Empresas terão
que informar ao governo até patrimônio dos funcionários
Lucas Borges
Sebrae aponta
possível dificuldade na adesão, por parte das micro e pequenas empresas
Do patrimônio ao
atestado médico. Na nova fase do eSocial, que entra em vigor em 16 de julho e
engloba as empresas privadas – independentemente do tamanho –, todos os dados
do empregado terão que ser informados ao governo. A intenção é criar um grande
banco de dados com uma ampla rede de coleta que inclui Caixa Econômica Federal
(CEF), Receita Federal, Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério da
Previdência Social. A medida engloba microeempreendedores individuais (MEIs) e
até pessoas físicas que possuam algum empregado.
Segundo a Receita, o
programa tem o intuito de monitorar de perto as empresas, unificando todas as
informações fiscais, trabalhistas e previdenciárias dos funcionários.
Além da obrigação do
lançamento de dados periódicos, como contribuições previdenciárias, FGTS, aviso
prévio, escriturações fiscais, vínculo empregatício, férias, acidente de
trabalho e horas extras, informações específicas do trabalhador terão que ser
incluídas no sistema. Até mesmo informações sobre financiamentos habitacionais
dos empregados e extratos da declaração do Imposto de Renda.
O programa terá
acesso, por exemplo, ao patrimônio e aos dados da saúde do trabalhador. O
governo poderá cruzar as informações.
Para as empresas,
responsáveis por requisitar os documentos aos trabalhadores, está prevista a
aplicação e cobrança de multa que pode chegar a até R$ 6 mil àquelas que não
divulgarem as informações nos prazos estabelecidos no cronograma do eSocial.
Segurança
Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário, a coordenadora do departamento jurídico do Grupo Brugnara, Monalisa Ferreira, vê o novo sistema como positivo. “O eSocial vai adiantar a vida do trabalhador, já que o cadastro dos documentos vai ser feito pelas empresas, evitando erros e atrasos. Além disso, o trabalhador vai ser protegido pelo governo federal, caso a empresa não divulgue documentos que resguardem os direitos dos empregados”, afirma.
Para Denise Rocha e Silva, advogada trabalhista e sócia do Jobim Advogados, as ações terão impacto nas fiscalizações.
Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário, a coordenadora do departamento jurídico do Grupo Brugnara, Monalisa Ferreira, vê o novo sistema como positivo. “O eSocial vai adiantar a vida do trabalhador, já que o cadastro dos documentos vai ser feito pelas empresas, evitando erros e atrasos. Além disso, o trabalhador vai ser protegido pelo governo federal, caso a empresa não divulgue documentos que resguardem os direitos dos empregados”, afirma.
Para Denise Rocha e Silva, advogada trabalhista e sócia do Jobim Advogados, as ações terão impacto nas fiscalizações.
“O nosso problema
atual (sistema trabalhista) é a fiscalização in loco. Até o momento, a empresa
só é fiscalizada a partir de uma denúncia de um trabalhador, ou quando ela é
citada em um processo. A ideia do eSocial é que o Ministério do Trabalho seja
notificado em tempo real sobre algum dado sonegado, e que a fiscalização seja
acionada de imediato na empresa”, afirma.
Denise Rocha entende
que as vantagens geradas pelo eSocial se sobrepõem a uma possível ingerência
nas informações do empregado. “Por mais que, de alguma forma, acabe havendo uma
invasão da intimidade do trabalhador, o prejuízo é menor que o benefício, já
que a ideia do eSocial é barrar ao máximo a informalidade e a sonegação de
dados”, pondera.
Adaptação
Apesar de uma possível simplificação na prestação dos dados dos funcionários ao governo, o analista do Sebrae Minas Haroldo Santos entende que alguns empreendedores podem ter dificuldades em aderir ao programa.
Adaptação
Apesar de uma possível simplificação na prestação dos dados dos funcionários ao governo, o analista do Sebrae Minas Haroldo Santos entende que alguns empreendedores podem ter dificuldades em aderir ao programa.
“As micro e pequenas
empresas (MEI) costumam ter uma carência de pessoal”, explica.
Auditor fiscal da
Receita Federal, Rogério Branco Cerqueira também cita possíveis dificuldades
que os empregadores podem enfrentar, mas faz questão de destacar o viés positivo
do programa.
“O impacto negativo
é a mudança de paradigma, da escrituração. Esse tipo de mudança enseja sempre
alguns pontos críticos. Se os funcionários das empresas não tiverem sido
devidamente treinados, pode haver algum tipo de problema na adesão. Mas, após a
mudança, os benefícios serão ainda maiores”, diz.
A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG) preferiu não se posicionar.
A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG) preferiu não se posicionar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário