domingo, 4 de julho de 2021

DIFERENÇAS EDUCACIONAIS ENTRE O BRASIL E O JAPÃO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo – Gazeta do Povo

Trem-bala em estação japonesa.| Foto: Peter Wieser/Pixabay

Nos anos 1950, os produtos japoneses tinham a fama de baixa qualidade e o Japão vivia um momento em que precisava desesperadamente ser reconstruído, promover o crescimento e tirar sua população da crise econômica e da miséria moral. A situação japonesa tornara-se grave após a derrota na Segunda Guerra Mundial, sobretudo após as duas terríveis bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e sobre Nagasaki, três dias depois – as duas únicas ocasiões em que armas nucleares foram usadas em guerra e contra alvos civis.

Dominado pelos vencedores e proibido de ter exército, o Japão voltou-se para a questão econômica e iniciou um movimento de abertura ao mundo com o propósito de usar o comércio exterior para reconstruir rapidamente sua economia e buscar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a taxas elevadas, como meio de inaugurar um tempo de melhoria no padrão de vida de sua população. A possibilidade de atingir seus objetivos passava pela atração de investimentos e tecnologia estrangeiros e pela rápida formação de capital humano preparado para o desafio de crescer, principalmente na infraestrutura física e na indústria de transformação.

O Japão optou primeiro por desenvolver as profissões técnicas requeridas pelo sistema produtivo e investiu fortemente em cursos profissionalizantes e tecnológicos compatíveis com a estrutura industrial que se expandia

A saída japonesa exigia aumentar o comércio exterior tanto quanto possível, para o que a má fama dos produtos japoneses era prejudicial. Um dos primeiros objetivos estabelecidos foi melhorar a qualidade dos produtos fabricados no país e reverter a percepção sobre os produtos japoneses. Foi então que o país resolveu atacar pesadamente em quatro frentes: atrair investimentos estrangeiros, incentivar investimentos nacionais, apressar o desenvolvimento tecnológico e executar um amplo programa para qualificar a mão de obra a fim de aumentar a produção e a produtividade. Governo e povo adotaram atitude de humildade e o país passou a aceitar de bom grado a contribuição internacional compatível com os objetivos fixados.

Nesse panorama, surge a figura de William Edwards Deming, um grande matemático, estatístico, professor e consultor norte-americano. Deming divulgou suas ideias e propostas em palestras, artigos e livros, mas não obteve o sucesso que esperava em seu próprio país, apesar de ter ajudado os Estados Unidos na melhoria dos processos logísticos e controles produtivos durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, ele direcionou seu intelecto e seus esforços para ajudar o Japão na reconstrução e no desenvolvimento industrial. Deming foi recebido com euforia pelos japoneses, obteve êxito na implantação do controle estatístico do processo, qualidade de produto, gerência de projeto e incorporação de tecnologia nas fábricas. Como resultado, ele se tornou famoso, ganhou prêmios e estátuas, recebeu homenagens e reconhecimento por sua contribuição à fabricação de produtos de alta qualidade, com aplicação de tecnologia moderna.

Em menos de duas décadas, o Japão reverteu a má imagem sobre seus produtos, e o comércio exterior do país melhorou sensivelmente. No processo de recuperação, os japoneses concentraram seu sistema educacional em dois eixos. O primeiro foi focar a educação básica em alfabetizar e prover as crianças e adolescentes com as ferramentas da escrita, leitura, linguagem, matemática, civismo, moral, valorização do trabalho e espírito coletivo. O segundo eixo foi priorizar a formação profissional e tecnológica, como se estivessem replicando as “escolas de ofício” da Itália renascentista e outros países europeus onde prosperou a Revolução Industrial.


O vocábulo “ofício” adquiriu vários significados. No sentido profissional, entende-se como tal a habilidade técnica especializada para executar ação ou trabalho voltado à produção de um bem ou serviço. O Japão optou primeiro por desenvolver as profissões técnicas requeridas pelo sistema produtivo e investiu fortemente em cursos profissionalizantes e tecnológicos compatíveis com a estrutura industrial que se expandia. Na educação superior, a prioridade foram os cursos nas áreas de engenharias, tecnologias e ciências exatas, seguidas dos cursos da saúde, embora o investimento educacional privilegiado tenha ocorrido na educação básica e na qualificação profissional. Os cursos das ciências humanas e sociais, embora importantes e necessários, viriam depois.

No Brasil, fez-se o inverso e, mesmo reconhecendo a necessidade e a beleza das ciências sociais, vale questionar o quanto a inversão de prioridades educacionais contribuiu para o baixo crescimento, a baixa renda média por habitante e a existência de 54 milhões de pobres e 13 milhões de miseráveis. Na vida, infelizmente não se consegue ter tudo simultaneamente, pois tudo na natureza é limitado e escasso, como também é escasso o dinheiro público; logo, é necessário fazer escolhas e estabelecer prioridades. Não há receita infalível e definitiva para a evolução do bem-estar social material da nação, mas a experiência do Japão e suas prioridades no pós-guerra têm algo a ensinar, desde que se queira aprender com o êxito dos outros.


