sexta-feira, 9 de outubro de 2015

PROBLEMAS DA NOSSA GOVERNANTE



Márcio Doti




Menos de um ano depois de ser reconduzida ao cargo de presidente da República, Dilma Rousseff vive um momento difícil e impõe aos brasileiros outra posição incômoda. Ela porque enfrenta rejeição de maioria esmagadora de brasileiros, além de receber questionamentos desconcertantes quanto à legitimidade de sua reeleição. Questionamentos feitos na Justiça, mas que por enquanto representam acusações e não podem ser tomados, por ora, como culpa formada. Os brasileiros, ao seu turno, por se verem às voltas com tempos difíceis na economia e na política, e de se sentirem governados por alguém que lhes mentiu nos palanques e agora faz tudo ao contrário do que pregou e prometeu. É preciso forte dose de autocontrole, de frieza e indiferença ao que pensa a opinião pública para viver as diversas situações que hoje se colocam diante da principal autoridade da sociedade brasileira.
Fosse a presidente alguém saído das fileiras da política e já teria pedido para ir embora. Mesmo que grande parte dos políticos brasileiros não se importe com o que pensa a opinião pública, é muito difícil que avance impassível, indiferente às vaias, precisando escolher lugares onde aparecerá e ainda assim correndo o risco de manifestações de descontentamento por parte da população. Mesmo montando cenários aparentemente favoráveis, no íntimo, ela sabe que não está agradando que, ao contrário, está ocupando um lugar para onde foi conduzida por aqueles mesmos que hoje a querem fora, justo porque descobriram que votos foram conquistados mediante mentiras.
Neste momento, não se pode de forma alguma contestar a legitimidade do cargo que ocupa, embora deva ser desconcertante exercê-lo sem o respaldo de aplausos ou simplesmente sem a garantia do respeito, aquele respeito que nasce do conceito de cada um, ao invés dos gracejos, da exploração farta de pronunciamentos recheados de gafes e erros que ajudam a desmerecer alguém que ostenta a faixa presidencial. Não é diferente no próprio ambiente da política onde a presidente Dilma tem colhido resultados negativos, derrotas, mesmo tendo à mão ferramentas poderosas de convencimento. Ainda assim, mesmo loteando ministérios, a impopularidade tem sido ferrenha adversária ou quem sabe um ícone de punição por tanto desrespeito praticado contra o então cidadão eleitor.
Antecessores viveram situações até piores, como é o caso do ex-presidente Collor, banido do cargo, embora reconduzido à política pelas mãos de uma tolerância regional que talvez nem seja mais a mesma. Sarney deixou a presidência vaiado nas pesquisas. Jânio Quadros saiu antes da hora porque tinha mais garganta para contestar e se opor do que para governar. Renunciou e foi embora, amaldiçoando forças ocultas. Agora, a vez de Dilma Rousseff. E não havendo nada que se comprove quanto ao que a acusam, defendo que siga em frente, governando. Que encontre o caminho do acerto ou que não deixe uma gota de dúvida quanto à sua incompetência.

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