quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

ENTRADA DO BRASIL NA OCDE NÃO É PRIORIDADE DE LULA

 

OCDE
Entenda o que está em jogo

Por
Guilherme Grandi – Gazeta do Povo


Adesão do Brasil à OCDE tende a ficar em segundo plano no governo Lula| Foto: André Borges/EFE

A entrada do Brasil como membro pleno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não é prioridade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a julgar por declarações de integrantes do governo.

A adesão ao “clube dos países ricos” sempre apareceu entre os principais objetivos do governo de Jair Bolsonaro (PL) e, após anos de tratativas, o Brasil foi convidado a iniciar as negociações formais em janeiro de 2022. A estimativa era de que, a partir dali, o processo de adesão poderia durar de três a cinco anos.

A posição do novo governo sobre o ingresso na organização tem sido cobrada pelo mercado desde o período de transição, no fim de 2022. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se encontrou com representantes da organização durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Saiu da reunião falando em “eventual participação” e afirmando que Lula ainda tomará uma decisão sobre o assunto.

Haddad disse que já há um grupo de trabalho formado para estudar a participação do país tanto na OCDE quanto na presidência rotativa do Mercosul ainda neste ano; do G20 (grupo das 20 maiores economias) a partir de dezembro; e dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no ano que vem.

“Esse grupo de trabalho vai apresentar os termos de uma eventual participação [na OCDE] para que o Ministério da Fazenda possa subsidiar o presidente na definição da decisão que ele tomar. Podem surgir pleitos da nossa parte, não existe nenhum impedimento para que o Brasil pleiteie uma adesão em conformidade com os seus interesses. Não há uma rigidez que é tudo ou nada, há espaço para a discussão”, disse o ministro.

Haddad afirmou que o Brasil já participa de algumas das discussões desde quando ele era ministro da Educação, nos dois primeiros governos de Lula, e que a aproximação com a OCDE vem acontecendo naturalmente.

No fim do ano passado, durante a transição de governo, o então indicado a ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a adesão do Brasil à organização já estava bastante adiantada e que havia “pontos positivos e importantes” a serem avaliados.

Embora tenha ficado conhecida como um “clube dos ricos”, já que durante muito tempo os únicos “sócios” eram economias desenvolvidas, a OCDE é mais precisamente um fórum que discute e promove as melhores práticas em políticas públicas. Os países-membros – hoje são 38, incluindo alguns em desenvolvimento, como México, Chile e Colômbia – se comprometem a adotar tais práticas e têm ambientes de negócios vistos como mais amigáveis ao empreendedorismo e aos negócios internacionais.

O Chile foi a primeira nação sul-americana a ingressar no grupo, em 2009, na mesma época em que o então ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, começou a ensaiar uma aproximação com a organização. “Uma decisão que demonstra confiança e estabilidade”, disse a então presidente chilena, Michelle Bachelet, quando seu país foi aceito no “clube”.

“Antes de qualquer convite para ingressar na organização como membros, serão necessárias mudanças na legislação, na política e nas práticas adotadas dos países candidatos para alinhá-los com os padrões e melhores práticas da OCDE”, afirmou a instituição ao fazer o convite formal ao Brasil no início do ano passado.

OCDE recomenda ao Brasil reformas e mais eficiência no gasto público
Na economia, as recomendações da organização geralmente envolvem alinhamento aos ideais de livre mercado, limitação da atuação direta do Estado na atividade econômica e busca por mais eficiência nos gastos públicos.

No fim de 2020, por exemplo, a OCDE recomendou que o Brasil revisasse “as estruturas de remuneração dos funcionários públicos, os subsídios ineficazes, regimes fiscais especiais e os gastos tributários [renúncias fiscais]”. Ao mesmo tempo, o relatório recomendava aumentar os benefícios e acelerar as concessões do programa Bolsa Família. “O desafio reside em gastar melhor em vez de gastar mais”, afirmou o então secretário-geral da organização, Angel Gurría.

Em novembro passado, a OCDE reiterou essas recomendações, afirmando que o Brasil precisará fazer reformas para reduzir a rigidez do orçamento, restaurar a credibilidade das contas públicas e melhorar a eficiência dos gastos do governo, de forma a abrir espaço para mais investimentos em infraestrutura.

No entanto, além de ter restrições ao livre mercado e defender uma ampliação do papel do Estado na economia, o novo governo quer alterar a Lei das Estatais para, assim, retomar a indicação de políticos e aliados para essas empresas, o que pode dificultar a adesão à organização.

A Lei das Estatais foi alvo de elogios pela OCDE justamente por inibir interferências político-partidárias. “A proibição para indicação de políticos e outros indivíduos em conflito de interesses provou ser bem-sucedida na redução de algumas formas de apadrinhamento político usando cargos de conselheiros e executivos”, afirmou documento publicado em 2020.

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No passado, líderes do PT criticaram o que seria uma “rigidez” nos termos de adesão do Brasil à OCDE. Em meados de 2019, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), indicado por Lula à presidência da Petrobras, afirmou que “as vantagens não superam as desvantagens”. A fala ocorreu ao requerer audiência pública após Bolsonaro ter obtido apoio do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à candidatura do Brasil para ingresso na organização.

Dias antes, a então secretária de relações internacionais do PT, Monica Valente, afirmou, em crítica às políticas liberais de Bolsonaro, que a “adesão plena implicaria na obrigação de mudanças constitucionais liberalizantes que impactariam negativamente a economia brasileira”.

Segundo ela, haveria “retirada de proteções e perda de vantagens que lhes são garantidas por sua condição de país em desenvolvimento, além do abandono da autonomia para definir suas políticas e incentivar a desindustrialização”. Monica participou do grupo de trabalho de relações internacionais durante a transição do novo governo Lula.

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País adotou boas práticas nos últimos anos, mas adesão plena à OCDE teria mais vantagens
O Brasil é hoje o país não membro da OCDE mais próximo da organização, “adotando um número recorde de suas diretrizes e recomendações”, afirma Leonardo Paes Neves, analista do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), em estudo sobre as vantagens e desvantagens da adesão ao grupo publicado em 2021 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo acreditam que, mesmo que o Brasil desista ou desacelere seu processo de adesão à entidade, ainda é possível progredir – desde que haja interesse do governo – com a agenda de desburocratização e a implantação de boas práticas que ganhou velocidade no governo Bolsonaro.

O cientista político Christopher Mendonça, doutor em ciência política pela UFMG e mestre em relações internacionais pela PUC Minas, diz que o Brasil já tem o status de “membro observador” da entidade, o que permitiu ao país acesso a estudos e fóruns de boas práticas adotados por outros países que inspiraram mudanças implantadas por aqui nos últimos anos, como a desburocratização de serviços públicos, a digitalização de procedimentos e a implantação de novos marcos regulatórios.

No entanto, ter o “selo” de membro pleno da organização seria ainda mais vantajoso. “Obviamente que sairíamos muito melhor se participássemos efetivamente da OCDE, abrindo mais a economia com uma menor interferência do Estado, que é o que caracteriza as economias liberais. Isso nos ajudaria a ampliar o PIB e a participação no comércio internacional”, diz Mendonça.

Segundo Paes Neves, as instituições financeiras internacionais veem com bons olhos o compromisso que os países-membros têm ao adotar as boas práticas preconizadas pela OCDE. Esse movimento, analisa, pode ser relevante para a consolidação de um ambiente mais favorável aos negócios.

“A modernização de instrumentos e políticas que aumentem a transparência e lidem com a corrupção está entre as prioridades da OCDE, pois seus efeitos deletérios tendem a impactar negativamente todas as outras medidas de melhora das políticas públicas nacionais”, aponta Paes Neves em seu estudo.

Em meados de dezembro do ano passado, o Ministério da Economia divulgou um estudo que mostra os avanços feitos desde 2019 para adotar procedimentos utilizados nas nações mais importantes da organização para o aumento da competitividade e da produtividade no setor produtivo, com foco nas políticas liberais de desburocratização.

“Ao aproximar e harmonizar nossa legislação às melhores práticas internacionais no campo do comércio exterior, o país avança ainda mais em direção à acessão à OCDE”, diz um dos trechos do estudo. A avaliação é de que a adoção de novas políticas mais liberalizantes ajudou a reduzir o chamado “custo Brasil”, que retirava de circulação cerca de R$ 1,5 trilhão ao ano em processos e taxas, o equivalente a 22% do PIB nacional em 2019.