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sábado, 3 de julho de 2021

DEMOCRACIA E A ARROGÂNCIA

 

William Horta – Jornalista

“É sabido que um simples canalha mata um rei em menos de um segundo” como dito no poema Canção do Mundo Novo, de Milton Nascimento e Beto Guedes. Quem souber dizer a exata explicação, me diz como pode isso acontecer.

A democracia não convive com o silencio das masmorras, das ditaduras, das prepotências e das arrogâncias.

A contestação e a crítica fazem parte do jogo democrático. Nós só crescemos nas divergências de ideias e nas convergências do bem comum.

Sim, sempre fica a dica. E eu continuo preferindo “os que me criticam porque me corrigem aos que me bajulam porque podem me corromper”, segundo afirmou o escritor poeta Santo Agostinho.

“A prepotência e a arrogância marcam a véspera da derrota de um governo totalitário…”

“Apesar de você, amanhã, será um novo dia…” escreveu o cantor Chico Buarque, e com certeza, tenho plena consciência disso.

Sabe aquele verso dito pelo poeta Beto Guedes: “Oh! Nem o tempo amigo, nem a força bruta, podem um sonho apagar. Quem perdeu o trem da história por querer, saiu do juízo sem saber. Foi mais um covarde a se esconder, diante de um novo mundo”.

Quem sonhou, só vale se já sonhou demais. Um nome se escreve fundo, canções ficam em nossa memória, profundas raízes crescem e a luz das pessoas me fazem crer que nem o tempo amigo, nem a força bruta podem um sonho apagar.     

                                (William Horta)

PROFESSORES DOUTRINAM ALUNOS PELO ENSINO REMOTO

 

Por
Cristina Graeml – Gazeta do Povo


Doutrinação em sala de aula é um daqueles temas que vêm surgindo no debate público há anos e que, até pouco tempo atrás, ainda era era tido como algo isolado, que não acontecia rotineiramente. Muitos diziam que era “teoria da conspiração”, que isso não existia!

A pandemia e o ensino remoto trouxeram a escola para dentro das nossas casas. Os pais começaram a acompanhar de perto o que é ensinado para os filhos e estão vendo a manipulação ideológica sendo feita de forma escancarada, especialmente no caso dos pré-adolescentes e adolescentes, alunos dos últimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Doutrinação em escolas particulares
Entre as muitas denúncias que recebi nos últimos meses, só de escolas de Curitiba, três me marcaram, porque chegaram acompanhadas de vídeo e prints de tela. Os professores estavam flagrantemente induzindo os alunos a formar opiniões erradas sobre diversos assuntos. Erra quem pensa que é só em escola pública. As denúncias que recebi são todas de escolas particulares.

Uma delas mostrava a tela que um professor de história exibiu para explicar as diferenças entre comunismo e capitalismo. O comunismo era mostrado como um sistema sócioeconômico igualitário, em que todos têm as oportunidades iguais e o mesmo estilo de vida. Só não dizia que, em geral, todo mundo passa fome. É igual, portanto, na pobreza.

Já o capitalismo era descrito como o sistema em que as pessoas só pensam em dinheiro, em lucro, e onde há exploração de mão de obra e muitas desigualdades sociais.

A tela induzia o aluno a acreditar que o comunismo, que matou mais de 100 milhões de pessoas no mundo, boa parte delas de fome, é um sistema bom, enquanto o capitalismo, responsável pelo período mais próspero da história da humanidade, é ruim.

Conteúdo de aula de História em escola particular de Curitiba
Na mesma escola, uma das mais caras de Curitiba, um professor de Ciências explicava sobre reciclagem de materiais, quando exibiu um vídeo em que ele próprio era o protagonista.

No vídeo o professor pegava uma camiseta de campanha eleitoral com o rosto do presidente da República, colocava num rodo e começava a limpar o chão dizendo algo como: ‘um lixo desses a gente não precisa jogar fora, pode usar para faxina. Isso é um bom exemplo de reciclagem.’

Professor de Ciências de escola particular de Curitiba, em aula sobre reciclagem

Em outro colégio, um professor de Geografia foi flagrado dizendo que as queimadas na Amazônia, que ‘nunca antes existiram”, estavam fora de controle, porque o atual governo é conservador e os conservadores são os que menos se preocupam com o meio ambiente.

Ele ainda falava em tom desafiador, que duvidava que algum aluno tivesse como provar que conservadores tinham consciência ambiental. É óbvio que a turma toda, formada por meninos e meninas de 12 ou 13 anos, ficou intimidada e se calou.

Ensino remoto acende sinal de alerta para os pais
A pandemia e os decretos de lockdown obrigaram as escolas a implantar o sistema de ensino remoto. Com a casa transformada em escola muitos pais começaram a acompanhar melhor o estudo dos filhos e foram descobrindo o que e como parte dos professores ensina.

As histórias vão se acumulando. Apenas na última semana a Gazeta do Povo recebeu, apurou e publicou duas denúncias de doutrinação ideológica em sala de aula. Uma delas era uma aula sobre nazifascismo, numa escola ligada à universidade católica de Brasília.

A professora afirmou para os alunos que o lema do presidente da República é fascista e chegou ao cúmulo de dizer que se Jesus fosse vivo seria de esquerda, porque os conservadores são intolerantes.

