sexta-feira, 19 de maio de 2023

REUNIÃO DO G7 NO JAPÃO

 

O que esperar do G-7 em meio à guerra na Ucrânia e crise diplomática entre EUA, China e Rússia?

Por Redação – Jornal Estadão

Líderes das democracias ricas do mundo estão reunidos em Hiroshima para debater uma série de desafios, da invasão russa da Ucrânia ao aumento das tensões na Ásia

Os líderes mundiais desembarcaram nesta quinta-feira, 18, para uma reunião do Grupo dos Sete em Hiroshima, o local do primeiro ataque com bomba atômica do mundo, em 6 de agosto de 1945. O simbolismo é palpável, com os líderes das democracias ricas do mundo reunidos na cidade cujo nome evoca a tragédia da guerra, para enfrentar uma série de desafios, incluindo a invasão russa da Ucrânia e o aumento das tensões na Ásia no topo da agenda.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, iniciou os trabalhos diplomáticos ao se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após sua chegada a uma base militar próxima. Ele deveria manter conversas com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, antes do encontro de três dias de líderes das democracias ricas do mundo começar nesta sexta-feira.

A atenção sobre a guerra na Europa ocorre poucos dias depois que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, completar uma viagem rápida para se encontrar com líderes europeus e conseguir apoio militar para sua contraofensiva contra a Rússia. “A Ucrânia impulsionou esse senso de propósito comum para o G7″, disse Matthew Goodman, vice-presidente sênior de economia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “Existe uma espécie de pressão dos colegas que se desenvolve em fóruns como este”, explicou.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, antes do início da cúpula do G-7
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, antes do início da cúpula do G-7  Foto: Kiyoshi Ota / AP

Os líderes do G-7 também estão se preparando para a possibilidade de um novo conflito na Ásia, à medida que as relações com a China se deterioram. Eles estão cada vez mais preocupados, entre outras coisas, com o que veem como a crescente assertividade de Pequim e temem que a China tente tomar Taiwan à força, provocando um conflito mais amplo. A China reivindica a ilha autônoma como parte de seu território.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, também espera destacar os riscos da proliferação nuclear durante a reunião em Hiroshima, local do primeiro bombardeio atômico do mundo. A perspectiva de outro ataque nuclear ficou cristalizada pelo programa nuclear da Coreia do Norte e pelos recentes testes de mísseis, além das ameaças da Rússia de usar armas nucleares táticas em sua invasão da Ucrânia. A China, enquanto isso, está expandindo rapidamente seu arsenal nuclear de cerca de 400 ogivas hoje para 1.500 em 2035, segundo estimativas do Pentágono.

As preocupações com a força da economia global, o aumento dos preços e a crise do limite da dívida nos EUA também estarão no topo da lista de temas discutidos no G-7.

O G-7 inclui CanadáFrançaAlemanhaItália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia. Esse grupo também está dando mais atenção às necessidades do Sul Global – um termo para descrever principalmente países em desenvolvimento na África, Ásia e América Latina – e convidou diversos países importantes dessas regiões, caso do Brasil e da Índia, além de países menores, como as minúsculas Ilhas Cook, no Pacífico Sul.

Ao ampliar a conversa para além das nações industrializadas mais ricas do mundo, o grupo espera fortalecer os laços políticos e econômicos, reforçando o apoio aos esforços para isolar a Rússia e enfrentar a assertividade da China em todo o mundo, dizem analistas.

“O Japão ficou chocado quando dezenas de países em desenvolvimento relutaram em condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia no ano passado”, disse Mireya Solís, diretora do Centro de Estudos de Políticas do Leste Asiático da Brookings Institution. “Tóquio acredita que este ato de guerra de um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU é uma ameaça direta aos fundamentos do sistema internacional do pós-guerra.”

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi também estará presente. Seu país, que ultrapassou a China como o mais populoso do mundo e se vê como uma superpotência em ascensão, será o anfitrião de uma reunião do grupo muito mais amplo de economias e líderes do G-20 ainda este ano.

O presidente americano Joe Biden em um encontro pré-G7 com o premiê do Japão, Fumio Kishida, em Hiroshima
O presidente americano Joe Biden em um encontro pré-G7 com o premiê do Japão, Fumio Kishida, em Hiroshima Foto: Kiyoshi Ota/via Reuters

Para o anfitrião, o premiê Kishida, a reunião deste fim de semana é uma oportunidade de destacar a política externa mais robusta de seu país. O primeiro-ministro japonês fez uma viagem surpresa a Kiev em março, tornando-se o primeiro líder pós-guerra do país a viajar para uma zona de guerra, uma visita carregada de simbolismo devido à constituição pacifista do Japão.

Outra inclusão importante em Hiroshima é a Coreia do Sul, um aliado dos EUA que rapidamente se aproximou de seu antigo rival e ex-ocupante colonial, o Japão, à medida que suas preocupações com a segurança regional compartilhadas.

Sung-Yoon Lee, um especialista no Leste Asiático da Fletcher School of Law and Diplomacy da Tufts University, disse que o encontro envia uma mensagem à China, Rússia e Coreia do Norte de “solidariedade entre as democracias da região e sua determinação de enfrentar o crescente autocracias ameaçadoras”.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversa com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na reunião dos líderes do G-20 em Bali, Indonésia
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversa com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na reunião dos líderes do G-20 em Bali, Indonésia  Foto: Dita Alangkara/ AP

Compromisso com a paz

A decisão de sediar o G-7 em Hiroshima não é por acaso. Kishida, cuja família é da cidade, espera que o local ressalte o “compromisso do Japão com a paz mundial” e crie impulso para “realizar o ideal de um mundo sem armas nucleares”, escreveu ele no site de notícias on-line Japan Forward.

Os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945, destruindo a cidade e matando 140 mil pessoas, e lançaram uma segunda sobre Nagasaki três dias depois, matando outras 70 mil pessoas. O Japão se rendeu em 15 de agosto, encerrando efetivamente a 2º Guerra e décadas de agressão japonesa na Ásia.

O Japão, que é protegido pelo guarda-chuva nuclear dos EUA, também enfrentou críticas de que sua promessa de desarmamento nuclear não é verdadeira. Kishida está tentando forjar um roteiro realista entre a dura realidade atual e o ideal de um mundo sem armas nucleares.

Coreia do Norte escala tensões na região da Península Coreana
Coreia do Norte escala tensões na região da Península Coreana  Foto: via REUTERS / via REUTERS

Na sexta-feira, 19, Kishida dará as boas-vindas aos líderes que chegam ao Parque da Paz de Hiroshima. Ele também planeja escoltar os líderes ao museu da bomba atômica, na primeira visita em grupo de chefes de Estados de países com capacidade nuclear. Também pode haver uma reunião com sobreviventes do ataque.

“Acredito que o primeiro passo para qualquer esforço de desarmamento nuclear é fornecer uma experiência em primeira mão das consequências do bombardeio atômico e transmitir com firmeza a realidade”, disse Kishida no sábado durante uma visita a Hiroshima para observar os preparativos para a cúpula./AP, NYT e W.POST

DICAS DE QUE OS RECRUTADORES PROCURAM NO MERCADO

 

Lívia Felizardo – diretora de produtos da Vivae

Confira 4 dicas de como se destacar num processo seletivo e alcançar a vaga que você deseja

A busca por emprego é um caminho cheio de obstáculos e pensar o que o RH de uma empresa procura em um candidato é capaz de deixar qualquer pessoa ansiosa. Se esse é o seu caso, não se preocupe.

Lívia Felizardo, diretora de produtos da Vivae, startup de educação e empregabilidade criada a partir de uma parceria entre a operadora Vivo e Ânima Educação, reuniu quatro dicas que apontam quais qualidades os recrutadores estão procurando no mercado de trabalho.

Aprenda e se adapte

Experiências profissionais são importantes e costumam ser um fator decisivo na escolha dos candidatos pelas empresas. A trajetória profissional, no entanto, não é a única coisa que importa para uma companhia. As empresas estão cada vez mais interessadas em pessoas que aprendem e se adaptam rápido. Durante o processo seletivo, é importante que o candidato lembre-se de destacar sua capacidade de entender diferentes contextos, improvisar e aprender com novidades e desafios.

