pronta em 2025. A aluna reclamou também de um problema habitual que integra a rotina das universidades brasileiras – o número insuficiente de moradias para estudantes.

Em vez de, humildemente, reconhecer que uma universidade sem biblioteca não é universidade, o ministro Fernando Haddad preferiu dar um pito na atrevida estudante de 19 anos. “Uma universidade não é um prédio. Uma universidade é uma obra que não tem fim. Até hoje, a Universidade de São Paulo (USP), que foi lançada em 1934, está inaugurando novos prédios. Isso aqui não tem fim, isso aqui é um começo”, discursou Haddad. Ora, tratar a precariedade de um câmpus entregue pela metade como se fosse a modernização contínua da USP é ofender a inteligência alheia, e certamente a estudante Jamily, bem como seus colegas, sabe diferenciar uma coisa da outra.

Já Lula fez o que mais sabe fazer: transferiu responsabilidades e apontou os culpados de sempre – os outros. O presidente creditou a demora das obras em Osasco a “irresponsabilidades” e “falta de vontade” de outros presidentes, provavelmente esquecendo que sua aliada Dilma Rousseff governou o Brasil durante quase seis anos após lhe suceder e deixou um estrago infinitamente maior do que uma obra inacabada.

 

PARTIDO DEMOCRATA DO EUA ESPERA DEFINIÇÃO SOBRE A CANDIDATURA DE BIDEN

 

Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHJAPRESS) – O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama e a ex-presidente da Câmara dos Deputados Nancy Pelosi, duas das figuras mais importantes do Partido Democrata atualmente, manifestaram preocupação quanto à candidatura do presidente Joe Biden em conversas privadas, afirmou nesta sexta-feira (12) a CNN.

A emissora americana atribuiu a informação a mais de dez pessoas que têm contato com ambos os políticos e que falaram em condição de anonimato. Se confirmada, a inquietação representa um duro revés para o presidente, que tenta manter a viabilidade de sua candidatura desde uma criticada participação no debate contra seu rival, o republicano Donald Trump, no final de junho.

De acordo com a CNN, os democratas contatados querem resolver a questão o quanto antes. Alguns deles pedem que Obama e Pelosi ajudem a acabar com as divisões no partido de forma mais enfática.

Parte dos consultados pela emissora argumenta que o fim da candidatura de Biden parece evidente e que, se os dois líderes pensam de forma diferente, deveriam falar isso o mais rápido possível para tentar evitar uma derrota contra Trump nas eleições de novembro.

Obama tem evitado se manifestar nos últimos dias após defender o atual líder sem restrições no passado. No dia seguinte ao do embate com Trump, por exemplo, quando o Partido Democrata estava em pânico, o ex-presidente falou que “noites de debate ruins acontecem”. “Esta eleição ainda é uma escolha entre alguém que lutou pelas pessoas comuns durante toda a sua vida e alguém que só se preocupa consigo mesmo”, afirmou. Procurado pela CNN por meio de sua assessoria, Obama não quis comentar.

Pelosi também já tinha adotado uma postura mais comedida nos últimos dias após vir a público defender Biden logo após o debate. Na quarta (10), porém, ela disse durante uma entrevista à rede MSNBC que o presidente tinha uma decisão a tomar sobre seu futuro e que o tempo estava se esgotando para isso —na prática, um indício de que não considera uma decisão final a reiterada afirmação de Biden de que vai continuar na disputa.

Após a publicação da reportagem, a assessoria da democrata afirmou que nenhum membro do Congresso tem conhecimento de qualquer conversa entre ela e Obama. “Qualquer um que diga que tem não está falando a verdade”, afirmou sua equipe, segundo a CNN.

A notícia veio a público um dia depois de Biden cometer outras duas confusões. A primeira ocorreu durante o encerramento da cúpula da Otan, quando o democrata chamou o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de Putin, presidente da Rússia. A segunda foi durante uma entrevista a jornalistas, ao trocar o nome da vice-presidente, Kamala Harris, com o de Trump.

“Eu não teria escolhido o vice-presidente Trump para ser vice-presidente se não acreditasse que ela fosse qualificada para ser presidente”, disse, quando na verdade se referia a Kamala.

A maioria das pesquisas de opinião realizadas nos últimos dias aponta para um empate entre os dois candidatos ou para a derrota de Biden, se as eleições fossem celebradas hoje. Um levantamento do The New York Times/Siena College de 28 de junho a 2 de julho, por exemplo, indica que Trump está seis pontos percentuais à frente de Biden (49% a 43%) —a margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.

Já uma pesquisa realizada pelo instituto Marist Poll, pela rádio NPR e pela emissora PBS, divulgada nesta sexta, indica que Biden lidera com 50% das intenções de voto, contra os 48% que Trump pontua. A ligeira vantagem numérica, no entanto, é um empate técnico, já que está na margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

O coro que pede publicamente pela desistência de Biden cresceu nos últimos dias. Até a noite desta sexta, 19 dos 213 deputados democratas haviam defendido publicamente que o presidente renuncie à sua candidatura, e um senador entre os 47 do partido fez o mesmo. Já entre os governadores —alguns dos quais estão na lista de cotados para substituir Biden— não havia manifestações públicas.

A insatisfação atinge também aqueles que colocam dinheiro na campanha. Alguns dos principais doadores do Future Forward, maior fundo de doação pró-Biden, disseram ao órgão que US$ 90 milhões (cerca de R$ 490 milhões) prometidos permanecerão congelados enquanto o atual presidente for cabeça de chapa, publicou o New York Times nesta sexta. O jornal atribui a informação a duas pessoas com conhecimento do assunto e afirma que o grupo se recusou a comentar as movimentações internas.

Ainda segundo o New York Times, a campanha de Biden está testando Kamala em pesquisas internas para compreender como ela se sairia como candidata à Presidência contra Trump.

O porta-voz da campanha de Biden, Michael Tyler, por outro lado, afirmou que as doações ao democrata explodiram durante a entrevista de quinta (11). “Estamos vendo forte apoio”, afirmou.

Diante da intensa pressão para sair da corrida, o presidente recebeu um apoio importante nesta sexta. O deputado James Clyburn disse que Biden não deve desistir de sua candidatura. “Estou totalmente comprometido. Apoio Biden, não importa para qual direção ele vá”, disse ele no programa Today, da emissora NBC.

O apoio de Clyburn, voz respeitada pela população negra do país, é tida como essencial para a campanha de Biden. O democrata atua no Congresso há mais de 30 anos e desempenhou um papel de destaque na bem-sucedida corrida do atual presidente à Casa Branca em 2020. Além disso, o eleitorado negro é uma fatia da qual o Partido Democrata não pode se dar o luxo de abrir mão caso queira derrotar Trump nas urnas.

PACHECO DEFENDE MANDATO MENOR PARA JÚIZES DO STF

 

História de Gabriel Hirabahasi e Matheus de Souza – Jornal Estadão

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), voltou a defender nesta sexta-feira, 12, a imposição de um mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Outros tantos países têm. Portugal, Itália e diversos outros países adotam mandato de 12 ou 16 anos para ministro do STF. Hoje no Brasil, um ministro pode ficar até 40 anos”, afirmou.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, participa do 19º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo em São Paulo Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, participa do 19º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo em São Paulo Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil© Fornecido por Estadão

Pacheco disse que “inúmeros ministros do STF do passado” defendem essa proposta. “A nossa ideia, diga-se de passagem, é defendida por inúmeros ministros do STF do passado. Os atuais, não vou falar por eles. Mas ex-ministros defendem a lógica de um mandato, que acho que seria bom à Corte. Obviamente, respeitando aqueles que lá estão. Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, todos que estão não seriam alcançados por uma emenda constitucional desta natureza”, afirmou.

