Título bom é aquele que desperta no leitor a vontade de ler, assistir ou ouvir. O resto é papo de comunicólogo.| Foto: Pixabay
Que
bom que você clicou no título. Porque o tema desta crônica é justamente
este: títulos. Talvez o leitor não saiba, mas os títulos são hoje
motivo de intermináveis debates e até de brigas entre especialistas em
comunicação digital, editores, repórteres e divas da crônica cotidiana
colunistas. Essenciais na chamada “economia da atenção”, os títulos são
inclusive alvo da sanha regulamentadora que pretende reduzir tudo a
normas e técnicas.
Pegue o título que dei a esta minha crônica, por exemplo. Você talvez
tenha clicado nele porque achou que fui demitido ou pedi demissão. Ou
porque esperava que eu fosse contar alguma tragédia pessoal. Ou porque
queria saber dos meus novos projetos. Ou ainda porque acreditou que eu
fosse revelar uma grande conspiração na qual George Soros exigia minha
demissão por, sei lá, mesoclisofobia. Ou porque tinha certeza de que
noticiaria que Alexandre de Moraes decidiu me prender.
Se você chegou até aqui, porém, já descobriu que não se trata de nada
disso. Que vou falar justamente sobre os títulos: esse elemento tão tão
tão tão importante para a comunicação que tem gente que só se informa
por eles. E que, por isso, não raro passa vergonha por aí. Usar títulos
irônicos, provocativos e que despertem no leitor uma vontade
in-su-por-tá-vel de ler um texto bem intencionado e honesto (garanto!) e
engraçado (tento!) é errado? Será que não estamos usando uma medida
torta, baseada numa desconfiança burra e numa crise de imaginação e de
bom humor nunca antes vista? E mais: usar desse artifício para puxar
papo com o bom leitor faz de mim um escritor desonesto?
Clickbait
Ouçamos o que tenho de dizer em minha defesa. QUE em meio a tantas
notícias interessantes e sabendo que o tempo do leitor é escasso, a
princípio tenho apenas o título para chamar a atenção dele. QUE
pressuponho que entre mim e o leitor haja já certa intimidade. QUE essa
intimidade significa um conhecimento prévio do que o leitor pode esperar
encontrar numa crônica dominical minha. E sobretudo QUE não há má-fé no
homem que tenta atrair o público para a sua lojinha que só vende
produtos de altíssima qualidade.
Ah, mas é um clickbait, objeta alguém, possivelmente um comunicólogo
desses que preferem títulos como “A (re)definição da profilaxia
consciencional aplicada às técnicas neocomunicacionais do relato
pseudojornalístico cotidiano: um estudo”. O clickbait como um problema
ou um erro ou ainda um truquezinho rasteiro, confesso, é um conceito que
escapa à minha compreensão. Talvez porque, como leitor, sempre tenha
gostado de ser provocado e até um pouquinho enganado. Penso aqui em
Jorge Luís Borges, cujos títulos dos melhores contos são puro clickbait –
no melhor sentido do termo.
Penso ainda em títulos recentes que usei neste espaço e que foram
acusados de serem clickbaits. Ora, se eu usasse títulos poéticos como
“Xingamentos ao léu” (em vez de “Não sou petista e nunca fui. Mas este
ano estou com Lula”) ou “A Epístola” (em vez de “E se Alexandre de
Moraes caísse do cavalo?”), esses textos talvez tivessem deixado de
alcançar muitas pessoas. Sem falar na cafonice dos trocadilhos, dos
lugares-comuns e das imitações baratas de poesia que ainda se encontra
por aí. Não adianta: título bom é aquele que desperta no leitor a
vontade de ler, assistir ou ouvir. O resto é papo de comunicólogo que
não dá a mínima para o público.