Para Paes Neves, a adesão do Brasil ao grupo pode trazer uma nova configuração à própria organização. A presença do país entre seus membros plenos “poderia deixá-lo mais bem posicionado, de modo a influenciar as futuras recomendações da organização, oferecendo ao país mais espaço para defender temas do seu interesse”.

“Ademais, o aumento de países em desenvolvimento na OCDE poderia ter o impacto colateral positivo de inserir, cada vez mais, a perspectiva dos países em desenvolvimento nos seus debates internos, de maneira que seus padrões e diretrizes tendam a levar em conta as especificidades desses países”, completa.

O analista observa, em seu estudo, que a adesão de países latino-americanos à organização ficou mais flexível com o tempo. O México, que entrou para o grupo em 1994, foi obrigado a deixar o G77, uma coalizão de nações em desenvolvimento. O mesmo não foi exigido dos países que entraram mais tarde – Chile (2009), Colômbia (2020) e Costa Rica (2021). Paes Neves acredita que o Brasil também teria essa flexibilidade, principalmente por sua relevância no comércio internacional.

Uma adesão plena – mas flexível – à OCDE teria o diferencial de permitir ao Brasil fazer acordos bilaterais com nações que ainda estão em desenvolvimento, um compromisso de campanha do presidente Lula.

“O que a gente imagina daqui para a frente é uma repetição do que houve nos mandatos anteriores de Lula, com uma visão muito mais horizontalizada, que prioriza os países da região. A Argentina é o nosso principal parceiro comercial, e a expectativa é de um fortalecimento do Mercosul e dos Brics”, diz o cientista político Christopher Mendonça.

Essa agenda ficou muito clara na visita de Lula à Argentina, quando Lula e o presidente argentino, Alberto Fernández, anunciaram discussões para a criação de uma moeda comum. O brasileiro também prometeu financiamento do BNDES ao país vizinho.

Benefícios não são automáticos e país deve refletir sobre quanto vai ceder, diz analista
Paes Neves diz em seu estudo que há “benefícios evidentes” na adesão à OCDE, mas pondera que eles não são “automáticos”. Ele defende “um amplo e moderado debate a respeito de quais condicionalidades estaremos dispostos a ceder em nome da filiação”. O analista diz que o país precisa ponderar se aceita se comprometer com todos os padrões da entidade, “mesmo que eles venham a interferir na nossa capacidade de investir no nosso desenvolvimento”.

No campo dos negócios internacionais, há quem entenda que a adesão à OCDE é menos importante que uma participação mais efetiva em outros fóruns. “É muito mais importante o Brasil ter uma voz ativa no G20, por exemplo, na própria Organização Mundial do Comércio (OMC), ter parcerias extra-Mercosul, com países da União Europeia, enfim. Não mudaria muito aderir ou não à OCDE”, avalia Roberto Georg Uebel, doutor em estudos estratégicos internacionais pela UFRGS e professor de relações internacionais da escola de negócios da ESPM.

Cenário de ajuste fiscal pode prejudicar adesão
O cenário atual de desaceleração econômica e ajuste fiscal pode afetar a continuidade do processo de adesão do Brasil. Leandro Pereira Morais, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e professor de Economia da Unesp de Araraquara (SP), vê a filiação como um bom caminho que pode ter alguma dificuldade no curto prazo.

Para Morais, ainda há muito o que se arrumar internamente para se alinhar às nações mais desenvolvidas, principalmente na questão tributária. Além de encarecer produção e consumo, o emaranhado de impostos, taxas, contribuições e regras torna o ambiente de negócios instável e imprevisível, principalmente para empresas estrangeiras que queiram se instalar no país.

“No momento em que estamos discutindo reforma tributária, necessidade de se fazer ajuste fiscal, de se incrementar os cofres públicos, essa adesão não seria muito positiva”, diz Morais, observando que ainda há muitas dúvidas sobre como será o ajuste fiscal, a reforma tributária e outros.

Moraes cita como exemplo a desoneração gradual do IOF do câmbio, estabelecida por decreto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e cuja manutenção é incerta em meio à intenção do governo Lula de elevar a arrecadação. A eliminação do imposto até 2029 foi um compromisso do país com a OCDE.

Instabilidade política nos países da América Latina acendeu sinal de alerta na OCDE
Desde que a OCDE decidiu abrir o “clube” para a América Latina, em meados da década de 1990, as constantes trocas de governo entre direita e esquerda e as instabilidades geradas por elas acenderam o sinal de alerta na OCDE, diz Uebel, da ESPM.

“Há uma certa ressalva com a adesão de novos membros porque, quando se troca um governo, troca toda a estrutura política do país, a forma de governar e a participação na economia. A OCDE está atenta a essas mudanças que vêm acontecendo no México, no Chile, no Brasil e na Turquia, que também passou por isso”, diz.

Outro candidato latino sob a atenção da OCDE é o Peru, que teve sete presidentes em pouco mais de seis anos. A atual mandatária, Dina Boluarte, vem sendo pressionada a renunciar ao cargo, com protestos diários desde o fim de 2022.

No entanto, Uebel afirma que o Brasil difere dos vizinhos latino-americanos. Para ele, o governo Lula está mais para o centro, com uma frente ampla, do que exatamente para a esquerda. Apesar de Lula ter suspendido privatizações, há a expectativa de se continuar concedendo portos, aeroportos e rodovias à iniciativa privada. Para o professor, a relação mais diplomática do presidente com os outros países também coloca o Brasil em uma posição mais favorável que os vizinhos.


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AUTORITARISMO DO STF INCOMODA O MUNDO

 


Reação de redes e mídia estrangeira a Moraes agrava percepção de país sob censura
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília


“Ele é realmente bom para a democracia?”, questiona o New York Times sobre Alexandre de Moraes, do STF.| Foto: Reprodução/The New York Times

As preocupações sobre as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de censurar personalidades e canais brasileiros têm reverberado com intensidade inédita na opinião pública internacional. Nos últimos dias, a repercussão em jornais estrangeiros e a reação negativa de redes sociais às ordens do magistrado mostram que a percepção de que o Brasil vive sob censura tem cada vez mais respaldo fora do país.

No domingo (22), o jornal norte-americano The New York Times publicou uma matéria afirmando que Moraes, usando “interpretação ampla” dos poderes do STF, “pressionou para investigar e processar, bem como silenciar nas redes sociais, qualquer pessoa que considere uma ameaça às instituições brasileiras”.

“Para muitos da esquerda brasileira”, diz o jornal, “isso fez dele o homem que salvou a jovem democracia”. “No entanto, para muitos outros no Brasil, ele a está ameaçando”, acrescenta o jornal, afirmando que sua “abordagem agressiva” e “crescente autoridade” o colocaram “no centro de um complicado debate no Brasil sobre até que ponto se pode ir para lutar contra a extrema-direita”.

Esta é a segunda vez em poucos meses que o jornal levanta dúvidas sobre a legalidade da atuação de Moraes. Em outubro de 2022, dias antes do segundo turno das eleições, o New York Times já havia publicado uma matéria com o título: “Um homem pode agora decidir o que pode ser dito on-line no Brasil”.

Também no último domingo, a colunista Mary Anastasia O’Grady, do Wall Street Journal, publicou um texto afirmando que o STF “é uma ameaça ainda maior à democracia do que foram os distúrbios de 8 de janeiro”. No texto, ela define o ministro Alexandre de Moraes como alguém que “tem uma tendência decididamente autoritária” e “tornou-se o rosto de uma repressão à liberdade de expressão não vista desde que o país voltou à democracia sob a Constituição de 1988”.

No mesmo dia, o jornal espanhol El País também publicou uma reportagem abordando os riscos dos superpoderes de Moraes. “As mesmas análises e editoriais que aplaudem sua atitude valente e decidida apontam o risco de que suas decisões abram um precedente perigoso”, afirmou o veículo.

Um dia antes, no sábado (21), o jornal norte-americano Washington Post publicou matéria mostrando a preocupação da direita brasileira com a atuação do STF nos casos de censura no país. O texto fala em “uma pressão polarizadora de Alexandre de Moraes – um juiz do Supremo Tribunal Federal, presidente do principal tribunal eleitoral do país e, segundo alguns, o homem mais poderoso do Brasil” que tem levado a níveis novos “a luta contra as notícias falsas”.