Fale a língua da empresa

Tão importante quanto a capacidade de adaptação de um candidato é a compatibilidade entre empregado e empregador. A conexão entre os valores de uma empresa e de uma pessoa são cada vez mais levados em conta no momento da contratação. Não é fácil encontrar alguém que se encaixe na cultura de uma empresa. É importante estudar o perfil da companhia e entender como o candidato pode agregar ao contexto da vaga desejada.

A diversidade é um super poder

Foi-se o tempo em que o diferente era excluído. Atualmente, a diversidade é um trunfo procurado pelas empresas ao redor do mundo. Mais do que um indicador social, a diversidade vem sendo encarada no mercado de trabalho como uma oportunidade de agregar novas visões e valores à companhia que está contratando. É um estimulante à criatividade e à compreensão do cliente, que está imerso num mundo diverso. O candidato que entende como ele se relaciona com a diversidade e com as diferenças culturais e como, a partir disso, ele pode oferecer uma nova perspectiva tende a sair na frente na disputa por uma posição.

Não seja um sabe-tudo

Saber como agregar uma nova visão a uma empresa já estabelecida é importante, mas há um cuidado necessário: evitar uma postura arrogante. Esse tipo de comportamento afasta o avaliador, um posicionamento que fecha as portas para o aprendizado. Ser inflexível e colocar os próprios interesses em primeiro lugar não é uma boa estratégia. Isso não significa que o candidato não possa contribuir com as suas próprias ideias, mas é importante saber ouvir, entender o cenário e não só falar ou impor seu jeito de fazer.

Conselhos para uma pessoa demitida conseguir um novo emprego – ChatGPT

Ser demitido pode ser um momento desafiador, mas existem várias estratégias que você pode adotar para conseguir um novo emprego. Aqui estão alguns conselhos úteis:

  1. Mantenha uma atitude positiva: É normal sentir-se desanimado após uma demissão, mas é importante manter uma mentalidade positiva. Acredite em suas habilidades e tenha confiança de que você encontrará um novo emprego.
  2. Avalie suas habilidades e experiências: Faça uma avaliação honesta de suas habilidades, experiências e áreas de especialização. Identifique seus pontos fortes e áreas que podem precisar de desenvolvimento. Isso o ajudará a direcionar sua busca por emprego e se destacar como candidato.
  3. Atualize seu currículo e perfil online: Revise e atualize seu currículo para destacar suas realizações e habilidades relevantes. Além disso, certifique-se de que seu perfil em plataformas online, como o LinkedIn, esteja completo e atualizado. Isso ajudará os recrutadores a encontrarem você e entenderem seu perfil profissional.
  4. Expanda sua rede de contatos: Aproveite sua rede profissional e pessoal para buscar oportunidades de emprego. Informe seus contatos sobre sua situação e interesse em encontrar um novo emprego. Participe de eventos de networking e conecte-se com pessoas do seu setor de interesse.
  5. Procure oportunidades online e offline: Além de sites de emprego e plataformas online, também pesquise oportunidades em jornais locais, grupos de emprego nas redes sociais e agências de recrutamento. Esteja aberto a diferentes canais de busca e esteja disposto a se candidatar pessoalmente em empresas que você tem interesse.
  6. Prepare-se para entrevistas: Pratique respostas para perguntas comuns de entrevistas, destaque suas realizações anteriores e esteja preparado para falar sobre sua demissão anterior de maneira profissional e positiva. Pesquise sobre a empresa antes da entrevista para demonstrar seu interesse e preparo.
  7. Aprimore suas habilidades: Use o tempo entre empregos para aprimorar suas habilidades. Considere fazer cursos, participar de workshops ou buscar certificações que sejam relevantes para sua área de atuação. Isso não só aumentará seu conhecimento, mas também mostrará aos empregadores que você está disposto a investir em seu desenvolvimento profissional.
  8. Mantenha-se motivado e persistente: A busca por emprego pode levar tempo e exigir paciência. É normal enfrentar rejeições e contratempos, mas não desanime. Continue se candidatando a vagas, participe de entrevistas e mantenha-se motivado. Sua perseverança acabará sendo recompensada.

Lembre-se de que cada jornada de busca por emprego é única, e é importante adaptar essas dicas à sua situação específica. Não se esqueça de cuidar de si mesmo durante esse processo, mantendo um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, buscando apoio quando necessário e mantendo uma mentalidade positiva. Boa sorte em sua busca por um novo emprego!

Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso

Junior Borneli, co-fundador do StartSe

Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)

Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor

Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe. Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).

É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas, conhecendo culturas diferentes.

Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator entre fracasso e sucesso.

Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo. “Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.

De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi possível para o melhor resultado”, avisa.

Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o empreendedor.

Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso é a superação”, destaca Junior Borneli.

Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes, receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”, afirma.

É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria fica pelo caminho”, diz.

É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.

O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.

Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará valer a pena!,” destaca o empreendedor.

DERROTA TAMBÉM ENSINA

Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá, tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos Estados Unidos”, afirma Junior.

No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.

Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e suportáveis”, salienta.

Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão. Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e siga firme em frente”, afirma.

É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm coragem e disposição para fazer”, completa.

                   O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?                  

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

quinta-feira, 18 de maio de 2023

CASSAÇÃO DE DEPUTADO TEM RELAÇÃO COM O DESMONTE DA LAVA JATO

 


Cassação de Dallagnol pelo TSE configura novo capítulo do desmonte da Lava Jato
Por
Sílvio Ribas – Gazeta do Povo
Brasília


| Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar o mandato do deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) teve impacto significativo no cenário político, com protestos de parlamentares e movimentos ligados às ações anticorrupção. Em contrapartida, críticos dos supostos excessos da Lava Jato e ex-alvos da operação comemoram o resultado do julgamento.

Com o histórico de resistência nos meios jurídico e político contra a Lava Jato, a reação recente do TSE está sendo vista por analistas e políticos como novo capítulo da desmontagem da operação, após série de revisões de condenações na Justiça e de afrouxamentos da legislação.

Reações de deputados da oposição sugerem perseguição política contra parlamentares. Além de afirmar isso, Kim Kataguiri (União Brasil-SP) disse que o julgamento de Dallagnol reflete um país que pune os que combatem a corrupção. Ele também fez críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou a mesma visão sobre as intenções do tribunal no caso, questionando se a ideia era só calar opositores. Bia Kicis (PL-DF) lamentou o “profundo desprezo dos membros do Judiciário e de certos políticos pelo valor do voto”, ressalvando que o respeito à vontade popular parece ser dado só a aliados do “sistema”. Mario Frias (PL-SP) lembrou que a cassação partiu de um “pedido do PT”.

Outros deputados preferiram explorar o excesso de rigor na interpretação da lei. Para Evair Melo (PP-ES), houve vergonhoso excesso de zelo, o mesmo que não foi observado para o presidente Lula e seus ministros. “O TSE está prestando um desserviço ao país, até porque o requerente da cassação é o PT”, disse. Além deles, Zé Trovão (PL-SC) também questionou o mérito da decisão. “O que eles (TSE) estão querendo? Instabilidade jurídica e institucional?”, provocou.

Por sua vez, o comando das duas Casas do Congresso e a maioria dos líderes partidários evitaram contestar ou até mesmo comentar a medida radical do TSE contra Dallagnol, seja por concordarem com o castigo a uma suposta “criminalização da política” associada à Lava Jato, seja pelo receio de serem alcançados pelas mesmas investidas contra os simpatizantes da operação sediada em Curitiba.

Na tribuna do Senado, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) cobrou do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a interdição imediata da cassação de Dallagnol. Ele criticou a decisão do TSE e disse que era “ilegítima” e “evidência da interminável arbitrariedade que o país enfrenta”. Mourão expressou sua preocupação com a inação dos partidos e a direção do Senado diante de “atos que violam direitos”.

O senador e ex-vice-presidente da República ressaltou ainda o “assombro da sociedade” diante da perseguição aos responsáveis por desvendar “o maior caso de corrupção da história”, atribuindo tal perseguição ao “desejo de vingança do próprio presidente da República”. Mourão afirmou que a cassação do mandato do deputado é “um golpe fatal na última esperança do povo na democracia, representada pela sua expressão política nas urnas”.

