O que esperar do G-7 em meio à guerra na Ucrânia e crise diplomática entre EUA, China e Rússia?
Por Redação – Jornal Estadão
Líderes das democracias ricas do mundo
estão reunidos em Hiroshima para debater uma série de desafios, da
invasão russa da Ucrânia ao aumento das tensões na Ásia
Os líderes mundiais desembarcaram nesta quinta-feira, 18, para uma reunião do Grupo dos Sete em Hiroshima, o local do primeiro ataque com bomba atômica do mundo, em 6 de agosto de 1945. O simbolismo é palpável, com os líderes das democracias ricas do mundo reunidos na cidade cujo nome evoca a tragédia da guerra, para enfrentar uma série de desafios, incluindo a invasão russa da Ucrânia e o aumento das tensões na Ásia no topo da agenda.
O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, iniciou os trabalhos
diplomáticos ao se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Joe
Biden, após sua chegada a uma base militar próxima. Ele deveria manter
conversas com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, antes do
encontro de três dias de líderes das democracias ricas do mundo começar
nesta sexta-feira.
A atenção sobre a guerra na Europa ocorre poucos dias depois que o
presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, completar uma viagem rápida
para se encontrar com líderes europeus e conseguir apoio militar para
sua contraofensiva contra a Rússia. “A Ucrânia impulsionou esse senso de
propósito comum para o G7″, disse Matthew Goodman, vice-presidente
sênior de economia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
“Existe uma espécie de pressão dos colegas que se desenvolve em fóruns
como este”, explicou.
O
presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com o
primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, antes do início da cúpula do
G-7 Foto: Kiyoshi Ota / AP
Os líderes do G-7 também estão se preparando para a possibilidade de
um novo conflito na Ásia, à medida que as relações com a China se
deterioram. Eles estão cada vez mais preocupados, entre outras coisas,
com o que veem como a crescente assertividade de Pequim e temem que a
China tente tomar Taiwan à força, provocando um conflito mais amplo. A
China reivindica a ilha autônoma como parte de seu território.
As preocupações com a força da economia global, o aumento dos preços e
a crise do limite da dívida nos EUA também estarão no topo da lista de
temas discutidos no G-7.
O G-7 inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos,
além da União Europeia. Esse grupo também está dando mais atenção às
necessidades do Sul Global – um termo para descrever principalmente
países em desenvolvimento na África, Ásia e América Latina – e convidou
diversos países importantes dessas regiões, caso do Brasil e da Índia,
além de países menores, como as minúsculas Ilhas Cook, no Pacífico Sul.
Ao ampliar a conversa para além das nações industrializadas mais
ricas do mundo, o grupo espera fortalecer os laços políticos e
econômicos, reforçando o apoio aos esforços para isolar a Rússia e
enfrentar a assertividade da China em todo o mundo, dizem analistas.
“O Japão ficou chocado quando dezenas de países em desenvolvimento
relutaram em condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia no ano passado”,
disse Mireya Solís, diretora do Centro de Estudos de Políticas do Leste
Asiático da Brookings Institution. “Tóquio acredita que este ato de
guerra de um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU é uma
ameaça direta aos fundamentos do sistema internacional do pós-guerra.”
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi também estará presente. Seu
país, que ultrapassou a China como o mais populoso do mundo e se vê
como uma superpotência em ascensão, será o anfitrião de uma reunião do
grupo muito mais amplo de economias e líderes do G-20 ainda este ano.
O
presidente americano Joe Biden em um encontro pré-G7 com o premiê do
Japão, Fumio Kishida, em Hiroshima Foto: Kiyoshi Ota/via Reuters
Para o anfitrião, o premiê Kishida, a reunião deste fim de semana é
uma oportunidade de destacar a política externa mais robusta de seu
país. O primeiro-ministro japonês fez uma viagem surpresa a Kiev em
março, tornando-se o primeiro líder pós-guerra do país a viajar para uma
zona de guerra, uma visita carregada de simbolismo devido à
constituição pacifista do Japão.
Outra inclusão importante em Hiroshima é a Coreia do Sul, um aliado
dos EUA que rapidamente se aproximou de seu antigo rival e ex-ocupante
colonial, o Japão, à medida que suas preocupações com a segurança
regional compartilhadas.
Sung-Yoon Lee, um especialista no Leste Asiático da Fletcher School
of Law and Diplomacy da Tufts University, disse que o encontro envia uma
mensagem à China, Rússia e Coreia do Norte de “solidariedade entre as
democracias da região e sua determinação de enfrentar o crescente
autocracias ameaçadoras”.
O
presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversa com o
primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na reunião dos líderes do
G-20 em Bali, Indonésia Foto: Dita Alangkara/ AP
Compromisso com a paz
A decisão de sediar o G-7 em Hiroshima não é por acaso. Kishida, cuja
família é da cidade, espera que o local ressalte o “compromisso do
Japão com a paz mundial” e crie impulso para “realizar o ideal de um
mundo sem armas nucleares”, escreveu ele no site de notícias on-line
Japan Forward.
Os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima em 6 de
agosto de 1945, destruindo a cidade e matando 140 mil pessoas, e
lançaram uma segunda sobre Nagasaki três dias depois, matando outras 70
mil pessoas. O Japão se rendeu em 15 de agosto, encerrando efetivamente a
2º Guerra e décadas de agressão japonesa na Ásia.
O Japão, que é protegido pelo guarda-chuva nuclear dos EUA, também
enfrentou críticas de que sua promessa de desarmamento nuclear não é
verdadeira. Kishida está tentando forjar um roteiro realista entre a
dura realidade atual e o ideal de um mundo sem armas nucleares.
Coreia do Norte escala tensões na região da Península Coreana Foto: via REUTERS / via REUTERS
Na sexta-feira, 19, Kishida dará as
boas-vindas aos líderes que chegam ao Parque da Paz de Hiroshima. Ele
também planeja escoltar os líderes ao museu da bomba atômica, na
primeira visita em grupo de chefes de Estados de países com capacidade
nuclear. Também pode haver uma reunião com sobreviventes do ataque.
“Acredito que o primeiro passo para qualquer esforço de desarmamento
nuclear é fornecer uma experiência em primeira mão das consequências do
bombardeio atômico e transmitir com firmeza a realidade”, disse Kishida
no sábado durante uma visita a Hiroshima para observar os preparativos
para a cúpula./AP, NYT e W.POST
Confira 4 dicas de como se destacar num processo seletivo e alcançar a vaga que você deseja
A busca por emprego é um caminho cheio de obstáculos e pensar o que o
RH de uma empresa procura em um candidato é capaz de deixar qualquer
pessoa ansiosa. Se esse é o seu caso, não se preocupe.
Lívia Felizardo, diretora de produtos da Vivae, startup de educação e
empregabilidade criada a partir de uma parceria entre a operadora Vivo e
Ânima Educação, reuniu quatro dicas que apontam quais qualidades os
recrutadores estão procurando no mercado de trabalho.
Aprenda e se adapte
Experiências profissionais são importantes e costumam ser um fator
decisivo na escolha dos candidatos pelas empresas. A trajetória
profissional, no entanto, não é a única coisa que importa para uma
companhia. As empresas estão cada vez mais interessadas em pessoas que
aprendem e se adaptam rápido. Durante o processo seletivo, é importante
que o candidato lembre-se de destacar sua capacidade de entender
diferentes contextos, improvisar e aprender com novidades e desafios.
Fale a língua da empresa
Tão importante quanto a capacidade de adaptação de um candidato é a
compatibilidade entre empregado e empregador. A conexão entre os valores
de uma empresa e de uma pessoa são cada vez mais levados em conta no
momento da contratação. Não é fácil encontrar alguém que se encaixe na
cultura de uma empresa. É importante estudar o perfil da companhia e
entender como o candidato pode agregar ao contexto da vaga desejada.
A diversidade é um super poder
Foi-se o tempo em que o diferente era excluído. Atualmente, a
diversidade é um trunfo procurado pelas empresas ao redor do mundo. Mais
do que um indicador social, a diversidade vem sendo encarada no mercado
de trabalho como uma oportunidade de agregar novas visões e valores à
companhia que está contratando. É um estimulante à criatividade e à
compreensão do cliente, que está imerso num mundo diverso. O candidato
que entende como ele se relaciona com a diversidade e com as diferenças
culturais e como, a partir disso, ele pode oferecer uma nova perspectiva
tende a sair na frente na disputa por uma posição.
Não seja um sabe-tudo
Saber como agregar uma nova visão a uma empresa já estabelecida é
importante, mas há um cuidado necessário: evitar uma postura arrogante.
