segunda-feira, 27 de abril de 2020

BANCADA DA BALA QUER UM MINISTÉRIO NO GOVERNO BOLSONARO


Sem consenso para romper com governo, 'bancada da bala' pede volta de pasta da Segurança Pública

Camila Turtelli

BRASÍLIA – A bancada da bala desistiu de romper oficialmente com o governo Jair Bolsonaro, de quem é aliada desde a campanha eleitoral, e passou a trabalhar pelo fatiamento do Ministério da Justiça. O grupo deseja emplacar a recriação do Ministério da Segurança Pública, que havia sido unificado a pedido do ex-ministro Sergio Moro.
Após o pedido de demissão de Moro, na última sexta-feira (24), o presidente da frente parlamentar da Segurança Pública, deputado Capitão Augusto (PL-SP), falou em "luto total" e passou a defender o desembarque do governo. A decisão seria um duro golpe na base de apoio do governo no Congresso Nacional.


© Alex Silva/Estadão O deputado Capitão Augusto é líder da 'bancada da bala' na Câmara dos Deputados

Hoje, no entanto, Augusto disse ao Broadcast Político que passou o final de semana em conversas ao telefone com os demais parlamentares integrantes da frente, sem avanço nas tratativas para o rompimento. “Não houve consenso para desembarcar do governo”, afirmou.
Como mostrou o Estado, a demissão de Moro abriu o caminho para o presidente concretizar a ideia de recriar a pasta da Segurança Pública, que passaria a abarcar a Polícia Federal. Uma tentativa de fazer esse movimento no início deste ano, ainda sob a alçada de Moro, foi motivo de atrito entre o agora ex-ministro e o presidente.
A reestruturação da pasta era justamente um dos temas das conversas que Bolsonaro teria com alguns de seus principais auxiliares ao longo do fim de semana.
Amigo de longa data do presidente, o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), cotado para assumir a possível pasta, recebeu há pouco mais de um mês a recomendação do presidente para “mergulhar” e esperar “a hora certa” para assumir um posto no governo.
Bancada
No dia da saída de Moro, Augusto disse que as acusações feitas pelo ex-ministro contra Bolsonaro são “gravíssimas”. Moro diz que o presidente tentou interferir politicamente no comando da Polícia Federal e queria acesso a relatórios de inteligência. “Nem na época do PT tínhamos isso aí, não achava que as coisas eram tão mais graves ainda”, afirmou o presidente da bancada na ocasião. "É o começo do fim do mandato dele, infelizmente”, sentenciou.
Com a permanência da aliança, porém, a bancada passou a centrar seu poder de fogo na tentativa de recriação do Ministério da Segurança Pública. No sábado, 25, a frente apresentou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro apoiando o desmembramento da pasta.
“A Bancada torna público à sociedade brasileira seu firme pleito, para que o Presidente da República atue pelo resgate do Ministério da Segurança Pública, especialmente pela amplitude e complexidade da Pasta", diz o documento.
"Por fim, este colegiado lhe reitera os votos de estima e consideração, para que com a soma de esforços possamos continuar o resgate da ordem e do progresso no Brasil”, acrescenta o documento endereçado a Bolsonaro.

domingo, 26 de abril de 2020

MINISTRA DA AGRICULTURA PODE DEIXAR O GOVERNO BOLSONARO


Tensão entre governo e DEM ameaça permanência de Tereza na Agricultura

Sarah Teófilo 





© Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 1/4/20 Má relação de Bolsonaro com o DEM deixa ameaçada posição da ministra

O distanciamento do governo federal em relação ao DEM colocou em questão um possível prejuízo à posição da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que é deputada federal licenciada e integra o partido. O cenário é de uma péssima relação do presidente Jair Bolsonaro com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), e o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), alimentam ainda mais a rede de intrigas.

Dois parlamentares, sendo um bolsonarista, contaram ao Correio que houve aumento de críticas à ministra Tereza Cristina, quando o desgaste com o DEM foi se acentuando. As principais oposições teriam vindo do setor “mais extremista” da base do presidente. A titular da Agricultura, entretanto, continuou com o apoio de Jair Bolsonaro.
O coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS), afirma que a ministra foi indicada ao cargo não por integrar o DEM, mas também por ser “mulher, agrônoma, produtora rural, deputada federal e presidente da Frente”. De acordo com ele, alguns critérios para composição dos ministérios não observaram relação partidária, mas, sim, o currículo dos indicados.

“As críticas que Tereza tem sofrido não são de natureza partidária. É de um grupo de pessoas que ficou insatisfeito, pois achava que tinha de ser resolvida a questão do FunRural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), que só não foi resolvida porque isso implicaria em responsabilidade fiscal do presidente. Não tinha contrapartida orçamentária para poder fazer isso”, disse.

Para Moreira, a ministra está acima de questões partidárias. “Não vejo nenhum problema em relação a ela nesse momento”, disse, frisando que Tereza Cristina tem total apoio da FPA e, até onde sabe, “total apoio do governo”.

Líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB) garante que a ministra se mantém fortalecida no governo. Mesmo em meio à relação conflituosa com integrantes do partido, como Mandetta, Maia e Caiado, o parlamentar afirma que os fatos não respingaram sobre ela.

“Ela tem se mantido discreta, focada no trabalho e mostrado excelentes resultados. Não a vi inserida em nenhum momento nesses debates, manteve o foco no agronegócio, que é o motor da retomada da economia no Brasil. Eu a vejo fortalecida. Com todos os interlocutores que falei, eles advogam a favor da ministra de forma unânime”, disse.

