Inflação de dois dígitos
Editorial Jornal
Hoje em Dia
Nós experimentamos, recentemente, a chegada da inflação aos dois
dígitos. Em 2015, o índice foi fechado em 10,7% sendo que, desde 2002, não
atingia tal patamar. Agora, infelizmente, podemos dizer que também voltamos à
marca dos dois dígitos para o desemprego. A taxa foi estimada em 10,2% no
trimestre encerrado no último mês de fevereiro. É a maior e a primeira nesse
nível desde 2012, quando foi dado início à série histórica pelo IBGE na
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio Contínua (Pnad Contínua).
Hoje, o Brasil tem 10,4 milhões de pessoas sem ocupação. O crescimento
do total de desempregados do trimestre pesquisado em comparação aos três meses
anteriores a ele (setembro, outubro e novembro) foi de 13,8%. E pior, se
compararmos dezembro, janeiro e fevereiro últimos com os mesmos meses do ano
anterior, o aumento dos desempregados chega a 40,1%.
Inacreditável pensar que ouvimos em um passado não tão distante que o
Brasil agora, sim, sabia o que era o pleno emprego, tínhamos consumidores nas
lojas (ao contrário do vazio de hoje), supermercados com preços justos e uma
realidade de vida muito mais próspera do que podemos imaginar na atualidade.
E é impossível pensar em prosperidade quando se analisa outro ponto
pesquisado pelo IBGE: rendimento médio real do trabalhador. Segundo os dados
recolhidos entre dezembro de 2015 e fevereiro deste ano, o brasileiro recebeu
R$ 1.934, tendo seu rendimento reduzido em 3,9% em relação ao mesmo trimestre
do ano anterior.
Na categoria daqueles brasileiros que trabalham por conta própria foi
percebido aumento de 3% na comparação com o trimestre de setembro a novembro de
2015 e, em relação ao mesmo trimestre de 2015, constatou-se aumento de 7,0%
(1,5 milhão de pessoas). Isso significa que houve um crescimento dos que se
enquadram como trabalhadores informais, o que significa que essas pessoas podem
estar em atividades precárias, com poucas condições para exercer as funções e
recebendo baixas remunerações.
Com inflação e desemprego acelerados, o cenário é desolador no Brasil.
Todos os setores da economia, sem exceção, aguardam os acontecimentos políticos
para vislumbrar uma saída para o caos econômico.

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