Militares na política

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também afirmou que é favorável ao mérito da proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita candidaturas de militares. “Meu desejo era vê-la votada, mas houve pedido dos dois lados por uma sessão de debates que envolvesse as forças armadas. Como se trata de uma PEC, temos de ter cautela”, disse.

“Sou defensor do mérito da PEC e aqueles que a defendem estão encontrando o melhor momento de vê-la pautada, precisa de 49 votos. É a discussão política própria de se ter os votos e se ver o momento certo para submeter à pauta”, declarou.

O presidente do Senado disse que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, autor da PEC, é quem está a cargo de articular o momento de votação. O presidente do Senado, porém, defendeu que isso aconteça ainda neste ano. “Defendo que em algum momento neste segundo semestre devemos colocar para votar para ter o resultado, ou aprova ou rejeita”, afirmou.

MILEI DIFICULTA A DIPLOMACIA DE LULA NO MERCOSUL

 

História de Felipe Frazão – Jornal Estadão

ENVIADO ESPECIAL A ASSUNÇÃO – Os embates políticos que marcaram a Cúpula do Mercosul prenunciam tempos difíceis para o governo Luiz Inácio Lula da Silva e os esforços de impulsionar o bloco. A reunião de presidentes explicitou a blitz conservadora de Javier Milei na diplomacia argentina. O governo brasileiro saiu de Assunção, no Paraguai, chocado com a postura argentina e preocupado com o futuro do principal bloco de que faz parte, em aspectos políticos e econômicos.

Milei desistiu de comparcer ao Mercosul após novo entrevero com Lula. Ele negou uma relação causa e efeito. Inegável, porém, é que essa decisão esvaziou a cúpula. Além disso, a ausência é inédita – jamais um presidente argentino faltou à reunião do bloco.

Sombra. Milei não saiu na foto, mas pautou e emperrou discussões na cúpula do Mercosul Foto: Divulgação/Presidência do Paraguai

Sombra. Milei não saiu na foto, mas pautou e emperrou discussões na cúpula do Mercosul Foto: Divulgação/Presidência do Paraguai© Fornecido por Estadão

Se o boicote de Milei, por um lado, adiou um potencial mal-estar com Lula, por outro não miminizou os impactos de sua agenda liberal e conservadora. Milei não saiu na foto, mas fez sombra ao Mercosul. Pautou e travou discussões. A troca de governo na Casa Rosada, afinal, era ainda a novidade no Mercosul.

A ausência de Milei foi mal recebida por rivais e colegas do argentino, por ser um sinal de falta de prioridade. O desinteresse pelo Mercosul já pairava no ar desde a campanha eleitoral. Havia desconfiança com as bravatas do libertário, que ameaçou retirar o país do bloco.

Milei foi cobrado por aliados e rivais. Lula disse que “quem perdeu foi quem não veio” e classificou a falta como “bobagem imensa” do argentino. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, fracassou na tentaviva de aproximar os líderes das principais economias do bloco. Ao Estadão, disse que não vai desistir. “Seguiremos buscando a construção de pontes entre os países sul-americanos”, afirmou Peña.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, vai capitanear o Mercosul no segundo semestre. Coube a ele dar o recado mais direto contra a postura dúbia de Milei. Ele afirmou que não importa somente o teor da mensagem, mas também quem é o mensageiro. “Se o Mercosul é tão importante deveríamos estar aqui todos os presidentes”, criticou Lacalle Pou.

A delegação da Argentina, capitaneada pela chanceler Diana Mondino (centro), travou embates de viés ideológico no Mercosul Foto: Divulgação/Ministério das Relações Exteriores do Paraguai

A delegação da Argentina, capitaneada pela chanceler Diana Mondino (centro), travou embates de viés ideológico no Mercosul Foto: Divulgação/Ministério das Relações Exteriores do Paraguai© Fornecido por Estadão

Reforma

Em vez de estrear, Milei enviou como porta-voz a chanceler argentina Diana Mondino, que anda desprestigiada no próprio governo e é enviada por Milei aos países onde o presidente não quer ir. Mondino assegurou a permanência argentina no bloco, sem inspirar muita confiança. Propôs uma “atualização” do Mercosul, uma agenda reformista para, segundo ela, dinamizar o bloco. “Creio que o Mercosul está precisando de um choque de adrenalina”, resumiu.

A ministra transmitiu a visão do governo Milei sobre o estado geral de coisas no Mercosul. Escolheu o termo italiano aggiornamento para se referir à reforma, que inclui: uma “profunda revisão” sobre o orçamento em 2025; mais agilidade na tomada de decisão e implementação de normas; nova rodada de discussão sobre a tarifa externa comum; e o principal no comércio exterior – a “flexibilidade” para que cada país membro do Mercosul possa negociar a seu tempo, e no formato país a país, os acordos comerciais.

Essa proposta altera uma regra fundamental do bloco, a negociação em conjunto pelos membros dos acordos de livre comércio – e não de forma bilateral. De olho em se beneficiar na relação com a China, o Uruguai já perseguia essa mudança e se disse satisfeito. Brasil e Paraguai não. Por isso, aliás, amarraram o bloco e impediram que a sugestão de liberar negociações comerciais bilaterais constasse no comunicado conjunto, como pretendia Mondino.

As propostas econômicas em si não foram vistas como um disparate – nem eram totalmente novas, no caso da principal. Brasil, Paraguai e Uruguai também reconhecem problemas internos e se queixam da manutenção de barreiras não tarifárias, de que setores industriais não foram totalmente integrados e dizem que o Mercosul precisa se aprimorar. A questão foi mais política.

Guerra nos comunicados

Se em público a Argentina defendeu a “atualização” do bloco, nos bastidores a tropa enviada por Milei foi apontada como o ator que sabotou os comunicados do Mercosul e apresentou uma agenda “retrógrada”, ao menos aos olhos de Brasília.

Barravam assuntos por viés ideológico, ao tempo que pleiteavam inserir temas de interesse exclusivo da Argentina, relatou um embaixador diretamente envolvido.

O Mercosul negociou a publicação de três documentos. Em reuniões multilaterais como essas, os comunicados são a palavra final do bloco e dos países participantes.

O principal deles é o Comunicado dos Estados Parte e da Bolívia – que formalizou adesão na segunda-feira, dia 8. O texto saiu, mas ficou bastante desidratado e genérico, por causa de imposições de viés ideológico e diferenças políticas e comerciais.

Um segundo, chamado de Comunicado dos Estados Parte e Associados (Chile, Colômbia, Equador, Peru, Guiana e Suriname), pela primeira vez na história naufragou por divergências puramente políticas.

Golpe ou autogolpe em La Paz

A principal delas era a sugestão boliviana, apoiada pelo Brasil, de incluir uma menção textual à “tentativa de golpe de Estado” na Bolívia. Os argentinos se insurgiram.

O parágrafo foi vetado pela Argentina, que já tinha apontado outras resistências. Isso fez com que os paraguaios desistissem da publicação do comunicado. Eles perceberam que, ao fim da cúpula, levariam aos presidentes um documento muito superficial.

Dias antes da cúpula, Milei acusou o governo de Luis Arce, presente à reunião, de montar uma farsa em La Paz e encomendar um autogolpe. Arce negou essa versão diante dos presidentes na cúpula.

