Márcio Doti
Menos de um ano depois de ser
reconduzida ao cargo de presidente da República, Dilma Rousseff vive um momento
difícil e impõe aos brasileiros outra posição incômoda. Ela porque enfrenta
rejeição de maioria esmagadora de brasileiros, além de receber questionamentos
desconcertantes quanto à legitimidade de sua reeleição. Questionamentos feitos
na Justiça, mas que por enquanto representam acusações e não podem ser tomados,
por ora, como culpa formada. Os brasileiros, ao seu turno, por se verem às
voltas com tempos difíceis na economia e na política, e de se sentirem
governados por alguém que lhes mentiu nos palanques e agora faz tudo ao
contrário do que pregou e prometeu. É preciso forte dose de autocontrole, de
frieza e indiferença ao que pensa a opinião pública para viver as diversas
situações que hoje se colocam diante da principal autoridade da sociedade
brasileira.
Fosse a presidente alguém saído das
fileiras da política e já teria pedido para ir embora. Mesmo que grande parte
dos políticos brasileiros não se importe com o que pensa a opinião pública, é
muito difícil que avance impassível, indiferente às vaias, precisando escolher
lugares onde aparecerá e ainda assim correndo o risco de manifestações de
descontentamento por parte da população. Mesmo montando cenários aparentemente
favoráveis, no íntimo, ela sabe que não está agradando que, ao contrário, está
ocupando um lugar para onde foi conduzida por aqueles mesmos que hoje a querem
fora, justo porque descobriram que votos foram conquistados mediante mentiras.
Neste momento, não se pode de forma
alguma contestar a legitimidade do cargo que ocupa, embora deva ser
desconcertante exercê-lo sem o respaldo de aplausos ou simplesmente sem a
garantia do respeito, aquele respeito que nasce do conceito de cada um, ao
invés dos gracejos, da exploração farta de pronunciamentos recheados de gafes e
erros que ajudam a desmerecer alguém que ostenta a faixa presidencial. Não é
diferente no próprio ambiente da política onde a presidente Dilma tem colhido
resultados negativos, derrotas, mesmo tendo à mão ferramentas poderosas de
convencimento. Ainda assim, mesmo loteando ministérios, a impopularidade tem
sido ferrenha adversária ou quem sabe um ícone de punição por tanto desrespeito
praticado contra o então cidadão eleitor.
Antecessores viveram situações até
piores, como é o caso do ex-presidente Collor, banido do cargo, embora
reconduzido à política pelas mãos de uma tolerância regional que talvez nem
seja mais a mesma. Sarney deixou a presidência vaiado nas pesquisas. Jânio
Quadros saiu antes da hora porque tinha mais garganta para contestar e se opor
do que para governar. Renunciou e foi embora, amaldiçoando forças ocultas.
Agora, a vez de Dilma Rousseff. E não havendo nada que se comprove quanto ao
que a acusam, defendo que siga em frente, governando. Que encontre o caminho do
acerto ou que não deixe uma gota de dúvida quanto à sua incompetência.

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