No mais, eu bem poderia estar de fato escrevendo uma crônica com o
título “Esta talvez seja minha última crônica”. Nela, falaria da
imprevisibilidade da vida. Aquela coisa de estar alegre e saltitante num
dia e sendo velado pelos amigos no outro. Afinal, a garantia de que
amanhã certamente terei a honra de ocupar mais uma vez este espaço é
ilusória. É uma certeza que se mantém sobre alicerces frágeis, como o
contrato de trabalho e meu mais recente check-up (tudo certo com o
coração véio de guerra!).
Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal| Foto: Fellipe Sampaio/STF
Nos
últimos quatro anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve as suas
contas julgadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apenas no
exercício de 2019. Naquele ano, a Auditoria Interna do STF apurou falhas
nos controles internos de compras e contratações por dispensa de
licitação e a permanência de vícios na concessão de diárias e passagens.
Mas o TCU não adotou qualquer ação nesses casos e aprovou as contas do
tribunal no Acórdão 9764/2021. Em 2018, 2020 e 2021, não houve
julgamento das contas do Supremo.
Na avaliação dos controles internos nas compras e contratações por
dispensa de licitação, em despensas realizadas de 2018 a 2019, a
Auditoria Interna detectou deficiência na comprovação dos requisitos
exigidos para a dispensa de licitação, deficiência na justificativa do
preço a ser contratado e descumprimento de cláusula contratual por parte
da contratada. Entretanto, a auditoria ainda estava em andamento, “de
modo que não há nenhuma ação do TCU que deva ser implementada”, registra
o exame técnico do tribunal no Processo 046.731/2020-2.
Na avaliação do controle interno dos processos de prorrogação do
prazo de vigência contratual, a Auditoria Interna detectou falha na
comprovação da vantagem qualitativa e econômica para a prorrogação do
contrato. Em razão disso, a auditoria fez recomendações à Secretaria do
Tribunal, “suficientes para corrigir a falha apontada”. Como as
conclusões foram encampadas pela “Alta Administração” do STF, o corpo
técnico do tribunal concluiu que não havia “necessidade de intervenção
do TCU”.
Informações imprecisas, sistema obsoleto Na análise do canal de
interlocução do STF com a sociedade, em relação aos serviços de
ouvidoria e de atendimento à Lei de Acesso à Informação (LAI), a
Auditoria Interna identificou “riscos à imagem do STF perante à
sociedade”, por não apresentar uma unidade de ouvidoria aderente às
normas e às boas práticas de ouvidorias públicas; riscos à imagem do STF
perante seus usuários, decorrentes de “divulgação de informações
imprecisas, na forma e no conteúdo”; riscos à efetiva participação do
cidadão, por inadequação do portal do STF, da página da Central do
Cidadão e do formulário eletrônico para suas manifestações e
solicitações.
Foram detectados, ainda, riscos ao atendimento eficiente dos
usuários, por “utilização de sistema obsoleto” que não dispõe de
funcionalidades para acompanhamento da demanda; e riscos à “integridade
das informações”, por divulgar relatórios fora dos padrões utilizados
pelas ouvidorias. A auditoria identificou ainda a ausência da
classificação das informações do STF quanto ao grau de sigilo, bem como
as respectivas desclassificações.
Foram propostas as seguintes medidas: a criação da função de
“ouvidor”, com vinculação hierárquica à Presidência; a atualização das
competências da Central do Cidadão, o aperfeiçoamento do portal do STF, a
elaboração de novos modelos de relatórios gerenciais e o encaminhamento
de relatório trimestral para a Presidência do STF. “Dessa forma, uma
vez que as medidas propostas seguirão sendo monitoradas pela Auditoria
Interna, não se vislumbra necessidade de intervenção do TCU”, concluíram
os técnicos do tribunal.
Controle de passagens e diárias A Auditoria Interna também
avaliou os controles internos do processo de concessão de passagens e
diárias, com base em monitoramento de auditoria realizada em 2017 em que
foram identificados diversos achados. Do total de recomendações
expedidas, 34 foram implementadas – 79% das ações propostas pela
Auditoria Interna.
O relatório da auditoria conclui que, “apesar da permanência de
vícios relatados, que inviabilizam a eficácia dos controles internos de
gestão, necessários à mitigação de riscos à regular aplicação dos
recursos públicos, as melhorias operacionais implementadas pela
Administração proporcionaram maior eficiência ao processo de concessão
de passagens e diárias”. A corte de contas concluiu que “desse modo, não
se mostra necessário intervenção do TCU, pois não se trata de falha que
possa trazer impactos na gestão”.
Reportagem do blog mostrou a falta de transparência na concessão de
passagens para ministros do STF em 2022. Não é mais possível saber para
onde vão, o que fazem nem quanto gastam. Esse sigilo foi adotado por
questões de segurança, mas também esconde os gastos com passagens aéreas
em viagens nacionais e internacionais – na contramão do que fazem os
poderes o Executivo e Legislativo.
Sem intervenções nem recomendações A conclusão final do corpo
técnico do TCU registra: “Dessa forma, uma vez que as observações
dispostas no relatório são pontuais e constituem oportunidades de
melhoria, não apresentando significância ou relevância suficientes para
comprometer a regularidade da gestão dos responsáveis, conclui-se que
não há necessidade de intervenções do TCU, a exemplo de recomendações ou
determinações”.
O relator do processo, ministro Raimundo Carreiro, propôs ao plenário
do Tribunal julgar regulares as contas e dar quitação plena aos
responsáveis: “As peças que compõem o presente processo de contas,
denotam ser regulares as contas prestadas, na medida em que evidenciam a
legalidade, a legitimidade, a economicidade e a efetividade das gestões
das autoridades e dos servidores responsáveis. Inexistindo, portanto,
quaisquer recomendações ao STF”. Os ministros da Segunda Câmara julgaram
regulares as contas do STF em 27 de julho de 2021.
Por que o atraso no julgamento de contas O blog questionou o
TCU sobre o motivo do atraso no julgamento das contas do STF nos últimos
anos. O tribunal respondeu que, desde 2010, por força de instruções
normativas, “constitui processo e leva a julgamento apenas parte das
contas que são apresentadas”.
Os órgãos que terão processos de contas julgados em cada ano são
definidos conforme critérios estabelecidos nas normas aprovadas pelo
Plenário do Tribunal. Essa definição considera critérios como riscos
envolvidos da gestão, materialidade, relevância e apontamentos de
auditorias anteriores, entre outros.
Mas a corte de contas acrescentou que os órgãos e entidades que não
têm processo de contas julgado em determinado exercício devem,
obrigatoriamente, apresentar relatório de gestão ao tribunal e
publicá-lo em sua respectiva página na internet, para prestação de
contas de acesso público. Além disso, o fato de não ter processo de
contas julgado não impede a fiscalização do TCU por meio de auditorias,
representações e denúncias, por exemplo.
Em relação às prestações de contas do STF, relativas aos exercícios
de 2018, 2019, 2020 e 2021, o TCU informou que, no exercício de 2018,
não houve processo constituído, de acordo com a decisão normativa
172/2018. No exercício de 2019, houve julgamento do processo TC
046.731/2020-2, de relatoria do ministro Raimundo Carreiro. O Acórdão
9764/2021, da Segunda Câmara, julgou regulares as contas dos
responsáveis.
Nos exercícios de 2020 e 2021, não houve processo constituído, de
acordo com a decisão normativa 188/2020. Na área de transparência e
prestação de contas do portal do STF também é possível acessar os
relatórios anuais de gestão do órgão.
Estimativa do Ministério da Economia é de que o impacto de todas
as reduções de imposto anunciadas desde 2019 atinja R$ 30,9 bilhões, ou
0,32% do PIB neste ano.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma
das estratégias adotadas pela equipe econômica desde o início do
governo Jair Bolsonaro para dar mais dinamismo à economia foi a redução
de impostos, em alguns casos de forma temporária e em outros,
definitiva.
Segundo o Ministério da Economia, essas medidas buscam não somente a
redução da carga tributária, mas também melhorar a alocação de recursos e
permitir um aumento de produtividade na economia brasileira. Outro
objetivo foi o de conter a inflação.