Elefante na sala

A chanceler de Milei chegou a dizer, no meio da plenária presidencial, que o documento proposto para ser assinado pelos membros e demais países sul-americanos era “o elefante na sala”. Ela lamentou a falta de consenso. Pediu que os países tivessem “maturidade” para trocar opiniões e afirmou que ainda esperava por um “milagre” para o comunicado. Mas nenhum santo diplomata foi capaz de operá-lo.

O mesmo impasse se repetiu na negociação do documento principal, que seria referendado pelos presidentes dos atuais sócios do Mercosul. O Itamaraty entrou em cena e disse que Lula não iria transigir. Deveria sair ao menos uma referência ao assunto, porque o Brasil também havia sido alvo de atentados golpistas no 8 de janeiro de 2023.

Brasil e Bolívia, que consideram a intentona militar uma tentativa de golpe, tiveram que ceder e calibrar a linguagem como forma de “salvar” a publicação do comunicado final e evitar um fiasco diplomático. A Argentina trucou: disse que o tema já havia enterrado o segundo comunicado e, se o texto não fosse amenizado, poderia levar o principal ao mesmo destino.

Ao fim, a menção à quartelada na Bolívia foi atenuada e deixou de contar com uma mensagem de solidariedade a Arce, aproximando-se bastante do teor que os argentinos desejavam. Constou no comunicado: “Toda tentativa de afetar instituições democráticas ou afetar a ordem constitucional na Bolívia deve ser condenada”.

O Mercosul publicou ainda um texto especial, a Declaração Presidencial sobre Luta Contra o Crime Organizado Transnacional, patrocinado pelos governos Peña e Milei.

A diplomacia brasileira está apreensiva com os efeitos da política externa de Milei na região Foto: DANIEL DUARTE/AFP

A diplomacia brasileira está apreensiva com os efeitos da política externa de Milei na região Foto: DANIEL DUARTE/AFP© Fornecido por Estadão

Cada palavra nesses documentos é negociada, nos dias que antecedem a cúpula, por diplomatas, embaixadores, chanceleres e até presidentes, como ocorreu em Assunção. As conversas emperraram, e o teor dos comunicados só foram divulgados cinco horas depois do fim da reunião de líderes.

Diferenças políticas, ideológicas e de interesse nacional são corriqueiras e se repetem em diversos fóruns multilaterais – o Mercosul não escapa a essa lógica. Mas há uma particularidade: o bloco funciona pela regra do consenso, portanto, basta que um país se manifeste contra para bloquear todo o trabalho.

VAR

O comportamento dos argentinos foi descrito por embaixadores como o de um governo que estava na sala do VAR, e não em campo. Em vez de buscar compor e construir consenos, o que pressupões flexibilidade para ceder, converteu-se em “árbitro” moral do que deveria ou não constar nos comunicados e na agenda do Mercosul.

Assim, os representantes de Milei bloquearam a criação de um subgrupo para discutir Comércio e Gênero. A ideia era patrocinada pelo Paraguai. Temas identitários, como a reunião sobre direitos de afrodescendentes, referências à emergência climática, ao desenvolvimento sustentável e assuntos de cunho social foram barrados pela delegação argentina.

A Argentina impôs tantas objeções – as chamadas “linhas vermelhas” na redação dos textos – que os negociadores mal conseguiram contar quantas foram. Destacar algo como linha vermelha, no jargão diplomático, singifica dizer que é “inaceitável” discutir aquele assunto.

Diplomatas brasileiros descreveram essa postura como “muito extremada” e desinteressada em chegar a acordos para entregar resultados a todos os países – isto é, que cada um tenha seus interesses notados pelo bloco.

Isso porque eles oposueram a uma agenda básica, já consagrada nos fóruns internacionais e considerada mainstream na diplomacia. Não havia grandes inovações. A discussão sobre o empreendedorismo feminino já existe em outras instâncias, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). E a chamada Agenda 2030 é promovida pelas Nações Unidas.

A Argentina respondia com ironia e pregava flexibilidade dos demais. “Com o tempo, o Mercosul deixou de ser uma válvula de escape para nossas fraquezas e se converteu em um espartilho. Desculpem, mas as mulheres usam espartilho, então é uma questão de gênero. É algo que nos aperta e não nos deixa mover, termina ampliando nossos problemas internos”, provocou Mondino.

Palestina

Além das questões de gênero e da tese sobre o golpe na Bolívia, houve ainda um embate sobre a crise no Oriente Médio. Isso porque, dias antes da cúpula, o governo Lula fez um aceno político aos palestinos e deu andamento aos procedimentos burocráticos para colocar em vigor um acordo de livre comércio entre Mercosul e Palestina.

Lula fez questão de citar que o Brasil foi o primeiro país do bloco a ratificar o acordo, assinado em 2011 por todos os membros. No Brasil, ele estava engavetado desde 2018, quando passou no Congresso. Faltava a ratificação – o efetivo envio pelo País à sede do Tratado de Assunção, na capital paraguaia. O bloco também possui um acordo com Israel, vigente desde 2010.

No contexto da guerra na Faixa de Gaza, o presidente não só sacou o acordo com palestinos da gaveta como quis que houvesse uma menção ao fato na declaração principal. Mais uma vez, Brasília e Buenos Aires se chocaram, e a citação caiu.

Ao contrário do petista, que acusa o governo de Israel de genocídio e vive uma crise diplomática com Tel Aviv, o libertário Milei viajou ao país e declarou apoio a Benjamin Netanyahu na guerra contra o grupo terrorista Hamas.

Diplomacia como campo de batalha cultural

A decisão de Milei de submeter sua política externa a caprichos ideológicos repete uma fórmula já experimentada no Brasil, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e outros governos de direita no mundo.

A vinda dele ao CPAC no Brasil, no fim de semana anterior ao Mercosul, para discursar contra o socialismo e depois alegar sobrecarga de agenda e cancelar sua participação no bloco foi um recado claro do que mais lhe interessa.

Não foi a primeira vez que Milei deu mais atenção a convescotes da direita global do que à agenda de chefe de Estado. Ele também participou de conferências similares nos EUA e na Espanha neste ano, sem ter reuniões com o governante desses países.

O libertário argentino quer fomentar um alinhamento da direita global e colocou a diplomacia presidencial a esse serviço. A política externa, também na Argentina, virou campo de batalha cultural.

Nos embates do Mercosul, Milei demonstrou que a chancelaria argentina – que até então buscava manter uma aura de pragmatismo – está agora sob comando central da Casa Rosada. Em Buenos Aires, essa virada vem sendo atribuída a um crescente influência da irmã do presidente, Karina Milei. Secretária-geral da Presidência, ela se apoderou da agência argentina de promoção de exportações e atração de investimentos e nomeou pessoas de sua confiança no Ministério das Relações Exteriores.

Como lidar com Milei?

Quem conheceu Milei mesmo antes da campanha eleitoral afirma que Karina é uma das únicas pessoas capaz de controlar e convencer o presidente. A economista Mondino também cumpriu por algum tempo esse papel de bombeira nas relações exteriores. Mas tem perdido poder e protagonismo para Karina – e também colaboradores próximos na chancelaria.

Milei se exaspera com episódios banais e mobiliza a burocracia estatal. Em abril, forçou altos funcionários das chancelarias da Argentina e do Paraguai – e até o presidente Santiago Peña – a entrarem em campo para exigir que um jornalista paraguaio publicasse um pedido de desculpas a ele no X (antigo Twitter). Ou seja, em público.

Durante o lançamento de um livro em Assunção, do qual participava virtualmente, Milei havia se irritado com uma pergunta sobre o risco de retorno da esquerda ao poder se suas políticas não dessem resultados e não houvesse uma “mudança cultural” na Argentina. Não bastou que ele enviasse uma mensagem de voz por meio da chanceler Mondino. O caso só foi encerrado depois que o jornalista fez a publicação no X – a qual Milei se deu ao trabalho de responder: “Desculpas aceitas”.