Numa aula de História para o 9º ano do Ensino Fundamental ela assumiu que era de esquerda e feminista e, claramente, tentou passar suas próprias convicções ideológicas para os alunos, nem que para isso fosse necessário alterar a história. A professora afirmou, por exemplo, que o nazismo e o fascismo foram resultado do medo das elites, que não queriam “dividir tudo entre todos”.

“A classe média e a alta classe, eles não vão querer dar tudo o que têm, dar todo o dinheiro que têm, dividir tudo entre todos. Então, se tinha (sic) muito medo do comunismo na época. E é por isso que esses regimes vão ganhar força – o fascismo, na Itália, e o nazismo, na Alemanha.”

Professora de História em aula para o 9º ano do EF de escola particular de Brasília
A professora também repetiu a versão fantasiosa, que a esquerda adora disseminar, de que só esquerdista se preocupa com os outros, só esquerdista tem bom coração, só a esquerda busca direitos e preza pela liberdade, o que, obviamente, é uma grande mentira.

A própria pandemia mostrou, de forma clara, que os apoiadores do presidente da República, apontados como de direita, foram os únicos que ousaram questionar os exageros cometidos por prefeitos e governadores com os decretos de lockdown e toque de recolher e exigir o respeito aos direitos de ir e ver e de trabalhar.

Foi a direita, e não a esquerda, que mostrou apreço pela liberdade e determinação por buscar seus direitos. Foi às ruas com essa bandeira, inclusive, ainda que para isso pudesse ser (e foi) acusada de irresponsabilidade por “promover” aglomeração.

Durante 35 minutos essa professora discorreu uma série de mentiras e ideias deturpadas. Disse que os esquerdistas são perseguidos pela “extrema-direita”, porque lutam pelos direitos, pelo social, pela liberdade, pela igualdade. Ainda que o tema da aula fosse o nazifascismo, a militante feminista de esquerda resolveu fazer comentários a respeito da relação entre religião e política, e afirmou que Jesus Cristo seria de esquerda por apoiar “o social”.

“Se Cristo nascesse hoje e vivesse entre nós, ele com certeza seria de esquerda não de direita, porque o movimento esquerdista luta pelo social, luta pela igualdade, tanto que defende todas as formas de famílias constituídas. E o movimento de direita, o conservadorismo de direita, a família para eles é pai, mãe e filho”. 

Professora de História em aula para o 9º ano do EF de escola católica de Brasília
Leia mais: Professora de escola católica diz que Jesus seria de esquerda e que lema de Bolsonaro é fascista
Deturpação de conceitos
Ao longo de sua “aula”, a professora deturpa conceitos de igualdade, conservadorismo e ataca quem valoriza a família. O fato de alguém defender a família tradicional não quer dizer que seja contra a liberdade de as pessoas escolherem seus parceiros e viverem como quiserem.

A direita só não admite a destruição da família que a esquerda costuma pregar, querendo, por exemplo, abolir a palavra mãe do vocabulário, como abordei em artigo recente. Isso para não melindrar uma minoria da minoria LGBT: uma mulher biológica que teve um filho, mas depois resolveu virar homem e por isso não quer mais ser chamada de mãe.

Por causa de alguns poucos homens trans que são mães naturais todas as mães devem ser reduzidas à condição de “genitor que deu à luz”, como pregou recentemente uma ONG esquerdista britânica.

E para não deixar de fazer militância política de forma direta, a professora ainda aproveitou a aula para criticar o presidente Bolsonaro e mentir para os alunos.

“Você já ouviu aquela expressão, Deus acima de todos? Já ouviram? Essa expressão é uma expressão fascista, tá?”

Professora de História em aula para o 9º ano do EF de escola particular de Brasília
A reportagem da Gazeta do Povo tentou ouvir o diretor da escola, mas a resposta foi que a direção “está apurando as informações necessárias para esclarecer as circunstâncias” e que “está em contato direto com todas as partes envolvidas”. Com certeza uma parte desses envolvidos quer solução imediata para tamanha doutrinação em sala de aula.

Doutrinação em escola pública
Outro caso relatado pelo jornal esta semana foi o de uma estudante do 2º ano do Ensino Médio de uma escola estadual de Maringá (PR). A aluna foi “silenciada” pelo professor, depois de questionar a politização da aula e as informações falsas que ele trazia.

Em plena aula de História o professor resolveu falar sobre a compra de vacinas de Covid-19, criticando a atuação do governo federal e acusando o presidente Jair Bolsonaro pelas mortes. Despejou aquela sequência de narrativas falando que o governo demorou para comprar vacinas da Pfeizer e por isso morreram 500 mil pessoas e atribuindo ao presidente a culpa pelas mortes.

A aluna reagiu, tentando argumentar, mas o professor acabou desligando o áudio da estudante para que ela não fosse ouvida pelos colegas e ela ainda teve a audácia de dizer que não aceitava “gente que defende genocida”. Toda a ação foi filmada pela aluna, de 16 anos e divulgada pelos pais, indignados com a postura ditatorial do professor militante.

Leia mais: Professor chama Bolsonaro de genocida, aluna rebate e acaba “silenciada” em aula online
Antes da pandemia, casos como esses ainda eram abafados, porque quem podia denunciar tinha medo e caía numa espiral do silêncio. Funcionava assim: sempre que alguém denunciava um professor militante era acusado de ser contra a autonomia dos professores e virava vítima dos militantes de internet, que costumam se unir para proteger quem é desmascarado e atacar quem fez a denúncia.