“Nos últimos meses, o inimigo de Bolsonaro prendeu cinco supostos infratores sem julgamento e ordenou que as plataformas de mídia social bloqueassem dezenas de contas de políticos, comentaristas e influenciadores por supostamente propagar mentiras, ódio, incitação e outros atos ‘antidemocráticos’. A maioria dos alvos são da direita política”, acrescenta o Washington Post.

Nesta quarta-feira (25), a agência de notícias norte-americana Associated Press publicou um artigo afirmando que Moraes “testa os limites da liberdade de expressão no Brasil”. Sobre o inquérito das fake news, a agência diz que sua instauração “gerou polêmica de imediato e foi inédita por não ter sido resultado de uma solicitação de legisladores ou de uma instituição governamental”. Destaca ainda que o Supremo serviu “como acusador, vítima e árbitro ao mesmo tempo”.

Redes sociais sinalizam reação a decisões de Moraes
Ao mesmo tempo em que veículos jornalísticos estrangeiros têm levantado dúvidas sobre a legalidade das decisões de Moraes, duas redes sociais que receberam ordens de censura vindas do gabinete do ministro sinalizaram que não acatarão algumas decisões suas.

Segundo matéria desta quarta (25) do jornal O Globo, o Telegram enviou um ofício a Moraes criticando sua decisão de bloquear o canal do deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG). Os advogados do aplicativo dizem que as ordens do STF sobre remoção de conteúdo têm sido feitas com “fundamentação genérica” e de forma “desproporcional”. Além disso, afirmam que o bloqueio integral de perfis pode representar censura e impedir “um espaço de livre comunicação para discursos legítimos”.

Ainda nesta quarta, Moraes multou o Telegram em R$ 1,2 milhão por não ter bloqueado o canal do deputado. O ministro ignorou os argumentos da empresa e disse que “não há qualquer justificativa para o parcial descumprimento da decisão judicial proferida”.

Outra plataforma que ainda não acatou uma decisão de Moraes é o Rumble. O canal de Monark, ex-apresentador do Flow Podcast, continua no ar mesmo após a ordem de suspensão determinada pelo ministro. Monark tem 258 mil seguidores na rede social. O CEO do Rumble, Chris Pavlovski, chegou a compartilhar uma publicação do jornalista Glenn Greenwald nas redes sociais sobre a escalada de autoritarismo de Moraes.

Greenwald é um dos principais críticos estrangeiros das arbitrariedades do STF no Brasil. Recentemente, ele também recebeu atenção do dono do Twitter, o bilionário Elon Musk, após levantar preocupações sobre a censura a perfis de direita no Brasil. Musk classificou o fato como “extremamente preocupante”.

Determinação judicial
Moraes multa Telegram em R$ 1,2 milhão por não bloquear conta de Nikolas Ferreira
Por
Gazeta do Povo


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.| Foto: Carlos Moura/STF.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes multou nesta quarta-feira (25) o Telegram em R$ 1,2 milhão por descumprir a ordem para bloquear a conta do deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG). Na decisão, o magistrado afirmou que “não há qualquer justificativa” por parte da plataforma “para o parcial descumprimento da decisão judicial proferida”.

O ministro havia determinado o bloqueio de várias contas no Telegram, mas a de Ferreira não foi bloqueada. Em um ofício encaminhado à Corte, os advogados que defendem a plataforma teriam criticado as ordens do STF sobre remoção de conteúdo.

“A rede social Telegram, ao não cumprir a determinação judicial, questiona, de forma direta, a autoridade da decisão judicial tomada no âmbito de inquérito penal, entendendo-se no direito de avaliar sua legalidade e a obrigatoriedade de cumprimento”, escreveu Moraes.

“Como qualquer entidade privada que exerça sua atividade econômica no território nacional, a rede social Telegram deve respeitar e cumprir, de forma efetiva, comandos diretos emitidos pelo Poder Judiciário relativos a fatos ocorridos ou com seus efeitos perenes dentro do território nacional; cabendo-lhe, se entender necessário, demonstrar seu inconformismo mediante os recursos permitidos pela legislação brasileira”, acrescentou.

Moraes determinou o bloqueio do deputado eleito em uma investigação sobre atos antidemocráticos. O ministro afirmou que a decisão “não configura qualquer censura prévia, vedada constitucionalmente mesmo porque não há qualquer proibição dos investigados em manifestarem-se em redes sociais ou fora delas, como vários continuam fazendo, não raras vezes repetindo as mesmas condutas criminosas”.

O magistrado disse ainda que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como “escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”. Moraes deu prazo de cinco dias, contado a partir da intimação, para o Telegram pagar a multa.


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ELEIÇÃO PARA A PRESIDÊNCIA DO SENADO

 

Promete votações de impeachment de ministros do STF

Por
Cristina Graeml – Gazeta do Povo

Comissão de Assuntos Sociais (CAS) realiza reuniãocom 10 itens. Entre eles, o PLS 214/2016, que concede aposentadoria especial a guardas municipais e de trânsito. Em pronunciamento, à bancada, senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


Presidente do Senado é um cargo que, no Brasil, alguns consideram até mais importante que o de presidente da República. Quem preside o Senado preside também o Congresso Nacional (formado por Senado e Câmara dos Deputados).

Presidentes da Câmara e do Senado estão na linha sucessória da presidência da República e são responsáveis por escolher que projetos de lei vão ou não seguir em tramitação e se entram ou não para votação em plenário.

Eles também decidem se abrem ou não CPIs, mesmo quando o autor do pedido de investigação consegue o número mínimo de assinaturas exigidas por lei. Há outro aspecto, porém, que faz a vaga de presidente do Senado, especificamente, ganhar ares de joia da coroa. O Senado é o órgão revisor do Poder Judiciário.

Como ministros de cortes superiores não são eleitos, mas indicados pelo presidente da República (e aprovados ou não pelos senadores, após sabatina), é o Senado que tem a prerrogativa constitucional de afastar ministros que cometam ilegalidades.

E só o presidente do Senado pode colocar em votação pedidos de impeachment de ministros do STF ou de qualquer outra corte superior, que extrapolem suas funções, cometam ativismo político ou ajam à revelia da Constituição, como tem ocorrido nos últimos anos.

O atual presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adotou a prática de engavetar todo e qualquer pedido de impechment de ministros do STF, assim como fazia seu antecessor, Davi Alcolumbre (DEM-PA). Há mais de 60 pedidos simplesmente ignorados. Um deles, inclusive, foi acompanhado das assinaturas de três milhões de brasileiros.

Eleição para presidente do Senado

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), assim como o senador Rogério Marinho (PL-RN), eleito em outubro, concorre ao cargo de presidente do Senado em oposição à reeleição de Rodrigo Pacheco, apoiada por Lula e pela ala esquerdista do Senado.

Marinho tem os votos dos apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. Girão corre atrás dos não bolsonaristas e anti-Lula. Na tarde desta quarta (25), a uma semana do início da nova legislatura e das eleições para presidente do Senado, conversei com o senador Eduardo Girão.

A ideia é trazer a você, assinante, as propostas que ele defende e a explicação para sua candidatura, que vem sendo criticada por muitos. Aos que acham que ela enfraquece a oposição a Pacheco, Girão explica que é justamente o oposto. Tirando votos de Pacheco a oposição sai mais forte, mesmo que a eleição vá para segundo turno.

Propostas e voto aberto

Na entresvista, Eduardo Girão comenta como estão os bastidores de sua campanha e, especialmente, sobre suas prioridades caso seja eleito presidente do Senado na próxima quarta-feira, dia 1 de fevereiro.

“Vamos deixar o Senado prostrado como está, assistindo de camarote aos devaneios do governo Lula, aos abusos de alguns ministros do Supremo, a retrocessos nas reformas importantes como a previdenciária e a trabalhista, o dinheiro indo para outros países por puro alinhamento ideológico? Ou vamos querer um Senado altivo e independente?”