Esse tipo de comportamento afasta o avaliador, um posicionamento que
fecha as portas para o aprendizado. Ser inflexível e colocar os próprios
interesses em primeiro lugar não é uma boa estratégia. Isso não
significa que o candidato não possa contribuir com as suas próprias
ideias, mas é importante saber ouvir, entender o cenário e não só falar
ou impor seu jeito de fazer.
Conselhos para uma pessoa demitida conseguir um novo emprego – ChatGPT
Ser demitido pode ser um momento desafiador, mas existem várias
estratégias que você pode adotar para conseguir um novo emprego. Aqui
estão alguns conselhos úteis:
Mantenha uma atitude positiva: É normal sentir-se desanimado após
uma demissão, mas é importante manter uma mentalidade positiva. Acredite
em suas habilidades e tenha confiança de que você encontrará um novo
emprego.
Avalie suas habilidades e experiências: Faça uma avaliação honesta
de suas habilidades, experiências e áreas de especialização. Identifique
seus pontos fortes e áreas que podem precisar de desenvolvimento. Isso o
ajudará a direcionar sua busca por emprego e se destacar como
candidato.
Atualize seu currículo e perfil online: Revise e atualize seu
currículo para destacar suas realizações e habilidades relevantes. Além
disso, certifique-se de que seu perfil em plataformas online, como o
LinkedIn, esteja completo e atualizado. Isso ajudará os recrutadores a
encontrarem você e entenderem seu perfil profissional.
Expanda sua rede de contatos: Aproveite sua rede profissional e
pessoal para buscar oportunidades de emprego. Informe seus contatos
sobre sua situação e interesse em encontrar um novo emprego. Participe
de eventos de networking e conecte-se com pessoas do seu setor de
interesse.
Procure oportunidades online e offline: Além de sites de emprego e
plataformas online, também pesquise oportunidades em jornais locais,
grupos de emprego nas redes sociais e agências de recrutamento. Esteja
aberto a diferentes canais de busca e esteja disposto a se candidatar
pessoalmente em empresas que você tem interesse.
Prepare-se para entrevistas: Pratique respostas para perguntas
comuns de entrevistas, destaque suas realizações anteriores e esteja
preparado para falar sobre sua demissão anterior de maneira profissional
e positiva. Pesquise sobre a empresa antes da entrevista para
demonstrar seu interesse e preparo.
Aprimore suas habilidades: Use o tempo entre empregos para aprimorar
suas habilidades. Considere fazer cursos, participar de workshops ou
buscar certificações que sejam relevantes para sua área de atuação. Isso
não só aumentará seu conhecimento, mas também mostrará aos empregadores
que você está disposto a investir em seu desenvolvimento profissional.
Mantenha-se motivado e persistente: A busca por emprego pode levar
tempo e exigir paciência. É normal enfrentar rejeições e contratempos,
mas não desanime. Continue se candidatando a vagas, participe de
entrevistas e mantenha-se motivado. Sua perseverança acabará sendo
recompensada.
Lembre-se de que cada jornada de busca por emprego é única, e é
importante adaptar essas dicas à sua situação específica. Não se esqueça
de cuidar de si mesmo durante esse processo, mantendo um equilíbrio
entre trabalho e vida pessoal, buscando apoio quando necessário e
mantendo uma mentalidade positiva. Boa sorte em sua busca por um novo
emprego!
Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso
Junior Borneli, co-fundador do StartSe
Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)
Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor
Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe.
Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar
lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).
É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E
como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma
espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira
outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas,
conhecendo culturas diferentes.
Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do
Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não
duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a
diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator
entre fracasso e sucesso.
Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo.
“Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e
manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é
fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das
pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.
De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o
foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo
ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi
possível para o melhor resultado”, avisa.
Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as
coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma
situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde
você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das
coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o
empreendedor.
Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica
importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes
adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso
é a superação”, destaca Junior Borneli.
Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no
primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito
comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes,
receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”,
afirma.
É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será
fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior
parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado
expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria
fica pelo caminho”, diz.
É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá
que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a
sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a
trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky
Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto
aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.
O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham
glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com
super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa
espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à
tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.
Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são
persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará
valer a pena!,” destaca o empreendedor.
DERROTA TAMBÉM ENSINA
Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá,
tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos
ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova
tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos
Estados Unidos”, afirma Junior.
No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e
aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já
falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou
capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.
Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para
não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e
entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e
suportáveis”, salienta.
Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos
traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo
dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são
fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao
orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão.
Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e
siga firme em frente”, afirma.
É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você
não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se
você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm
coragem e disposição para fazer”, completa.
O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?
Moysés Peruhype Carlech
Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”,
sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de
resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial
da Startup Valeon.
Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer
pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as
minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais
uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?
Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a
sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você
comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online
com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu
WhatsApp?
Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para
ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja
e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.
A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao
mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para
sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em
Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para
enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de
isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos
hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar
pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade,
durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar
por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que
tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa
barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio
também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.
É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda
do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim
um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu
processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e
eficiente. Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e
aumentar o engajamento dos seus clientes.
Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu
certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. –
Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um
grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe
você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o
próximo nível de transformação.
O que funcionava antes não necessariamente funcionará no
futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas
como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos
consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas
tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo
aquilo que é ineficiente.
Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de
pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos
justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer
e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde
queremos estar.
Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a
absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que
você já sabe.
Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo
por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na
internet.
Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a
sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar
você para o próximo nível.
Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.
Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.
Cassação de Dallagnol pelo TSE configura novo capítulo do desmonte da Lava Jato Por Sílvio Ribas – Gazeta do Povo Brasília
| Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
A decisão
unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar o mandato do
deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) teve impacto
significativo no cenário político, com protestos de parlamentares e
movimentos ligados às ações anticorrupção. Em contrapartida, críticos
dos supostos excessos da Lava Jato e ex-alvos da operação comemoram o
resultado do julgamento.
Com o histórico de resistência nos meios jurídico e político contra a
Lava Jato, a reação recente do TSE está sendo vista por analistas e
políticos como novo capítulo da desmontagem da operação, após série de
revisões de condenações na Justiça e de afrouxamentos da legislação.
Reações de deputados da oposição sugerem perseguição política contra
parlamentares. Além de afirmar isso, Kim Kataguiri (União Brasil-SP)
disse que o julgamento de Dallagnol reflete um país que pune os que
combatem a corrupção. Ele também fez críticas ao governo de Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou a mesma visão sobre as
intenções do tribunal no caso, questionando se a ideia era só calar
opositores. Bia Kicis (PL-DF) lamentou o “profundo desprezo dos membros
do Judiciário e de certos políticos pelo valor do voto”, ressalvando que
o respeito à vontade popular parece ser dado só a aliados do “sistema”.
Mario Frias (PL-SP) lembrou que a cassação partiu de um “pedido do PT”.
Outros deputados preferiram explorar o excesso de rigor na
interpretação da lei. Para Evair Melo (PP-ES), houve vergonhoso excesso
de zelo, o mesmo que não foi observado para o presidente Lula e seus
ministros. “O TSE está prestando um desserviço ao país, até porque o
requerente da cassação é o PT”, disse. Além deles, Zé Trovão (PL-SC)
também questionou o mérito da decisão. “O que eles (TSE) estão querendo?
Instabilidade jurídica e institucional?”, provocou.
Por sua vez, o comando das duas Casas do Congresso e a maioria dos
líderes partidários evitaram contestar ou até mesmo comentar a medida
radical do TSE contra Dallagnol, seja por concordarem com o castigo a
uma suposta “criminalização da política” associada à Lava Jato, seja
pelo receio de serem alcançados pelas mesmas investidas contra os
simpatizantes da operação sediada em Curitiba.
Na tribuna do Senado, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) cobrou do
presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a interdição
imediata da cassação de Dallagnol. Ele criticou a decisão do TSE e disse
que era “ilegítima” e “evidência da interminável arbitrariedade que o
país enfrenta”. Mourão expressou sua preocupação com a inação dos
partidos e a direção do Senado diante de “atos que violam direitos”.
O senador e ex-vice-presidente da República ressaltou ainda o
“assombro da sociedade” diante da perseguição aos responsáveis por
desvendar “o maior caso de corrupção da história”, atribuindo tal
perseguição ao “desejo de vingança do próprio presidente da República”.
Mourão afirmou que a cassação do mandato do deputado é “um golpe fatal
na última esperança do povo na democracia, representada pela sua
expressão política nas urnas”.