Invariavelmente a vítima que se revoltou com a doutrinação vira alvo de uma corrente de ódio, que promove difamação, assassinato de reputação e estimula outros perfis de militantes a infernizar sua vida. Como estamos falando de pré-adolescentes e adolescentes é óbvio que a maioria se intimida e prefere ficar calada para não incitar essa massa raivosa que defende professores militantes.

O ensino remoto, porém, está fazendo os pais entrarem na briga. Todos esses casos revelam como é importante os pais ficarem de olho no conteúdo que os filhos estão estudando e até acessarem as aulas de vez em quando para saber como os professores estão passando aquele conhecimento.

Dependendo da exposição feita durante a aula pode ser imprescindível conversar com os filhos para corrigir conceitos ensinados de forma a criar na cabeça dos jovens uma ideia errada de mundo, invertendo valores e tentando transformar os estudantes em militantes cegos e pouco questionadores.

Todo cuidado é pouco, mas o momento é único. A escola está dentro da nossa casa e somos nós que estamos no comando da educação dos nossos filhos.

Antídoto contra a militância em sala de aula
Para encerrar este artigo de forma mais leve trago uma notícia que também foi publicada pela Gazeta do Povo esta semana. É um exemplo dos EUA que pode servir como inspiração a parlamentares e gestores da educação no Brasil.

Lá a militância em sala de aula também é um problema, que se acentuou muito nos anos de governo Trump e oposição democrata raivosa contra seu governo liberal-conservador. A Flórida, governada por um republicano, decidiu dar um basta ao menos na deturpação de um conteúdo.

Uma medida assinada pelo governador Ron DeSantis torna obrigatório o ensino sobre os riscos de regimes comunistas e totalitários. O tema será abordado em aulas de educação cívica de escolas e colégios públicos estaduais. Nas palavras do próprio governador da Flórida, a intenção é ensinar às crianças que “governos comunistas e totalitários são maus”.

No momento da assinatura da medida, o governador lembrou o caso de Cuba, que é comunista, fica perto da Flórida e para onde refugiados cubanos migram aos milhares. E citou ainda um país asiático, contra o qual os Estados Unidos já guerrearam e de onde também chegam muitos imigrantes.

“Por que alguém fugiria através de águas infestadas de tubarões, saindo de Cuba, para vir para o sul da Flórida? Por que alguém deixaria um lugar como o Vietnã? Por que as pessoas deixariam esses países e arriscariam suas vidas para poder vir aqui? É importante que os alunos entendam isso”.

O governador Ron DeSantis ainda aprovou outra medida que garante a alunos de universidades estaduais o direito de expressar ideias e opiniões divergentes da maioria. Parece óbvio, mas esse direito estava sendo tolhido justamente por causa da doutrinação ideológica de professores.

Segundo o governador, “costumava-se pensar que um campus universitário era um lugar onde você seria exposto a muitas ideias diferentes. Infelizmente agora, esses ambientes são mais intelectualmente repressivos”. Espera-se que com as novas medidas, isso mude e se alastre pelo mundo. Quem será o Ron DeSantis brasieliro?

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IDOSOS NO BRASIL TERÃO QUE TOMAR A 3ª DOSE DA VACINA CONTRA COVID

 

  1. Saúde 

Esse é mais um problema que deriva diretamente das decisões equivocadas do governo Bolsonaro. Podem colocar na conta de nosso presidente

Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo

A recusa do governo Bolsonaro em comprar a vacina da Pfizer é responsável pelo atraso no início da vacinação no Brasil e pelo ritmo lento da vacinação até agora. Além disso, está provocando um aumento no risco de morte de pessoas idosas; aquelas com mais de 80 anos.

Sabemos que o risco de casos graves e mortes é muito maior para os idosos. É por esse motivo que os países estão organizando a vacinação por faixa etária, começando pelos mais idosos e caminhando para os mais jovens. Com o boicote do governo Bolsonaro, a vacinação no Brasil só começou quando o governo de São Paulo pressionou pela aprovação da Coronavac, produziu alguns milhões de doses rapidamente, e ameaçou começar de forma independente a vacinar a população de São Paulo. A Anvisa aprovou a Coronavac e a vacinação começou no mesmo dia. Desesperado, o governo federal mandou um avião para buscar vacinas da AstraZeneca na Índia, uma operação desastrada que fracassou. Posteriormente, a vacina da AstraZeneca chegou ao Brasil e finalmente o governo comprou vacinas da Pfizer, as últimas a chegar por aqui.

Essa sequência de eventos fez com que a população sob maior risco de internação e morte (os acima de 80 anos) fossem quase que exclusivamente vacinados com a Coronavac, que era o que dispúnhamos. Em seguida, com a chegada das vacinas da AstraZeneca, pessoas de menor idade passaram a ser imunizadas, e agora os mais jovens estão sendo vacinados com as unidades da Pfizer. Como sabemos pelos estudos de Fase 3, a Coronavac é a vacina com menor eficácia (~50%), seguida pela AstraZeneca (~75%) e pela Pfizer (~95%). Esse fato, associado à ordem de vacinação no Brasil, levou a população de maior risco a ser imunizada com a pior vacina.