As medidas mais recentes foram na direção de baixar preços e,
provavelmente, foram as mais notadas pelo consumidor. O governo zerou
tributos federais sobre gasolina, etanol e diesel, e articulou para a
aprovação de um teto para o ICMS cobrado pelos estados – neste segundo
caso, naturalmente, não há impacto sobre as finanças federais.
A estimativa do Ministério da Economia é de que o impacto de todas as
reduções de imposto anunciadas desde 2019 e ainda em vigor atinja cerca
de R$ 30,9 bilhões, ou 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Mesmo com essas desonerações, a equipe econômica avalia que o
endividamento público não será prejudicado. A dívida bruta tem ficado
abaixo do esperado pelo mercado e, em maio, correspondia a 78,2% do PIB
brasileiro, segundo o Banco Central.
O impacto da redução tributária não é maior porque, em alguns casos, o
governo buscou formas para compensar essas medidas. É o caso da redução
temporária de tributos federais sobre o óleo diesel e definitiva sobre o
gás de cozinha (GLP), anunciada em março do ano passado. Para compensar
a perda de arrecadação, o governo aumentou o imposto cobrado sobre os
bancos, limitou a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) de carros para pessoas com deficiência e acabou com uma renúncia
tributária para o setor petroquímico.
Meses depois, em setembro, para viabilizar mais dinheiro para o
Auxílio Brasil, o governo aumentou temporariamente o Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF) cobrado de pessoas físicas e jurídicas.
Reduções de imposto não evitaram aumento da carga tributária Esse
impacto de 0,32% do PIB, no entanto, não é suficiente para reverter a
alta da carga tributária ocorrida no ano passado. Segundo cálculo do
Tesouro Nacional, o peso dos impostos na economia brasileira aumentou
2,1 ponto porcentual em relação a 2020 e chegou a 33,9% do Produto
Interno Bruto (PIB), o maior nível em pelo menos 12 anos.
O maior aumento de arrecadação foi dos impostos coletados pela União,
mas estados e municípios também registraram forte crescimento nas
receitas tributárias. Segundo o Tesouro, a alta está relacionada à
“reversão dos incentivos fiscais instaurados durante a crise da Covid,
além de um crescimento econômico em 2021 pautado na retomada de comércio
e serviços”.
Quais os objetivos das reduções de imposto, segundo o Ministério da Economia As
medidas do governo têm vários objetivos. A intenção declarada da
redução linear do IPI em 25%, posteriormente ampliada para 35%, por
exemplo, é de diminuir o diferencial de alíquotas entre bens e setores.
“Espera-se reduzir a interferência do diferencial tributário na
escolha das famílias, além de melhorar, pelo menos parcialmente, os
incentivos das empresas na busca por retorno de capital e não por
benefícios tributários”, cita nota do Ministério da Economia.
Mas parte das medidas, em especial as mais recentes, também foi
destinada a combater a inflação. Foi o caso das citadas reduções do IPI e
de tarifas de importação.
O corte do IPI chegou a ser suspenso por decisão do ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, atendendo a
interesses da Zona França de Manaus (ZFM). Por isso, na sexta-feira (29)
o governo publicou novo decreto para garantir a redução de 35% no
imposto de bens produzidos fora da ZFM.
Quais os desafios econômicos de quem governar o país a partir de 2023 Governo quer destinar R$ 1,2 bilhão para nova estatal que administra Itaipu e Eletronuclear País tem cada vez mais rodovias “privadas”, mas modelo dá sinais de desgaste Outro
conjunto de medidas foca, segundo a pasta, na elevação da produtividade
por meio de uma maior abertura da economia brasileira.
Foram introduzidas medidas com o objetivo de reduzir as barreiras
comerciais e ampliar o acesso do Brasil a tecnologias internacionais
mais eficientes. Entre elas estão a redução, em dois blocos de 10%, das
alíquotas dos produtos de bens de informática, telecomunicações e de
capita. Além disso houve uma redução de 20% nas alíquotas de importação
no âmbito do Mercosul.