Eduardo Girão, candidato a presidente do Senado.
Girão destaca, ainda, a campanha que vem fazendo pelo voto aberto e conclama os eleitores a cobrar posição dos senadores de seu estado. Para assistir à entrevista completa com o senador Eduardo Girão, clique no play da imagem que ilustra esta página. Depois deixe sua reação ao conteúdo e, se desejar, um comentário para contribuir com o debate.

Lembro que, em dezembro, entrevistei para a coluna o senador eleito Rogério Marinho, também candidato a presidente do Senado em oposição à reeleição de Rodrigo Pacheco. Você pode assistir à entrevista aqui.


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POSIÇÃO REAL DO GOVERNO LULA SOBRE O ABORTO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Imagem ilustrativa.| Foto: EFE/Patricia Domínguez

Dando continuidade ao plano do governo Lula para ampliar o aborto no Brasil, os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); das Mulheres; da Saúde e das Relações Exteriores anunciaram na semana passada a retirada do Brasil do chamado Consenso de Genebra, um acordo internacional em defesa da vida, da saúde das mulheres e do fortalecimento da família, assinado em 2020. Com a medida, o país volta a se alinhar às diretrizes internacionais que tentam promover o aborto como uma mera prática de planejamento familiar, sem implicações morais, ou, para usar um termo bastante usado pelo novo governo – incluindo o próprio Lula – uma simples “questão de saúde pública”.

Como já mostramos, longe de ser uma medida isolada, trata-se de mais um passo de um movimento articulado com vistas a afrouxar – sem a participação do Congresso Nacional e da população brasileira – as regras que regem a prática do aborto no país, que é crime, mas não é penalizado em situações específicas. Percebendo isso, diversas entidades, incluindo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se posicionaram contra a retirada do país do acordo.

É uma pena que muitos só agora – como os bispos da CNBB – comecem a se dar conta de que o “Lula pró-vida” não passou de um engodo.

Em breve nota divulgada um dia após o anúncio da medida, a CNBB diz que “não concorda e manifesta sua reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto”. Após citar a desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e a revogação da portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais como exemplos de ações que levam à flexibilização do aborto, a Conferência pede “esclarecimentos” ao governo federal e lembra que “a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha”.

De fato, ao menos durante a campanha eleitoral, Lula tentou emplacar uma imagem “pró-vida”, mas isso só aconteceu após a percepção de que, para vencer, o então candidato iria precisar do apoio não só de seus militantes, mas também dos eleitores mais conservadores, que não compactuam com a liberalização do aborto.

Ao longo de toda sua trajetória política, como mostrou a Gazeta do Povo, Lula sempre apoiou a ideia de que o aborto seria uma “questão de saúde pública”.  Enquanto ainda era pré-candidato, por exemplo, em abril de 2022, ele defendeu um suposto “direito” ao aborto. “Aqui no Brasil não faz porque é proibido, quando na verdade deveria ser transformado numa questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não ter vergonha”, disse ele.

O discurso mudou com o início da campanha eleitoral, quando Lula tentou enfatizar que sua posição “pessoal” – e, portanto, não como político – era contrária ao aborto, tudo para tentar conquistar a simpatia de mais eleitores. Em setembro do ano passado, em vídeo destinado a eleitores evangélicos, Lula adotou uma fala bem diferente do seu posicionamento histórico:  “Não só eu sou contra o aborto como as mulheres com quem eu casei são contra o aborto. Eu acho que quase todo mundo é contra o aborto. Não só porque nós somos defensores da vida, mas porque deve ser uma coisa muito desagradável e dolorida alguém fazer um aborto”, disse ele na gravação.

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Poucos dias após esse vídeo, Lula divulgou a famosa “Carta aos Evangélicos”, onde, entre outros temas, trata do aborto. No documento, encarado por muito como uma espécie de carta-compromisso com os eleitores evangélicos, é dito que “nosso projeto de governo tem compromisso com a vida plena em todas as suas fases. Para mim a vida é sagrada, obra das mãos do Criador e meu compromisso sempre foi e será com sua proteção. Sou pessoalmente contra o aborto e lembro a todos e todas que este não é um tema a ser decidido pelo presidente da República e sim pelo Congresso Nacional”, dando a entender – mas não se comprometendo de maneira categórica – que não atuaria para alterar a legislação em relação ao aborto, deixando o tema para o Congresso.

Agora, já nos primeiros dias de governo, Lula esclarece de uma vez por todas qual é sua real posição sobre o aborto e qual o valor que dá aos compromissos com eleitores. Nunca foi sua intenção proteger a vida desde a concepção, e muito menos deixar que esse tema seja tratado apenas pelo Congresso. No que estiver ao seu alcance, o governo de Lula vai, sim, buscar ampliar o aborto, sem se importar com o que pensa a sociedade. É uma pena que muitos só agora – como os bispos da CNBB – comecem a se dar conta de que o “Lula pró-vida” não passou de um engodo.

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JÁ TEVE CPI PARA INVESTIGAR OS YANOMANI EM 2007 PELO MESMO MOTIVO

 

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Brasília – Indígenas de todo o Brasil chegam à Brasília para o Acampamento Terra Livre.


Lula e deputados do PT buscam atribuir a Bolsonaro e Damares Alves a responsabilidade pela crise sanitária na etnia Yanomami em Roraima.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar se houve um genocídio na área Yanomami. Já abriram Comissão Parlamentar de Inquérito em 2007 pelo mesmo motivo. Era já o segundo mandato Lula e tudo continua igual. Eu tenho os números. Faz 40 anos que o problema existe. Em primeiro lugar, acusa-se o garimpo desde sempre – e é proibido haver garimpo em área indígena.

Mas os garimpeiros fazem acordo com os detentores da área indígena e dão uma parte para eles. Às vezes é troca de comida, troca de qualquer coisa. Tem até populações indígenas que exploram diamante, exploram ouro e a gente sabe disso, todo mundo sabe.

Problema antigo
Em 2010, foram 92 crianças mortas por desnutrição durante o governo Dilma. Agora foram 99. Segundo a Veja publicou, entre oitenta e noventa, 1600 yanomamis morreram de malária, que eu acho também uma coisa esquisita, porque a gente não sabe o que existe antes, se é o mosquito da malária ou o Yanomami, eles vivem juntos. Em 2003, 900 crianças estavam com desnutrição. Entre 2008 e 2014, 490 morreram de subnutrição. O último escândalo 99 crianças. Dizem que são 20 mil índios num território do tamanho de Pernambuco e 20 mil garimpeiros convivendo lá. Aí fica a grande pergunta: o governo anterior entregou 30 mil toneladas de alimentos e um milhão e trezentas mil cestas básicas pra todas as comunidades indígenas.

Aí eu fico pensando, mas não é o que dizem os ambientalistas, que o índio vive da floresta e vive na floresta e lá protege a floresta e se alimenta. Isolar, manter isolado ou integrar? Eles são brasileiros ou pertencem a uma nação que não é brasileira? Tudo que nós ocupamos hoje era indígena, que se integraram. Hoje se perderam no tempo as raízes étnicas do Brasil, que é uma grande mistura de raças. Fica essa reflexão para a gente pensar a respeito.

Lula “Más Verde”
Interessante que nesta quarta, em Montevidéu, a prefeita – a alcaide – deu um prêmio para Lula, Más Verde, um prêmio ambiental. Que ironia! Lula, um dia antes na Argentina, tinha prometido dinheiro do BNDES para financiar um gasoduto que estimula a retirada de gás de xisto no território indígena, o que está revoltando os indígenas. Porque o sistema de retirada do gás é altamente poluidor do solo, das águas e da atmosfera. E no dia seguinte ele recebe o prêmio.

Temer golpista
Aliás, lá em Montevidéu resolveu falar mal. Ele sempre fala mal de Bolsonaro, e aí resolveu falar mal também de Temer. Chamou Temer de golpista. Temer, como se sabe, é o presidente de um dos maiores partidos desse país. Presidente de honra, que tem dez senadores, a terceira bancada, e tem 42 deputados no novo Congresso.

Resolveu brigar com o MDB, disse também que Temer destruiu tudo o que o PT tinha construído. Temer deu uma resposta, que está no Twitter, dizendo que o que ele destruiu foi o desemprego da Dilma, o PIB negativo da Dilma de 5%, que ele converteu em PIB positivo, as contas públicas, o teto de gastos, as reformas, a reforma trabalhista que ele fez, e disse que se Lula está chamando Temer de golpista, ele está chamando o  Congresso Nacional de golpista, porque foi o Congresso Nacional que votou em impeachment de Dilma.