Vacinação
Vacinação de idosos Foto: Prefeitura de Betim

Desde que foi iniciada a vacinação, surgiram as novas variedades do coronavírus. Em todos os casos que foram estudados, na presença dessas variedades, a eficácia e a eficiência das vacinas são reduzidas. Por exemplo: enquanto a Pfizer e AstraZeneca mostraram resultados idênticos no Reino Unido contra a cepa original do vírus e contra a variante inglesa, agora está ficando claro que sua eficiência é menor contra a cepa indiana. Muitos desses estudos estão sendo publicados semanalmente, feitos em diversos países, com as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca. Infelizmente nenhum estudo nessa direção foi publicado com a Coronavac. 

Assim, não sabemos como ela se comporta contra as novas variedades. Esses estudos têm levado países a utilizar uma segunda vacina na segunda dose. Na AlemanhaAngela Merkel, após ter tomado a primeira dose de AstraZeneca, recebeu uma dose de Pfizer esta semana. Além disso, muitos países já estão planejando ou iniciaram a aplicação de uma terceira dose de reforço nos idosos.

Agora, para complicar a situação dos idosos, foi publicado um estudo comparando a resposta imune de pessoas de mais de 80 anos com a de pessoas mais jovens, após serem vacinadas com a vacina da Pfizer. Tanto a resposta humoral (anticorpos) quanto a resposta celular (células T) dessas pessoas foram analisadas, após a primeira dose e após a segunda dose. A quantidade de dados é enorme e o resultado é muito claro. A vacina da Pfizer induz uma resposta imune mais fraca em idosos quando comparada com a resposta provocada em pessoas jovens. E ela é ainda mais baixa após a primeira dose. 

De certo modo, esse é um resultado esperado, uma vez que o sistema imune de pessoas idosas tipicamente tem uma resposta pior frente aos imunizantes. Mas o que os autores concluem é que a resposta observada nesse estudo sugere que idosos devem receber uma terceira dose para garantir sua imunidade, principalmente na presença das novas variantes.

Infelizmente não sabemos como o sistema imune das pessoas reage à Coronavac, pois esses estudos não foram feitos – ou, se foram feitos, não foram publicados. Mas se imunizantes poderosos como os das vacinas de mRNA não são suficientes para proteger completamente os idosos das novas variedades, é muito provável que as vacinas de vírus inativado produzam um resultado ainda pior.

Tudo isso indica que os idosos brasileiros terão de receber uma terceira dose, ou uma dose de outro imunizante, para estarem bem protegidos das novas variantes. Esse é mais um problema que deriva diretamente das decisões equivocadas do governo Bolsonaro. Podem colocar na conta de nosso presidente.

MAIS INFORMAÇÕES: AGE-RELATED IMMUNE RESPONSE HETEROGENEITY TO SARS-COV-2 VACCINE BNT162B2. NATURE

*É BIÓLOGO, PHD EM BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR PELA CORNELL UNIVERSITY E AUTOR DE A CHEGADA DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASILFOLHA DE LÓTUS, ESCORREGADOR DE MOSQUITO; E A LONGA MARCHA DOS GRILOS CANIBAIS

EXISTE DIFERENÇA ENTRE INOVAÇÃO E DISRUPÇÃO

 

Augusto Schmoisman*

Com o tamanho avanço tecnológico que estamos vivendo, inovar se tornou algo primordial para as empresas que desejam ultrapassar a concorrência e trazer, de fato, novidades ao mercado. Mas quando se fala de disrupção, palavra associada ao ato de romper, de interromper o curso natural, de gerar uma ruptura, se cria o conceito de um produto ou serviço que trará uma nova realidade. Ou seja, a diferença entre inovação e disrupção é que a primeira melhora e incrementa o que estamos fazendo. Já a segunda anula o que foi feito até então, instalando em seu lugar um modelo superior.

Não estou dizendo que companhias não devam investir em inovação. Pelo contrário, é preciso ter um horizonte de médio a longo prazo, com uma política de transformação que deva vir de cima para baixo, de dentro para fora. E é bastante normal encontrar inúmeras “desculpas” para não inovar e se deparar com executivos dominados pela resistência à mudança, deixando a empresa completamente vulnerável a ser engolida por qualquer startup em um curto espaço de tempo. É preciso iniciar as mudanças com pequenos grupos, em pequenas escalas, medindo os resultados e aprendendo com o processo. Resultados negativos também são valiosos, entender o que não funciona nos ajuda a descartar uma ideia ou a reformular nossa hipótese antes de tentar novamente.

Mas além de promover a inovação, ao mesmo tempo devemos nos preparar para a ruptura, permitindo ousar no próprio negócio. Idealmente, somos nós que podemos substituir, gradativamente, o modelo antigo pelo futuro, antes que outro nos tire do jogo. É no ponto de ruptura que as empresas realmente fazem a diferença por meio de aplicações de fórmulas novas para incorporar esse processo como uma parte contínua de seu desenvolvimento, como ocorre, por exemplo, com o Google.

O mundo é mais complexo e volátil hoje do que em qualquer outro momento da história, e o ideal para empresas que querem se preparar para a disrupção é criar um departamento separado que atue para detectar e antecipar possíveis mudanças tecnológicas ou executar uma estratégia de aquisição de projetos transformadores. A disrupção, ao contrário do que muitos pensam, não acontece do dia para a noite. Mudar mercados e hábitos de consumo das pessoas leva tempo.

