Senado deveria tirar o
clima de big brother do impeachment
Orion Teixeira
Ao contrário da espécie de Big Brother que foi a votação da abertura do
processo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na Câmara dos
Deputados, espera-se que, no Senado Federal, o processo caminhe em outro nível,
respeitando o direito amplo à defesa e elevando o nível dos debates dentro do
campo limitado às denúncias: as tais pedaladas fiscais e outras envolvendo o
orçamento público. Ninguém tem a ingenuidade de achar que não haverá
contaminação política sobre o julgamento, mas poderá haver também critérios
jurídicos, técnicos e legais.
A indicação do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), jurista
especializado em direito administrativo, poderá clarear a interpretação e tipificação
criminal que os atos administrativos presidenciais receberam desde o parecer do
Tribunal de Contas da União, que, de um governo para o outro, mudou de opinião
sobre a prática contábil pública.
Tudo leva a crer que teremos um debate mais qualificado que não se
curvará aos holofotes da transmissão ao vivo das diversas etapas do processo. A
maioria dos deputados federais usou seus depoimentos e participações como
pequenos shows a serem divulgados e viralizados nas redes sociais. Desde o
tempo do mensalão, na CPI e no STF, a maioria tem jogado mais para a plateia em
um show midiático de curta duração, com o objetivo de repercutir na internet.
Temer e a reeleição
Dizem que tucanos ainda não decidiram se irão apoiar ou não eventual
governo Michel Temer (PMDB), com participação ou não no futuro ministério. A
questão aí é outra. Querem, antes, o compromisso dele, a ser materializado,
depois, como proposta de emenda constitucional, com o fim do instituto da
reeleição, incluindo a dele em 2018.
Pimentel amplia segurança
Decreto de autoria do governador Fernando Pimentel (nº 46.983, de 19 de
abril último), estabelece os palácios da Liberdade e das Mangabeiras como áreas
de segurança permanente e amplia seu alcance a ruas e avenidas adjacentes, e
até mesmo na área de trabalho do vice-governador Antônio Andrade (PMDB). Na
Assembleia Legislativa, governistas dizem que ele apenas colocou em prática lei
do governo anterior; para a oposição, duas teriam sido as razões: primeiro, o
receio de operações da Polícia Federal, que investiga o suposto envolvimento
dele na Operação Acrônimo; a segunda, seriam manifestações contra seu governo,
especialmente após a abertura do impeachment de sua aliada, a presidente Dilma
Rousseff (PT), na Câmara dos Deputados.
Nesta quinta-feira (21), o governador terá uma amostra dessas
manifestações nos tradicionais atos públicos, em Ouro Preto, durante as
comemorações do 21 de Abril (Inconfidência Mineira). Policiais e bombeiros
militares prometem protestar contra o parcelamento de seus vencimentos em duas
e três parcelas. Ainda na Assembleia Legislativa, o deputado de oposição,
Sargento Rodrigues (PDT), apresentou projeto de resolução para suspender o
decreto do governador, chamado por ele de “blindagem”.

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