sexta-feira, 9 de outubro de 2015

QUANTO VALE O SEU VOTO?



  

Orion Teixeira


A presidente Dilma Rousseff (PT) está na marca do pênalti, porque a colocaram lá, claro, com grande ajuda dela e de sua operosa equipe. Isso não quer dizer, necessariamente, que o batedor o converterá em gol, ou que o goleiro irá defendê-lo. Apesar dos desacertos e consecutivos erros políticos (perda de apoio da base aliada) e de gestão (descontrole das contas públicas, como as tais pedaladas fiscais), o desfecho será sempre político. Como o problema criado é essencialmente político, a solução também o é.
Tem alta reprovação do governo; tem crise econômica de dimensões assustadoras; perda de confiança e do selo de bom pagador do país. Objetivamente, tudo isso existe e representa uma situação gravíssima, mas nada se compara à perda do apoio político, que pode custar o mandato. Ou seja, mais importante para Dilma do que todos aqueles problemas é salvar o seu mandato. Sem ele, não poderá cuidar dos outros. Sem ele, outro, no caso seu vice, Michel Temer (PMDB), no caso específico de impeachment ou cassação de mandato, em outra configuração política, seria o responsável pela solução.
Antes de chegar a esse ponto, Dilma terá, ainda que pequena, a chance de recompor sua base política para ter maioria e espantar o fantasma. Dadas as circunstâncias e do adiantado da hora, não haverá tempo de reforma da reforma ministerial, reformas políticas e conversas republicanas. Quanta custa o voto de um deputado? O governo e sua nova articulação política terão que monitorar cada um dos 513 deputados e 81 senadores e todas as etapas do processo.
A reforma ministerial, como se viu nos últimos três dias, mostrou-se um fiasco, expondo insatisfações em todos os aliados, o próprio PT incluído. Por outro lado, é fácil identificar um por um. Excluídas as bancadas de oposição de posições conhecidas, há uma faixa de 50 a 100 parlamentares que ficam flutuando e que estão sujeitos a uma boa conversa não republicana. O que é preciso para ter seu apoio?
Politicamente, Dilma só tem como conquistar apoio e votos no campo do atraso político do país. É uma terrível constatação, mas o mandato dela está, hoje, nas mãos dos deputados e senadores, a quem ela sempre desprezou ou tapava o nariz quando os recebia, nas pouquíssimas vezes, em audiência. Não adianta mais recorrer ao Judiciário ou a movimentos sociais. Essa batalha terá de ser travada nas duas casas do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Prazos estão correndo
A reforma ministerial não funcionou porque, tudo indica, acordos não foram cumpridos em termos de pagamento de emendas e oferta de cargos de segundos escalões, objeto de desejo dos parlamentares e de sobrevivência do baixo clero (deputados que fazem do fisiologismo a razão do fazer política). Se não foi feito até então, o será de forma acelerada, até porque há prazos e calendários correndo contra a presidente.
Para o governo, só resta reunir o número mínimo de votos necessários à sobrevivência. A conta é regimentalmente matemática: 342 votos ou 2/3 dos 513 deputados federais.

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