Se você acredita que mudar é um risco, lhe convido a pensar, por um minuto, no risco de não mudar. A transformação digital não é apenas uma mudança tecnológica, mas também cultural, pessoal e coletiva.

* Especialista em defesa cibernética corporativa, militar, aeroespacial e CEO da Citadel Brasil

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QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup Valeon é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial Valeon veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • Eficiência: A Valeon inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • Acessibilidade: A Valeon foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • Abrangência: A Valeon atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • Comprometimento: A Valeon é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

  • Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Informações detalhadas dos Shoppings de Ipatinga;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

MUITOS CASOS DE CORRUPÇÃO NOS GOVERNOS ESTADUAIS COM O DINHEIRO DAS VACINAS

 

Não foi só o coronavírus que matou | Gazeta do Povo| Foto:


Desde o começo da CPI da Covid, questiona-se a prioridade que a comissão tem dado aos casos de omissão do governo federal no combate à pandemia, deixando de lado a preocupação com atos de corrupção como desvios de recursos e favorecimento de empresas em licitações. Os líderes da CPI estariam ignorando o que se tem chamado de “Covidão”.

Com a suspeita que recai sobre o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, sobre irregularidades na compra da vacina Covaxin, poderia haver uma mudança de foco. Mas Barros não é o único político de renome a estar envolvido em processos judiciais relacionados à corrupção na pandemia.

O caso mais célebre envolve o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL-RJ), que já sofreu impeachment em decorrência de uma suspeita de corrupção. Outros políticos, como Hélder Barbalho (MDB), governador do Pará, Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, e Wilson Lima (PSC), do Amazonas, também já se tornaram alvos de investigações sobre irregularidades em compras e contratações para o combate à pandemia.

Confira quem são os políticos de renome envolvidos em casos do tipo e do que cada um é suspeito.

Wilson Witzel, ex-governador do Rio
O ex-governador Wilson Witzel (PSL-RI) foi processado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por “indícios de participação ativa quanto ao conhecimento e comando das contratações” de empresas investigadas na Operação Placebo. Em razão desse processo, ele foi afastado do cargo de governador em agosto de 2020 e, posteriormente, em abril de 2021, sofreu impeachment.

A Placebo foi deflagrada em maio de 2020. Em valores, trata-se do maior esquema de corrupção que veio à tona até agora no Brasil relacionado à pandemia. Investiga-se o envolvimento entre o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha, e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro.

Entre as irregularidades estão orçamentos fraudados para serviços de montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e piso para a formação de hospitais de campanha.

Hélder Barbalho, governador do Pará
Em abril de 2021, a Justiça do Pará ordenou bloqueio de bens do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), por conta da aquisição irregular de respiradores para tratamento da Covid-19 no ano passado. Em fevereiro, ele já havia sido indiciado pela Polícia Federal, numa decorrência da Operação Para Bellum, deflagrada em junho de 2020.

A transação que foi objeto do processo está estimada em R$ 50 milhões. A PF acusou o governo do Pará de favorecer a empresa SKN do Brasil, que recebeu R$ 25,2 milhões antes mesmo de entregar os respiradores.

O contrato foi firmado por meio de dispensa de licitação, em razão da pandemia, e previa a compra de 400 aparelhos. De acordo com a PF,  Barbalho teria editado um decreto para viabilizar o pagamento. Quando os equipamentos foram entregues, descobriu-se que mais de 100 deles eram diferentes do modelo necessário e não serviam para o tratamento da Covid-19. Os respiradores acabaram devolvidos.

Barbalho nega ter cometido irregularidades e afirma que o governo estadual denunciou, no ato de conferência dos respiradores, que eles não funcionavam contra a Covid-19.

Carlos Moisés, governador de Santa Catarina
No começo de maio de 2021, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), escapou por um voto do impeachment. Ele respondia a processo por crime de responsabilidade pela compra de 200 respiradores no valor de R$ 33 milhões que não foram entregues pela empresa Veigamed, contratada pelo governo catarinense.

O processo contra Moisés começou na Operação Pleumon, deflagrada em setembro pela PF. São investigados crimes de fraude em licitação, peculato, corrupção, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Wilson Lima, governador do Amazonas
O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), é alvo da Operação Sangria, que já teve três fases, ocorridas em junho, outubro e novembro de 2020. Entre os crimes apurados estão associação criminosa, corrupção, fraude em licitação e desvio de recursos públicos federais.

A PF chegou a pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão de Lima, mas o STJ negou. Na primeira fase da operação, foi determinado o bloqueio de R$ 2,9 milhões em bens de 13 pessoas físicas ou jurídicas. Foram cumpridos oito mandados de prisão de pessoas que integram ou integraram o governo do Amazonas.

Chico Rodrigues, senador da República
Em outubro de 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento temporário do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que foi alvo de busca e apreensão por decorrência da Operação Desvid-19, que investiga desvios relacionados à pandemia em Roraima.

Há indícios de um esquema que teria gerado sobrepreço de quase R$ 1 milhão em ações de combate à pandemia do coronavírus no Estado. As contratações suspeitas de irregularidades envolveriam aproximadamente R$ 20 milhões.