Imagine-se então quais seriam as chances de o argentino ceder – e como não reagiu em privado – à cobrança pública de desculpas feitas por Lula durante uma entrevista, por ter dito “muita bobagem” sobre ele e o Brasil. Em público, Milei rechaçaria dobrando a aposta nas ofensas e provocações, reafirmando que considera o petista “corrupto”.

O detalhe está não apenas no que se propõe, mas como se conduz a diplomacia presidencial com o governo Milei. É uma questão de como lidar com ele e sua equipe.

Diplomatas que negociaram ao longo de dias as declarações finais do Mercosul, em Assunção, saíram da capital paraguaia extenuados e estupefatos com o comportamento da nova equipe à frente dos trabalhos em Buenos Aires.

A Cúpula do Mercosul foi a primeira vez que uma comitiva brasileira, em nível presidencial, se viu diante da postura de Milei e teve complicações para acomodar as divergências. Não que o alerta não estivesse dado.

OEA

Na semana anterior, o Paraguai sediou a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). A OEA não tem recebido a mesma atenção política do Palácio do Planalto, e o País foi representado pela secretária-geral da Relações Exteriores, a embaixadora Maria Laura da Rocha. Diplomatas reportaram a Brasília um comportamento muito similar da delegação de Milei, com a postura de bloquear a discussão de temas da pauta moral.

“Aqui na OEA o governo argentino está propondo suprimir todo tipo de posição, toda fala possível sobre direitos adquiridos, até mesmo preconceitos antissemitas, racistas, questões climáticas, negacionismo climático. Estamos vendo um aprofundamento da posição antidireitos humanos ao redor do mundo”, denunciou durante um seminário no Itamaraty o ativista Victor De Wolf, representante da Associação Internacional Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ILGA). “Se antes o governo brasileiro (Bolsonaro) às vezes era tímido, o argentino (Milei) não está sendo nem um pouco.”

Enquanto sugere rever o financiamento do Mercosul e como as decisões internas são tomadas, a Argentina também bloqueia a agenda 2030. Há suspeita de que seja uma forma de domar órgãos do Mercosul, como o Instituto Social, sediado em Assunção, e o Istituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos, em Buenos Aires.

“Quem decide, em que se gasta e como se gasta não pode ficar à deriva. Deve haver escrutínio, uma decisão colegiada e auditoria posterior”, defendeu Mondino, repetindo o lema no hay plata (não temos dinheiro).

De certa forma, Milei reproduz agora na política externa também parte da guerra que já trava internamente. No início do governo, ele mandou acabar com o ministérios das Mulheres e do Meio ambiente. Avançou contra os meios de comunicação públicos, com impacto sobre rádio, TV e agência de notícias, e comprou briga com o premiado cinema argentino, ao propor cortes de recursos para o Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais. O Mercosul, por sua vez, acaba de assinar um acordo de promoção das coproduções audivisuais e cinematográficas. O que também foi considerado uma provocação.

Em sete meses de governo, Milei virou sinônimo de tensionamento político internacional. Como faz da busca pelo confronto uma plataforma de promoção, passou a colecionar embates diretos com líderes estrangeiros e crises diplomáticas. Na lista, figuram Brasil, México, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Nicarágua e Venezuela, na América Latina. Na Europa, rompeu com a Espanha. Agora desagradou ao Paraguai, um aliado, ao faltar ao Mercosul.

O Itamaraty está apreensivo com o que restará quando a Argentina de Milei assimir a presidência temporária, a partir de dezembro de 2024. Como as portas no Palácio do Planalto seguem fechadas para ele, diplomatas diretamente envolvidos com o Mercosul esperam que o governo Lacalle Pou consiga, até lá, torear a blitz conservadora, por ambos terem pontos afins e intereses comuns.

Lacalle Pou, porém, busca se diferenciar de Milei. Seu governo busca pragmatismo e equilíbrio, foco no comércio livre, na infraestrutura e em acordos comerciais com o resto do mundo. Em fevereiro, ele se manifestou contra um dogma para o argentino e disse diante dele, em palestra na Fundación Libertad, que defende o “Estado forte” para dar suporte aos mais pobres, a fim de que possam desfrutar das liberdades individuais.

“Certamente foi ruim, foi um precedente muito lamentável, um sinal de isolamento que cria dificuldades”, resumiu um embaixador brasileiro, que falou sobre condição de anonimato. “Todo país quer entregar resultados concretos e dificilmente se consegue isso sem uma postura equilibrada.”

Timidez sobre Venezuela

Embate permanente e vigilância com lupa sobre o que se assina ou deixa de assinar, recados nas entrelinhas dos textos e ironia nos discursos. A quantidade de problemas ocupou as delegações, e a cúpula do Mercosul terminou com um recado tímido sobre as eleições presidenciais na Venezuela. A votação ocorre no dia 28 de de julho, sob desconfiança de que haja desequilíbrio e pelo impedimento de candidatos opositores.

O país foi suspenso do bloco em 2017 por causa da ruptura da ordem democrática, perseguição política e desrespeito a direitos humanos por parte do regime de Nicolás Maduro. E a relação com o ditador chavista também polariza.

Não houve nenhuma menção nos discursos, tampouco nos comunicados oficiais do Mercosul, à exceção de uma mensagem do Uruguai quando Lacalle Pou recebeu formalmente o martelo do bloco.

“Todos temos aproximações distintas com o governo venezuelano. Alguns o consideram uma ditadura, outros não. Mas aqui tem países que podem fazer muito nesse processo eleitoral”, disse Lacalle Pou, olhando em direção à delegação brasileira, onde estava sentado Lula. “Pelo bem do povo, e ganhe quem tenha que ganhar. Em geral não interferimos em eleições externas, nem decisões populares de outros países, mas que se respeitem os direitos humanos e eleitorais. Façamos todos um esforço para que sejam eleições livres e democráticas, e o povo venezuelano eleja quem vai reger seu destino.”

VIABILIZAÇÃO DE ESTUDOS PARA CONTRUÇÃO DA ESTRADA DE FERRO ENTRE ES E RJ

 

História de Gabriel Vasconcelos – Jornal Estadão

RIO – A Prumo Logística, dona do Porto do Açu, vai entregar ao governo federal um pacote de estudos de viabilidade e engenharia executiva para a licitação da construção da Estrada de Ferro 118 entre Espírito Santo e Rio de Janeiro. O projeto de 530 quilômetros de trilhos pode conectar a Estrada de Ferro Vitória-Minas, concedida à Vale, em Cariacica (ES) à malha da MRS em um ponto de Nova Iguaçu (RJ). Discutido há pelo menos uma década, o projeto deve constar do Plano Nacional de Ferrovias, em preparação pelo governo federal.

A construção é de interesse direto da Prumo, empresa controlada pelo fundo americano EIG Global Energy Partners, porque integraria o Açu à malha ferroviária nacional, mudando a escala de movimentação do porto, hoje limitado a rodovias.

Com o trem, a “mancha de captura” potencial de grãos, por exemplo, cresceria no Centro-Oeste, aumentando em mais de quatro vezes o volume movimentado, que poderia chegar a 30 milhões de toneladas por ano, estimam executivos da Prumo. Somente com caminhões, como acontece hoje, o limite de viabilidade dessa mancha é o sul do Estado de Goiás. Atualmente, escoar a produção do agronegócio é um dos focos do Porto do Açu no curto prazo.