Também houve indícios de medidas para evitar expressões de solidariedade ao deputado cassado e críticas à decisão judicial, como evidenciado pela decisão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de cancelar a sessão agendada para esta quarta.

Ele alegou falta de quórum, mas membros da CCJ afirmaram que a ação visava impedir manifestações como a de Sergio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Lava Jato, o que inevitavelmente provocaria debate acalorado sobre a decisão do TSE.

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Dallagnol diz que foi cassado pelo TSE por uma “inelegibilidade imaginária” e por combater a corrupção
Lira diz que decisão do TSE será analisada pela Corregedoria da Câmara

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a perda de mandado de Dallagnol será analisada pela Corregedoria da Casa. Os procedimentos são regulamentados pelo Ato da Mesa 37/09, informou a Agência Câmara.

“A Mesa seguirá o que determina esse ato: a Câmara tem que ser citada, a Mesa informará ao corregedor, o corregedor vai dar um prazo ao deputado, o deputado faz sua defesa e sucessivamente”, disse Lira durante a sessão do plenário.

O presidente da Câmara respondeu a uma questão de ordem do deputado Maurício Marcon (Podemos-RS), para quem a Câmara deve se pronunciar sobre a decisão da Justiça Eleitoral. “O mandato deve ser cassado somente por esta Casa”, disse. A Constituição garante aos deputados cassados pela Justiça Eleitoral o direito à ampla defesa dentro da Câmara dos Deputados.

Conforme a Constituição, a perda de mandato será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação, assegurada a ampla defesa. O Ato da Mesa assegura ao deputado alvo de representação prazo de cinco dias úteis para a manifestação. Quando a representação é fundamentada em ato da Justiça Eleitoral, cabe apenas ao corregedor tratar dos aspectos formais da decisão judicial.

Dallagnol interpretou a decisão do TSE como “ato de retaliação contra os esforços de combate à corrupção”. Seu partido, o Podemos, afirmou que não medirá esforços para defender o deputado, destacando que o Parlamento sai perdendo.

Embora possa recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a execução da decisão pelo TRE do Paraná, há consenso de ser extremamente improvável a reversão, até porque três dos sete ministros que o condenaram no TSE pertencem ao STF.

Há dúvida se a decisão do TSE torna Dallagnol inelegível, uma vez que a perda do mandato ocorreu devido à anulação da candidatura, o que permitiria que ele concorresse nas próximas eleições.

Moro é visto como provável próximo alvo de uma cassação
Baseados em pareceres emitidos por juristas renomados, como o professor Horácio Neiva, da Universidade de São Paulo (USP), políticos consideram que o TSE abandonou a leitura limitada das regras de inelegibilidade, dando margem para interpretações mais flexíveis. Com isso, o comentário mais ouvido dentro e fora do Congresso desde a terça-feira (16) é de que o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) seria a próxima vítima de uma suposta perseguição aos lava-jatistas. No caso dele, a cassação do mandato sob avaliação da Justiça Eleitoral foi pedida pelo PL, que o acusa de suposto caixa dois e abuso de poder econômico na campanha para o Senado. Como testemunha, o ex-juiz indicou Dallagnol.

No ano passado, Moro se manifestou sobre o pedido de cassação do PL. Segundo ele, “maus perdedores” resolveram “trabalhar pelo PT e para os corruptos”. “Da minha parte, nada temo, pois sei da lisura das minhas eleições. Agora, impressiona que tenham pessoas que podem ser tão baixas. O que não conseguem nas urnas, tentam no tapetão”, escreveu.

Para analistas próximos ao jogo político, a percepção de intercâmbio entre parlamentares e membros de tribunais para garantir autoproteção e buscar a estabilidade em suas prerrogativas tem produzido reveses contra a Lava Jato em decisões do Legislativo e do Judiciário. Moro tem buscado melhorar seus canais de comunicação e parcerias no Congresso, onde sempre sofreu resistências de parte da classe política.

Por outro lado, eles também avaliam que a percepção de um mundo político e jurídico unido no empenho para tirar o mandato de Dallagnol e avançar no desmonte da Lava Jato pode reforçar as críticas ao TSE e ao STF. A votação rápida e sem debate denotaria perfilamento em caso específico e indicativo a outros que porventura se encaixem no mesmo viés político. No terreno simbólico, ainda corroboram com tais interpretações situações associadas ao ministro Benedito Gonçalves, relator do processo contra Dallagnol no TSE, recebendo afagos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a diplomação, em 2022, e reagindo com a frase “missão dada é missão cumprida”.

“Em 1 minuto e 6 segundos, após a leitura do voto do relator, o TSE, por unanimidade, cassou o mandato de Deltan Dallagnol. Foi um julgamento justo? Na democracia, todos esses questionamentos devem ser feitos aos tribunais superiores”, ponderou o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR).

Desdobramentos políticos do julgamento ainda são esperados
A cassação de Dallagnol terá consequências adicionais, de acordo com o professor do Ibmec-DF, Eduardo Galvão. Embora o especialista considere correta a decisão do TSE, ele lembra que não se pode ignorar o aspecto simbólico que o parlamentar representa para a sociedade e o meio político. “Dallagnol é um ícone da operação Lava Jato, e isso gera, em parte da opinião pública, a percepção de que a decisão é uma vitória do chamado “sistema” sobre o esforço nacional de combate à corrupção”, afirma.

No fim de 2021, o chamado “Partido da Lava Jato” começou a ganhar forma quando Moro e Dallagnol anunciaram as suas intenções de disputar cargos políticos nas eleições de 2022. Em meio a forte pressão, Dallagnol manteve a determinação de buscar vaga na Câmara pelo Paraná, enquanto Moro investia numa candidatura à Presidência, inicialmente pelo mesmo Podemos de Dallagnol e, depois, pelo União Brasil, que acabou não dando aval às suas pretensões. Moro tentou concorrer pelo novo partido ao Senado por São Paulo, mas foi impedido pela Justiça por não conseguir provar residência eleitoral no estado. Por fim, Moro foi eleito senador pelo Paraná, e Dallagnol conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/cassacao-de-dallagnol-pelo-tse-configura-novo-capitulo-do-desmonte-da-lava-jato/
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COM A CASSAÇÃO DE DEPUTADO A LEI DO BRASIL FOI SUSBSTITUÍDA POR UMA BOLA DE CRISTAL

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Deltan Dallagnol (Podemos-PR) teve o mandato cassado pelo TSE em ação movida pela coligação encabeçada pelo PT.| Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados.

A lei, no Brasil, foi abolida e substituída por uma bola de cristal. É a única forma de explicar satisfatoriamente como o Tribunal Superior Eleitoral foi capaz de, por unanimidade, cassar o registro de candidatura de Deltan Dallagnol (Podemos-PR) nesta terça-feira. A decisão, ainda passível de recurso, reverteu decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral paranaense e contrariou a Procuradoria-Geral Eleitoral, que era oposta à impugnação da candidatura. O ex-procurador do Ministério Público Federal, que ganhou fama nacional ao coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF, foi eleito deputado federal em outubro de 2022 com quase 345 mil votos – a segunda maior votação para o cargo na história do Paraná.

A ação movida pela Federação Brasil da Esperança, que inclui o PT (quem mais?), alegava que Dallagnol estaria inelegível por ter pedido exoneração do MPF enquanto respondia a processo administrativo disciplinar (PAD) e por ter sido condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no caso das diárias pagas a membros da força-tarefa. De fato, a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010) inseriu no inciso I do artigo 1.º da Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) as alíneas “g”, que torna inelegíveis para qualquer cargo “os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário”; e “q”, referente aos “magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar”.

O relator do processo no TSE, Benedito Gonçalves, afastou a inelegibilidade relativa à condenação no TCU, já que esta decisão, em que a corte de contas ignorou uma série de princípios jurídicos e garantias do réu, foi suspensa pela primeira instância da Justiça Federal em setembro de 2022, ou seja, ainda antes da eleição. Restava, no entanto, a inelegibilidade ligada aos processos disciplinares. Quanto a isso, a Lei da Ficha Limpa é inequívoca: se houvesse PAD em curso contra Dallagnol no momento de sua exoneração, em novembro de 2021, o ex-procurador não poderia ter se candidatado.