Também houve indícios de medidas para evitar expressões de
solidariedade ao deputado cassado e críticas à decisão judicial, como
evidenciado pela decisão do presidente da Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de cancelar a
sessão agendada para esta quarta.
Ele alegou falta de quórum, mas membros da CCJ afirmaram que a ação
visava impedir manifestações como a de Sergio Moro (União Brasil-PR),
ex-juiz da Lava Jato, o que inevitavelmente provocaria debate acalorado
sobre a decisão do TSE.
VEJA TAMBÉM:
Além de Dallagnol, Moro e outros parlamentares também podem ser cassados
Cassação de Dallagnol contraria lei e jurisprudência, e traz insegurança
Ministros do TSE não alinhados com Alexandre de Moraes ajudaram a cassar Dallagnol
Dallagnol diz que foi cassado pelo TSE por uma “inelegibilidade imaginária” e por combater a corrupção Lira diz que decisão do TSE será analisada pela Corregedoria da Câmara
Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse
que a perda de mandado de Dallagnol será analisada pela Corregedoria da
Casa. Os procedimentos são regulamentados pelo Ato da Mesa 37/09,
informou a Agência Câmara.
“A Mesa seguirá o que determina esse ato: a Câmara tem que ser
citada, a Mesa informará ao corregedor, o corregedor vai dar um prazo ao
deputado, o deputado faz sua defesa e sucessivamente”, disse Lira
durante a sessão do plenário.
O presidente da Câmara respondeu a uma questão de ordem do deputado
Maurício Marcon (Podemos-RS), para quem a Câmara deve se pronunciar
sobre a decisão da Justiça Eleitoral. “O mandato deve ser cassado
somente por esta Casa”, disse. A Constituição garante aos deputados
cassados pela Justiça Eleitoral o direito à ampla defesa dentro da
Câmara dos Deputados.
Conforme a Constituição, a perda de mandato será declarada pela Mesa
da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação, assegurada a ampla
defesa. O Ato da Mesa assegura ao deputado alvo de representação prazo
de cinco dias úteis para a manifestação. Quando a representação é
fundamentada em ato da Justiça Eleitoral, cabe apenas ao corregedor
tratar dos aspectos formais da decisão judicial.
Dallagnol interpretou a decisão do TSE como “ato de retaliação contra
os esforços de combate à corrupção”. Seu partido, o Podemos, afirmou
que não medirá esforços para defender o deputado, destacando que o
Parlamento sai perdendo.
Embora possa recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a
execução da decisão pelo TRE do Paraná, há consenso de ser extremamente
improvável a reversão, até porque três dos sete ministros que o
condenaram no TSE pertencem ao STF.
Há dúvida se a decisão do TSE torna Dallagnol inelegível, uma vez que
a perda do mandato ocorreu devido à anulação da candidatura, o que
permitiria que ele concorresse nas próximas eleições.
Moro é visto como provável próximo alvo de uma cassação Baseados
em pareceres emitidos por juristas renomados, como o professor Horácio
Neiva, da Universidade de São Paulo (USP), políticos consideram que o
TSE abandonou a leitura limitada das regras de inelegibilidade, dando
margem para interpretações mais flexíveis. Com isso, o comentário mais
ouvido dentro e fora do Congresso desde a terça-feira (16) é de que o
senador Sergio Moro (União Brasil-PR) seria a próxima vítima de uma
suposta perseguição aos lava-jatistas. No caso dele, a cassação do
mandato sob avaliação da Justiça Eleitoral foi pedida pelo PL, que o
acusa de suposto caixa dois e abuso de poder econômico na campanha para o
Senado. Como testemunha, o ex-juiz indicou Dallagnol.
No ano passado, Moro se manifestou sobre o pedido de cassação do PL.
Segundo ele, “maus perdedores” resolveram “trabalhar pelo PT e para os
corruptos”. “Da minha parte, nada temo, pois sei da lisura das minhas
eleições. Agora, impressiona que tenham pessoas que podem ser tão
baixas. O que não conseguem nas urnas, tentam no tapetão”, escreveu.
Para analistas próximos ao jogo político, a percepção de intercâmbio
entre parlamentares e membros de tribunais para garantir autoproteção e
buscar a estabilidade em suas prerrogativas tem produzido reveses contra
a Lava Jato em decisões do Legislativo e do Judiciário. Moro tem
buscado melhorar seus canais de comunicação e parcerias no Congresso,
onde sempre sofreu resistências de parte da classe política.
Por outro lado, eles também avaliam que a percepção de um mundo
político e jurídico unido no empenho para tirar o mandato de Dallagnol e
avançar no desmonte da Lava Jato pode reforçar as críticas ao TSE e ao
STF. A votação rápida e sem debate denotaria perfilamento em caso
específico e indicativo a outros que porventura se encaixem no mesmo
viés político. No terreno simbólico, ainda corroboram com tais
interpretações situações associadas ao ministro Benedito Gonçalves,
relator do processo contra Dallagnol no TSE, recebendo afagos do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a diplomação, em 2022,
e reagindo com a frase “missão dada é missão cumprida”.
“Em 1 minuto e 6 segundos, após a leitura do voto do relator, o TSE,
por unanimidade, cassou o mandato de Deltan Dallagnol. Foi um julgamento
justo? Na democracia, todos esses questionamentos devem ser feitos aos
tribunais superiores”, ponderou o senador Oriovisto Guimarães
(Podemos-PR).
Desdobramentos políticos do julgamento ainda são esperados A
cassação de Dallagnol terá consequências adicionais, de acordo com o
professor do Ibmec-DF, Eduardo Galvão. Embora o especialista considere
correta a decisão do TSE, ele lembra que não se pode ignorar o aspecto
simbólico que o parlamentar representa para a sociedade e o meio
político. “Dallagnol é um ícone da operação Lava Jato, e isso gera, em
parte da opinião pública, a percepção de que a decisão é uma vitória do
chamado “sistema” sobre o esforço nacional de combate à corrupção”,
afirma.
No fim de 2021, o chamado “Partido da Lava Jato” começou a ganhar
forma quando Moro e Dallagnol anunciaram as suas intenções de disputar
cargos políticos nas eleições de 2022. Em meio a forte pressão,
Dallagnol manteve a determinação de buscar vaga na Câmara pelo Paraná,
enquanto Moro investia numa candidatura à Presidência, inicialmente pelo
mesmo Podemos de Dallagnol e, depois, pelo União Brasil, que acabou não
dando aval às suas pretensões. Moro tentou concorrer pelo novo partido
ao Senado por São Paulo, mas foi impedido pela Justiça por não conseguir
provar residência eleitoral no estado. Por fim, Moro foi eleito senador
pelo Paraná, e Dallagnol conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Deltan Dallagnol (Podemos-PR) teve o mandato cassado pelo TSE em
ação movida pela coligação encabeçada pelo PT.| Foto: Pablo
Valadares/Câmara dos Deputados.
A lei, no Brasil, foi abolida e substituída por uma bola de cristal. É
a única forma de explicar satisfatoriamente como o Tribunal Superior
Eleitoral foi capaz de, por unanimidade, cassar o registro de
candidatura de Deltan Dallagnol (Podemos-PR) nesta terça-feira. A
decisão, ainda passível de recurso, reverteu decisão anterior do
Tribunal Regional Eleitoral paranaense e contrariou a Procuradoria-Geral
Eleitoral, que era oposta à impugnação da candidatura. O ex-procurador
do Ministério Público Federal, que ganhou fama nacional ao coordenar a
força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF, foi eleito deputado federal
em outubro de 2022 com quase 345 mil votos – a segunda maior votação
para o cargo na história do Paraná.
A ação movida pela Federação Brasil da Esperança, que inclui o PT
(quem mais?), alegava que Dallagnol estaria inelegível por ter pedido
exoneração do MPF enquanto respondia a processo administrativo
disciplinar (PAD) e por ter sido condenado pelo Tribunal de Contas da
União (TCU) no caso das diárias pagas a membros da força-tarefa. De
fato, a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010) inseriu no inciso
I do artigo 1.º da Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) as
alíneas “g”, que torna inelegíveis para qualquer cargo “os que tiverem
suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas
rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de
improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão
competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder
Judiciário”; e “q”, referente aos “magistrados e os membros do
Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão
sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham
pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo
administrativo disciplinar”.