Outra possibilidade é aumentar o volume de minério escoado. Em 2023, o Porto do Açu movimentou cerca de 24 milhões de toneladas de minério de ferro molhado trazidos de Minas Gerais pelo mineroduto da Anglo American, em que a Vale tem parte. A capacidade máxima é de 26 milhões de toneladas. Com a ferrovia, esse teto subiria.

Porto de Açu só tem acesso por via rodoviária atualmente Foto: Divulgação / Prumo Logística

Porto de Açu só tem acesso por via rodoviária atualmente Foto: Divulgação / Prumo Logística© Fornecido por Estadão

O presidente do Porto do Açu, Eugênio Figueiredo, diz que a conexão ferroviária vai fazer a movimentação de cargas do porto crescer em “progressão geométrica”. Hoje essa movimentação está na casa das 85 milhões de toneladas por ano, concentrada em minério e petróleo.

Diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Prumo, Eduardo Kantz disse ao Estadão/Broadcast que nunca se esteve tão próximo de tirar o projeto da EF-118 do papel. Para além da finalização dos estudos, há disposição do governo Lula em aportar dinheiro público em ferrovias, viabilizando as grandes linhas planejadas para o País, à diferença do governo anterior, que apostava no modelo de autorização e no investimento totalmente privado.

“O que vamos fazer com esses estudos é ajudar a viabilizar a concessão da EF-118, para que o ministério possa tirá-la do papel”, diz Kantz.

Esses estudos foram feitos por empresas contratadas, especializadas em modal ferroviário, e envolvem avaliações de engenharia, de demanda de carga, além de estudos ambientais, fundiários e jurídicos que poderão ser incorporados pelo Ministério dos Transportes.

Prazos e obstáculos

A ideia é subsidiar a etapa de projeto e acelerar o rito de concessão, que envolve desenho de edital, aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), realização de audiências públicas e, finalmente, um leilão. Segundo o executivo, há sinalização do governo para um leilão ainda em 2025, a fim de encaminhar o projeto no governo Lula. “Depois disso, são pelo menos três ou quatro anos para a construção da linha”, diz.

O diretor evita estimar um custo por quilômetro de trilho antes da entrega dos estudos, mas lembra que as principais variáveis nesse tipo de projeto são volumes de conflitos urbanos; desapropriações; intervenções como pontes e viadutos; e restrições ambientais.

“Já sabemos que a região a ser cortada pela EF-118 é menos complexa se comparada a outras, como a da Ferrogrão (entre Mato Grosso e Pará) no quesito socioambiental. O que pesa são questões ligadas ao terreno de fato, se é mais ou menos plano”, explica. E diz que, por se tratar de um projeto de integração do Sudeste, com estudos avançados e com o atrativo de um Porto capaz de desafogar a pressão sobre pares, como o Porto de Santos, a EF-118 estaria bem posicionada na fila de ferrovias a serem construídas no País.

Especificamente no caso da ligação da EF-118 com o Açu, ainda seria necessária a construção de outra ferrovia “perpendicular” de 40 quilômetros, ligando a nova linha ao litoral. A Prumo, diz Kantz, já tem autorização federal para construir esse trecho menor a um investimento próprio estimado em R$ 600 milhões.

Plano Nacional

A expectativa é que a EF-118 seja incluída no Plano Nacional de Ferrovias, a ser divulgado nas próximas semanas pelo Ministério dos Transportes. O Plano prevê parcerias público-privadas (PPPs), com aportes federais para viabilizar os projetos, que também contarão com o investimento privado de quem vencer os leilões. Leva a concessão quem oferecer o maior desconto ao gasto público.

A União, segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, deve colocar pouco mais de R$ 20 bilhões no plano. A maior parte desse montante, prevê o governo, viria da repactuações de contratos de renovação antecipada de concessões já existentes.

PRODUTIVIDADE DAS PESSOAS EM QUAL HORÁRIO É MELHOR?

 

História de Pedro Pannunzio – Jornal Estadão

A crença de que as pessoas são mais produtivas na parte da manhã é quase um senso comum em alguns círculos. Mas, um grupo de pesquisadores colocou em xeque essa máxima. O estudo, publicado na revista científica BMJ Public Health, indica que pessoas com hábitos noturnos têm uma atividade cognitiva mais elevada do que pessoas matutinas.

O grupo analisou dados de mais de quase 27 mil pessoas de 53 a 86 anos para investigar a relação entre sono e habilidades cognitivas. Os dados foram extraídos do UK Biobank, um repositório biomédico de dados anônimos de milhares de pacientes do Reino Unido.

Resultados da pesquisa mostraram que adultos noturnos tiveram desempenho superior aos diurnos. Foto: Prostock-studio/Adobe Stock

Resultados da pesquisa mostraram que adultos noturnos tiveram desempenho superior aos diurnos. Foto: Prostock-studio/Adobe Stock© Fornecido por Estadão

Os pesquisadores cruzaram dados de testes cognitivos com as preferências de horários de cada pessoa. Os “voluntários” foram divididos em dois grupos e, dentro dessa separação, foram classificados entre noturnos (aquelas pessoas que dizem preferir realizar atividades na parte da tarde e noite) e os diurnos (que preferem realizar as atividades na parte da manhã).

“Nosso estudo descobriu que adultos que são naturalmente mais ativos à noite tendem a ter um desempenho melhor nos testes cognitivos do que aqueles que são pessoas matutinas”, disse Raha West ao Imperial College London, uma das instituições envolvidas no estudo.

Os resultados mostraram que, no primeiro grupo, os noturnos tiveram um desempenho 13,5% superior aos diurnos. No segundo grupo, a diferença ficou em 7,5%. West, no entanto, disse que os resultados mostram uma tendência e não podem ser aplicados de forma indiscriminada para definir todas as pessoas.

“É importante ressaltar que isso não significa que todas as pessoas matutinas têm pior desempenho cognitivo. As descobertas refletem uma tendência geral em que a maioria pode inclinar-se para uma melhor cognição nos tipos noturnos”, disse.

Os pesquisadores ainda fazem uma outra ressalva. Mais do que a preferência de horários, a duração do sono é, também, bastante importante. O estudo diz que dormir menos de 7 horas, ou mais de 9 horas por noite pode prejudicar a função cerebral.

ERRAR É PARTE DO PROCESSO DE CRESCIMENTO E APRENDIZAGEM É A CHANCE DE FAZER MELHOR DA PRÓXIMA VEZ

 

Giuliana Tranquilini – Professora e colunista da StartSe

A jornada de construção de uma Marca Pessoal eficaz envolve a compreensão de que o fracasso não apenas é inevitável, como essencial.

Foto: Pexels

Tabu, derrota, mancha na imagem profissional. São alguns termos com que o mundo corporativo costumava associar histórias sem “final feliz”. Ainda que todos saibam que ele exista e não haja quem não o enfrente uma hora ou outra, o fracasso é sempre aquele convidado que chega na festa e causa mal estar. É o elefante na sala, se preferirem.

Quando a gente observa uma criança pequena aprender a andar, é fácil entender que a habilidade real não está em evitar fracassos ou tombos, mas em como se responde a eles. 

Uma abordagem construtiva aos fracassos pode revelar resiliência e a capacidade de adaptação, qualidades altamente valorizadas em qualquer profissional. Já pensou se os tombos iniciais fizessem a criança optar por permanecer engatinhando?

  • A jornada de construção de uma Marca Pessoal eficaz envolve a compreensão de que o fracasso não apenas é inevitável, como essencial. 

Aqui no Vale do Silício, eu diria até que “errar” sempre esteve em alta. Seja em uma explosão no lançamento da SpaceX, seja no Metaverso de Mark Zuckerberg ou ainda nos “n” produtos da Alphabet (Google) que não dão certo e são descontinuados ou mudam de nome sem aviso prévio.