O senador ainda é investigado por envolvimento nesse esquema, mas já foi autorizado pela Justiça a retornar ao cargo. O caso de Rodrigues se tornou célebre porque diversos veículos jornalísticos afirmaram que ele teria sido flagrado com dinheiro na cueca em uma operação policial no ano passado, mas a assessoria do parlamentar diz que a informação é falsa.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/de-parlamentares-a-governadores-os-politicos-suspeitos-de-corrupcao-na-pandemia/
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Possíveis alvos do Covidão
De parlamentares a governadores: os políticos suspeitos de corrupção na pandemia
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília

Em quase um ano e meio de pandemia, não foram poucos os casos de corrupção na área da saúde. Não foi só o coronavírus que matou | Gazeta do Povo| Foto:

Desde o começo da CPI da Covid, questiona-se a prioridade que a comissão tem dado aos casos de omissão do governo federal no combate à pandemia, deixando de lado a preocupação com atos de corrupção como desvios de recursos e favorecimento de empresas em licitações. Os líderes da CPI estariam ignorando o que se tem chamado de “Covidão”.

Com a suspeita que recai sobre o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, sobre irregularidades na compra da vacina Covaxin, poderia haver uma mudança de foco. Mas Barros não é o único político de renome a estar envolvido em processos judiciais relacionados à corrupção na pandemia.

O caso mais célebre envolve o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL-RJ), que já sofreu impeachment em decorrência de uma suspeita de corrupção. Outros políticos, como Hélder Barbalho (MDB), governador do Pará, Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, e Wilson Lima (PSC), do Amazonas, também já se tornaram alvos de investigações sobre irregularidades em compras e contratações para o combate à pandemia.

Confira quem são os políticos de renome envolvidos em casos do tipo e do que cada um é suspeito.

Wilson Witzel, ex-governador do Rio
O ex-governador Wilson Witzel (PSL-RI) foi processado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por “indícios de participação ativa quanto ao conhecimento e comando das contratações” de empresas investigadas na Operação Placebo. Em razão desse processo, ele foi afastado do cargo de governador em agosto de 2020 e, posteriormente, em abril de 2021, sofreu impeachment.

A Placebo foi deflagrada em maio de 2020. Em valores, trata-se do maior esquema de corrupção que veio à tona até agora no Brasil relacionado à pandemia. Investiga-se o envolvimento entre o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha, e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro.

Entre as irregularidades estão orçamentos fraudados para serviços de montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e piso para a formação de hospitais de campanha.

Hélder Barbalho, governador do Pará
Em abril de 2021, a Justiça do Pará ordenou bloqueio de bens do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), por conta da aquisição irregular de respiradores para tratamento da Covid-19 no ano passado. Em fevereiro, ele já havia sido indiciado pela Polícia Federal, numa decorrência da Operação Para Bellum, deflagrada em junho de 2020.

A transação que foi objeto do processo está estimada em R$ 50 milhões. A PF acusou o governo do Pará de favorecer a empresa SKN do Brasil, que recebeu R$ 25,2 milhões antes mesmo de entregar os respiradores.

O contrato foi firmado por meio de dispensa de licitação, em razão da pandemia, e previa a compra de 400 aparelhos. De acordo com a PF,  Barbalho teria editado um decreto para viabilizar o pagamento. Quando os equipamentos foram entregues, descobriu-se que mais de 100 deles eram diferentes do modelo necessário e não serviam para o tratamento da Covid-19. Os respiradores acabaram devolvidos.

Barbalho nega ter cometido irregularidades e afirma que o governo estadual denunciou, no ato de conferência dos respiradores, que eles não funcionavam contra a Covid-19.

Carlos Moisés, governador de Santa Catarina
No começo de maio de 2021, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), escapou por um voto do impeachment. Ele respondia a processo por crime de responsabilidade pela compra de 200 respiradores no valor de R$ 33 milhões que não foram entregues pela empresa Veigamed, contratada pelo governo catarinense.

O processo contra Moisés começou na Operação Pleumon, deflagrada em setembro pela PF. São investigados crimes de fraude em licitação, peculato, corrupção, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Wilson Lima, governador do Amazonas
O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), é alvo da Operação Sangria, que já teve três fases, ocorridas em junho, outubro e novembro de 2020. Entre os crimes apurados estão associação criminosa, corrupção, fraude em licitação e desvio de recursos públicos federais.

A PF chegou a pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão de Lima, mas o STJ negou. Na primeira fase da operação, foi determinado o bloqueio de R$ 2,9 milhões em bens de 13 pessoas físicas ou jurídicas. Foram cumpridos oito mandados de prisão de pessoas que integram ou integraram o governo do Amazonas.

Chico Rodrigues, senador da República
Em outubro de 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento temporário do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que foi alvo de busca e apreensão por decorrência da Operação Desvid-19, que investiga desvios relacionados à pandemia em Roraima.

Há indícios de um esquema que teria gerado sobrepreço de quase R$ 1 milhão em ações de combate à pandemia do coronavírus no Estado. As contratações suspeitas de irregularidades envolveriam aproximadamente R$ 20 milhões.