O relator do processo no TSE, Benedito Gonçalves, afastou a
inelegibilidade relativa à condenação no TCU, já que esta decisão, em
que a corte de contas ignorou uma série de princípios jurídicos e
garantias do réu, foi suspensa pela primeira instância da Justiça
Federal em setembro de 2022, ou seja, ainda antes da eleição. Restava,
no entanto, a inelegibilidade ligada aos processos disciplinares. Quanto
a isso, a Lei da Ficha Limpa é inequívoca: se houvesse PAD em curso
contra Dallagnol no momento de sua exoneração, em novembro de 2021, o
ex-procurador não poderia ter se candidatado.
Apoiando-se em termos no condicional e exercícios de pura
adivinhação, o relator Benedito Gonçalves atropelou a lógica e a verdade
dos fatos para cassar Dallagnol, já que o ex-procurador não se
encaixava nos critérios de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa
Mas havia tais processos em andamento? A resposta é um cristalino, um
rotundo “não”. Os PADs que Dallagnol chegou a enfrentar enquanto ainda
estava no MPF já haviam sido concluídos – com penas de advertência, em
novembro de 2019, e de censura, em setembro de 2020, dois absurdos que
comentamos exaustivamente neste espaço. O próprio Conselho Nacional do
Ministério Público, responsável pelas duas condenações de Dallagnol,
atestara em certidão a ausência de novos processos disciplinares em
curso. O Tribunal Regional Eleitoral paranaense reconheceu este fato e
deferiu a candidatura de Dallagnol por unanimidade, poucos dias depois
do pleito. Os petistas e seus aliados, então, foram ao TSE, e a
Procuradoria-Geral Eleitoral repetiu o óbvio: não havendo PADs
pendentes, não há inelegibilidade, já que Dallagnol não se encaixaria na
descrição da Lei da Ficha Limpa.
Para contornar a verdade inescapável, Gonçalves – aquele dos tapinhas
de Lula e do “missão dada, missão cumprida” na diplomação do petista –,
precisou recorrer a um festival de ilações. A Federação Brasil da
Esperança alegara que, quando pediu exoneração, Dallagnol tinha contra
si uma série de outras contestações no CNMP, como reclamações
disciplinares e pedidos de providências. Gonçalves se agarrou a esse
fato e se lançou em um exercício de adivinhação após adivinhação. “Todos
esses procedimentos, como consequência do pedido de exoneração, foram
arquivados, extintos ou mesmo paralisados, e a legislação e os fatos
apurados poderiam perfeitamente levá-lo à inelegibilidade. Sem nenhuma
margem de dúvida, constata-se a gravidade dos fatos imputados ao ora
recorrido nesses procedimentos. Não se cuida, aqui, de invadir a
competência de outros órgãos e firmar a materialidade e a ilicitude das
condutas, mas de reforçar que o pedido de exoneração teve propósito
claro e específico de burlar a incidência da inelegibilidade”.
Poderiam – eis o alicerce completamente frágil da argumentação de
Gonçalves. É verdade que a exoneração extingue todos os procedimentos, e
também é verdade que, caso Dallagnol tivesse permanecido no MPF, ao
menos alguns desses procedimentos poderiam ter sido transformados em
PADs. Mas, para efeitos da Lei da Ficha Limpa, isso é irrelevante:
interessa apenas se há processos efetivamente em aberto, o que não
havia. E, do ponto de vista lógico, a argumentação de Gonçalves é
falaciosa: dá como certa uma possibilidade sem nem mesmo considerar a
hipótese contrária, a de que os procedimentos não resultassem em PADs,
algo que ocorreu ao menos uma vez no caso de Dallagnol, quando, em
agosto de 2020, o CNMP arquivou uma queixa referente aos slides de Power
Point expostos durante a apresentação de denúncia criminal contra Lula,
em 2017.
VEJA TAMBÉM: O dia de infâmia do TCU (editorial de 9 de agosto de 2022) A punição a Deltan Dallagnol e a liberdade de expressão (editorial de 26 de novembro de 2019) O CNMP consagra o “crime de opinião” (editorial de 8 de setembro de 2020)
Em resumo, o argumento dos petistas, acolhido por Gonçalves, é o
de que os procedimentos não só poderiam, mas certamente iriam se
transformar em PADs; se isso ocorresse, Dallagnol estaria inelegível; só
não se transformaram porque Dallagnol pediu exoneração antes. Foi
assim, apoiando-se em termos no condicional e exercícios de pura
adivinhação, que o relator atropelou a lógica e a verdade dos fatos. Já
seria suficientemente vergonhoso se ele ficasse sozinho, sendo derrotado
pelo restante do plenário; mas os demais ministros (Alexandre de
Moraes, presidente da corte, além de Cármen Lúcia, Carlos Horbach, Nunes
Marques, Raul Araújo e Sérgio Banhos) não quiseram deixar seu colega
isolado no vexame e conseguiram escrever uma das páginas mais absurdas
da história da corte eleitoral – o que não deixa de ser uma façanha,
tantas as estripulias jurídicas cometidas pelo TSE no período eleitoral
de 2022.
Ao menos em sua instância maior, a Justiça Eleitoral mostrou nesta
terça-feira que de justa não tem nada. Tornou-se órgão de perseguição
política, disposto a inviabilizar a vida pública de qualquer um que
tenha se colocado no caminho de Lula em algum momento ou que tenha feito
críticas à forma como o Supremo Tribunal Federal desmontou o combate à
corrupção no Brasil – é sintomático que o caso de Dallagnol tenha ido
para a pauta do TSE depois que o deputado rebateu falas de Gilmar Mendes
sobre o “germe do fascismo”, em ataque à Lava Jato. Se os fatos e a lei
isentam Dallagnol de culpa, então, que sejam ignorados e substituídos
pelo triunfo das vontades superiores – eis como funciona o Brasil de
2023.
Democracia cassada e caçada: decisão do TSE sobre Deltan Dallagnol afronta o país
Por Marcel van Hattem – Gazeta do Povo
Procurador
Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba,
durante entrevista no estúdio do jornal Gazeta do Povo
O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR), ex-chefe da
força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo
Um
minuto de julgamento, sete votos favoráveis sem nenhuma contradição e o
mandato outorgado por 344.917 paranaenses a um deputado federal foi
cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tomando por base a Lei
da Ficha Limpa mas, na verdade, contrariando seus dispositivos, sete
juízes do TSE decidiram inovar sem a menor cerimônia e sem a menor
discussão, inventando uma inelegibilidade inexistente e contrariando os
entendimentos das cortes inferiores e até mesmo do Ministério Público
junto à Corte Eleitoral.
Independentemente de quem seja o alvo dessa ação, a decisão do TSE,
seja na forma, seja no conteúdo, é um desrespeito ao sistema jurídico
brasileiro, à lei e ao Parlamento que a faz e, claro, sobretudo, um
deboche com a democracia brasileira e um tapa na cara do cidadão. Nesse
caso, em especial, trata-se de uma afronta aos quase 350 mil paranaenses
que votaram em Deltan Dallagnol para representá-los na Câmara dos
Deputados.
A decisão do colegiado do TSE não cabe no ordenamento jurídico brasileiro, não cabe em uma democracia.
Venho alertando há tempo que a situação institucional é muito grave
no país. A ditadura em curso conduzida por ministros do Supremo Tribunal
Federal vem perseguindo abertamente quem ousa ser a favor da justiça e
da democracia, ao passo que beneficia quem está no poder para fins
escusos. É sintomático que no mesmo dia em que se julgou de forma
expedita a cassação de Deltan Dallagnol, símbolo personificado do
combate à corrupção no país, o STF extinguia as penas de prisão de Paulo
Maluf, condenado em 2017 pelo mesmo Tribunal por lavagem de dinheiro no
período em que foi prefeito de São Paulo, três décadas atrás. Além de
tardar, a Justiça falha quando o tema é corrupção. Já quando é para se
vingar de quem a combate, o sistema é muito eficiente.
Chegamos a um ponto em que parlamentares de oposição já não têm mais
segurança sobre sua condição. E é importante que esta consciência seja
disseminada. A reação da Câmara dos Deputados à cassação de Deltan
Dallagnol precisa ser robusta, determinada, sem meias palavras. O que o
ministro Alexandre de Moraes leu como suposta decisão no julgamento de
ontem não passa de um pedaço de papel contendo uma determinação ilegal.
Inconstitucional. Abusiva.
