Orion Teixeira
A presidente Dilma Rousseff (PT) está
na marca do pênalti, porque a colocaram lá, claro, com grande ajuda dela e de
sua operosa equipe. Isso não quer dizer, necessariamente, que o batedor o
converterá em gol, ou que o goleiro irá defendê-lo. Apesar dos desacertos e
consecutivos erros políticos (perda de apoio da base aliada) e de gestão
(descontrole das contas públicas, como as tais pedaladas fiscais), o desfecho
será sempre político. Como o problema criado é essencialmente político, a
solução também o é.
Tem alta reprovação do governo; tem
crise econômica de dimensões assustadoras; perda de confiança e do selo de bom
pagador do país. Objetivamente, tudo isso existe e representa uma situação
gravíssima, mas nada se compara à perda do apoio político, que pode custar o
mandato. Ou seja, mais importante para Dilma do que todos aqueles problemas é
salvar o seu mandato. Sem ele, não poderá cuidar dos outros. Sem ele, outro, no
caso seu vice, Michel Temer (PMDB), no caso específico de impeachment ou
cassação de mandato, em outra configuração política, seria o responsável pela
solução.
Antes de chegar a esse ponto, Dilma
terá, ainda que pequena, a chance de recompor sua base política para ter
maioria e espantar o fantasma. Dadas as circunstâncias e do adiantado da hora,
não haverá tempo de reforma da reforma ministerial, reformas políticas e
conversas republicanas. Quanta custa o voto de um deputado? O governo e sua
nova articulação política terão que monitorar cada um dos 513 deputados e 81
senadores e todas as etapas do processo.
A reforma ministerial, como se viu nos
últimos três dias, mostrou-se um fiasco, expondo insatisfações em todos os
aliados, o próprio PT incluído. Por outro lado, é fácil identificar um por um.
Excluídas as bancadas de oposição de posições conhecidas, há uma faixa de 50 a
100 parlamentares que ficam flutuando e que estão sujeitos a uma boa conversa
não republicana. O que é preciso para ter seu apoio?
Politicamente, Dilma só tem como
conquistar apoio e votos no campo do atraso político do país. É uma terrível
constatação, mas o mandato dela está, hoje, nas mãos dos deputados e senadores,
a quem ela sempre desprezou ou tapava o nariz quando os recebia, nas
pouquíssimas vezes, em audiência. Não adianta mais recorrer ao Judiciário ou a
movimentos sociais. Essa batalha terá de ser travada nas duas casas do
Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Prazos estão correndo
A reforma ministerial não funcionou
porque, tudo indica, acordos não foram cumpridos em termos de pagamento de
emendas e oferta de cargos de segundos escalões, objeto de desejo dos
parlamentares e de sobrevivência do baixo clero (deputados que fazem do
fisiologismo a razão do fazer política). Se não foi feito até então, o será de
forma acelerada, até porque há prazos e calendários correndo contra a
presidente.
Para o governo, só resta reunir o
número mínimo de votos necessários à sobrevivência. A conta é regimentalmente
matemática: 342 votos ou 2/3 dos 513 deputados federais.

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