VEJA TAMBÉM:
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E a pacificação?
Engraçado, o presidente Lula, num momento em que o país está dividido e dividido com radicais dos dois lados, ele não faz pacificação, parece que fica fazendo provocações. O MDB é um parceiro, uma pedra importante no xadrez da política. E resolve chamar o presidente de honra do partido de, um ex-presidente da República de golpista. E mais, no exterior, uma questão de uma roupa suja que se lava em casa, ele vai falar lá no exterior, num país amigo, na cara de um presidente amigo, Lacalle Pou, o presidente do Uruguai. Uma coisa completamente fora da razoabilidade.


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LULA QUER DAR SOBREVIDA AO MERCOSUL

 


O que está por trás da ofensiva de Lula para frear as negociações do Uruguai com a China
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasil


Lula e o presidente do Uruguai, Lacalle Pou, durante visita do brasileiro a Montevidéu.| Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta quarta-feira (25) no Uruguai com uma missão principal: tentar evitar que o governo de Luis Alberto Lacalle Pou feche um acordo de livre comércio com a China. Na avaliação do governo do petista, o acordo dos uruguaios poderia representar a “destruição” do Mercosul. Após o encontro em Montevidéu com Lacalle Pou, Lula saiu com a sinalização de que o governo uruguaio está disposto a negociar com os demais países do bloco da América do Sul sobre o acordo bilateral com os chineses.

Criado em 1991, o Mercosul, é composto por Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. A Venezuela foi integrada ao grupo em 2012, mas está suspensa desde 2016 por descumprir o protocolo de adesão. A Bolívia é um membro associado.

Entre outros pontos, o tratado do Mercosul impede que os países-membros fechem acordos comerciais e alfandegários de forma isolada com outras nações. A ideia é que a unidade do bloco não pode ser mantida se um dos seus membros der condições comerciais mais vantajosas para um país de fora do grupo.

Nos últimos dias, no entanto, o Uruguai vinha sinalizando que estava prestes a fechar o acordo bilateral com Pequim, o que faria com que as tarifas e cotas para importação entre os dois países fossem eliminadas. A medida, no entanto, é criticada pelos demais integrantes do Mercosul. Existe o risco de produtos chineses sejam “maquiados” no Uruguai e circulem no Brasil com as vantagens concedidas apenas às mercadorias dos países-membros.

Antes do encontro de Lula com Lacalle Pou, integrantes do Palácio do Planalto já haviam se movimentado para elencar as contrapartidas que o governo brasileiro pretende oferecer ao governo uruguaio para dissuadi-lo de aderir ao acordo com os chineses. Entre elas, está a retomada de obras de infraestrutura que interligam ou beneficiam o Brasil e Uruguai; o retorno das contribuições do Brasil para um fundo de fomento a projetos dentro do bloco; e a promessa que os brasileiros não farão mais reduções unilaterais de tarifas de importação de produtos de fora do bloco.

Integrando a comissão de Lula na visita ao Uruguai, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta semana que um acordo com a China fora do Mercosul poderia impactar, por exemplo, o setor industrial brasileiro. “Não temos conhecimento dos termos em que está sendo negociado o acordo da China com o Uruguai. Mas esse tipo de coisa não é novo. É uma visita para fortalecer o Mercosul. Eu acredito que a América do Sul, o destino dela de sucesso passa pelo bloco econômico. Quanto a isso, eu não tenho a menor dúvida”, disse Haddad.

Lula defendeu o fortalecimento do Mercosul durante visita ao Uruguai 
Na agenda em Montevidéu, Lula buscou sinalizar ao presidente do Uruguai que o fortalecimento do Mercosul será uma das prioridades do seu governo. O movimento faz parte da estratégia que Lula tem adotado na sua primeira viagem internacional, que também passou pela Argentina. O novo governo brasileiro quer buscar protagonismo internacional por meio da integração com os países da América Latina.

“Quando assumimos a Presidência pela primeira vez, em 2003, nós decidimos que o Brasil, por ser o maior país da América do Sul e com a economia mais forte, deveria ter uma política generosa com os seus parceiros que tivessem menor suporte econômico. E assim fizemos com todos os países da América do Sul. Nesse período, a balança comercial entre o Brasil e o Uruguai teve um superávit para o Uruguai de 8 bilhões de dólares. Isso porque fazia parte da nossa visão contribuir para que todos os países crescessem juntos”, disse Lula depois do encontro com Lacalle Pou.

Antes da visita ao Uruguai, Lula já havia repetido esse discurso durante o encontro da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Buenos Aires, na Argentina. “Vamos juntos recriar e fortalecer o Mercosul, a Unasul. Sozinhos somos fracos. Juntos, podemos crescer e desenvolver a região”, disse Lula.

Um dos argumentos usados por Lula para convencer o presidente uruguaio a rever o acordo com a China foi de que o seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abandonou o Mercosul e as políticas de fortalecimento da América do Sul. O petista, no entanto, disse que pretende restabelecer o tratado do bloco como forma de ampliar o comércio exterior em toda a região. 

“Essa foi a primeira de uma série de reuniões que vamos fazer daqui pela frente. Para que a gente comece a discutir profundamente as coisas que possamos acertar. Eu voltei à Presidência não apenas para resolver os problemas do Brasil, mas porque creio no multilateralismo e vou fortalecer o Mercosul, a Unasul e Celac”, completou Lula.

Presidente do Uruguai sinaliza abertura de diálogo com o Mercosul 
Após o encontro com Lula, o presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, indicou que seu governo está disposto a negociar com os países do Mercosul os acordos que vinha tratando com a China. A sinalização marca uma mudança de postura de Lacalle Pou, que chegou a classificar o Mercosul como “protecionista” na véspera do encontro com Lula.

“Não brigamos, mas deixamos nossos pontos de diferenças para avançar e melhorar a relação do Brasil e do Uruguai como membros do Mercosul. Creio que estamos bem intencionados para fechar novos acordos”, disse o presidente do Uruguai.

Lacalle Pou disse que explicou ao presidente brasileiro sobre a necessidade de o Uruguai se abrir para o mundo. E que, por isso, o Mercosul precisa se atualizar. “Expliquei da necessidade de o Uruguai se abrir ao mundo. Mas não temos problemas de mostrar ao Brasil e a outros membros do Mercosul tudo que for necessário”, disse Lacalle Pou.

Segundo ele, será criado um grupo para debater com os membros do Mercosul sobre as necessidades do Uruguai junto à China. “Vamos criar uma equipe técnica para saber o que realmente queremos e necessitamos na relação com a China. Todo mundo sabe o peso econômico e demográfico do Brasil. O Uruguai tem o seu diálogo com a China e vamos negociar todos juntos. Nós pertencemos ao Mercosul. Mas queremos um Mercosul flexível, moderno e aberto para o mundo”, completou o presidente uruguaio depois do encontro com Lula.

Em contrapartida, Lula se comprometeu em debater o com os demais membros do Mercosul uma atualização do tratado do bloco, criado em 1991. Na avaliação do presidente brasileiro, é direito do Uruguai buscar ampliar os seus negócios com o mundo. “Quero dizer ao presidente Uruguai que os reclames são mais que justos, pois os interesses do presidente é defender os interesses do seu país e da sua economia e do seu povo. É justo querer produzir mais e vender mais. Por isso é importante se abrir o quanto mais possível para o mundo dos negócios”, acenou Lula.

Ainda de acordo com o petista, o objetivo nos próximos meses será o de reunir os demais representantes do bloco do Mercosul para avaliar as condições do tratado. “Quero dizer que estamos de acordo com as ideias de discutir a renovação do Mercosul. Vamos sentar com os técnicos, ministros e presidentes para que a gente possa discutir sobre o que precisamos fazer para modernizar o Mercosul”, disse Lula.


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POLÊMICAS DA LEI ROUANET

 

Tancinha
Cláudia Raia: a culpa dos artistas no ódio à cultura

Por
Paulo Polzonoff Jr.