Apoiando-se em termos no condicional e exercícios de pura adivinhação, o relator Benedito Gonçalves atropelou a lógica e a verdade dos fatos para cassar Dallagnol, já que o ex-procurador não se encaixava nos critérios de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa

Mas havia tais processos em andamento? A resposta é um cristalino, um rotundo “não”. Os PADs que Dallagnol chegou a enfrentar enquanto ainda estava no MPF já haviam sido concluídos – com penas de advertência, em novembro de 2019, e de censura, em setembro de 2020, dois absurdos que comentamos exaustivamente neste espaço. O próprio Conselho Nacional do Ministério Público, responsável pelas duas condenações de Dallagnol, atestara em certidão a ausência de novos processos disciplinares em curso. O Tribunal Regional Eleitoral paranaense reconheceu este fato e deferiu a candidatura de Dallagnol por unanimidade, poucos dias depois do pleito. Os petistas e seus aliados, então, foram ao TSE, e a Procuradoria-Geral Eleitoral repetiu o óbvio: não havendo PADs pendentes, não há inelegibilidade, já que Dallagnol não se encaixaria na descrição da Lei da Ficha Limpa.

Para contornar a verdade inescapável, Gonçalves – aquele dos tapinhas de Lula e do “missão dada, missão cumprida” na diplomação do petista –, precisou recorrer a um festival de ilações. A Federação Brasil da Esperança alegara que, quando pediu exoneração, Dallagnol tinha contra si uma série de outras contestações no CNMP, como reclamações disciplinares e pedidos de providências. Gonçalves se agarrou a esse fato e se lançou em um exercício de adivinhação após adivinhação. “Todos esses procedimentos, como consequência do pedido de exoneração, foram arquivados, extintos ou mesmo paralisados, e a legislação e os fatos apurados poderiam perfeitamente levá-lo à inelegibilidade. Sem nenhuma margem de dúvida, constata-se a gravidade dos fatos imputados ao ora recorrido nesses procedimentos. Não se cuida, aqui, de invadir a competência de outros órgãos e firmar a materialidade e a ilicitude das condutas, mas de reforçar que o pedido de exoneração teve propósito claro e específico de burlar a incidência da inelegibilidade”.

Poderiam – eis o alicerce completamente frágil da argumentação de Gonçalves. É verdade que a exoneração extingue todos os procedimentos, e também é verdade que, caso Dallagnol tivesse permanecido no MPF, ao menos alguns desses procedimentos poderiam ter sido transformados em PADs. Mas, para efeitos da Lei da Ficha Limpa, isso é irrelevante: interessa apenas se há processos efetivamente em aberto, o que não havia. E, do ponto de vista lógico, a argumentação de Gonçalves é falaciosa: dá como certa uma possibilidade sem nem mesmo considerar a hipótese contrária, a de que os procedimentos não resultassem em PADs, algo que ocorreu ao menos uma vez no caso de Dallagnol, quando, em agosto de 2020, o CNMP arquivou uma queixa referente aos slides de Power Point expostos durante a apresentação de denúncia criminal contra Lula, em 2017.

VEJA TAMBÉM:
O dia de infâmia do TCU (editorial de 9 de agosto de 2022)
A punição a Deltan Dallagnol e a liberdade de expressão (editorial de 26 de novembro de 2019)
O CNMP consagra o “crime de opinião” (editorial de 8 de setembro de 2020)


Em resumo, o argumento dos petistas, acolhido por Gonçalves, é o de que os procedimentos não só poderiam, mas certamente iriam se transformar em PADs; se isso ocorresse, Dallagnol estaria inelegível; só não se transformaram porque Dallagnol pediu exoneração antes. Foi assim, apoiando-se em termos no condicional e exercícios de pura adivinhação, que o relator atropelou a lógica e a verdade dos fatos. Já seria suficientemente vergonhoso se ele ficasse sozinho, sendo derrotado pelo restante do plenário; mas os demais ministros (Alexandre de Moraes, presidente da corte, além de Cármen Lúcia, Carlos Horbach, Nunes Marques, Raul Araújo e Sérgio Banhos) não quiseram deixar seu colega isolado no vexame e conseguiram escrever uma das páginas mais absurdas da história da corte eleitoral – o que não deixa de ser uma façanha, tantas as estripulias jurídicas cometidas pelo TSE no período eleitoral de 2022.

Ao menos em sua instância maior, a Justiça Eleitoral mostrou nesta terça-feira que de justa não tem nada. Tornou-se órgão de perseguição política, disposto a inviabilizar a vida pública de qualquer um que tenha se colocado no caminho de Lula em algum momento ou que tenha feito críticas à forma como o Supremo Tribunal Federal desmontou o combate à corrupção no Brasil – é sintomático que o caso de Dallagnol tenha ido para a pauta do TSE depois que o deputado rebateu falas de Gilmar Mendes sobre o “germe do fascismo”, em ataque à Lava Jato. Se os fatos e a lei isentam Dallagnol de culpa, então, que sejam ignorados e substituídos pelo triunfo das vontades superiores – eis como funciona o Brasil de 2023.


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DECISÃO DO TSE DE CASSAR DEPUTADO É UM DESRESPEITO AO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO

 

Democracia cassada e caçada: decisão do TSE sobre Deltan Dallagnol afronta o país

Por
Marcel van Hattem – Gazeta do Povo

Procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, durante entrevista no estúdio do jornal Gazeta do Povo


O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR), ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Um minuto de julgamento, sete votos favoráveis sem nenhuma contradição e o mandato outorgado por 344.917 paranaenses a um deputado federal foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tomando por base a Lei da Ficha Limpa mas, na verdade, contrariando seus dispositivos, sete juízes do TSE decidiram inovar sem a menor cerimônia e sem a menor discussão, inventando uma inelegibilidade inexistente e contrariando os entendimentos das cortes inferiores e até mesmo do Ministério Público junto à Corte Eleitoral.

Independentemente de quem seja o alvo dessa ação, a decisão do TSE, seja na forma, seja no conteúdo, é um desrespeito ao sistema jurídico brasileiro, à lei e ao Parlamento que a faz e, claro, sobretudo, um deboche com a democracia brasileira e um tapa na cara do cidadão. Nesse caso, em especial, trata-se de uma afronta aos quase 350 mil paranaenses que votaram em Deltan Dallagnol para representá-los na Câmara dos Deputados.

A decisão do colegiado do TSE não cabe no ordenamento jurídico brasileiro, não cabe em uma democracia.

Venho alertando há tempo que a situação institucional é muito grave no país. A ditadura em curso conduzida por ministros do Supremo Tribunal Federal vem perseguindo abertamente quem ousa ser a favor da justiça e da democracia, ao passo que beneficia quem está no poder para fins escusos. É sintomático que no mesmo dia em que se julgou de forma expedita a cassação de Deltan Dallagnol, símbolo personificado do combate à corrupção no país, o STF extinguia as penas de prisão de Paulo Maluf, condenado em 2017 pelo mesmo Tribunal por lavagem de dinheiro no período em que foi prefeito de São Paulo, três décadas atrás. Além de tardar, a Justiça falha quando o tema é corrupção. Já quando é para se vingar de quem a combate, o sistema é muito eficiente.

Chegamos a um ponto em que parlamentares de oposição já não têm mais segurança sobre sua condição. E é importante que esta consciência seja disseminada. A reação da Câmara dos Deputados à cassação de Deltan Dallagnol precisa ser robusta, determinada, sem meias palavras. O que o ministro Alexandre de Moraes leu como suposta decisão no julgamento de ontem não passa de um pedaço de papel contendo uma determinação ilegal. Inconstitucional. Abusiva.

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Não aceitaremos viver sob uma ditadura
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A decisão do colegiado do TSE não cabe no ordenamento jurídico brasileiro, não cabe em uma democracia. Aceitá-la é render-se definitivamente à ditadura da toga que, além de desvirtuar e atacar a própria democracia brasileira ao exorbitar suas funções e agir em lugar do Executivo e do Legislativo, ainda quer decidir quem pode e quem não pode representar o povo brasileiro no Parlamento. Vamos deixar nosso país politicamente nas mãos de juízes sem um único voto popular? O Congresso Nacional não pode admitir esta subversão institucional!