Quanto às críticas à ministra, Efraim Filho diz enxergar como um “desafeto pessoal” e não se relaciona ao fato de ela pertencer ao DEM. “O trabalho que a ministra realiza tem sido tão bom, tão reconhecido, que qualquer iniciativa nesse sentido não produziu efeitos capazes de desconstruir o belo trabalho”, afirmou.

Além disso, o deputado diz ver o convite de Bolsonaro para conversar com o presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, como um sinal de reaproximação entre o partido e o governo. O parlamentar nega que o DEM tenha perdido espaço no governo e afirma que a legenda conserva uma postura de independência e autonomia. “O partido tem votado e sido essencial na aprovação das matérias com as quais tem identidade, principalmente a agenda econômica”, pontuou.

COMENTÁRIOS SOBRE A SAÍDA DO MINISTRO SÉRGIO MORO


Perdido na fama
Victório Medioli


Quando Jair Bolsonaro nomeou o então juiz federal Sergio Moro como ministro da Justiça, cometeu, no mínimo, uma ingenuidade, ou, mais provavelmente, desencadeou uma sequência de erros
O tempo é inexorável em escancarar o resultado das escolhas. Ótimo ou desastrado que seja.
Ocorrem uniões por uma atração fulgurante e fatal, como a do noivo a não imaginar que a noiva se transformará na sogra. O freguês na hora de comprar os sapatos pontudos que não o levarão longe, ou um carro rebaixado que quebrará no primeiro buraco, ou uma camisa irreal que terá sucesso apenas em ficar no armário.
Ainda tem quem saia ao sol resplandecente sem considerar a queimadura, ou quem gosta do cartão-postal com neve e morre congelado no meio dela.
Escolhas são influenciadas pelo momento, astros, empolgação, moda, testosterona, considerações ilógicas e mutantes como os ventos, não suficientemente ponderadas no tempo e no espaço que ocuparão.
Quando Jair Bolsonaro nomeou o então juiz federal Sergio Moro como ministro da Justiça, cometeu, no mínimo, uma ingenuidade, ou, mais provavelmente, desencadeou uma sequência de erros. Desconsiderou o presente e o futuro, a experiência pregressa, a capacidade de colher resultados, o conhecimento em relação ao mundo político, entre outras carências inatas de Sergio Moro. Pensou em dar lustro a seu governo explorando a fama internacional do juiz.
De imediato, desguarneceu a operação Lava Jato, com a retirada de sua peça fulcral, o juiz, raro e irrepetível, que aparece a cada 50 anos. Tolheu-o daquilo que sabia fazer como nenhum outro. Marcou uma perda colossal de força para vencer e enterrar o mecanismo de espoliação do erário, a safadeza política e negocial que no Brasil se ergue como o pior inimigo do desenvolvimento, do emprego, da saúde, da educação, dos jovens, do futuro nacional. Concedeu indiretamente uma trégua à maior corrupção já vista debaixo do sol.
Tirou Moro da cátedra, inalcançável pelos mortais, e o colocou na arena de Brasília, corpo a corpo, com as feras da velha política e de um mundo que não o tolera.
Moro aceitou, entrou na selva sem um animal farejador, como um principiante numa luta marcial.
A perda da toga determinou a perda da blindagem de magistrado e o fez vestir o véu de ministro, cargo político exposto e sem intimidade.
Se o juiz necessita de conhecimento e equilíbrio para julgar, sem correr o risco de perda de mandato, o ministro precisa de habilidade em situações inusitadas, de capacidade de convencimento, diálogo para alcançar o melhor possível para a nação; precisa se exercitar em engolir sapos e evitar mordidas de cobras.
Ministro está dentro de um time e com ele tem que bater bola ou sair agradecendo a oportunidade da rara e enaltecedora experiência de servir à nação.
Moro não teve em sua vida como entender de perto o Congresso Nacional, o cipoal de Brasília, o meio político e seu âmago, de sentir o bafo da onça e suas práticas boas e ruins.
Moro não viu a sua importância à frente do julgamento da Lava Jato que enterraria ainda os remanescentes do Congresso. O Brasil perdeu a recuperação de mais recursos. Como ministro, não conseguiu o controle do Coaf e não emplacou as operações de relevância que sacudiam a cada semana os noticiários e empolgavam a população cansada de ser espoliada.
Não se lembra de um juiz mais dedicado e obstinado na defesa do patrimônio público. Ele será lembrado por isso.
Bolsonaro tirou uma peça imprescindível da Justiça para colocá-la numa arena comandada pelos investigados e condenados. Ele o deu às feras, com o próprio consentimento de Moro.
Mas o pior de tudo com Moro se deu na sexta-feira ao sair do governo. Polemizou e apresentou revelações de foro íntimo, mensagens de celular de figuras que tentavam apagar o incêndio. Seu gesto destruiu parte de sua fama, justamente num momento em que a união, a tolerância e a permanência no cargo mostrariam o interesse maior pela nação combalida.
O momento e o modo de sair foram infelizes. Se pensou no Brasil, ele o fez de forma triste e pessoal, jogando combustível num país em chamas pelas mortes e pela crise assoladora.
Observação: Não creio que o ex-juiz Sérgio Moro piorou a situação do país e do Bolsonaro, quando pediu a sua demissão, apenas, expôs a situação que uma pessoa honesta igual a ele está sujeita quando assume um posto de Ministro de um governo que não lhe deu sustentação e apoio.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...