Consagrada e rica: por que Cláudia Raia faz questão de captar patrocínio por meio da Lei Rouanet se não precisa dela?| Foto: Reprodução/ Twitter

O Diário Oficial da União publicou na semana passada uma lista com vários projetos contemplados com a Lei Rouanet. Entre eles, um projeto da versátil e semitalentosa Cláudia Raia, que agora pode captar mais de R$ 5 milhões para montar dois musicais (zzzzzzzzz), pelos quais o espectador ainda terá que pagar ingresso. Isto é, na remota hipótese de que queiram mesmo sair de casa para assistir à exuberância cafona do gênero e da atriz.

Como não poderia deixar de ser, os valores e os nomes a eles atrelados despertaram a raiva da população – menos dos cinco ou seis fãs ardorosos de Cláudia Raia. Ainda mais porque, há não muito tempo, a diva e ex-musa do lobisomem de “Roque Santeiro” publicou mensagens de apoio à nova ministra da Cultura, Margareth Menezes. Alheios aos trâmites da burocracia brasileira, os cidadãos fizeram uma conta rápida (e errada) e concluíram que Margareth Menezes estava assinando um cheque de R$5 milhões para a Tancinha.

É um erro, mas um erro compreensível num país que há décadas convive com o financiamento estatal a artistas consagrados. Incluindo Cláudia Raia, mas não só ela, claro. Se em sua origem a Lei Rouanet tinha bons propósitos, e me parece que tinha, não dá para negar que ela foi deturpada a tal ponto que, aos olhos do cidadão vagamente politizado, se transformou apenas num eficiente instrumento para beneficiar um grupinho de artistas incapazes de pôr o talento à prova da bilheteria.

Mas, bom, isso você já sabe. E ficar repetindo a ladainha de que a Lei Rouanet foi transformada em Lei de Financiamento da Propaganda Socialista e Progressista seria chover no molhado. Muito mais interessante é pensar por que uma artista consagrada, rica e com um público cativo pode chegar aos 56 anos acreditando que a sociedade tem o dever de financiar a glória dela em troca de algumas horas de música ruim, interpretação péssima, enredo sofrível e coreografia vergonhosa. E, já que estamos no embalo, pensar nas consequências disso.

Bobo da corte
Uso Cláudia Raia aqui como exemplo apenas porque ela figura na lista dos projetos contemplados com a possibilidade de captarem recursos por meio da Lei Rouanet. Mas ela está longe de ser uma exceção no meio artístico. Pelo contrário, a mentalidade predominante entre o pessoal-arte (pronuncia-se arrrrtchy) é mesmo a de que o país tem a obrigação de sustentar seus delírios narcisistas.

Mas cometamos aqui o grave pecado de esquecermos as cifras e sermos racionais por alguns segundos. Que diferença fará para o país e para a própria Cláudia Raia mais um ou dois ou dez musicais para velhinhos entediados? Que impacto positivo esses espetáculos subsubsubBroadway terão sobre a cultura brasileira? Que efeito virtuoso a produção desses musicais terá sobre a vida dos artistas e dos espectadores?

O que mais me surpreende nessa história é que, ao longo desse demorado e imoral processo de exaltação de certas personalidades, o público passou a rejeitar quase que automaticamente tudo o que venha da subcultura Rouanet. Será que Cláudia Raia & Cia. não percebem como isso se reflete na busca artística pela imortalidade? Trocando em miúdos, há uma parcela considerável do público que, em vez de amar os artistas e as obras por eles produzidas, nutre hoje um ódio quase instintivo por tudo o que cheire a arte patrocinada, direta ou indiretamente, com dinheiro público.

A consequência disso é o surgimento de um movimento de valorização da burrice, com gente batendo no peito para dizer que não consome isso ou aquilo por causa das filiações políticas dos artistas. Meu ponto aqui é que parte grande da culpa por isso que vou chamar displicentemente de “ódio à cultura” é dos artistas que, podendo viver do próprio talento, optam por sugar o cidadão comum. Só porque é mais fácil. Ou então por causa da já mencionada ideia de que a sociedade lhes deve reconhecimento.

Está mais do que na hora de Cláudia Raia e todo artista consagrado & rico que faz uso da Lei Rouanet sem dela precisar perceberem que a vaia, o insulto por meio das redes sociais ou mesmo a perda silenciosa da admiração nada têm a ver com a polarização política ou o embrutecimento das plateias ou essas abstrações que não significam mais nada, como fascismo ou bolsonarismo. A rejeição é fruto de uma sensação instintiva de injustiça, de que simplesmente não é certo tirar do povo para dar ao bobo da corte o que ele acha que merece.


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DIVULGUE A SUA EMPRESA NA VALEON

 

COMO POSICIONAR E DIFERENCIAR A SUA EMPRESA?

 

Thiago Leão – Marketing e vendas

A estratégia do oceano azul é um livro com formas de diferenciar sua empresa das demais e assim conquistar um mercado novo, sem precisar concorrer diretamente com outras empresas do mercado.

De acordo com os autores, Renée Mauborgne e W. Chan Kim, quando a empresa não se diferencia ela está no oceano vermelho tradicional, onde as empresas brigam perdendo lucratividade, mercado e qualidade.

Neste artigo vou listar quais são os princípios e riscos do chamado oceano azul e como sua empresa pode se beneficiar, confira os seis princípios para diferenciar sua empresa:

1. Reconstrução das fronteiras do mercado

O primeiro pilar da estratégia do oceano azul é reavaliar os padrões do mercado em que a sua empresa está inserida e o próprio modelo da sua indústria.

É preciso avaliar os principais fatores competitivos:

•             O que seus clientes preferem

•             Quais são os pontos fortes dos seus produtos

•             Quais são seus preços e padrões

Com essas informações é possível criar uma matriz para avaliar o valor de cada fator em forma gráfica.

Agora tentando olhar para tudo com uma nova perspectiva, procure em quais características do mercado poderiam ser:

•             Reconstruídas

•             Destacadas

•             Minimizadas

•             Ou até omitidas

Em suma, é preciso avaliar os seus principais concorrentes, entender suas limitações e assim expandir a sua operação em direção ao oceano azul.

Um dos exemplos mostrados no livro é o de uma vinícola que analisou o mercado e percebeu que o marketing tradicional era de vinhos envelhecidos, complexos e em localizações tradicionais.

Eles mudaram e criaram um vinho mais doce e simples, com isso montaram uma estratégia em um oceano azul no mercado de vinhos, já que alcançaram clientes que antes tomavam cerveja e coquetéis.

2. Focar no panorama geral

Quando você analisa o seu negócio é fácil se perder em estatísticas, números e informações que não são realmente importantes.

O segundo ponto da estratégia do oceano azul é não se esquecer da visão geral do seu negócio.

É importante saber para onde você está indo e também observar onde os possíveis concorrentes estão se dirigindo.

Como sugestão, você pode montar um gráfico que avalie o valor dos seus produtos, seus preços e a posição deles em relação aos seus concorrentes.

Com isso é possível manter visível a sua curva de valor e assim possibilitar que a sua equipe identifique oportunidades de melhoria.

O objetivo é reduzir o risco de investir em uma direção errada.

Veja também: Liderança remota: as 19 regras para ser um excelente líder no trabalho remoto

3. Ir além da atual demanda

O terceiro pilar da estratégia do oceano azul foca em ir além da demanda atual dos seus clientes. Ou seja, para alcançar o verdadeiro oceano aberto é preciso focar nos potenciais futuros clientes.

É normal que as empresas foquem nos atuais clientes e demandas, a questão é que para realmente crescer, é preciso olhar além das necessidades atuais dessas pessoas e empresas.

4. Uma boa sequência estratégica

Para que seu produto navegue nas águas da estratégia do oceano azul, é preciso que ele ofereça mais do que simplesmente uma evolução tecnológica. É preciso de uma inovação de valor.

De acordo com os autores o ideal é que você faça um mapeamento do que você espera que o cliente experimente em diferentes estágios de consumo do seu produto, como por exemplo:

•             Utilidade

•             Facilidade

•             Praticidade

•             Segurança

•             Valor de entretenimento

•             Segurança do ambiente

E também a experiência nessas etapas, como por exemplo, como seu produto afeta o seu cliente:

•             Na hora de comprar

•             Levar para casa

•             Usar o produto

•             Modificar o produto

•             e até mesmo descartar seu produto

A sugestão dos autores é que você responda as perguntas:

•             Por que alguém compraria seu produto?