Cassado ilegalmente pelo TSE, Deltan Dallagnol vem sendo caçado há muito tempo. Presa das aves de rapina mais corruptas da política brasileira, alvo daqueles que, como promotor, Dallagnol processou e até mesmo colocou na cadeia pelos crimes que cometeram contra o país, era evidente que a reação viria. Ele sempre soube que sua coragem e persistência teriam um alto preço, mas Deltan se dispôs a pagá-lo com desprendimento, determinação e convicção. Exonerou-se do serviço público brasileiro para servir ao povo no Parlamento Nacional. Foi eleito para isso como o mais votado do seu estado, o Paraná.

Toda sua dedicação à nossa nação não será em vão. Pelo contrário: este é o momento em que um ponto de inflexão para recobrar a democracia brasileira foi criado e a participação do povo, que tanto sustento deu às operações da Lava Jato, será crucial para exigir o fim da ditadura da toga e a volta à normalidade democrática.


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CENSURA DE COMEDIANTE É MAIS UM APAGÃO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

Censura
Riso proibido: a luta dos humoristas que deram até a vida pela liberdade de expressão

Por
Eli Vieira – Gazeta do Povo


Comediante Léo Lins foi proibido de fazer piadas contra “vulneráveis”.| Foto: Eli Vieira com Midjourney

O comediante Léo Lins foi censurado por decisão da juíza Gina Fonseca Correa (TJ-SP) nesta terça-feira (16). Acionada pelo Ministério Público de São Paulo, ela determinou que um especial de comédia de Lins com mais de três milhões de visualizações fosse tirado do ar e o proibiu de publicar mais materiais de humor com suposto “conteúdo depreciativo ou humilhante” para categorias consideradas “minorias ou vulneráveis”. Ele está proibido até de sair da cidade de São Paulo por mais de dez dias sem autorização judicial. Além de punitiva, a censura é prévia: o artista está proibido de mencionar os grupos “vulneráveis” em futuras apresentações de stand-up. Dessa vez, não é apenas ativismo judicial: o MP usou a lei antipiadas sancionada por Lula em janeiro.

A notícia é mais um desenvolvimento do apagão da liberdade de expressão no Brasil que começou a chamar a atenção de observadores internacionais. Lins não é o primeiro a ser punido por quem considera piada coisa séria este ano. Em março, o comediante Bruno Lambert, que não tem a fama de Lins para viver da comédia, foi demitido de seu emprego em um banco após ser denunciado ao mesmo MP de São Paulo pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) por causa de uma piada com o tema da deficiência física.

O diplomata Gustavo Maultasch, autor do livro “Contra Toda Censura” (Avis Rara, 2022), disse à Gazeta do Povo que a defesa da liberdade de expressão do humor é a mais óbvia, simples e direta, pois “determinadas limitações à liberdade de expressão (como a incitação à violência) não se aplicariam a um discurso assumidamente jocoso e satírico”. Infelizmente muitos não percebem a gravidade da situação, reflete Maultasch: “se o Estado não respeita mais nem aquilo que é dito em tom humorístico, imagine as perseguições que ele não fará em relação a nossas opiniões e críticas políticas”.

Por isso, como um canário em uma mina, sensível à falta de oxigênio e o primeiro a morrer quando gases tóxicos são encontrados pelos mineiros, alertando-os do perigo, a censura ao humor é um alerta para democracias liberais. A história mostra que muitos comediantes ou meros piadistas de ocasião serviram como mártires da liberdade de expressão. Conheça alguns deles.

Lenny Bruce
Quem assiste à série da Amazon “The Marvelous Mrs. Maisel”, que trata de uma dona de casa judia de Nova York que decide ser comediante em 1958, se lembrará do interesse romântico da protagonista: Lenny Bruce, um humorista de grande sucesso, magro, cabelos negros com brilhantina, fumante, sarcástico, e que é preso com frequência por causa de suas piadas. O que alguns não sabem é que Bruce foi uma pessoa real.

Nascido Leonard Alfred Schneider, no estado de Nova York, em 1925, Lenny Bruce viveu apenas 40 anos. Ele foi atraído para o microfone porque sua mãe trabalhava como dançarina em uma casa noturna. Fazia imitações, paródias e piadas curtas, evoluindo para um humor negro temperado com obscenidade e comentários críticos aos tabus sociais. Em aparições na TV, ele era descrito como “o mais chocante comediante do nosso tempo”, como foi apresentado no programa de Steve Allen (um músico, comediante e escritor, pioneiro de programa noturno de entrevistas), em 1959.

A perseguição a Bruce teve caráter principalmente judicial. Em 1961, mesmo ano em que fez um show no famoso Carnegie Hall em Nova York, lotado, o comediante foi acusado de violar a lei contra a obscenidade da Califórnia. O júri o inocentou, mas ele continuou a ser preso. Muitos outros estados tinham leis antiobscenidade em que ele foi enquadrado. Em dois outros julgamentos, os júris não conseguiram chegar a um veredito, mas uma corte do estado de Illinois o condenou a um ano na prisão. Ainda em liberdade, enquanto sua apelação era apreciada, Bruce foi deportado de Londres de volta a seu país. Em março de 1964 foi mais uma vez preso por “obscenidade” na Califórnia. Os custos da defesa, além dos custos ao seu bem-estar físico e emocional, o levaram à falência oficialmente declarada por um tribunal em 1962.

Em abril de 1964, mais uma vez o humorista foi para a cadeia, dessa vez em Nova York. O público protestou. Uma petição a favor dele foi assinada por celebridades, inclusive Woody Allen e Bob Dylan. Mas a Corte Criminal da Cidade de Nova York não se comoveu e condenou Bruce por obscenidade. Seu estado de saúde física e mental continuou a se deteriorar. Cinco semanas após seu último show em San Francisco, em 1966, Lenny Bruce morreu de overdose de morfina em sua casa em Hollywood Hills, bairro de Los Angeles.

Nos Estados Unidos, a Primeira Emenda da Constituição estabelece a liberdade de expressão irrestrita a níveis sem paralelo em outros países. Mas até por lá esse direito esteve sob ataque de leis como as antiobscenidade, que puseram o alvo em Bruce, e de decisões judiciais. A justiça não veio em vida, mas o artista inspirou outros a questionar o que exatamente é “obscenidade” e quem devem defini-la e uma mudança cultural que transformou o entendimento da liberdade de expressão no país. Em 2003, após tanto tempo depois de sua morte quanto ele teve de vida, Lenny Bruce recebeu um perdão póstumo do governador de Nova York à época, George Pataki. Foi uma decisão sem precedentes.

George Carlin
Falecido aos 71 anos, em 2008, o novaiorquino George Carlin segue sendo um dos mais respeitados comediantes de toda a história dos Estados Unidos. Sua vida recebeu um documentário em duas partes no HBO Max. Seguindo o pioneirismo de Lenny Bruce, Carlin teve mais tempo de lapidar sua obra. Ele começou nos anos 1950, no rádio, teve sucesso fazendo comédia “limpa”, sendo presença frequente nos talk shows de maior audiência dos anos 1960. Mas, apesar do sucesso, ele se sentia uma fraude, participando de uma cultura hipócrita. Nos anos 1970, se reinventou completamente, deixou o cabelo e a barba crescerem, e encontrou sucesso fazendo piadas para universitários — na época, ao contrário de hoje, grandes defensores da liberdade de expressão.

Foi nesta fase que Carlin criou seu monólogo “Sete palavras que você nunca pode dizer na televisão”, em que ele analisava satiricamente, com hermenêutica inteligente mesclada ao humor que acabou se tornando sua marca, as piores obscenidades da língua inglesa. Ao apresentar o monólogo, ele foi preso em 1972, mas um juiz não aceitou o caso. Os descontentes com a apresentação do monólogo no rádio e na TV, contudo, não desistiram e levaram o caso à Suprema Corte dos EUA. Por cinco votos contra quatro, os ministros do tribunal decidiram que a FCC (Comissão Federal de Comunicações, um órgão estatal) poderia censurar conteúdo “ofensivo” nas transmissões públicas de rádio e TV. O “Caso Carlin” é considerado importantíssimo no direito americano e estabeleceu um marco de jurisprudência.

