'Guia Politicamente
Incorreto dos Presidentes' mostra o lado sombrio de quem comandou o Brasil
Cinthya Oliveira
Cristiano Machado
O ex-presidente e
senador Fernando Collor é apresentado como quem fez magia negra contra vários
adversários
No momento em que o Brasil discute se Dilma Rousseff teria cometido
algum delito que a levasse a um impeachment, as livrarias recebem o livro “Guia
Politicamente Incorreto dos Presidentes da República” (Leya), de Paulo Schmidt,
com informações para lá de constrangedoras de todas as pessoas que assumiram o
cargo mais importante do país.
O tom pessimista e bem-humorado toma conta de toda a narrativa, como já
acontece nos outros “guias politicamente incorretos”.
“A intenção é ser diferente dos livros tradicionais, contando fatos que
não são transmitidos na escola. Estudávamos que o presidente decretou tal lei,
mas pouco aprendemos sobre os mandatários, o que fizeram e quem eram”, afirma
Paulo Schmidt, que também procurou falar sobre as primeiras-damas.
O que mais impressionou o escritor foi o imenso poder concentrado nas
mãos dos presidentes, que puderam tomar decisões muito marcantes para o país
sem uma grande fiscalização por parte dos outros poderes.
“Fiquei impressionado ao perceber como nossos presidentes se pareciam
com imperadores romanos e podiam determinar o destino do país com uma canetada.
A história é bem antidemocrática”, diz.
Psicopata?
Entre as principais surpresas do autor, está as descobertas sobre Arthur
Bernardes, que governou o país de 1922 a 1926. “Esse homem tinha traços de
psicopata. Foi um dos políticos mais detestados. Chegou a criar um campo de
concentração no Amapá para onde mandava as pessoas que faziam oposição ao
governo dele. Na boca pequena, chamavam esse lugar de Inferno Verde”, relata
Schmidt.
Outra descoberta foi que Nilo Peçanha e Campos Sales eram mulatos e
tinham de esconder suas origens por meio de retoques em fotografias e quadros.
“Os presidentes não são monarcas, embora se comportem como tal. São
funcionários públicos”
Outra surpresa foi sobre Delfim Moreira, mineiro de Santa Rita do
Sapucaí que foi presidente entre 1918 e 1919. “Tivemos um presidente
clinicamente louco, sem condição de ser presidente”, conta.
“Existe uma anedota de que o Ruy Barbosa foi visitá-lo e o presidente
ficava abrindo e fechando a porta, espiando o visitante. Então, Ruy teria dito:
que estranho é o Brasil, onde até um louco pode ser presidente e eu não posso”,
completa o autor, citando Barbosa, que foi candidato à presidência contra o
militar Hermes da Fonseca, no início da República.
Schmidt agora está desenvolvendo um outro livro de microbiografias,
dessa vez sobre grandes empreendedores do país.

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