A dor do adeus
Simone Demolinari
Como lidar com as perdas? O que fazer quando perdemos o emprego, a
saúde, o casamento ou alguém próximo? Não somos preparados para lidar a ruptura
mesmo sabendo da instabilidade da vida.
Ao sofrermos uma perda, seja pela morte de um ente querido ou por um
divórcio, vivenciamos o luto: um processo dolorido e solitário que pode durar
de oito meses a dois anos.
Uma teoria postulada por Elizabeth Kubler Ross em seu livro “Sobre a
morte e o morrer” assegura que o luto é composto por cinco fases: negação,
raiva, barganha, depressão e aceitação.
A negação é o mecanismo de defesa que visa afastar a dor. Ao negar o
fato, a pessoa evita pensar nele, com isso costuma preencher seu tempo
dedicando-se exageradamente ao trabalho ou a outra atividade. O sentimento de
vazio e isolamento é comum nesse período.
Na raiva é comum procurar um responsável pela dor e não aceitar a
impotência diante da perda. Nessa fase, os sentimentos de raiva e culpa
oscilam. Ora a energia da dor é dirigida a um objeto (no caso da morte: raiva
do médico, do hospital; em demais casos, raiva de alguém que esteja envolvido
com a perda), ora a responsabilidade da dor é autodirigida (“se eu tivesse
chegado mais cedo”, “eu deveria ter percebido os sinais”), trazendo a culpa
para si. A raiva, nesse caso, pode surgir de forma repentina e extrema, com
acessos de ira, violência, sarcasmo, irritabilidade, agressividade ou amargura.
No estágio da barganha, a pessoa tenta “negociar” para não permitir a
perda. Negocia com Deus, com o outro, com o destino, tudo na tentativa de
reverter a situação. É a representação da dificuldade de abrir mão do controle.
A depressão já é o caminho da cura. Quem se deprime sai da condição de
controlador da vida e passa a reconhecer as limitações humanas. A tristeza, a
desesperança, a perda de sentido e a falta de animo fazem parte dessa fase.
Geralmente é nesta etapa que as pessoas buscam ajuda de profissionais para um
acompanhamento psicológico.
A aceitação é o processo que nos faz capaz de desapegar. Aceitar não no
sentido de esquecer, mas de modificar a condição da dor. Nessa fase a pessoa
consegue se lembrar da perda sem angústia, ressaltando os aspectos positivos da
relação vivida.
É importante ressaltar que nem sempre as fases ocorrem nessa ordem e não
necessariamente são experienciadas por todos. Contudo elas indicam uma evolução
no processo de cicatrização da ferida emocional.
Não existe um medidor de dor, muito menos é correto comprar os
sofrimentos. Se alguém superou uma perda de forma rápida não significa que o
outro tem condições de superar também. Cada um sente o impacto de forma
diferente.
Quem sofre, sente-se deslocado: ao olhar para o lado percebe que todos à
sua volta segue a vida, porém, ele parece vibrar em outra frequência como se
estivesse num mundo a parte.
Conseguir ajudar alguém que sofre uma perda requer sensibilidade,
sabedoria e sobretudo amor para despir-se de si e estar atendo a necessidade do
outro.

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