Shady Abu Zaid
Depois de alcançar sucesso em um programa de televisão satírico apresentado por um fantoche, o comediante egípcio Sady Abu Zaid foi preso na capital Cairo em maio de 2018 e passou dois anos na prisão, sem julgamento. As autoridades do Egito o acusaram de participar de um grupo ilegal (uma referência à Irmandade Muçulmana, segundo a Al Jazeera) e de disseminação de fake news. Abu Zaid tinha também um programa online. Em 2016, ele atraiu críticas ao distribuir camisinhas infladas como balões para policiais, em comemoração aos cinco anos dos protestos que derrubaram o ditador Hosni Mubarak.

Khasha Zwan

O afegão Nazar Mohammad, conhecido pelo pseudônimo Khasha Zwan, foi sequestrado e morto em julho de 2021 por causa de suas piadas sobre o Talibã no aplicativo TikTok. Ele publicava músicas e piadas contra o grupo extremista que hoje comanda o Afeganistão. Ele foi abduzido em sua cidade, Candaar, a segunda maior do país, espancado e alvejado múltiplas vezes com tiros de arma de fogo. O Talibã reivindicou a autoria do assassinato.

Ablikim Kalkun
Além de comediante, Ablikim Kalkun é um cantor e compositor popular na província chinesa de Xinjiang. Ele pertence à minoria étnica local, os uigures, perseguidos pelo regime comunista, acusado de fazer contra eles um lento genocídio envolvendo campos de “reeducação”, rapto de crianças e até remoção forçada de órgãos. Em 2019, ele foi preso e condenado a 18 anos de prisão pelo Partido Comunista Chinês, que o acusa de fazer obras que incentivam “separatismo, extremismo religioso e discriminação contra a educação nacional”. A Radio Free Asia examinou comentários em fóruns online em língua uigur e disse que “os milhões de fãs de Kalkun o consideravam um exemplar dos valores uigures, um apoiador da verdade, um crítico de males sociais em campeão da cultura uigur”.

Piadistas vivendo sob Hitler

Assim como na União Soviética, na Alemanha nazista houve censura pesada contra piadas políticas. O diretor, produtor e escritor alemão Rudolph Herzog dedicou um livro inteiro ao tema, “Morrendo de Rir: Humor na Alemanha de Hitler” (tradução livre do título em inglês, “Dead Funny: Humour in Hitler’s Germany”, sem edição no Brasil), de 2006.

Entre os casos citados por Herzog está o do ator Robert Dorsay, que tinha fama por atuar como galã em comédias. Ele tinha uma grande habilidade de contar piadas e não tinha muitos pudores de usar Hitler e Goebbels como personagens. E tinha coragem: levou advertências formais, e se recusava a se filiar ao Partido Nazista. Primeiro, Dorsay perdeu papéis proeminentes nas produções: não era mais o galã, mas interpretava caricaturas de judeus. Quando veio a guerra, não conseguia nem os piores papéis em filmes. Frustrado, ele encontrava alívio bebendo e contando piadas, uma das quais caiu nos ouvidos de um funcionário público que o denunciou.

Em agosto de 1943, uma corte marcial condenou Dorsay a dois anos de prisão reeducativa. Mas o regime estava endurecendo e convertendo as penas em punições mais duras. Em 8 de outubro, Dorsay foi condenado à morte. Menos de três semanas depois, foi executado em uma guilhotina. Seu rosto terminou sendo usado como propaganda para intimidar outros piadistas.

Outra mártir do humor foi Marianne Elise K., uma trabalhadora de uma fábrica de armamentos em Berlim. Uma colega de trabalho a denunciou pela seguinte piada: “Hitler e Göring subiram no topo de uma torre de rádio em Berlim. Hitler diz que quer fazer algo para colocar um sorriso no rosto dos berlinenses. ‘Então pule’, disse Göring”. A Corte Popular nazista chegou a um veredito contra Marianne em 26 de junho de 1943. Ela “fez afirmações maliciosas sobre o Führer e o povo alemão”, alegou a decisão. A cabeça dela rolou numa guilhotina logo depois. A corte alegou que seu status como viúva de guerra não era atenuante, mas agravante.


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COMBATE À CORRUPÇÃO GERA VINGANÇA DO TSE AO CASSAR DEPUTADO

 

TSE

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Deltan Dallagnol criticou decisão do TSE que cassou seu mandato.| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente Lula diz que a Petrobras está “abrasileirando” os preços dos combustíveis e do gás. Isso dá um susto na gente, porque abrasileirar qualquer coisa acaba não dando certo, estourando de algum lado, e talvez estoure dos dois lados: da Petrobras e do consumidor, porque ficou imprevisível agora. O preço se tornou político, se tornou decisão de governo e não mais decisão técnica da Petrobras. Não é mais previsível porque não adianta examinar a cotação internacional do petróleo; não temos mais como saber se o combustível aqui vai ficar mais barato ou mais caro.

Na Europa, por exemplo, o preço depende da cotação internacional, é óbvio. É uma oscilação de acordo com mercado. Houve guerra na Ucrânia, o petróleo russo não vem mais, isso encareceu a cotação. E, se as refinarias daqui não reajustarem seus preços, elas vão quebrar, vão à falência, aí não vai ter gasolina, nem gás de cozinha, nem diesel – aqui em Portugal o diesel é o principal, representa talvez 90% do consumo. Mas desvincular do preço internacional é um perigo, porque não sabemos o que vai acontecer com o preço. É como no governo Dilma: agora temos um “Dilma 3”, um preço demagógico, populista, que quase quebrou a Petrobras; ela só não faliu porque o Tesouro Nacional (ou seja, os seus impostos) segurou.

TSE inventou um Minority report para cassar Dallagnol

E não foi só o populismo com os preços, foi a corrupção também, tudo o que a Lava Jato apurou, que Deltan Dallagnol apurou chefiando aquela equipe do Ministério Público. E agora ele perde o mandato. Quando Deltan pediu o registro da candidatura, o PT entrou com uma ação tentando impugná-la. O Ministério Público Eleitoral disse que não havia problema nenhum e a Justiça Eleitoral do Paraná concluiu a mesma coisa. Deltan concorreu e recebeu quase 345 mil votos, ou seja, estão cassando 345 mil votos de eleitores paranaenses que escolheram Deltan para representá-los na Câmara dos Deputados.

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Estão cassando o registro a posteriori, com fato consumado, a eleição consumada. E ele já assumiu há um bocado de tempo, está na Câmara há três meses e meio. Mas terá de sair porque a decisão foi do Tribunal Superior Eleitoral, que votou em um minuto. Inclusive votaram pela impugnação os três do Supremo: Nunes Marques, Cármen Lúcia e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, aprovando o relatório do ministro Benedito Gonçalves, aquele dos tapinhas na bochecha, que tem intimidade com Lula, que por sua vez foi denunciado por Deltan.

Gonçalves alega que Deltan tentou burlar a Lei da Ficha Limpa porque ele já tinha recebido uma advertência e depois uma censura no Conselho Nacional do Ministério Público; na terceira vez Deltan seria fatalmente exonerado e enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mas ele pediu pra sair, renunciou ao cargo para evitar isso. Ora, isso é legítima defesa da parte dele. Essa era uma questão administrativa, que ia morrer se ele não fosse mais do Ministério Público. Então, ele foi punido por algo que não se consumou mais adiante. Foi-lhe tirado o mandato, um registro de candidatura que ele estava consumado, já tinha havido a eleição. Foi punido por algo que podia ter acontecido, mas não aconteceu, como no filme de Steven Spielberg com Tom Cruise, Minority Report – A nova lei. Deltan vai recorrer ao Supremo, mas não vai adiantar nada. E Eduardo Cunha, valendo-se do seu tempo no Legislativo, disse que o próximo vai ser Sergio Moro. É vingança o que está havendo.

STF decide sobre vaquejada na próxima semana
O Supremo marcou para o dia 26 algo que é do interesse de muita gente: um julgamento que pode afetar a vaquejada e atividades semelhantes. Atenção, Nordeste, Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, o Brasil inteiro. A Constituição diz que desportos com animais que sejam manifestações culturais não são considerados crueldade, mas o Foro Nacional de Proteção Animal entrou no Supremo, que marcou o julgamento para decidir se vale ou não vale um artigo da Constituição.