•             O preço do seu produto é acessível?

•             Os custos do seu produto são menores que o preço de venda? Ou seja, ele gera lucro?

•             Existem barreiras que podem desmotivar a aceitação do seu produto?

5. Vencer barreiras internas

Não é só o mercado que ficará surpreso com o seu produto diferente. A sua equipe e parceiros também podem receber bem ou mal suas novas ideias.

É possível que pessoas fiquem incomodadas, questionem por que está mudando produtos, entre outras resistências.

É preciso lidar com esse problemas e usar técnicas de liderança para motivar a equipe a abraçar as novas ideias.

•             Veja também: Como motivar e conquistar a parceria dos colaboradores de uma fábrica

6. Envolva os participantes na estratégia

Para fechar os pilares da estratégia do oceano azul está um passo bem relacionado com o anterior.

Para reduzir os riscos da inovação, é preciso incorporar a implantação das novidades nos processos da sua indústria.

Toda inovação vem acompanhada de riscos e incertezas, é por isso que é preciso motivar e conquistar a confiança de todos os participantes do projeto.

Para inaugurar a sua estratégia do oceano azul é preciso uma equipe alinhada para executar todos os passos com a coragem necessária.

Por que você está ignorando a ferramenta de vendas mais poderosa do mundo?

Guilherme Dias – Diretor de Comunicação e Marketing da Associação Comercial, Empresarial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG)

Eu vejo todos os dias o anunciante separando seus R$ 10.000,00 pra fazer uma campanha no rádio, R$ 3.000,00 para sair em uma revista local, pelo menos R$ 9.000,00 para fazer uns 3 pontos de mídia exterior, mas na hora de tirar o escorpião do bolso pra comprar mídia online, qualquer “milão” é “caro demais”.

Eu sinceramente não sei de onde veio este mito de que fazer anúncios na internet merece menos atenção financeira do que outros meios. A lógica deveria ser justamente a inversa.

Nenhum outro tipo de mídia retém tanta atenção do público comprador como na internet.

O Brasil é o terceiro país do mundo onde as pessoas mais ficam conectadas, passando mais de 10 horas por dia online (DEZ HORAS POR DIA!).

Ficamos atrás apenas de África do Sul e Filipinas.

Qual outra mídia prende a atenção das pessoas por DEZ HORAS?

Qual outra mídia pode colocar sua marca literalmente na mão do seu cliente ideal?

Qual outra mídia pode colocar sua marca na mão do seu cliente no EXATO momento que ele está propenso a fazer uma compra?

Qual outra mídia pode rastrear, seguir o seu cliente de acordo com os hábitos de consumo dele?

Qual outra mídia pode segmentar um anúncio de acordo com os interesses, medos, desejos, ações, intenções…

Qual outra mídia pode oferecer um contato com seu cliente ideal 24 horas por dia, 7 dias por semana?

Absolutamente nenhuma além da internet.

E agora, me conta…qual o motivo da internet receber menos investimento comparado à mídia tradicional?

Marketing Digital é barato, mas não é de graça.

Vamos fazer uma conta de padaria:

Quanto custa imprimir 1.000 flyers (folhetos) e distribuir no sinal?

Papel couchè brilho 90g 4×4 cores, em gráfica de internet (qualidade bem meia boca), com frete sai em torno de R$ 250,00.

Para a distribuição, você não vai encontrar quem faça por menos de R$ 70 a diária.

Você não tem a garantia de entrega. Já ví muito “panfleteiro” jogando metade do material no bueiro, ou entregando 2 de uma vez só em cada carro. Mas vamos tirar essa margem da conta.

Estamos falando de R$ 320 para 1 mil impactos.

Hoje estava otimizando uma campanha de Instagram, da minha conta pessoal, e o meu CPM (custo por mil impressões) estava girando em torno de R$ 5,51.

Ou seja cerca de 1,72% do valor de uma ação de rua com flyer.

Essa lógica pode ser aplicada a qualquer meio de comunicação tradicional, seja rádio, tv, outdoor, busdoor…

E a conta também deve ser levada em consideração além dos anúncios de Google, LinekedIN, Facebook, Instagram e TikTok.

Banners em portais e publieditoriais, este último ainda pouco explorado por pequenos e médios anunciantes, também apresentam números disparados na frente do marketing tradicional.

Então, quando você se perguntar se está tendo ou não resultados com mídia online, pense nessa continha.

Marketing digital, em comparação, é barato sim, mas será que você deveria deixar a menor faixa de verba do seu orçamento de marketing para o meio de vendas MAIS PODEROSO QUE EXISTE?

Deixo a reflexão.

Preferências de Publicidade e Propaganda

Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago

Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais veículos de propaganda você tem preferência?

Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.

Vantagens da Propaganda no Rádio Offline

Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.

É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio funciona bem demais!

De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim, concretizar suas vendas.

Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline

Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no rádio. Frequentemente, os rádios também são usados ​​como ruído de fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,

A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

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TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

FINANCIAMENTO DE OBRAS PARA PAÍSES VIZINHOS NUNCA DEU CERTO

 


Quais os riscos de retomar empréstimos do BNDES a países “amigos”, como quer Lula

Por
Guilherme Grandi – Gazeta do Povo


Mercado avalia os riscos do BNDES retomar empréstimos a obras em países em desenvolvimento, como anunciou Lula na Argentina ao lado do presidente Alberto Fernández| Foto: Enrique Garcia Medina/EFE

O anúncio feito nesta segunda-feira (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que bancos estatais brasileiros, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES ) e o Banco do Brasil, voltarão a financiar obras e serviços em outros países pegou o mercado financeiro de surpresa – e não foi por bons motivos.

Se já não bastasse a desconfiança de investidores quanto a indicações políticas para presidir estatais, como o ex-ministro petista Aloízio Mercadante no próprio BNDES e o senador Jean Paul Prates (PT) na Petrobras, o anúncio de Lula trouxe à tona a memória de calotes e escândalos do passado.

Nos 14 anos em que o PT esteve no poder, entre 2003 e 2016, o BNDES financiou empréstimos na ordem de US$ 11,8 bilhões para empresas brasileiras tocarem obras de infraestrutura em outros países, principalmente empreiteiras que depois foram envolvidas nas investigações da Operação Lava Jato, como Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, entre outras.

As empresas venceram licitações para obras em países latino-americanos como Argentina, Venezuela, Cuba e Costa Rica, entre outros, além de nações africanas como Angola e Moçambique. E, para cumprirem com as propostas vencedoras, recorreram a recursos do BNDES com juros subsidiados, mais acessíveis do que em outros bancos privados.

Relatório oficial com dados até 30 de novembro de 2022 (veja aqui) mostra que, dos US$ 11,8 bilhões concedidos em financiamento entre 2003 e  2016, o BNDES recebeu de volta US$ 9,6 bilhões até o momento. Ainda há mais US$ 2,1 bilhões a receber, do qual US$ 1,3 bilhão corresponde a empréstimos feitos à Venezuela que pararam de ser pagos.

Além do governo venezuelano, Cuba também tem uma dívida de US$ 40,8 milhões com o BNDES, dos mais de US$ 696 milhões emprestados para obras diversas, principalmente na ampliação do porto de Mariel, a cerca de 40 quilômetros de distância de Havana.

Embora os valores devidos não comprometam o caixa do BNDES e estejam dentro da margem de inadimplência comum a todos os bancos, economistas e especialistas do mercado financeiro veem a volta do financiamento para obras e serviços em outras nações em desenvolvimento com muitas ressalvas e cautela neste momento. Luciano Bravo, especialista em estruturação de negócios com foco em aporte de capital internacional e CEO da Inteligência Comercial, vê que a realidade nesta década é bem diferente daquela vivida há anos, com economias se deteriorando e o mundo caminhando para uma recessão.

“Estamos em um momento que precisamos focar no mercado interno, principalmente nas médias e pequenas empresas. E colocar dinheiro em outros países, principalmente naqueles que estão em notória dificuldade financeira, é um risco que não se deveria correr”, explica.