Também foi reduzido o Adicional de Frete para Renovação da Marinha
Mercante (AFRMM). A alíquota sobre o frete da navegação de longo curso
passou de 25% para 8%, beneficiando principalmente os produtos
originários de países mais distantes. A medida também reduz o custo de
transporte das mercadorias transacionadas no país. As estimativas da
Secretaria de Política Econômica (SPE) apontam que o impacto desta
medida sobre os preços da cesta básica pode ser de 4%.
Recuperação econômica favorece redução de impostos, diz governo Segundo
o Ministério da Economia, um dos fatores que favorece a redução dos
tributos é a recuperação econômica acima do esperado após a paralisação
das atividades no período da pandemia, o que tem permitido que a
arrecadação tributária cresça a patamares superiores aos do PIB nominal.
“A redução de impostos é uma política econômica pelo lado da oferta,
que objetiva aumentar a capacidade produtiva da economia brasileira de
forma sustentável no horizonte longo de tempo, gerando aumento da
produtividade e correção da má alocação, abrindo espaço para a ampliação
da produção por meio de novos investimentos e empreendimentos”, diz
nota da pasta.
Quais foram as reduções de imposto promovidas pelo governo Bolsonaro 2018-20
Redução do IPI para produtos específicos
Custo médio estimado anual: R$ 707 milhões 2019 Extinção da multa de 10% do FGTS nas rescisões de contrato de trabalho sem justa causa
Custo médio estimado anual: R$ 5 bilhões 2020 (medidas relacionadas ao enfrentamento da pandemia) Redução a zero das alíquotas de IOF sobre operações de crédito
Custo médio estimado anual: R$ 18,6 bilhões
Redução a zero das alíquotas do Imposto de Importação sobre produtos específicos para enfrentamento da Covid-19
Custo médio estimado anual: R$ 3,3 bilhões Redução a zero da alíquota do Regime de Tributação Simplificada (RTS) de produtos especiais
Custo médio estimado anual: R$ 1,6 bilhão
Redução temporária de IPI para bens necessários ao combate à Covid-19
Custo médio estimado anual: R$ 0,8 bilhão Desoneração temporária de PIS/Cofins para insumos de medicamentos
Custo médio estimado anual: R$ 0,6 bilhão
Suspensão por 90 dias dos prazos dos processos de cobrança de dívida
ativa da União e novas condições de parcelamento para pessoa física ou
jurídica
Custo médio estimado anual: R$ 0,8 bilhão Redução das contribuições ao sistema S em 50% por 3 meses
Custo médio estimado anual: R$ 2,6 bilhões
2021 Redução definitiva de PIS e Cofins sobre GLP
Custo médio estimado anual: R$ 847 milhões 2021-22
Redução temporária de PIS/Cofins para combustíveis (óleo diesel em
março e abril de 2021 e de março a dezembro de 2022; gasolina e etanol
de julho a dezembro de 2022)
Custo médio estimado anual: R$ 9,8 bilhões Redução de 10% da
Tarifa Externa Comum do Mercosul) em 2021 e 10% em 2022 + Redução de 10%
em 2021 nos itens de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e
Telecomunicações (BIT) e de 10% em 2022
Custo médio estimado anual: R$ 6,7 bilhões
2022 Redução do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante
Custo médio estimado anual: R$ 4,5 bilhões Redução linear de 35% do IPI para bens industrializados em geral
Custo médio estimado anual: R$ 20,9 bilhões Redução gradual do IOF sobre operações de câmbio, a ser zerado até 2028
Dinheiro
/ Dólar – 25-05-2017 – O código para o dólar dos Estados Unidos é USD
(que significa United States Dollar), e o Fundo Monetário Internacional
refere-se ao mesmo como US$. Na foto, detalhe de uma nota de 100
dólares. A moeda americana apresenta na face a imagem de Benjamin
Franklin. Ele não foi presidente dos Estados Unidos, tendo diversas
ocupações como jornalista, filantropo e diplomata.