O senador ainda é investigado por envolvimento nesse esquema, mas já foi autorizado pela Justiça a retornar ao cargo. O caso de Rodrigues se tornou célebre porque diversos veículos jornalísticos afirmaram que ele teria sido flagrado com dinheiro na cueca em uma operação policial no ano passado, mas a assessoria do parlamentar diz que a informação é falsa.


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GOVERNO PERDE A CHANCE DE ACELERAR O AJUSTE FISCAL E REDUÇÃO DE IMPOSTOS

 

Por
Guido Orgis – Gazeta do Povo

Paulo Guedes, ministro da Economia: oportunidade perdida.| Foto: EDU ANDRADE/Ascom/ME

A combinação de inflação alta, aceleração da atividade econômica e janela para aprovação de alguma reforma ainda neste ano no Congresso deveria conduzir o governo para uma política de retomada do ajuste fiscal e revisão da distribuição da carga tributária. Mas, por causa das eleições de 2022, os políticos provavelmente jogarão essa chance fora.

Esse momento propício para ajuste começou a ser construído por um fator negativo, a alta da inflação. Apesar de seus efeitos negativos sobre as contas domésticas, a inflação maior abre um espaço no teto de gastos, cujo valor é reajustado anualmente pela inflação da metade do ano – em 2021, acima de 8%. O ajuste no teto abrirá um espaço fiscal de mais de R$ 20 bilhões em 2022.

Ao mesmo tempo, a reativação da economia no pós-pandemia parece estar engrenando e alimentando o crescimento da arrecadação de forma surpreendente – o valor arrecadado voltou para o nível pré-recessão de 2014-16. A maior receita, combinada com crescimento econômico e inflação, fez com que a relação dívida-PIB se estabilizasse perto de 87% do PIB. Muito longe dos 100% do PIB que se falava um ano atrás.

É um cenário tão positivo que o governo poderia estar falando em coisas como redução do déficit primário, redução da dívida pública, redução de impostos e redistribuição da carga tributária. Só que não vai ser assim em ano eleitoral.

Tome-se a questão da folga no teto de gastos criada pela inflação. Esse não é um valor que o governo é obrigado a gastar. Como se trata de um teto, o mecanismo serve somente para limitar o gasto. Ele não é um piso. Mas a tendência em ano eleitoral é que a folga seja usada para o menos prioritário dos gastos, um reajuste para o funcionalismo.

O governo vem falando também em repaginar o Bolsa Família como forma de legitimar o gasto da folga no teto, o que não é correto. É possível melhorar o gasto social remanejando coisas que já existem, como o abono salarial – proposta refutada no ano passado pelo presidente Jair Bolsonaro – ou fazendo uma redução em benefícios fiscais.

Outro exemplo da agenda eleitoral é o projeto de reforma do Imposto de Renda. Seu princípio é eleitoral, o cumprimento da promessa de ajuste da tabela feita por Bolsonaro. Aparentemente, a correção foi feita a contragosto pela equipe econômica, já que a compensação da menor arrecadação é feita em parte com um limite para o uso da declaração simplificada de IR. Outro problema do projeto é que ele onera dividendos e investimentos que eram isentos de imposto sem permitir a redução de impostos sobre o consumo.

Parece que a equipe econômica deixou “gordura” suficiente no projeto do IR para que ele seja aprovado mais rapidamente no Congresso. É possível que uma redução na alíquota proposta sobre dividendos e a redução do IR sobre empresas sem escalonamento viabilizem a aprovação do projeto.

Uma alternativa melhor neste momento seria um projeto de IR desvinculado da questão da tabela e focado na tributação de dividendos e investimentos isentos, e atrelado a uma redução dos impostos sobre consumo. Se isso avançasse junto com o projeto de unificação de tributos que tramita no Congresso, a alíquota única poderia ser menor, beneficiando todos os consumidores. A folga pequena fiscal ajudaria nesse processo porque mitigaria o risco arrecadatório na transição do sistema.

A correção da tabela, vista isoladamente, não é melhor do que uma redução dos impostos sobre o consumo, apesar de ser uma promessa de campanha. Talvez por isso mesmo a equipe econômica tenha proposto alterações no desconto simplificado. Aqui, a melhor saída seria uma correção menor da tabela e compensada apenas pelo “imposto inflacionário” – por não haver redução de tributo, não é preciso haver compensação com outras fontes de receita.

Para completar o cenário positivo, a Câmara aprovou na semana passada um projeto de lei que autoriza o Banco Central a receber depósitos voluntários dos bancos. Isso vai melhorar a gestão da dívida pública porque, com o tempo, o BC precisará de menos títulos públicos para gerir a política monetária. Ao mesmo tempo, o governo tem até setembro para apresentar seu plano para a redução à metade dos benefícios fiscais existentes, seguindo o que determina a PEC Emergencial. São dois fatos que jogam a favor do ajuste fiscal.

O cenário atual, portanto, permitiria o encaminhamento de reformas muito mais ousadas do que o governo e o Congresso parecem dispostos a fazer na esfera fiscal. Sem fazer populismo com a tabela do IR, sem aumentar salários funcionalismo e outros gastos, há espaço para manter o ajuste fiscal e fazer uma reforma que simplifique impostos, redirecione a carga tributária do consumo para a renda e até reduza levemente a carga tributária.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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