VEJA TAMBÉM: OAB, cadê você? Não aceitaremos viver sob uma ditadura Oposição para frear o PT
A decisão do colegiado do TSE não cabe no ordenamento jurídico
brasileiro, não cabe em uma democracia. Aceitá-la é render-se
definitivamente à ditadura da toga que, além de desvirtuar e atacar a
própria democracia brasileira ao exorbitar suas funções e agir em lugar
do Executivo e do Legislativo, ainda quer decidir quem pode e quem não
pode representar o povo brasileiro no Parlamento. Vamos deixar nosso
país politicamente nas mãos de juízes sem um único voto popular? O
Congresso Nacional não pode admitir esta subversão institucional!
Cassado ilegalmente pelo TSE, Deltan Dallagnol vem sendo caçado há
muito tempo. Presa das aves de rapina mais corruptas da política
brasileira, alvo daqueles que, como promotor, Dallagnol processou e até
mesmo colocou na cadeia pelos crimes que cometeram contra o país, era
evidente que a reação viria. Ele sempre soube que sua coragem e
persistência teriam um alto preço, mas Deltan se dispôs a pagá-lo com
desprendimento, determinação e convicção. Exonerou-se do serviço público
brasileiro para servir ao povo no Parlamento Nacional. Foi eleito para
isso como o mais votado do seu estado, o Paraná.
Toda sua dedicação à nossa nação não será em vão. Pelo contrário:
este é o momento em que um ponto de inflexão para recobrar a democracia
brasileira foi criado e a participação do povo, que tanto sustento deu
às operações da Lava Jato, será crucial para exigir o fim da ditadura da
toga e a volta à normalidade democrática.
Censura Riso proibido: a luta dos humoristas que deram até a vida pela liberdade de expressão
Por Eli Vieira – Gazeta do Povo
Comediante Léo Lins foi proibido de fazer piadas contra “vulneráveis”.| Foto: Eli Vieira com Midjourney
O
comediante Léo Lins foi censurado por decisão da juíza Gina Fonseca
Correa (TJ-SP) nesta terça-feira (16). Acionada pelo Ministério Público
de São Paulo, ela determinou que um especial de comédia de Lins com mais
de três milhões de visualizações fosse tirado do ar e o proibiu de
publicar mais materiais de humor com suposto “conteúdo depreciativo ou
humilhante” para categorias consideradas “minorias ou vulneráveis”. Ele
está proibido até de sair da cidade de São Paulo por mais de dez dias
sem autorização judicial. Além de punitiva, a censura é prévia: o
artista está proibido de mencionar os grupos “vulneráveis” em futuras
apresentações de stand-up. Dessa vez, não é apenas ativismo judicial: o
MP usou a lei antipiadas sancionada por Lula em janeiro.
A notícia é mais um desenvolvimento do apagão da liberdade de
expressão no Brasil que começou a chamar a atenção de observadores
internacionais. Lins não é o primeiro a ser punido por quem considera
piada coisa séria este ano. Em março, o comediante Bruno Lambert, que
não tem a fama de Lins para viver da comédia, foi demitido de seu
emprego em um banco após ser denunciado ao mesmo MP de São Paulo pela
deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) por causa de uma piada com o
tema da deficiência física.
O diplomata Gustavo Maultasch, autor do livro “Contra Toda Censura”
(Avis Rara, 2022), disse à Gazeta do Povo que a defesa da liberdade de
expressão do humor é a mais óbvia, simples e direta, pois “determinadas
limitações à liberdade de expressão (como a incitação à violência) não
se aplicariam a um discurso assumidamente jocoso e satírico”.
Infelizmente muitos não percebem a gravidade da situação, reflete
Maultasch: “se o Estado não respeita mais nem aquilo que é dito em tom
humorístico, imagine as perseguições que ele não fará em relação a
nossas opiniões e críticas políticas”.
Por isso, como um canário em uma mina, sensível à falta de oxigênio e
o primeiro a morrer quando gases tóxicos são encontrados pelos
mineiros, alertando-os do perigo, a censura ao humor é um alerta para
democracias liberais. A história mostra que muitos comediantes ou meros
piadistas de ocasião serviram como mártires da liberdade de expressão.
Conheça alguns deles.
Lenny Bruce Quem assiste à série da Amazon “The Marvelous Mrs.
Maisel”, que trata de uma dona de casa judia de Nova York que decide ser
comediante em 1958, se lembrará do interesse romântico da protagonista:
Lenny Bruce, um humorista de grande sucesso, magro, cabelos negros com
brilhantina, fumante, sarcástico, e que é preso com frequência por causa
de suas piadas. O que alguns não sabem é que Bruce foi uma pessoa real.
Nascido Leonard Alfred Schneider, no estado de Nova York, em 1925,
Lenny Bruce viveu apenas 40 anos. Ele foi atraído para o microfone
porque sua mãe trabalhava como dançarina em uma casa noturna. Fazia
imitações, paródias e piadas curtas, evoluindo para um humor negro
temperado com obscenidade e comentários críticos aos tabus sociais. Em
aparições na TV, ele era descrito como “o mais chocante comediante do
nosso tempo”, como foi apresentado no programa de Steve Allen (um
músico, comediante e escritor, pioneiro de programa noturno de
entrevistas), em 1959.
A perseguição a Bruce teve caráter principalmente judicial. Em 1961,
mesmo ano em que fez um show no famoso Carnegie Hall em Nova York,
lotado, o comediante foi acusado de violar a lei contra a obscenidade da
Califórnia. O júri o inocentou, mas ele continuou a ser preso. Muitos
outros estados tinham leis antiobscenidade em que ele foi enquadrado. Em
dois outros julgamentos, os júris não conseguiram chegar a um veredito,
mas uma corte do estado de Illinois o condenou a um ano na prisão.
Ainda em liberdade, enquanto sua apelação era apreciada, Bruce foi
deportado de Londres de volta a seu país. Em março de 1964 foi mais uma
vez preso por “obscenidade” na Califórnia. Os custos da defesa, além dos
custos ao seu bem-estar físico e emocional, o levaram à falência
oficialmente declarada por um tribunal em 1962.
Em abril de 1964, mais uma vez o humorista foi para a cadeia, dessa
vez em Nova York. O público protestou. Uma petição a favor dele foi
assinada por celebridades, inclusive Woody Allen e Bob Dylan. Mas a
Corte Criminal da Cidade de Nova York não se comoveu e condenou Bruce
por obscenidade. Seu estado de saúde física e mental continuou a se
deteriorar. Cinco semanas após seu último show em San Francisco, em
1966, Lenny Bruce morreu de overdose de morfina em sua casa em Hollywood
Hills, bairro de Los Angeles.
Nos Estados Unidos, a Primeira Emenda da Constituição estabelece a
liberdade de expressão irrestrita a níveis sem paralelo em outros
países. Mas até por lá esse direito esteve sob ataque de leis como as
antiobscenidade, que puseram o alvo em Bruce, e de decisões judiciais. A
justiça não veio em vida, mas o artista inspirou outros a questionar o
que exatamente é “obscenidade” e quem devem defini-la e uma mudança
cultural que transformou o entendimento da liberdade de expressão no
país. Em 2003, após tanto tempo depois de sua morte quanto ele teve de
vida, Lenny Bruce recebeu um perdão póstumo do governador de Nova York à
época, George Pataki. Foi uma decisão sem precedentes.
George Carlin Falecido aos 71 anos, em 2008, o novaiorquino George
Carlin segue sendo um dos mais respeitados comediantes de toda a
história dos Estados Unidos. Sua vida recebeu um documentário em duas
partes no HBO Max. Seguindo o pioneirismo de Lenny Bruce, Carlin teve
mais tempo de lapidar sua obra. Ele começou nos anos 1950, no rádio,
teve sucesso fazendo comédia “limpa”, sendo presença frequente nos talk
shows de maior audiência dos anos 1960. Mas, apesar do sucesso, ele se
sentia uma fraude, participando de uma cultura hipócrita. Nos anos 1970,
se reinventou completamente, deixou o cabelo e a barba crescerem, e
encontrou sucesso fazendo piadas para universitários — na época, ao
contrário de hoje, grandes defensores da liberdade de expressão.
Foi nesta fase que Carlin criou seu monólogo “Sete palavras que você
nunca pode dizer na televisão”, em que ele analisava satiricamente, com
hermenêutica inteligente mesclada ao humor que acabou se tornando sua
marca, as piores obscenidades da língua inglesa. Ao apresentar o
monólogo, ele foi preso em 1972, mas um juiz não aceitou o caso. Os
descontentes com a apresentação do monólogo no rádio e na TV, contudo,
não desistiram e levaram o caso à Suprema Corte dos EUA. Por cinco votos
contra quatro, os ministros do tribunal decidiram que a FCC (Comissão
Federal de Comunicações, um órgão estatal) poderia censurar conteúdo
“ofensivo” nas transmissões públicas de rádio e TV. O “Caso Carlin” é
considerado importantíssimo no direito americano e estabeleceu um marco
de jurisprudência.
