quarta-feira, 28 de outubro de 2015

QUAL SERÁ O PRÓXIMO ESCÂNDALO?



  

Márcio Doti




O que já conhecemos é suficiente para demonstrar que chegamos ao fundo do poço. Mas, diante de tudo o que já vivemos, das surpresas que se sucederam, dos escândalos que se repetiram, não é prudente garantir ser este o fim da linha. Pois não ficamos tão escandalizados com o mensalão? E veio a Petrobras com os bilhões roubados, dólares na cueca, contas secretas na Suíça, compra e venda de refinaria nos Estados Unidos por preços fora da realidade, empreiteiras brasileiras financiadas pelo BNDES com juros subsidiados para construir em países amigos. Também usinas nucleares gerando escândalo mais que energia, montadoras de automóveis pagando por jeitinho em financiamentos privilegiados, propinas em aluguéis de navios petroleiros, sondas, enfim, dinheiro saindo pelos ralos e entrando por bolsos sujos em abundância. E vem em seguida as descobertas da Polícia Federal que colocam sob graves suspeitas Gilberto Carvalho, ministro de parede e meia com Lula e depois com Dilma. A suspeita? Venda de medidas provisórias. Tanto dinheiro em valores tão variados que dá para ficar tonto. Só não fica quem não tem a menor vergonha de ver o país mergulhado em tamanha podridão.
A vez do Brasil sério
Alguns escândalos no país foram descobertos e punidos por acaso. Collor às voltas com um irmão ciumento e deu em impeachment. Um político descontente, Roberto Jefferson, e o mensalão rolou ladeira abaixo levando consigo uma parte do PT e do governo. Um empresário assustado, um juiz corajoso, Sérgio Moro, mais o Ministério Público Federal e a Polícia Federal e lá veio a Operação Lava Jato. E as outras operações, a Acrônimo, que está desvendando os mistérios do hoje governador Fernando Pimentel, sua esposa Carolina Oliveira e os amigos Otílio Prado e Benedito Oliveira, em lances de financiamentos do BNDES, caixa dois de campanha e lavagem de dinheiro. E a surpresa do momento é a outra parte do gabinete da Presidência, de onde saiu José Dirceu e agora se complica com Gilberto Carvalho. Onde mais vamos parar não sei, mas tenho um conselho a dar: que todos fiquem atentos, que todos prestem bastante atenção em tudo o que está acontecendo porque se não perceberam é bom que se diga – a não ser alguns brasileiros bem intencionados, corajosos e firmes em suas atitudes, não podemos contar com ninguém mais.
Surpresa com os escândalos
Se cada um não fizer a sua parte, não cobrar, não pressionar, não ficar muito atento, vamos nos repetir na surpresa com os escândalos. E é certo que seremos nós os prejudicados. Quem vive em Brasília vive num outro mundo, imune às crises políticas e econômicas. Não importa à presidente Dilma se sobram para ela poucos pontos de apoiadores nas pesquisas de opinião pública. Certamente que constituída pelos milhares e milhares de contratados em cargos comissionados no serviço público. Ela continua de braços dados com o ex-presidente Lula e até se compreende: tentam resistir a qualquer custo. Contam com o esquecimento, com a indiferença e com o desconhecimento dos brasileiros. Algo que vai ficando no passado, os brasileiros estão acordando. Estão descobrindo que todas essas leviandades são pagas com o sofrimento da população.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

PREÇOS AO CONSUMIDOR DA BOULEVARD MONDE



ONDE É GASTO TANTO DINHEIRO?



  

José Antônio Bicalho


O presente e o futuro próximo estão definitivamente perdidos. A economia deve encolher gigantescos 3% neste ano (no mínimo) e outros 1,5% em 2016. Se contarmos a estagnação do ano passado (crescimento de 0,1%), serão três anos desperdiçados na economia. Mas o mais grave é que a base para uma futura retomada também está sendo comprometida.
O problema é que o ajuste fiscal ainda não alcançou seu objetivo e não há sinal de quando será alcançado. O governo derrubou propositalmente a economia para colocar suas contas em dia e enquadrar gastos nos limites das receitas. Feito isso, prometia o ministro Joaquim Levy, estariam lançadas as bases para a recuperação econômica e retorno ao crescimento.
Mas não é essa a realidade que vivemos, conforme mostra o Relatório da Dívida Pública, referente a setembro, divulgado nessa segunda pelo Tesouro Nacional (veja matéria ao lado). Nossa dívida continua crescendo de maneira acelerada tanto em termos nominais quanto na sua correlação com o PIB. E isso compromete a capacidade do governo de, no futuro, funcionar como alavanca para a recuperação da economia.
Dívida versus PIB
Mas vamos aos números que preocupam. Em setembro, o estoque da Dívida Pública Federal aumentou 1,8% em termos nominais, passando dos R$ 2,686 trilhões de agosto para R$ 2,735 trilhões. Considerando o Produto Interno Bruto do ano passado, de R$ 5,521 trilhões, a relação entre dívida e PIB passou de 48,6% para 49,5%, quase um ponto percentual de um mês para outro. No entanto, se considerarmos a projeção de recuo do PIB de 3% (Boletim Focus, do Banco Central), a dívida, hoje, já representaria mais da metade do PIB, ou 51,1%.
Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida cresceu 17%. Em nove meses, foram incorporados mais R$ 390 bilhões ao estoque. Uma velocidade estonteante. E ainda temos o problema adicional do aumento do custo de rolagem da dívida. Os juros médios anuais incidentes sobre a dívida subiu de 11,8% em dezembro de 2014 para 16,1% no mês passado. E a expectativa é a de que continuem aumentando em função da deterioração das contas públicas e dos consequentes cortes das notas de risco do Brasil pelas agências de rating.
Pecado
Como já afirmei em outras colunas, dívida não é pecado. Existem países com uma relação entre dívida e PIB maior que a nossa e que vão muito bem (logicamente, pagando juros muito menores que os nossos).
Se o governo toma empréstimos para turbinar a economia, o crescimento do estoque da dívida é contrabalançado pelo aumento do PIB, da arrecadação e da capacidade do governo para honrar seus compromissos. O problema está quando a dívida cresce em meio à recessão. Aumenta o estoque e o custo de rolagem, enquanto diminuem as receitas do governo.
É esse o caminho escolhido pelo governo desde a posse de Joaquim Levy na Fazenda, em janeiro. E o risco é chegarmos a um ponto em que não haverá mais opção de retorno.
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SE CORRER O BICHO PEGA SE FICAR O BICHO COME