Por que eu digo isso? Quando a SpaceX lançou a Starship, a nave mais poderosa do mundo que pretende no futuro levar seres humanos até Marte, seu propulsor explodiu três minutos após o lançamento. A empresa do bilionário Elon Musk admitiu que a explosão não era programada, mas argumentou também que o teste tornará a nave mais confiável.

Ou seja, erros precisam acontecer agora para que os cientistas descubram o que não pode dar errado quando a nave for finalmente tripulada. Os lançamentos são sempre celebrados, cada vez que algo dá errado, novas adaptações são feitas. Há quem critique os valores que Musk investe em cada “fracasso“, mas ninguém pode dizer que ele não se esmera na busca pela excelência no processo. 

Talvez pelo fato de que na Era da Informação, as empresas mais valiosas do mundo são “Big Techs”, o Vale do Silício tornou-se um local que convida ao erro, um local de experimentação, que dá margem para recalcular a rota. 

  • Só não vale errar por anos e esconder isso de seu público, como Elizabeth Holmes, ex-Theranos, que hoje cumpre pena de prisão por fraude.

A expectativa é de que a antiga “nova Steve Jobs“, como foi apelidada na época, seja libertada em dezembro de 2032. Há quem aposte que ela irá fazer como Nelson Mandela, ou seja, irá transformar os anos de cadeia em parte de sua história e marca pessoal.

Não só nas gigantes da Califórnia como na sua própria jornada como empreendedor, é preciso ver que cada erro carrega consigo uma lição

No contexto de todo e qualquer tipo de personal branding, independente da metodologia a que se recorra, entender e refletir sobre as falhas e gaps pessoais é parte inescapável de uma boa construção de Marca Pessoal. Desconfie de quem tentar vender só positividade. Magic Kingdom é um parque!

Acertar é possível?

“O que significa errar para você?”, essa foi uma pergunta que me fizeram recentemente em um podcast. Respondi sem medo que, obviamente, ninguém gosta de errar, mas é parte do processo de crescimento e aprendizagem. Para mim, como empreendedora, é a chance de poder fazer melhor da próxima vez. Identifico o problema e ajusto a rota.

Isso evita a repetição dos erros e traz insights valiosos para um processo de melhoria progressiva e contínua. A capacidade de aprender com os erros é um indicativo de um profissional que não teme desafios e está sempre buscando evoluir.

Admitir falhas publicamente soa contraintuitivo para alguém de prestígio. Contudo, mostrar-se vulnerável de maneira estratégica e autêntica pode aumentar significativamente a confiança que os outros têm em você. Já pensou nisso?

Se os maiores gênios da humanidade escorregam, não errar seria, em si, um erro, certo? Ser transparente sobre as próprias falhas demonstra integridade e humanidade, características que atraem e retêm conexões profissionais e pessoais profundas.

Particularmente em culturas como a brasileira, existe forte resistência à ideia de falhar. O desafio é ainda mais acentuado em ambientes que não incentivam a tomada de riscos.

No entanto, criar um espaço em que o risco é permitido e o fracasso como meio de acertar é crucial para o desenvolvimento de uma Marca Pessoal resiliente e adaptável.

Recentemente, Matt Abrahams, autor e professor de Comunicação Estratégica da Stanford Graduate School of Business, convidou para o seu podcast “Think Fast, Talk Smart: Communications Techniques” a também autora e professora da Harvard Business School, Amy Edmondson, para trocar ideias a respeito da arte de fracassar.

Ela lançou recentemente o livro “Right Kind of Wrong: The Science of Failing Well”, algo como “O Tipo Certo de Erro: A Ciência de Falhar Bem”, ainda sem tradução no Brasil. 

Ela oferece tanto em sua fala como na obra, ótimos insights sobre como categorizar e aprender com diferentes tipos de fracassos. O objetivo? Em uma organização, fomentar a inovação e a eficácia da equipe. E, claro, ao fazer isso, a sua essência, a sua Marca Pessoal como líder, ganha força.

Não há só uma forma de fracassar

A autora lista os fracassos em três categorias distintas, cada uma delas com lições e implicações próprias para o aprendizado, seja a pessoa liderança ou colaborador de uma empresa.

A primeira, chamada de fracasso básico, inclui erros resultantes de desatenção ou esforço insuficiente. Embora muitas vezes vistos como desnecessários, atuam como lembretes vitais para manter a vigilância e dedicação. Revisar é preciso.

Já o fracasso complexo emerge em sistemas intrincados onde múltiplos componentes podem interagir. Esses fracassos são frequentemente inevitáveis, ocorrendo durante tentativas de inovação ou em resposta a mudanças nas condições existentes.

Eles são particularmente valiosos por exporem vulnerabilidades no sistema que precisam ser corrigidas, incentivando melhorias em processos e mecanismos de segurança.

O fracasso inteligente é o mais importante. São experimentos deliberados, de resultados incertos. Este tipo é fundamental para inovações transformadoras e aprendizado significativo. Motivam a exploração e o teste de ideias: impulsionam o avanço e a descoberta em ambientes altamente competitivos e dinâmicos.

A autora também destaca a importância de transitar da ruminação para a reflexão. Lembra do que eu respondi ao podcast que mencionei acima? Ao invés de meramente remoer os fracassos, é necessário analisá-los de forma construtiva. Ou não há crescimento pessoal.

Além disso, só a capacidade de se comunicar de forma aberta e eficaz irá criar um ambiente onde o fracasso se torna oportunidade para crescimento. Um espaço seguro onde uma equipe possa expressar ideias não convencionais, desafiar normas e compartilhar suas falhas sem medo de julgamento é indispensável para fomentar a inovação.

Dentro dessa atitude produtiva com o erro, é preciso ter segurança psicológica para experimentar e falhar, e ainda criar ferramentas onde lições sejam tiradas dos fracassos. Estes passos ajudam a criar uma equipe resiliente e adaptável, além de garantir que cada erro contribua para o sucesso coletivo.

Gerenciar o erro

Uma maneira eficaz de lidar com erros, sejam eles do tamanho que forem, é a busca constante por feedback. Isso não só ajuda a identificar áreas de melhoria, mas também demonstra um compromisso com o crescimento pessoal e profissional. Aliás, você dá abertura para receber críticas? 

Lembre-se: não leve o lado pessoal, julgue a ação. No método Fly para fortalecer a marca pessoal, que desenvolvi junto com a Susana Arbex, a realizamos o Feedback 360º anônimo para avaliar sua reputação, pedimos para pessoas que convivem ou conviveram com o nosso cliente para falar qual imagem que eles percebem daquele cliente. Isso é fundamental para a gente entender como somos percebidos pelo outro.

Documentar suas falhas e as lições aprendidas pode transformar experiências negativas em exemplos de determinação e capacidade de superação. E, claro, compartilhar esses “casos de estudo” não apenas enriquece seu perfil profissional, mas também serve como inspiração para outros que podem estar enfrentando desafios semelhantes. Ser um exemplo é uma forma natural de estabelecer uma marca realmente única.

A chave para uma marca pessoal forte não é ser infalível, mas a habilidade de transformar falhas em pilares de crescimento. Ao enfrentar seus fracassos de frente e aprender com eles, você não só demonstra o tamanho da sua garra, mas também constrói uma marca pessoal que verdadeiramente ressoa com autenticidade e confiança.