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PIADA SÓ PODE SER FEITA COM GENTE PRIVILEGIADA SEGUNDO A NOVA LEI DE PIADAS

 

Ditadura do mau humor

Byvaleon

Mai 18, 2023


Um juiz, um promotor e um papagaio careca entram num bar

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo


Este é o Léo Lins. Numa tentativa de humor nonsense, na versão anterior deste texto eu tinha usado uma foto do Fábio Porchat. Não deu certo. 🙁| Foto: Reprodução/ Twitte
Este conteúdo foi atualizado


O humorista Léo Lins (“Se me chamar de comediante eu te mato!” Ou será que é o contrário?) me liga para dizer que, diante de todas as restrições impostas a ele pelo mal-humorado Ministério Público de São Paulo, que aparentemente o acusa de ser A Pessoa Mais Deplorável da Terra (e Adjacências), resolveu reconhecer o erro. “Paulo, daqui para frente eu só faço piada com gente privilegiada. Com branco e hétero. Gente que mora em prédio neoclássico, que tem cartão de crédito sem limite e Land Rover na garagem. Tá decidido. De agora em diante, só faço piada juiz e promotor. Será que eu posso?”, diz ele, questionavelmente sóbrio.

Mas para quem Léo Lins acha que está perguntando?! “Claro que pode! Mas tem que incluir papagaio também”, digo, encorajando-o. Adoro piada com papagaio. E com careca, claro. Léo Lins não hesita. “Então aqui vai. Um juiz, um promotor e um papagaio careca entram num bar…”. Não vou contar o resto da piada. É muito suja para este horário. Mas posso dizer que ela inclui palavrões como “democracia” e pornografias como “cassação de Deltan Dallagnol”. Ri quem pode – e não tem lá muito juízo.

Eu rio e o Léo Lins ri da minha risada (você já ouviu a minha risada?!). E eu rio mais ainda porque, ao contrário do Ministério Público de São Paulo, sou desses. O famoso bobo alegre. Ou, se você preferir, o idiota. Rio de tudo. De trocadilho ruim, de trocadilho péssimo, de trocadilho do Jones Rossi. De videocassetadas. Das piadas “clássicas” a que assistíamos no Viva o Gordo, no Chico Anysio, nos Trapalhões, na TV Pirata, no Casseta & Planeta. Aquelas envolvendo minorias de todos as origens, alturas, larguras e acessórios.

Tempos mais simples, aqueles. Fico pensando se éramos menos egoístas e autocentrados. Se nos dava prazer a piada que faziam à custa dos nossos “defeitos”. A mim me dava e ainda dá. Adoro passar ridículo. Porque aprendi que o humor nos apequena. E é bom que nos apequenemos, porque somos docemente ridículos aos olhos de Deus. Nós e nossos pecados. Nós e nossas ambiçõezinhas. Nós e nossas filosofias e ideologias. Nós e nosso orgulhosinho. Nós e nossos sonhos de conquistar o mundo. Só não ri de si mesmo aquele que se idolatra.

Hitley
Me perco nos pensamentos e no aforismo, modéstia à parte, nota 10. E estou quase caindo no abismo patético da nostalgia quando Léo Lins me resgata. “Alô, tá aí? Pô, Paulo. Eu tô aqui falando sozinho há meia hora e você não tava nem prestando atenção? E aí, pessoal da Polícia Federal. Pelo menos vocês gostaram?!”, pergunta ele (carioca fala engraçado, né?), na esperança meio louca de ouvir um “sim” dos arapongas que estão na escuta. “Conta uma piada de pum, Léo”, peço. Ele se recusa, mas eu, só de pensar, caio na gargalhada. Os arapongas, nada.

“Já sei!”, diz ele de repente. E quase estoura os tímpanos, os meus e os do pessoal da PF! “E se eu abandonar o humor e partir para o discurso político?”, pergunta. Sou meio lerdo. Não entendo de imediato. Ele explica. Ou melhor, desenha: “É, Paulo! Se eu falar que Pelotas é polo exportador de ▇▇▇▇▇ ? Se falar que deficiente mental tem parafuso a menos? Será que o MP-SP me deixa em paz?”, pergunta. Essa aí do parafuso eu ouvi há pouco tempo. Onde mesmo?

Ah, lembrei! Respondo que, mais do que isso, falando essas coisas e acrescentando uns machismos e uns elogios a Hitler (“O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”), é até capaz de ele, Léo Lins, virar presidente! “Ô, Paulo. Com todo respeito. Essa foi fraca, hein?”, diz ele. “Não gostou? Faz o L!”, digo, ofendendo-o à toa, como fazem os bons amigos. Rimos eu e ele. E, desta vez, até os arapongas riem.


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O QUE O CHATGPT PODE AJUDAR OU ATRAPALHAR NA EDUCAÇÃO

Entrevista

Por
Francisco Razzo – Gazeta do Povo


Página de login da plataforma de inteligência artificial ChatGPT, em apresentação em Pequim.| Foto: EFE/EPA/Wu Hao

Como professor e escritor, tenho experimentado um desafio pedagógico e pessoal: os dilemas gerados pela inteligência artificial na produção de textos e na formação das novas gerações de alunos. Não tenho muito gabarito intelectual para abordar o assunto. Por isso, convidei um amigo muito generoso para me ajudar. Na dúvida, para quê chamar o ChatGPT se a gente pode contar com amigos especialistas?

Luis Octavio Rogens é mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP, apaixonado por narrativas. Com vasta experiência, é professor no Colégio Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo. Lá, ele ministra aulas nas trilhas de Storytelling e Práticas Criativas e de Produção de Textos. Além de seu trabalho como professor, Luis Octavio é roteirista e pesquisador, sendo membro da Sociedade Ibero-Americana de Estudos do Humor. Especialista em projetos inovadores de storytelling, trabalha na implementação de programas culturalmente conscientes com foco em impacto social, educacional e econômico.

O que é e o que não é o ChatGPT?

O ChatGPT é uma ferramenta de geração de texto extremamente poderosa e representa um marco considerável no campo da inteligência artificial. É um hábil manipulador de palavras capaz de gerar respostas coesas e gramaticalmente corretas. Mas o ChatGPT é, em sua essência, uma máquina. Ele não detém a habilidade de produzir pensamentos criativos ou originais. Pelo contrário, as respostas que fornece são meramente reflexos de um vasto oceano de informações pré-existentes em seus bancos de dados. Ecoa, simplesmente, palavras e ideias que foram previamente alimentadas a ele, em vez de ser o produto de um processo autêntico de pensamento ou raciocínio.

“O ChatGPT é, em sua essência, uma máquina. Ele não detém a habilidade de produzir pensamentos criativos ou originais.”

Luis Octavio Rogens, mestre em Língua Portuguesa, professor, roteirista e pesquisador
E, apesar de suas respostas, à primeira vista, parecerem informadas e relevantes, é necessário reconhecer que o ChatGPT não possui uma compreensão aprofundada do mundo em que vivemos. Sua operação é um jogo de espelhos, que reflete e manipula os padrões linguísticos presentes nos dados que lhe foram fornecidos.

Além disso, ele não tem a capacidade de aprender a partir de novas experiências nem de formar uma visão contextual do mundo ao seu redor. Ainda assim, isso não diminui o seu valor como ferramenta. Mesmo não podendo substituir a complexidade do pensamento humano, com toda a sua criatividade, pensamento crítico e capacidade de contextualização, quando usado com uma compreensão clara de suas capacidades e limitações, o ChatGPT pode se tornar um parceiro valioso em diversos campos de atuação.

Com sua experiência no ensino da produção de texto, gostaria que você comentasse sobre os possíveis problemas que o ChatGPT pode criar para a educação.

Tenho dito que uma máquina na qual as palavras brotam com a facilidade de um clique e a produção de textos é quase tão automática quanto respirar é fascinante. É um espetáculo que deslumbra os alunos e, devo admitir, também a nós, professores.