  

Márcio Doti




A pergunta mais ouvida, nos últimos tempos, diz respeito ao descrédito de brasileiros quanto a um caminho que leve ao combate eficaz de tanta sujeira instalada em pontos importantíssimos do poder. Ao deparar com tantas coisas graves, os brasileiros levam para as esquinas, salões e lugares de bate-papo as suas inquietações e, praticamente, um grande receio de que tudo o que está estampado não seja suficiente para vencer as artimanhas, as redes de proteção, a surpreendente desfaçatez com que tem procurado escapar os grandes culpados por tudo isto que hoje é um tormento para as famílias brasileiras. As promessas se foram, o falatório de igualdade e justiça social tem sido apenas um meio de mascarar grandes golpes como esses que retiraram do curso normal uma verdadeira fortuna de dinheiro público repartido entre poucos, deixando a descoberto os tantos e tantos que sonharam com melhores dias, vida menos dura, realidade menos cruel e se deixaram encantar.
Nunca o brasileiro foi colocado diante de algo tão contundente e tão escandaloso. E como o tempo vai passando sem que se desenrole todo o quadro é natural que por temor ou por descrença ainda existam muitíssimos a acreditar que tudo pode se acomodar, por mais que isso seja detestável. Mas se é novidade o que vivemos hoje, se os escândalos têm dimensões que nunca tiveram, também é fato que vivemos um outro momento, equipado com outras ferramentas que tornam mais difícil o controle e o contorno dos obstáculos para ir em frente como se nada tivesse acontecido. Claro que para alguns a estrada já está traçada, não há como escapar da punição. Porém, o que querem os brasileiros sérios e sensatos, capazes de pensar nas gerações do amanhã, é um desfecho de seriedade, de honestidade, capaz de convencer quanto ao combate do mal e do errado.
O ambiente jurídico, político, econômico, enfim, todo o quadro que possa aconselhar um impeachment é paralisado exatamente onde o processo deve começar e se consumar qual seja o Congresso Nacional, e mais especificamente, a Câmara dos Deputados. Seu presidente não reúne, no momento, as condições morais e políticas para conduzir o processo porque sua condição ficou ameaçada e fragilizada desde que autoridades suíças confirmaram a existência de conta em banco daquele país com verdadeira fortuna, algo que vem casado com denúncias feitas na Operação “Lava Jato”.
O que vem em socorro do bem e dos tantos que sonham com um Brasil livre de tanta imundície é que se o escândalo tem dimensões jamais vistas no país, também é verdade que hoje reunimos outras formas de conscientização quais sejam as redes sociais, ainda tão imperfeitas, mas já tão importantes para auxiliar na montagem do que realmente importa: dar voz e vez aos brasileiros no exercício pleno e saudável da manifestação, da reivindicação, da cobrança. Não há outro caminho. Parece não haver lugar para representantes porque o processo se contaminou e desse modo ficou prejudicado. É a cobrança, o posicionamento, a firme determinação em cobrar resultados, mudanças e correções que poderão conduzir aos consertos de que o país necessita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CADASTRO NA BOULEVARD MONDE


VIDAS SECAS - CULPA DO DESMATAMENTO



Especialistas desqualificam estudo que indica desertificação no Norte de Minas

Igor Guimarães - Hoje em Dia 



VIDAS SECAS – Sem água e pasto, gado não resiste às condições climáticas severas e morrem

