Bolsonaro pede para 'retomar empregos' após substituir Mandetta
AFP
© EVARISTO SA (Arquivo) O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta
sexta-feira (17) a volta das atividades econômicas após demitir o ministro da
Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por divergências sobre as medidas de isolamento
social para conter a propagação do novo coronavírus.
Na direção oposta, os governadores de São Paulo e
do Rio de Janeiro prorrogaram as quarentenas parciais em seus estados, que
permitem apenas a atividade comercial considerada essencial.
"Essa briga de começar a abrir para o comércio
é um risco que eu corro. Se agravar, vem no meu colo. Agora, o que eu acredito,
e que muita gente já está tendo consciência, é que tem que abrir", afirmou
Bolsonaro durante a posse do seu novo ministro da Saúde, Nelson Teich.
Após várias semanas de confrontos, Bolsonaro
demitiu Luiz Henrique Mandetta, um fiel defensor das medidas de isolamento
social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotadas por
governadores de vários estados brasileiros.
"A visão do Mandetta, muito boa, é a da saúde
e da vida. A minha, além da saúde e da vida, entrava Paulo Guedes, entrava na
economia, no emprego. Desde o começo tinha uma visão, e ainda tenho, de que
devemos abrir o emprego. Porque o efeito colateral do combate (ao vírus) não
pode ser mais danoso do que o próprio remédio", afirmou Bolsonaro ao
justificar a substituição de Mandetta.
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Valeria PACHECO O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira
a volta das atividades econômicas após demitir o ministro da Saúde, Luiz
Henrique Mandetta, por divergências sobre as medidas de isolamento social para
conter a propagação do novo coronavírus.
Teich, um oncologista de 62 anos, não apresentou
propostas concretas em seu breve discurso inaugural, mas insistiu que é preciso
equilibrar as duas visões.
"Por mais que você fale em saúde, por mais que
você fala em economia, não importa o que você fala, o final é sempre gente.
Isso que a gente veio fazer aqui, trazer uma vida melhor para a sociedade e
para as pessoas do Brasil", afirmou o novo ministro da Saúde.
O próprio Bolsonaro admitiu que não tem poder para
impor sua visão dos governadores de cada estado, que tem autonomia para definir
medidas adotadas contra a pandemia.
Até a quinta-feira, a COVID-19 havia matado 1.924
pessoas no Brasil, um país de mais de 210 milhões de habitantes, e as
autoridades confirmaram 30.425 contágios, ainda que especialistas apontem que
na realidade esse número possa ser até 15 vezes maior por causa da falta de
exames e dos casos assintomáticos.
São Paulo, o estado mais afetado pela epidemia,
prorrogou até 10 de maio a restrição aos serviços não essenciais estipulada no
final de março.
O Rio de Janeiro, sob medidas similares, ampliou a
quarentena até 30 de abril.
A saída de Mandetta é vista com preocupação por
muitos brasileiros, que temem um efeito rebote nos contágios caso as medidas
sejam flexibilizadas.
"Foi uma má ideia (a retirada de Mandetta do
cargo), porque estava fazendo um bom trabalho, passava segurança para as
pessoas, pedia a elas que ficassem em casa", lamenta Marcelo Ferreira, um
policial no Rio de Janeiro.


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