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A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

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sexta-feira, 12 de julho de 2024

ENRGÉTICO É TOMADO PARA QUE QUALQUER TAREFA PAREÇA MENOS CANSATIVA

 

História de Ana Paula Ferreira – BF Boa Forma

energetico

energetico© Racool_studio/Freepik

Basta tomar alguns goles de energético durante um dia corrido para que qualquer tarefa pareça menos cansativa. Isso ocorre porque a composição destas bebidas realmente ajuda a ficar mais alerta e ter mais atenção. Contudo, de acordo com estudos e profissionais, o preço pode ser alto, uma vez que os efeitos dessas substâncias no organismo são variados e nem sempre benéficos.

Recentemente, um estudo divulgado no Public Health Journal apontou que o consumo de bebidas energéticas ricas em cafeína, taurina e açúcar pode afetar seriamente a saúde mental de crianças e adolescentes, incluindo a ocorrência de pensamentos suicidas.

Essa conclusão veio após a análise de 51 estudos feitos anteriormente com mais de 1,2 milhão de crianças. Ansiedade, dificuldades de aprendizagem, depressão e insônia foram alguns dos efeitos relatados.

De acordo com a cardiologista e professora de Medicina da Universidade Positivo, Chiu Yun Yu Braga, “exagerar no consumo dessas bebidas pode causar dependência de cafeína e está associado a comportamentos de risco”.

Efeitos do energético no organismo

De acordo com Yun Yu Braga, à medida que a cafeína, o açúcar e outros ingredientes, como a taurina, começam a surtir efeito no organismo, as pessoas podem experimentar diferentes sensações físicas. Além dessas mudanças perceptíveis, outros efeitos mais discretos também podem ocorrer.

“Logo após a ingestão de um energético, nos primeiros dez minutos, já se nota, por exemplo, um aumento significativo da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. A alta dose de cafeína age como um estimulante no corpo, provocando a elevação da frequência cardíaca e da pressão”, explica a médica.

Segundo ela, a cafeína pode estar presente nos energéticos em doses de até 150 mg e a dose segura de cafeína é de até 400 mg por dia. Além disso, os efeitos citados acima tendem a ser mais agudo em consumidores mais jovens.

Passados 15 a 20 minutos do consumo, a cafeína pode deixar as pessoas mais alertas e concentradas. No entanto, esse efeito é passageiro, visto que, aproximadamente uma hora depois, os níveis dessa substância caem de repente, o que pode levar a sensações de cansaço ou mesmo exaustão.

“O excesso de cafeína provoca uma resposta do fígado, que absorve todo o açúcar rapidamente, causando uma queda repentina nos níveis de açúcar no sangue e, consequentemente, cansaço. Muitas vezes, esse cansaço pode ser ainda maior do que aquele que se pretendia evitar antes de consumir a bebida”, esclarece a profissional.

Por fim, o aumento súbito nos níveis de açúcar, cafeína e concentração proporcionado pelos energéticos pode ter consequências nocivas, mesmo muitas horas depois do consumo. Entre 12 e 24 horas mais tarde, o consumidor pode sentir dores de cabeça, irritabilidade e até mesmo prisão de ventre.

É possível manter uma relação saudável com os energéticos, desde que o consumo seja moderado. “Você pode consumir um energético eventualmente, quando precisa manter-se alerta por alguma razão específica. O importante é evitar o consumo rotineiro, que pode levar à dependência de cafeína. Uma vez dependente, o corpo exige doses cada vez maiores dessa substância, o que pode estar associado ao risco de arritmias cardíacas”, finaliza a cardiologista.

GERAÇÃO Z NÃO GOSTA DE TRABALHAR NO HORÁRIO COMERCIAL

 

História de Jayanne Rodrigues – Jornal Estadão

No escritório da NG.CASH, os funcionários não precisam seguir horários rígidos, e os códigos de vestimentas não existem. A cultura organizacional mais flexível é reflexo da gestão de uma liderança que representa a gen Z. Aos 26 anos, Mario Augusto Sá é CEO da fintech focada na geração que está entrando no mercado de trabalho e questiona estruturas hierárquicas e modelos tradicionais. Ele é o primeiro entrevistado da série Lideranças da Geração Z. Vamos nos referir aos CEOs da geração Z como “CEO Z”.

O executivo é um típico nativo digital. Aos 14 anos, criou o canal do YouTube Neagle (canal de entretenimento). Durante o curso de Ciências da Computação na PUC-Rio, participou da criação da fintech Trampolim, posteriormente vendida para a Stone. Atualmente, a NG.CASH, fundada durante a pandemia, oferece soluções como cartão de crédito pré-pago, Pix e investimentos em criptomoedas.

Com um escritório em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, Sá enfatiza que não exige a presença física dos funcionários nem monitora os horários de entrada e saída da equipe.

O espaço funciona mais como uma base da empresa. O foco é nas entregas.

Embora seja um representante da gen Z, o CEO valoriza a sinergia entre diferentes gerações para construir equipes bem-sucedidas. Mas ele adianta que quem gosta de seguir dress code, horário comercial e “mostrar serviço” pode ter dificuldade em se adaptar ao ambiente mais flexível da NG.CASH.

“Tem que ser diferente para funcionar com a gen Z. Se você botá-los na mesma caixinha das gerações anteriores, não vai funcionar, vai dar atrito”, afirma.

Confira trechos da entrevista:

Como o fato de ser uma pessoa da geração Z influencia o seu estilo de liderança?

Gosto da geração Z, nasci em 1997.

A maior parte do time é da geração Z (são quase 100 funcionários, sendo 51% da gen Z). Também temos pessoas mais velhas e de outras gerações, incluindo o CFO (Rodin Spielmann) e o CTO (Lucas Alves) da NG.CASH. Lidar com as pessoas da geração Z é diferente.

Medimos se a entrega tem qualidade e não ficamos microgerenciando as pessoas, acreditamos nelas e olhamos para os resultados. Essa geração também valoriza a liberdade de horários e está muito mais focada na entrega.

Aqui uma das coisas mais importantes é a pessoa ser autodidata e proativa. Na empresa, ninguém precisa que alguém diga o tempo todo o que fazer. Então, é importante ter iniciativa para realizar as tarefas.

Não gostamos de ser o “banco dos adolescentes”, porque não vamos ficar com os adolescentes para sempre, vamos amadurecer com essa geração. Esse é o plano.

Mario Augusto Sá no escritório de São Paulo da NG.CASH. Foto: Alex Silva/Estadão

Mario Augusto Sá no escritório de São Paulo da NG.CASH. Foto: Alex Silva/Estadão© Fornecido por Estadão

Existe uma percepção de que a geração Z tem preguiça de trabalhar, rompe hierarquias. Você considera avaliações justas?

São avaliações justas, mas isso não é nem um pouco ruim. Eles rompem hierarquias, mas aqui não tem uma hierarquia, alguém vai ter que vir aqui falar comigo para resolver um problema.

Eles não gostam de trabalhar às 7h da manhã, batendo ponto e saindo às 18h. Às vezes querem trabalhar das 18h às 7h da manhã.

Então, sim, se você for botar no modelo tradicional que a pessoa tem que chegar lá, bater o ponto e ir embora, eles não gostam. Mas não significa que eles não tenham entregas maravilhosas.

Tem que ser diferente para funcionar com essa geração. Se colocar na mesma caixinha das gerações anteriores, não vai funcionar, vai dar atrito. Talvez funcione para alguns, mas a maioria vai trabalhar infeliz e não vai ter tanta satisfação quanto trabalhar em uma empresa que valoriza esse tipo de relação.