O resultado de um estudo encomendado há cinco anos pelo Ministério do Meio Ambiente praticamente condenou o Norte de Minas “à morte”. Caso medidas urgentes – e caras – de contingenciamento da seca não fossem tomadas a partir de então, os sertões e veredas de Guimarães Rosa evoluiriam para um deserto estéril até 2030. Faltando agora 15 anos para o “juízo final”, especialistas põem areia nesse cenário catastrófico.
O primeiro argumento desmistificador está no fato de a região ser a mais preservada do estado, com 57% da vegetação original intacta. O Triângulo Mineiro, por exemplo, tem em torno de 7%. “A área apontada com risco de desertificação é onde se tem mais verde. Então, existe uma controvérsia nesse estudo”, diz o secretário de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Sednor), Paulo Guedes.
Em mesmo a estiagem prolongada é vista como um sinal desse processo de esterilização do solo. A seca dos últimos quatro anos é o ápice de um ciclo climático, explica Reinaldo Nunes de Oliveira, coordenador-técnico regional da Emater.
Segundo ele, em períodos que variam entre 80 e cem anos, a porção Norte do estado passa por estiagens extremas, influência da maior atividade solar e das correntes quentes provenientes do Atlântico. A última, segundo ele, ocorreu em 1932. Portanto, espera-se que, em breve, a água volte a cair.
“A gente do Norte de Minas é acostumado a conviver com a seca. É um fenômeno que todos nós já passamos. De uma forma ou de outra, resistimos”, diz Oliveira.
Degradação
O fato de o êxodo de 2,2 milhões de habitantes ainda não ter começado nos 177 mil km² de área do semiárido mineiro, conforme prenunciou o relatório do MMA, também depõe contra o cataclismo. “Quando se tinha seca prolongada há 20 anos, 30, 40 anos, era inevitável a fome e milhares de pessoas migrando. Temos quatro anos agora de seca seguidos, a maior da história, e as pessoas continuam onde estão”, afirma Guedes.
Para o coordenador do Centro de Convivência com o Semiárido, Expedito José Ferreira, o termo “desertificação” é muito forte para ser usado. “Vejo que não se enquadra. Estamos, sim, num estado de degradação acelerada, o que é algo distinto. Não alcançamos a desertifica-ção”, acredita.
Professor do Departamento de Geociências da Unimontes, Ferreira reconhece que essa devastação ambiental, se continuada, potencializa a desertifica-ção, mas deixa claro que a “transição” acontece em situações bem mais críticas. Por isso, diz ele, tanto se insiste na preservação de nascentes, na despoluição de rios e na recuperação das matas ciliares.
Tal mudança de olhar sobre o Norte de Minas não representa menos investimentos, garante a Sednor. Conforme a secretaria, serão construídas 962 barragens na região nos próximos anos, a um custo de R$ 101 milhões, a partir de convênio com o governo federal. O intuito é beneficiar pequenos produtores e comunidades. A primeira etapa deve ser licitada até o fim de 2015.
Está em curso também a implantação de 516 sistemas de abastecimento de água nos municípios mais castigados pela seca, localizados na Serra Geral, como Porteirinha e Janaúba. O investimento é de R$ 83 milhões, numa parceria entre o Estado e Secretaria de Integração Nacional.
“Sabemos da escassez hídrica e da necessidade de uma série de investimentos para recuperar nascentes e matas ciliares, construir barragens, controlar melhor do uso da água. Porém, é um tanto apressado falar em desertificação”, reforça Guedes.
Resposta
O Ministério do Meio Ambiente informou que o Plano Estadual de Combate à Desertificação, de 2011, foi elaborado de forma participativa, com a coordenação do governo de Minas. No momento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) realiza um mapeamento que possibilitará ajustes territoriais das áreas mapeadas em 2011.


Estiagem eterniza drama de produtores rurais
Mesmo para o sertanejo mais calejado, a seca dos últimos quatro anos tem sido difícil de suportar. A lavoura sucumbiu há tempos. “A chuva foi embora cedo. Já chegou a hora de ela voltar e até agora, nada”, lamenta o trabalhador rural Sávio Soares, de 58 anos.
Na zona rural de Montes Claros, ele tentou plantar milho, feijão e até arroz, cultura que exige justamente muita água. “Usei uma área perto do rio, mas ele secou”. A expectativa é a de que o longo período de estiagem cesse neste ano. “O povo fala que essa seca toda é culpa do desmatamento”, diz Soares, que neste ano, por insistência, prepara a terra para plantar mais uma vez.
O estudo do Ministério do Meio Ambiente prevê um aumento considerável nas temperaturas do Norte de Minas nas próximas décadas, variando de 1,3°C a 3,8°C, em média, o suficiente para alterar ainda mais o regime de chuvas.
Para a especialistas, não há outro caminho senão o de preservar o verde que resta. “Se você pega uma pequena área para recuperar, vai resolver localmente e ainda vai sair caríssimo. Então, é melhor preservar e, em caso de exploração econômica, fazer de maneira sustentável”, afirma a professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, Vládia Oliveira.
Para ela, que acompanhou de perto a elaboração do relatório sobre desertificação no Nordeste, a crise econômica no país afetará investimentos em projetos ambientais. “É onde se corta primeiro”.
A implantação de parques estaduais deve preservar grandes áreas; os maiores estão previstos para Januária (400 mil hectares), Bonito de Minas (300 mil hectares) e Cônego Marinho (200 mil hectares)





AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...