No entanto, em meio ao encanto, emerge um desafio. O aluno, hipnotizado pelo brilho da máquina de fazer palavras, pode se acomodar na poltrona de espectador. Assim, ele se torna um observador passivo do texto, sem sujar as mãos na graxa das ideias e na construção das frases. A arte de escrever pode correr o risco de ser reduzida a um espetáculo de um só ator, a máquina ChatGPT. É aí que entra nosso papel como professores: precisamos ensinar nossos alunos a serem os protagonistas do processo de escrita, mesmo quando utilizam ferramentas como o ChatGPT.

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Outro obstáculo que tem surgido é quando o aluno se contenta com o roteiro convencional da máquina, com um texto bem-comportado que segue sempre o mesmo padrão. Como educadores, devemos incutir neles a percepção de que a beleza do texto reside na singularidade de cada autor, na capacidade de surpreender o leitor, algo que a máquina ainda não pode replicar.

Há também o risco de o aluno aceitar o texto entregue pela máquina sem questionar, modificar ou solicitar mudanças. A habilidade de revisar e editar – etapas essenciais, porém muitas vezes negligenciadas no processo de escrita – não pode ser posta de lado. É nosso dever orientá-los a exercitar essas habilidades, mesmo diante de um texto já polido pela máquina.

E, finalmente, a questão linguística. Ao confiarem na correção automática do ChatGPT, os alunos podem deixar de construir uma consciência gramatical sólida. Como professores, precisamos assegurar que eles compreendam a estrutura e a riqueza da nossa língua, para que possam usar a tecnologia sem se tornarem dependentes dela.

O ChatGPT não poderia criar uma dependência dos estudantes em relação à tecnologia, impedindo o desenvolvimento da capacidade deles em produzir bons textos?

Ferramentas como o ChatGPT podem, de fato, gerar dependência nos estudantes e colocar em risco o desenvolvimento de suas habilidades de escrita. No entanto, permita-me fazer uma analogia com tempos passados. Quando as pesquisas escolares eram realizadas nos volumes da Enciclopédia Barsa, o ato de copiar informações dessas fontes frequentemente não contribuía significativamente para o desenvolvimento da capacidade dos alunos de produzir bons textos. O processo resumia-se à transcrição, com pouco espaço para análise crítica ou interpretação. Afinal, o objetivo era obter informações corretas, não necessariamente refletir sobre elas ou expressá-las de maneira original.

“A ausência de um hábito de leitura consistente por parte do estudante pode ser significativamente mais prejudicial do que qualquer possível influência do ChatGPT.”

Luis Octavio Rogens
Hoje, ferramentas como o ChatGPT nos oferecem um cenário diferente. Em vez de copiar informações de uma enciclopédia, os alunos interagem com uma inteligência artificial. Como educadores, temos uma oportunidade valiosa. Podemos orientar os alunos a usar essa ferramenta de maneira que incentive o pensamento crítico e a expressão criativa.

Por exemplo, em sala de aula, desenvolvi um projeto chamado “ChatGPT, eu escrevo para você”. Os alunos participavam de uma troca de cartas com a IA, discutindo temas relevantes como ética na tecnologia, plágio e privacidade de dados, sempre questionando-a. Nessa prática, o ChatGPT se tornou mais uma ferramenta de aprendizado do que um recurso de dependência. Ele se tornou uma extensão do processo educacional, não um substituto. Assim como as enciclopédias não substituíram os professores, a IA também não o fará.

A escola é o lugar onde o aprendizado deve acontecer, sendo o ambiente ideal para os alunos experimentarem novas tecnologias, sempre sob a orientação dos professores.

Devemos acolher os benefícios da IA e evitar uma postura alarmista. O potencial tecnológico deve ser usado para enriquecer o processo educacional. Por meio do uso consciente, podemos proporcionar uma experiência de aprendizado mais envolvente e personalizada, mantendo a criatividade, o raciocínio analítico e a comunicação interpessoal no centro da educação. Dessa forma, em vez de meramente transcrever informações das enciclopédias, a IA pode ser usada para estimular o pensamento crítico e a expressão criativa dos alunos.

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Com o modelo de respostas rápidas e padronizadas, o ChatGPT não limitaria a criatividade e a capacidade de reflexão e pesquisa dos alunos?

O aprendizado da escrita é uma tarefa complexa, que requer tempo, prática constante e o aprimoramento de várias habilidades cognitivas. Nesse sentido, a ausência de um hábito de leitura consistente por parte do estudante pode ser significativamente mais prejudicial do que qualquer possível influência do ChatGPT. Isso ocorre porque a prática de escrita é essencialmente dependente de um repertório vasto e de conhecimentos acumulados na memória do escritor, os quais precisam ser prontamente acessíveis e recuperáveis.

É fundamental destacar que o ensino da escrita é uma empreitada que vai além do que o ChatGPT é capaz de oferecer. Ao reconhecermos que a aprendizagem da escrita apresenta desafios substanciais para os alunos, ressaltamos a responsabilidade da escola em introduzir esses desafios em suas atividades e materiais didáticos. Esses desafios vão além da cognição, envolvendo também a memória e o pensamento crítico.

Além disso, a escrita está intrinsecamente relacionada à resolução de problemas, demandando habilidades de raciocínio e tomada de decisões. Nesse sentido, uma interação bem orientada com o ChatGPT, dentro do contexto escolar e sob a orientação dos professores, pode de fato auxiliar no desenvolvimento da capacidade reflexiva e do potencial criativo dos alunos. Portanto, o ChatGPT não é uma ameaça, mas sim uma ferramenta que, quando usada adequadamente, pode complementar e enriquecer o processo de aprendizagem da escrita.

Que tipo de potencial pedagógico você vê numa ferramenta como esta para o aprendizado? Como criar boas aulas adotando e não demonizando esta ferramenta?

Como profissional da área da escrita, tenho a esperança de que a tecnologia, e especificamente ferramentas como o ChatGPT, possa auxiliar alunos com necessidades especiais, como aqueles no espectro do autismo. O autismo abrange uma ampla gama de condições caracterizadas por desafios nas habilidades sociais, na fala e na comunicação não verbal. Cada aluno autista tem suas próprias forças e desafios, e vejo nessas tecnologias uma forma de ajudá-los a encontrar maneiras de expressar seu pensamento único por meio da escrita.

“O ChatGPT não é uma solução mágica. Ele não substitui a conexão humana, o feedback fornecido em sala de aula, a empatia e o cuidado que um professor pode oferecer.”

Luis Octavio Rogens
Visualizo um futuro em que um aluno meu, que está no espectro do autismo, possa usar o ChatGPT para desenvolver autonomia em sua comunicação. Com a ajuda desta ferramenta, vejo-os formulando perguntas, explorando ideias e produzindo textos complexos a partir de comandos simples. Imagino-os se expressando de maneiras que talvez não pudessem antes, encontrando sua própria voz através da mediação da tecnologia. Essa é uma visão que me impulsiona, a ideia de que a tecnologia possa agir como uma ponte, conectando a mente criativa e inquisitiva dos meus alunos à arte da escrita.

Na minha prática pedagógica, já tenho utilizado o ChatGPT para oferecer um ensino mais individualizado aos meus alunos. Tenho a oportunidade de adaptar as atividades de aprendizado às necessidades individuais de cada aluno, incluindo aqueles com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia (um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de leitura e escrita) e ansiedade de aprendizado (um sentimento de preocupação, nervosismo ou desconforto relacionado ao trabalho escolar ou às avaliações).

Com essa tecnologia, consigo fornecer estímulos constantes e atividades adaptadas a essas necessidades, permitindo que eles aprendam em seu próprio ritmo, de acordo com suas próprias habilidades. Isso não apenas melhora sua compreensão do conteúdo, mas também aumenta seu engajamento e motivação no processo de aprendizado.

No entanto, é importante destacar que o ChatGPT não é uma solução mágica. Ele não substitui a conexão humana, o feedback fornecido em sala de aula, a empatia e o cuidado que um professor pode oferecer. Portanto, ao adotar o uso do ChatGPT em aulas, é fundamental equilibrar sua utilização com interações pessoais significativas. A ferramenta deve ser usada como um complemento para enriquecer e diversificar o processo de aprendizagem, estimulando a criatividade, a reflexão e a pesquisa dos alunos.


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