Mario Sá, o CEO da NG.CASH. Foto: Alex Silva/Estadão

Mario Sá, o CEO da NG.CASH. Foto: Alex Silva/Estadão© Fornecido por Estadão

Estadão pediu para Mario Sá responder algumas perguntas usando apenas emojis. Veja como ele reagiu a cada uma delas no quadro abaixo:

infographics

infographics© Fornecido por Estadão

Você considera importante ter uma sinergia de gerações na NG.CASH?

Com certeza. É muito importante ter pessoas mais seniores, que já passaram por mais coisas para errar menos no caminho. Ter pessoas mais experientes que conhecem o mercado e sabem como funciona é essencial.

Por outro lado, acredito que ter a mesma geração do nosso cliente também é importante porque eles vivem a mesma dor e sabem como se comunicar. Por isso, existem perfis específicos de pessoas que trabalham bem com a gente, mas tem outros que não vingam.

Quais?

Por exemplo, alguém mais rígido, que não esteja aberto a mudar o jeito de trabalhar, do tipo: é tudo do jeito dele. Tem pessoas do mercado com vícios do mercado. Então, se está muito viciado no corporativismo, politicagem interna, esse tipo de coisa não funciona aqui.

Outra coisa: tem gente que é de empresa grande e quer mostrar que trabalha muito, tem que postar tudo o que está fazendo porque tem 14 mil pessoas na organização, se não mostrar ninguém vai ver. Aqui vamos ver que trabalha sem precisar disso.

É um jeito diferente, não só de geração, mas também do tamanho da empresa. Somos uma empresa de quase 100 pessoas.

Como CEO, de alguma forma, você consegue moldar o local de trabalho. Qual é o diferencial da sua gestão?

Muita liberdade de tempo e de hora. Tem Dev que passa a madrugada no escritório, outro chega 18h e vai embora 7h da manhã. Ele gosta, vem porque quer, se quisesse ficar em casa também poderia. Essa liberdade é muito importante, não tem regra de roupa, pode vir de bermuda. Por exemplo, meu sócio está usando bermuda e chinelo ali (aponta para a sala ao lado durante a entrevista).

Tem um bar no escritório, que usamos quando batemos uma meta ou quando alguém quer, mesmo. É um ambiente descontraído com a seriedade das entregas, levamos muito a sério.

O CEO Mario Augusto Sá no bar do escritório de São Paulo, localizado na rua Cardeal Arcoverde. Foto: Alex Silva/Estadão

O CEO Mario Augusto Sá no bar do escritório de São Paulo, localizado na rua Cardeal Arcoverde. Foto: Alex Silva/Estadão© Fornecido por Estadão

Essa geração quer mostrar que é boa e que vai entregar o que precisa, não esses pequenos detalhes. Parte da minha gestão é deixar as pessoas confortáveis e deixar claro as coisas que valorizamos.

Ficar sentado no escritório o dia inteiro não é mostrar serviço. Você mostra serviço com entrega de qualidade.

Então, muita independência, foco no objetivo final, e não nos detalhes de como a pessoa trabalha, porque cada pessoa tem um estilo de trabalhar. Quando valorizamos isso, atraímos as melhores pessoas.

Você desejava o cargo de liderança?

Não, foi acontecendo naturalmente. Gosto de resolver problemas, é o que me motiva. O cargo de liderança acaba sendo um pouco disso. O que muita gente não gosta é o que me traz energia. Tenho muita energia para resolver grandes problemas.

O cargo de liderança veio muito pelo que me dá satisfação no trabalho: apaziguar as coisas, botar todo mundo na mesma direção e resolver problemas. Isso casou muito bem.

Quais são os seus propósitos?

Construir algo relevante e positivo para o mundo, atingir milhões de pessoas e trabalhar com algo que tenha felicidade em falar que estou fazendo. Não estou vendendo cigarro, nada contra quem faz, mas não gostaria.

Também tem o aspecto pessoal, que essa geração valoriza muito. Então, ter saúde, viajar, valorizo muito minha vida pessoal e a maioria das pessoas que trabalham aqui, também. Sou faixa preta de judô, pratiquei minha vida inteira, hoje estou com menos tempo para praticar. Mas faço academia e caminhada.

Mario Augusto Sá. Foto: Alex Silva/Estadão

Mario Augusto Sá. Foto: Alex Silva/Estadão© Fornecido por Estadão

É difícil equilibrar a rotina de CEO com a vida pessoal?

É muito difícil. Normalmente chego ao escritório depois do almoço. Trabalho a parte da manhã de casa, faço as primeiras reuniões, vou à academia, almoço em casa ou marco algum encontro corporativo com investidor/fornecedor, depois venho para o escritório e fico aqui até o período da noite. Não costumo vir cedo, gosto de começar meu dia em casa e depois venho para cá.

Com a experiência que você tem hoje, quais foram os erros que o tornaram um líder melhor?

Cercar-se das melhores pessoas e dos valores culturais é importante.

Uma situação: o cara era muito bom, então não podia demitir, mas ele não tinha nada a ver com a cultura da empresa. Então, aprendi que não importa a sua qualidade técnica se você não faz parte da cultura da empresa e não valoriza as mesmas coisas das outras pessoas que estão aqui, não importa o quão bom você é.

É um grande aprendizado de gestão. Pessoas que só valorizam o dinheiro não vão ser boas para a empresa. Então, cultura acima de todas as outras coisas, independentemente da qualidade técnica da pessoa.

Como é a cultura de feedback?

A cultura de feedback é instantânea, fazemos o processo formal a cada três meses, mas nunca tem novidade porque não esperamos esse tempo para dar um retorno. Às vezes, recebo feedback direto de alguém do atendimento – não temos essa barreira de hierarquia. Aqui todo mundo consegue falar direto quando tem alguma coisa errada ou discorda, não precisa esperar para fazer um relatório.

É muito mais um resumo do que mudou ou melhorou. O feedback acontece em tempo real entre todos os níveis hierárquicos da empresa. Aconteceu, fala! Não precisa anotar para dizer na avaliação três meses depois. Incentivamos as trocas e as críticas diárias.

"O líder tem que acreditar nas pessoas que trouxe e medir o resultado, não o caminho", afirma o CEO. Foto: Alex Silva/Estadão

“O líder tem que acreditar nas pessoas que trouxe e medir o resultado, não o caminho”, afirma o CEO. Foto: Alex Silva/Estadão© Fornecido por Estadão

Na sua visão, qual é a característica nº 1 para profissionais da gen Z?

Autonomia. É fazer a entrega na hora em que achar melhor. Por exemplo, vou malhar ao meio-dia porque vou trabalhar de madrugada.

Não tem como microgerenciar essa geração. Você vai dar um objetivo e ela vai chegar lá. Às vezes, de um jeito completamente diferente e o resultado vai ficar melhor.

O líder tem que acreditar nas pessoas que trouxe e medir o resultado, não o caminho.

Você já precisou lidar com conflitos geracionais? Houve algum episódio?

Na hora da contratação sentimos algumas vezes, principalmente porque a maioria dos chefes da NG.CASH são novos. O chefe de marketing tem 26 anos. Se ele contratar um profissional de 50 anos, essa pessoa vai aceitar receber ordens de alguém que tem metade da idade dela?

Nós acreditamos ter evitado conflitos algumas vezes durante os processos seletivos, mas nunca houve um conflito direto.

Como você enxerga a liderança do futuro?

A liderança do futuro tem que saber extrair o melhor das gerações em vez de querer implementar nelas o jeito deles de trabalhar. Como é que você se adapta às novas gerações para extrair o melhor delas em vez de querer moldá-las ao seu jeito?

Se você exigir as mesmas coisas do passado, vai ter pessoas frustradas que não vão performar bem ou provavelmente vai perder as melhores pessoas.