Shady Abu Zaid Depois de alcançar sucesso em um programa de
televisão satírico apresentado por um fantoche, o comediante egípcio
Sady Abu Zaid foi preso na capital Cairo em maio de 2018 e passou dois
anos na prisão, sem julgamento. As autoridades do Egito o acusaram de
participar de um grupo ilegal (uma referência à Irmandade Muçulmana,
segundo a Al Jazeera) e de disseminação de fake news. Abu Zaid tinha
também um programa online. Em 2016, ele atraiu críticas ao distribuir
camisinhas infladas como balões para policiais, em comemoração aos cinco
anos dos protestos que derrubaram o ditador Hosni Mubarak.
Khasha Zwan
O afegão Nazar Mohammad, conhecido pelo pseudônimo Khasha Zwan, foi
sequestrado e morto em julho de 2021 por causa de suas piadas sobre o
Talibã no aplicativo TikTok. Ele publicava músicas e piadas contra o
grupo extremista que hoje comanda o Afeganistão. Ele foi abduzido em sua
cidade, Candaar, a segunda maior do país, espancado e alvejado
múltiplas vezes com tiros de arma de fogo. O Talibã reivindicou a
autoria do assassinato.
Ablikim Kalkun Além de comediante, Ablikim Kalkun é um cantor e
compositor popular na província chinesa de Xinjiang. Ele pertence à
minoria étnica local, os uigures, perseguidos pelo regime comunista,
acusado de fazer contra eles um lento genocídio envolvendo campos de
“reeducação”, rapto de crianças e até remoção forçada de órgãos. Em
2019, ele foi preso e condenado a 18 anos de prisão pelo Partido
Comunista Chinês, que o acusa de fazer obras que incentivam
“separatismo, extremismo religioso e discriminação contra a educação
nacional”. A Radio Free Asia examinou comentários em fóruns online em
língua uigur e disse que “os milhões de fãs de Kalkun o consideravam um
exemplar dos valores uigures, um apoiador da verdade, um crítico de
males sociais em campeão da cultura uigur”.
Piadistas vivendo sob Hitler
Assim como na União Soviética, na Alemanha nazista houve censura
pesada contra piadas políticas. O diretor, produtor e escritor alemão
Rudolph Herzog dedicou um livro inteiro ao tema, “Morrendo de Rir: Humor
na Alemanha de Hitler” (tradução livre do título em inglês, “Dead
Funny: Humour in Hitler’s Germany”, sem edição no Brasil), de 2006.
Entre os casos citados por Herzog está o do ator Robert Dorsay, que
tinha fama por atuar como galã em comédias. Ele tinha uma grande
habilidade de contar piadas e não tinha muitos pudores de usar Hitler e
Goebbels como personagens. E tinha coragem: levou advertências formais, e
se recusava a se filiar ao Partido Nazista. Primeiro, Dorsay perdeu
papéis proeminentes nas produções: não era mais o galã, mas interpretava
caricaturas de judeus. Quando veio a guerra, não conseguia nem os
piores papéis em filmes. Frustrado, ele encontrava alívio bebendo e
contando piadas, uma das quais caiu nos ouvidos de um funcionário
público que o denunciou.
Em agosto de 1943, uma corte marcial condenou Dorsay a dois anos de
prisão reeducativa. Mas o regime estava endurecendo e convertendo as
penas em punições mais duras. Em 8 de outubro, Dorsay foi condenado à
morte. Menos de três semanas depois, foi executado em uma guilhotina.
Seu rosto terminou sendo usado como propaganda para intimidar outros
piadistas.
Outra mártir do humor foi Marianne Elise K., uma trabalhadora de uma
fábrica de armamentos em Berlim. Uma colega de trabalho a denunciou pela
seguinte piada: “Hitler e Göring subiram no topo de uma torre de rádio
em Berlim. Hitler diz que quer fazer algo para colocar um sorriso no
rosto dos berlinenses. ‘Então pule’, disse Göring”. A Corte Popular
nazista chegou a um veredito contra Marianne em 26 de junho de 1943. Ela
“fez afirmações maliciosas sobre o Führer e o povo alemão”, alegou a
decisão. A cabeça dela rolou numa guilhotina logo depois. A corte alegou
que seu status como viúva de guerra não era atenuante, mas agravante.
Deltan Dallagnol criticou decisão do TSE que cassou seu mandato.| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O presidente Lula diz que a Petrobras está “abrasileirando” os preços
dos combustíveis e do gás. Isso dá um susto na gente, porque
abrasileirar qualquer coisa acaba não dando certo, estourando de algum
lado, e talvez estoure dos dois lados: da Petrobras e do consumidor,
porque ficou imprevisível agora. O preço se tornou político, se tornou
decisão de governo e não mais decisão técnica da Petrobras. Não é mais
previsível porque não adianta examinar a cotação internacional do
petróleo; não temos mais como saber se o combustível aqui vai ficar mais
barato ou mais caro.
Na Europa, por exemplo, o preço depende da cotação internacional, é
óbvio. É uma oscilação de acordo com mercado. Houve guerra na Ucrânia, o
petróleo russo não vem mais, isso encareceu a cotação. E, se as
refinarias daqui não reajustarem seus preços, elas vão quebrar, vão à
falência, aí não vai ter gasolina, nem gás de cozinha, nem diesel – aqui
em Portugal o diesel é o principal, representa talvez 90% do consumo.
Mas desvincular do preço internacional é um perigo, porque não sabemos o
que vai acontecer com o preço. É como no governo Dilma: agora temos um
“Dilma 3”, um preço demagógico, populista, que quase quebrou a
Petrobras; ela só não faliu porque o Tesouro Nacional (ou seja, os seus
impostos) segurou.
TSE inventou um Minority report para cassar Dallagnol
E não foi só o populismo com os preços, foi a corrupção também, tudo o
que a Lava Jato apurou, que Deltan Dallagnol apurou chefiando aquela
equipe do Ministério Público. E agora ele perde o mandato. Quando Deltan
pediu o registro da candidatura, o PT entrou com uma ação tentando
impugná-la. O Ministério Público Eleitoral disse que não havia problema
nenhum e a Justiça Eleitoral do Paraná concluiu a mesma coisa. Deltan
concorreu e recebeu quase 345 mil votos, ou seja, estão cassando 345 mil
votos de eleitores paranaenses que escolheram Deltan para
representá-los na Câmara dos Deputados.
VEJA TAMBÉM: PT acabou com a autonomia da Petrobras A ordem agora é prejudicar Sergio Moro Governo Lula continua sem medir esforços para destruir conquistas da Lava Jato
Estão cassando o registro a posteriori, com fato consumado, a
eleição consumada. E ele já assumiu há um bocado de tempo, está na
Câmara há três meses e meio. Mas terá de sair porque a decisão foi do
Tribunal Superior Eleitoral, que votou em um minuto. Inclusive votaram
pela impugnação os três do Supremo: Nunes Marques, Cármen Lúcia e o
presidente do TSE, Alexandre de Moraes, aprovando o relatório do
ministro Benedito Gonçalves, aquele dos tapinhas na bochecha, que tem
intimidade com Lula, que por sua vez foi denunciado por Deltan.
Gonçalves alega que Deltan tentou burlar a Lei da Ficha Limpa porque
ele já tinha recebido uma advertência e depois uma censura no Conselho
Nacional do Ministério Público; na terceira vez Deltan seria fatalmente
exonerado e enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mas ele pediu pra sair,
renunciou ao cargo para evitar isso. Ora, isso é legítima defesa da
parte dele. Essa era uma questão administrativa, que ia morrer se ele
não fosse mais do Ministério Público. Então, ele foi punido por algo que
não se consumou mais adiante. Foi-lhe tirado o mandato, um registro de
candidatura que ele estava consumado, já tinha havido a eleição. Foi
punido por algo que podia ter acontecido, mas não aconteceu, como no
filme de Steven Spielberg com Tom Cruise, Minority Report – A nova lei.
Deltan vai recorrer ao Supremo, mas não vai adiantar nada. E Eduardo
Cunha, valendo-se do seu tempo no Legislativo, disse que o próximo vai
ser Sergio Moro. É vingança o que está havendo.