De acordo com o especialista, um fundo não empresta para um agente que esteja em dificuldade ou que corre o risco de não pagar, e o BNDES “vai ser colocado a esse risco não apenas na Argentina, mas também no Chile e no Peru, visto as discussões da criação de uma moeda comum para negociações entre os países do Mercosul”, destaca. Ele explica, ainda, que o dinheiro usado pelo banco é proveniente do Tesouro Nacional, que pode acabar comprometido em eventuais calotes – dependendo do montante, pode afetar diretamente a inflação e a taxa básica de juros (Selic).

A percepção de Bravo é a mesma de muitas das principais corretoras brasileiras de capitais e do mercado financeiro, que não receberam bem o anúncio do presidente Lula. A Infinity Asset Management relatou que as falas do presidente e da equipe econômica “confundem o investidor, assustam, pois rementem a um passado de custo fiscal proibitivo e faz com que a economia fique em segundo plano, dada a dificuldade em se gerar cenários para o atual momento”. A Nova Futura relatou que houve uma “indigestão com notícias sobre o possível uso do BNDES para financiar operações comerciais com a Argentina”.

O analista Matheus Spiess, da Empiricus, foi mais enfático em seu boletim matinal, dizendo que as falas de Lula “ressuscitaram fantasmas antigos, como o papel mais desenvolvimentista do BNDES e dos demais bancos públicos, que foram tietados pelos Chefes-de-Estado [presentes em Buenos Aires] – a ideia de voltarmos a financiar projetos faraônicos no exterior gera calafrios”.

Tônica semelhante à visão de Luciano Bravo, de que a viagem de Lula à Argentina não foi apenas para a reabertura de relações comerciais que estavam estremecidas, como ele próprio relatou no primeiro pronunciamento ao lado do presidente Alberto Fernández. Foi também para posicionar o Brasil como um “líder” das nações em desenvolvimento, para fazer um crescimento em conjunto das economias.

No entanto, Bravo vê um erro nessa estratégia que o mercado financeiro já está ciente. Ao abrir uma conversa de ajuda para a retomada do desenvolvimento econômico da Argentina, que está com uma inflação galopante de 94,8% no ano passado e desvalorização de 40% do peso argentino, Lula abre um precedente para que outras nações em situação igual ou pior venham atrás de ajuda.

E, ao se posicionar como um líder destas nações, fica mais difícil dizer não para alguns pedidos. “O Brasil hoje é o único país de grande porte que tem as portas abertas a esses países que estão em dificuldade. Mas, o Brasil não pode ‘se tornar um Messias’ deles, não temos nem condições pra isso”, completa.

A opinião de Bravo encontra reflexo na análise de Diogo Catão, mestre em gestão e economia internacional e CEO da Dome Ventures, de que o Brasil sabe que precisa avançar no comércio internacional. No entanto, este avanço não pode ser benéfico apenas para estas nações com graves problemas econômicos.

“O Brasil não pode se isolar externamente, e essa política de aproximação e de construção de pontes é boa e salutar. Mas, o grande receio é de que essas pontes beneficiem apenas esses países em situação mais crítica na América do Sul, principalmente. Vai ser preciso analisar os pedidos feitos e, se possível, com o chanceler [Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores] e o Alckmin [Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços”, analisa.

Há, ainda, o receio de que o BNDES volte a ser usado para outras medidas político-econômicas questionáveis que não deram certo no passado, segundo Paulo Uebel, ex-secretário especial de desburocratização, gestão e governo digital do Ministério da Economia e colunista da Gazeta do Povo. De acordo com ele, há o receio de que se tente, mais uma vez, “incentivar campeões nacionais, concorrer deslealmente com o mercado de capitais e financiar a exportação de serviços para ditaduras com baixo nível de transparência e governança”.

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Liderança regional para proteger a indústria nacional
Embora o anúncio do presidente Lula tenha repercutido negativamente no mercado financeiro, há um fator a mais que está pesando na retomada dos investimentos do BNDES nas empresas brasileiras que operam em outras nações: o avanço da China nas economias da América Latina.

Igor de Lucena, economista e doutor em relações internacionais pela Universidade de Lisboa, vê que a decisão do presidente pendeu muito mais para a questão geopolítica do que necessariamente para ajudar no desenvolvimento das nações próximas.

Ele explica que a China está buscando ampliar e diversificar os negócios pelo mundo, com relações bilaterais que podem impactar diretamente nas exportações brasileiras para outros países da América Latina. Assim, ao aproximar o Brasil dessas nações, Lula forma um grande bloco que pode impor melhores condições sem perder mercado.

O próprio presidente já viu isso acontecer no passado, quando foi contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). No fim, os países latinos firmaram acordos bilaterais com os Estados Unidos, enfraquecendo o Mercosul – que Lula tenta fortalecer nesta nova investida.

“Uma coisa é o Mercosul todo unido negociando com a China, onde cada um dos membros vai colocar na mesa os pontos que para eles são mais sensíveis do que para os outros, e isso dá uma vantagem para o Brasil. Seria ruim a China negociar individualmente com os países da região, passando por cima dos interesses brasileiros, porque a partir do momento que ela faz propostas cada vez mais vantajosas e os países aceitam, há o risco real de o Mercosul não existir mais”, analisa.

Para ele, esse movimento já começou, e o Brasil precisa se apressar se quiser ser relevante e ter mercado para os bens produzidos por aqui. Igor de Lucena vê que a China está avançando cada vez mais rapidamente e que os primeiros acordos em bloco podem ser fechados já a partir de 2024.

BNDES precisa diversificar os investimentos no exterior
Assim como um banco comum, o BNDES também trabalha com diferentes carteiras e aplicações financeiras, o que inclui o investimento em ativos como empresas brasileiras que operam em outros países. E isso é aceitável, segundo Diogo Catão.

A grande questão que precisa ser mudada nesta nova fase é onde o banco vai concentrar os empréstimos. Nos 14 anos no poder, os governos do PT concentraram 89% dos financiamentos em apenas seis países dos 13 em que as empresas brasileiras venceram licitações: Angola, Argentina, Venezuela, República Dominicana, Equador e Cuba.

Embora a Argentina venha pagando o que deve às empreiteiras, há a preocupação de que novos contratos não sejam honrados por conta da situação econômica do país.

“Se a gente seguir uma política de gestão de portfólio de investimento como numa bolsa de valores, deveríamos distribuir esses recursos em mais países para que eventuais calotes fossem supridos com os juros gerados de outros. Estamos em um momento que não dá para sair distribuindo assim em apenas algumas nações”, explica.

Há, ainda, a necessidade de se analisar mais criteriosamente quais países podem receber os empréstimos. Relatórios do BNDES apontam que alguns pedidos chegavam ao banco já aprovados por Lula e pela ex-presidente Dilma Rousseff a países como Cuba e Venezuela.

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Garantias robustas para evitar calote
Luciano Bravo complementa lembrando que além de analisar quais países realmente podem receber investimentos sem comprometer o caixa do BNDES, também é preciso ter um amplo e complexo sistema de garantias contra o calote. Logo após o anúncio feito pelo presidente Lula, o ministro Fernando Haddad agiu como um bombeiro para apagar o fogo e explicar ao mercado.

Em conversa com jornalistas no final da tarde, o ministro da Fazenda afirmou que, no caso do primeiro financiamento brasileiro, o gasoduto de Vaca Muerta, o gás produzido na região central argentina e trazido ao Brasil será “a garantia do próprio investimento”.

Segundo a agência Bloomberg, fontes a par da negociação afirmam que o financiamento seria coberto por garantias de ambos os governos, e que a Argentina teria de fornecer ativos líquidos, como contratos de commodities, para obter os empréstimos.

“O BNDES tentará se proteger pegando os recebíveis argentinos. O problema é que esses já estão muito comprometidos com uma série de outras tomadas de empréstimos. E, no caso de uma insolvência da Argentina, serão executados como no passado, em que o país já foi alvo dos chamados ‘fundos abutres’ de execução imediata gerando disputa entre credores”, ressalta Bravo.

Para minimizar esse risco, Lucena explica que será necessário construir um arcabouço completo e robusto de garantias para a concessão de empréstimos e financiamentos às outras nações do continente sem correr o risco de um calote. “A gente não pode pegar dinheiro público do nosso Tesouro e colocar nesses países. É diferente de se investir em nações como o Chile e o Uruguai, que tem as contas mais organizadas. A Argentina está numa situação muito ruim há muito tempo”, completa.

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