Que bom seria se não
passasse de ficção
Leida Reis
Quando a Netflix anunciou que fará uma série contando a história da
Operação “Lava Jato”, pudemos perceber que, afinal, estamos bem no meio de um
filme policial. E dos bons! Não, claro, pelo fato de ser real. Se fosse ficção
a prisão de empreiteiros e políticos, o desvendamento de um esquema criminoso
capaz de levar a um processo de impeachment de uma presidente da República,
seria fabuloso. Se pudéssemos simplesmente ligar a TV a cabo e acompanhar o
desenrolar das investigações do Ministério Público, chegando às ações da
Polícia Federal com o seu japonês-símbolo (quem fará esse papel?), prisões,
delações premiadas desnudando um esquema criminoso jamais conhecido (mas não
jamais existido, isso não podemos supor), a diversão estaria garantida. Com ou
sem pipoca. Um longa-metragem também cairia bem, com o juiz Sérgio Moro como
protagonista e os vilões representados por Eduardo Cunha, Vaccari Neto, Paulo
Roberto Costa, Marcelo Odebrecht e...uma lista sem fim.
A discussão sobre a série é se o diretor José Padilha (da série “Narcos” e dos dois filmes “Tropa de Elite”) conseguirá ser isento, tanto quanto é possível. O roteiro, a ser escrito por Elena Soares (“Casa de Areia” e “Xingu”) é inspirado no livro que o jornalista Vladimir Neto está escrevendo.
Quando a “Lava Jato” chegar a estados e municípios, ou ao menos inspirar operações patrocinadas pelo caráter e competência de promotores e policiais, então, a Netflix terá que produzir a continuação da série. É pra isso que torcemos na vida real. Para que também deputados estaduais, vereadores, prefeitos, e mais diretores e donos de empresas partidários da famosa propina também experimentem a fúria do japonês da Federal. Pois já vimos esse filme antes. Uma série de esquemas fraudulentos já foi desvendada, mas ela está ainda longe de fazer a faxina necessária no poder público.
Certo é que a descrença do brasileiro não tem limite, ao ponto de levar um motorista de táxi a dizer que depois de prender políticos e empresários, “agora, você vai ver, a Polícia Federal é que vai começar a roubar. Só falta isso, a polícia ver que ela pode roubar e ser corrupta também”.
Ainda prefiro a ficção.
A discussão sobre a série é se o diretor José Padilha (da série “Narcos” e dos dois filmes “Tropa de Elite”) conseguirá ser isento, tanto quanto é possível. O roteiro, a ser escrito por Elena Soares (“Casa de Areia” e “Xingu”) é inspirado no livro que o jornalista Vladimir Neto está escrevendo.
Quando a “Lava Jato” chegar a estados e municípios, ou ao menos inspirar operações patrocinadas pelo caráter e competência de promotores e policiais, então, a Netflix terá que produzir a continuação da série. É pra isso que torcemos na vida real. Para que também deputados estaduais, vereadores, prefeitos, e mais diretores e donos de empresas partidários da famosa propina também experimentem a fúria do japonês da Federal. Pois já vimos esse filme antes. Uma série de esquemas fraudulentos já foi desvendada, mas ela está ainda longe de fazer a faxina necessária no poder público.
Certo é que a descrença do brasileiro não tem limite, ao ponto de levar um motorista de táxi a dizer que depois de prender políticos e empresários, “agora, você vai ver, a Polícia Federal é que vai começar a roubar. Só falta isso, a polícia ver que ela pode roubar e ser corrupta também”.
Ainda prefiro a ficção.

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