STF decide sobre vaquejada na próxima semana O Supremo marcou para
o dia 26 algo que é do interesse de muita gente: um julgamento que pode
afetar a vaquejada e atividades semelhantes. Atenção, Nordeste, Goiás,
São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio
Grande do Sul, o Brasil inteiro. A Constituição diz que desportos com
animais que sejam manifestações culturais não são considerados
crueldade, mas o Foro Nacional de Proteção Animal entrou no Supremo, que
marcou o julgamento para decidir se vale ou não vale um artigo da
Constituição.
Um juiz, um promotor e um papagaio careca entram num bar
Por Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo
Este é o Léo Lins. Numa tentativa de humor nonsense, na versão
anterior deste texto eu tinha usado uma foto do Fábio Porchat. Não deu
certo. 🙁| Foto: Reprodução/ Twitte Este conteúdo foi atualizado
O humorista Léo Lins (“Se me chamar de comediante eu te mato!” Ou
será que é o contrário?) me liga para dizer que, diante de todas as
restrições impostas a ele pelo mal-humorado Ministério Público de São
Paulo, que aparentemente o acusa de ser A Pessoa Mais Deplorável da
Terra (e Adjacências), resolveu reconhecer o erro. “Paulo, daqui para
frente eu só faço piada com gente privilegiada. Com branco e hétero.
Gente que mora em prédio neoclássico, que tem cartão de crédito sem
limite e Land Rover na garagem. Tá decidido. De agora em diante, só faço
piada juiz e promotor. Será que eu posso?”, diz ele, questionavelmente
sóbrio.
Mas para quem Léo Lins acha que está perguntando?! “Claro que pode!
Mas tem que incluir papagaio também”, digo, encorajando-o. Adoro piada
com papagaio. E com careca, claro. Léo Lins não hesita. “Então aqui vai.
Um juiz, um promotor e um papagaio careca entram num bar…”. Não vou
contar o resto da piada. É muito suja para este horário. Mas posso dizer
que ela inclui palavrões como “democracia” e pornografias como
“cassação de Deltan Dallagnol”. Ri quem pode – e não tem lá muito juízo.
Eu rio e o Léo Lins ri da minha risada (você já ouviu a minha
risada?!). E eu rio mais ainda porque, ao contrário do Ministério
Público de São Paulo, sou desses. O famoso bobo alegre. Ou, se você
preferir, o idiota. Rio de tudo. De trocadilho ruim, de trocadilho
péssimo, de trocadilho do Jones Rossi. De videocassetadas. Das piadas
“clássicas” a que assistíamos no Viva o Gordo, no Chico Anysio, nos
Trapalhões, na TV Pirata, no Casseta & Planeta. Aquelas envolvendo
minorias de todos as origens, alturas, larguras e acessórios.
Tempos mais simples, aqueles. Fico pensando se éramos menos egoístas e
autocentrados. Se nos dava prazer a piada que faziam à custa dos nossos
“defeitos”. A mim me dava e ainda dá. Adoro passar ridículo. Porque
aprendi que o humor nos apequena. E é bom que nos apequenemos, porque
somos docemente ridículos aos olhos de Deus. Nós e nossos pecados. Nós e
nossas ambiçõezinhas. Nós e nossas filosofias e ideologias. Nós e nosso
orgulhosinho. Nós e nossos sonhos de conquistar o mundo. Só não ri de
si mesmo aquele que se idolatra.
Hitley Me perco nos pensamentos e no aforismo, modéstia à parte,
nota 10. E estou quase caindo no abismo patético da nostalgia quando Léo
Lins me resgata. “Alô, tá aí? Pô, Paulo. Eu tô aqui falando sozinho há
meia hora e você não tava nem prestando atenção? E aí, pessoal da
Polícia Federal. Pelo menos vocês gostaram?!”, pergunta ele (carioca
fala engraçado, né?), na esperança meio louca de ouvir um “sim” dos
arapongas que estão na escuta. “Conta uma piada de pum, Léo”, peço. Ele
se recusa, mas eu, só de pensar, caio na gargalhada. Os arapongas, nada.
“Já sei!”, diz ele de repente. E quase estoura os tímpanos, os meus e
os do pessoal da PF! “E se eu abandonar o humor e partir para o
discurso político?”, pergunta. Sou meio lerdo. Não entendo de imediato.
Ele explica. Ou melhor, desenha: “É, Paulo! Se eu falar que Pelotas é
polo exportador de ▇▇▇▇▇ ? Se falar que deficiente mental tem parafuso a
menos? Será que o MP-SP me deixa em paz?”, pergunta. Essa aí do
parafuso eu ouvi há pouco tempo. Onde mesmo?
Ah, lembrei! Respondo que, mais do que isso, falando essas coisas e
acrescentando uns machismos e uns elogios a Hitler (“O Hitler, mesmo
errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a
fazer alguma coisa e tentar fazer”), é até capaz de ele, Léo Lins, virar
presidente! “Ô, Paulo. Com todo respeito. Essa foi fraca, hein?”, diz
ele. “Não gostou? Faz o L!”, digo, ofendendo-o à toa, como fazem os bons
amigos. Rimos eu e ele. E, desta vez, até os arapongas riem.
Página de login da plataforma de inteligência artificial ChatGPT, em apresentação em Pequim.| Foto: EFE/EPA/Wu Hao
Como
professor e escritor, tenho experimentado um desafio pedagógico e
pessoal: os dilemas gerados pela inteligência artificial na produção de
textos e na formação das novas gerações de alunos. Não tenho muito
gabarito intelectual para abordar o assunto. Por isso, convidei um amigo
muito generoso para me ajudar. Na dúvida, para quê chamar o ChatGPT se a
gente pode contar com amigos especialistas?
Luis Octavio Rogens é mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP,
apaixonado por narrativas. Com vasta experiência, é professor no Colégio
Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo. Lá, ele ministra aulas nas
trilhas de Storytelling e Práticas Criativas e de Produção de Textos.
Além de seu trabalho como professor, Luis Octavio é roteirista e
pesquisador, sendo membro da Sociedade Ibero-Americana de Estudos do
Humor. Especialista em projetos inovadores de storytelling, trabalha na
implementação de programas culturalmente conscientes com foco em impacto
social, educacional e econômico.
O que é e o que não é o ChatGPT?
O ChatGPT é uma ferramenta de geração de texto extremamente poderosa e
representa um marco considerável no campo da inteligência artificial. É
um hábil manipulador de palavras capaz de gerar respostas coesas e
gramaticalmente corretas. Mas o ChatGPT é, em sua essência, uma máquina.
Ele não detém a habilidade de produzir pensamentos criativos ou
originais. Pelo contrário, as respostas que fornece são meramente
reflexos de um vasto oceano de informações pré-existentes em seus bancos
de dados. Ecoa, simplesmente, palavras e ideias que foram previamente
alimentadas a ele, em vez de ser o produto de um processo autêntico de
pensamento ou raciocínio.
“O ChatGPT é, em sua essência, uma máquina. Ele não detém a habilidade de produzir pensamentos criativos ou originais.”
Luis Octavio Rogens, mestre em Língua Portuguesa, professor, roteirista e pesquisador E,
apesar de suas respostas, à primeira vista, parecerem informadas e
relevantes, é necessário reconhecer que o ChatGPT não possui uma
compreensão aprofundada do mundo em que vivemos. Sua operação é um jogo
de espelhos, que reflete e manipula os padrões linguísticos presentes
nos dados que lhe foram fornecidos.
Além disso, ele não tem a capacidade de aprender a partir de novas
experiências nem de formar uma visão contextual do mundo ao seu redor.
Ainda assim, isso não diminui o seu valor como ferramenta. Mesmo não
podendo substituir a complexidade do pensamento humano, com toda a sua
criatividade, pensamento crítico e capacidade de contextualização,
quando usado com uma compreensão clara de suas capacidades e limitações,
o ChatGPT pode se tornar um parceiro valioso em diversos campos de
atuação.
Com sua experiência no ensino da produção de texto, gostaria que você
comentasse sobre os possíveis problemas que o ChatGPT pode criar para a
educação.
Tenho dito que uma máquina na qual as palavras brotam com a
facilidade de um clique e a produção de textos é quase tão automática
quanto respirar é fascinante. É um espetáculo que deslumbra os alunos e,
devo admitir, também a nós, professores.
No entanto, em meio ao encanto, emerge um desafio. O aluno,
hipnotizado pelo brilho da máquina de fazer palavras, pode se acomodar
na poltrona de espectador. Assim, ele se torna um observador passivo do
texto, sem sujar as mãos na graxa das ideias e na construção das frases.
A arte de escrever pode correr o risco de ser reduzida a um espetáculo
de um só ator, a máquina ChatGPT. É aí que entra nosso papel como
professores: precisamos ensinar nossos alunos a serem os protagonistas
do processo de escrita, mesmo quando utilizam ferramentas como o
ChatGPT.
VEJA TAMBÉM: O bom e velho diálogo socrático Por que a filosofia é ainda mais necessária Uma moderada defesa do Novo Ensino Médio
Outro obstáculo que tem surgido é quando o aluno se contenta com o
roteiro convencional da máquina, com um texto bem-comportado que segue
sempre o mesmo padrão. Como educadores, devemos incutir neles a
percepção de que a beleza do texto reside na singularidade de cada
autor, na capacidade de surpreender o leitor, algo que a máquina ainda
não pode replicar.
Há também o risco de o aluno aceitar o texto entregue pela máquina
sem questionar, modificar ou solicitar mudanças. A habilidade de revisar
e editar – etapas essenciais, porém muitas vezes negligenciadas no
processo de escrita – não pode ser posta de lado. É nosso dever
orientá-los a exercitar essas habilidades, mesmo diante de um texto já
polido pela máquina.
E, finalmente, a questão linguística. Ao confiarem na correção
automática do ChatGPT, os alunos podem deixar de construir uma
consciência gramatical sólida. Como professores, precisamos assegurar
que eles compreendam a estrutura e a riqueza da nossa língua, para que
possam usar a tecnologia sem se tornarem dependentes dela.
O ChatGPT não poderia criar uma dependência dos estudantes em relação
à tecnologia, impedindo o desenvolvimento da capacidade deles em
produzir bons textos?
Ferramentas como o ChatGPT podem, de fato, gerar dependência nos
estudantes e colocar em risco o desenvolvimento de suas habilidades de
escrita. No entanto, permita-me fazer uma analogia com tempos passados.
Quando as pesquisas escolares eram realizadas nos volumes da
Enciclopédia Barsa, o ato de copiar informações dessas fontes
frequentemente não contribuía significativamente para o desenvolvimento
da capacidade dos alunos de produzir bons textos. O processo resumia-se à
transcrição, com pouco espaço para análise crítica ou interpretação.
Afinal, o objetivo era obter informações corretas, não necessariamente
refletir sobre elas ou expressá-las de maneira original.
“A ausência de um hábito de leitura consistente por parte do
estudante pode ser significativamente mais prejudicial do que qualquer
possível influência do ChatGPT.”
Luis Octavio Rogens Hoje, ferramentas como o ChatGPT nos oferecem
um cenário diferente. Em vez de copiar informações de uma enciclopédia,
os alunos interagem com uma inteligência artificial. Como educadores,
temos uma oportunidade valiosa. Podemos orientar os alunos a usar essa
ferramenta de maneira que incentive o pensamento crítico e a expressão
criativa.
Por exemplo, em sala de aula, desenvolvi um projeto chamado “ChatGPT,
eu escrevo para você”. Os alunos participavam de uma troca de cartas
com a IA, discutindo temas relevantes como ética na tecnologia, plágio e
privacidade de dados, sempre questionando-a. Nessa prática, o ChatGPT
se tornou mais uma ferramenta de aprendizado do que um recurso de
dependência. Ele se tornou uma extensão do processo educacional, não um
substituto. Assim como as enciclopédias não substituíram os professores,
a IA também não o fará.
A escola é o lugar onde o aprendizado deve acontecer, sendo o
ambiente ideal para os alunos experimentarem novas tecnologias, sempre
sob a orientação dos professores.
Devemos acolher os benefícios da IA e evitar uma postura alarmista. O
potencial tecnológico deve ser usado para enriquecer o processo
educacional. Por meio do uso consciente, podemos proporcionar uma
experiência de aprendizado mais envolvente e personalizada, mantendo a
criatividade, o raciocínio analítico e a comunicação interpessoal no
centro da educação. Dessa forma, em vez de meramente transcrever
informações das enciclopédias, a IA pode ser usada para estimular o
pensamento crítico e a expressão criativa dos alunos.
VEJA TAMBÉM: Ensaios sobre as incertezas humanas Introdução à arte de ler – as duas funções da linguagem Bem-vinda ao livre comércio de ideias Com
o modelo de respostas rápidas e padronizadas, o ChatGPT não limitaria a
criatividade e a capacidade de reflexão e pesquisa dos alunos?
O aprendizado da escrita é uma tarefa complexa, que requer tempo,
prática constante e o aprimoramento de várias habilidades cognitivas.
Nesse sentido, a ausência de um hábito de leitura consistente por parte
do estudante pode ser significativamente mais prejudicial do que
qualquer possível influência do ChatGPT. Isso ocorre porque a prática de
escrita é essencialmente dependente de um repertório vasto e de
conhecimentos acumulados na memória do escritor, os quais precisam ser
prontamente acessíveis e recuperáveis.
É fundamental destacar que o ensino da escrita é uma empreitada que
vai além do que o ChatGPT é capaz de oferecer. Ao reconhecermos que a
aprendizagem da escrita apresenta desafios substanciais para os alunos,
ressaltamos a responsabilidade da escola em introduzir esses desafios em
suas atividades e materiais didáticos. Esses desafios vão além da
cognição, envolvendo também a memória e o pensamento crítico.
Além disso, a escrita está intrinsecamente relacionada à resolução de
problemas, demandando habilidades de raciocínio e tomada de decisões.
Nesse sentido, uma interação bem orientada com o ChatGPT, dentro do
contexto escolar e sob a orientação dos professores, pode de fato
auxiliar no desenvolvimento da capacidade reflexiva e do potencial
criativo dos alunos. Portanto, o ChatGPT não é uma ameaça, mas sim uma
ferramenta que, quando usada adequadamente, pode complementar e
enriquecer o processo de aprendizagem da escrita.
Que tipo de potencial pedagógico você vê numa ferramenta como esta
para o aprendizado? Como criar boas aulas adotando e não demonizando
esta ferramenta?
Como profissional da área da escrita, tenho a esperança de que a
tecnologia, e especificamente ferramentas como o ChatGPT, possa auxiliar
alunos com necessidades especiais, como aqueles no espectro do autismo.
O autismo abrange uma ampla gama de condições caracterizadas por
desafios nas habilidades sociais, na fala e na comunicação não verbal.
Cada aluno autista tem suas próprias forças e desafios, e vejo nessas
tecnologias uma forma de ajudá-los a encontrar maneiras de expressar seu
pensamento único por meio da escrita.
“O ChatGPT não é uma solução mágica. Ele não substitui a conexão
humana, o feedback fornecido em sala de aula, a empatia e o cuidado que
um professor pode oferecer.”
Luis Octavio Rogens Visualizo um futuro em que um aluno meu, que
está no espectro do autismo, possa usar o ChatGPT para desenvolver
autonomia em sua comunicação. Com a ajuda desta ferramenta, vejo-os
formulando perguntas, explorando ideias e produzindo textos complexos a
partir de comandos simples. Imagino-os se expressando de maneiras que
talvez não pudessem antes, encontrando sua própria voz através da
mediação da tecnologia. Essa é uma visão que me impulsiona, a ideia de
que a tecnologia possa agir como uma ponte, conectando a mente criativa e
inquisitiva dos meus alunos à arte da escrita.
Na minha prática pedagógica, já tenho utilizado o ChatGPT para
oferecer um ensino mais individualizado aos meus alunos. Tenho a
oportunidade de adaptar as atividades de aprendizado às necessidades
individuais de cada aluno, incluindo aqueles com Transtorno do Déficit
de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia (um transtorno de
aprendizagem que afeta a habilidade de leitura e escrita) e ansiedade de
aprendizado (um sentimento de preocupação, nervosismo ou desconforto
relacionado ao trabalho escolar ou às avaliações).
Com essa tecnologia, consigo fornecer estímulos constantes e
atividades adaptadas a essas necessidades, permitindo que eles aprendam
em seu próprio ritmo, de acordo com suas próprias habilidades. Isso não
apenas melhora sua compreensão do conteúdo, mas também aumenta seu
engajamento e motivação no processo de aprendizado.
No entanto, é importante destacar que o ChatGPT não é uma solução
mágica. Ele não substitui a conexão humana, o feedback fornecido em sala
de aula, a empatia e o cuidado que um professor pode oferecer.
Portanto, ao adotar o uso do ChatGPT em aulas, é fundamental equilibrar
sua utilização com interações pessoais significativas. A ferramenta deve
ser usada como um complemento para enriquecer e diversificar o processo
de aprendizagem, estimulando a criatividade, a reflexão e a pesquisa
dos alunos.