As recentes altas de juros fazem parte de uma ofensiva do Fed
para conter a inflação nos EUA.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
O
mundo foi informado que a economia dos Estados Unidos apresentou, no
segundo trimestre deste ano, queda do Produto Interno Bruto (PIB)
equivalente à taxa anualizada de 0,9%. Como no primeiro trimestre do ano
o encolhimento da atividade econômica havia registrado 1,6%, a retração
por dois trimestres consecutivos é considerada desempenho ruim o
suficiente para caracterizar recessão técnica. A primeira conclusão dos
agentes do mercado e de analistas especializados é que o sinal vermelho
vindo dos Estados Unidos pode significar que está se formando uma
recessão nos países desenvolvidos, ou no mínimo uma forte desaceleração
econômica.
Essa recessão técnica nos Estados Unidos resulta de fatores que já
vinham se pronunciando, de forma que, se houve alguma surpresa quanto à
magnitude da retração, a queda no PIB não é de todo surpreendente. A
publicação dos maus resultados do PIB norte-americano veio ao lado da
elevação na taxa de inflação anual e no aumento da taxa básica de juros
pelo Federal Reserve (o banco central dos EUA), e todos esses
componentes econômicos estão interligados. Para entender o que está
acontecendo com a grande economia norte-americana é necessário prestar
atenção em certos aspectos que estão na base dos três males: a inflação,
a elevação dos juros e a recessão.
Primeiro, a economia norte-americana funciona baseada em elevado
volume de crédito, tanto no lado da produção quanto em relação ao
consumo nacional. O sistema produtivo do país é calcado no crédito para
investimento e para capital de giro das empresas, de forma que o
coeficiente de dinheiro emprestado para financiar a produção e o
comércio é proporcionalmente bastante elevado e maior que a média
mundial. Embora esse aspecto seja indutor do crescimento empresarial,
qualquer elevação na taxa de juros aumenta os custos das empresas, com
potencial para reduzir lucros e desestimular a atividade produtiva. Em
segundo lugar, a mesma lógica está presente fortemente no consumo
nacional, em que a própria cidadania das pessoas é julgada em parte por
sua relação com o sistema de crédito, fazendo que a maior parte do
consumo seja feita por meio de cartão de crédito e financiamentos
bancários.
A economia norte-americana funciona baseada em elevado volume de
crédito. Qualquer elevação na taxa de juros aumenta os custos das
empresas, com potencial para reduzir lucros e desestimular a atividade
produtiva
Em larga medida, a confiança atribuída a um empregado ou profissional
autônomo é afetada pelo crédito a ele concedido pelo mercado
financeiro, estampado na posse de cartão de crédito, hipoteca da casa
própria e crédito bancário. O volume de compras a crédito nos Estados
Unidos é imenso e representa alta porcentagem do consumo nacional; logo,
a elevação da taxa de juros afeta negativamente o mercado consumidor.
Terceiro, essa mesma lógica se aplica ao governo, conforme revela o
tamanho da dívida pública que, segundo anúncio em fevereiro de 2022,
havia ultrapassado a barreira dos US$ 30 trilhões, contra um PIB de US$
25 trilhões (a valores nominais correntes). Assim, qualquer aumento da
taxa de juros, por mínimo que seja, provoca elevação expressiva dos
encargos com a dívida pública, acabando por indicar que mais adiante o
governo norte-americano tomará medidas de austeridade e redução nos
gastos públicos.
Todas essas conexões na economia dos Estados Unidos, envolvendo a
taxa de juros e suas elevações, mostram que o nível de atividade
econômica – produção e consumo – acaba se reduzindo de forma quase
inevitável quando os juros crescem. E a situação se agrava quando o
quadro geral vigente no ato do aumento da taxa de juros ocorre junto a
aumento na taxa de inflação. Nos Estados Unidos, a inflação ocorrida
sobretudo após a pandemia já vinha provocando estragos na economia
local. Como é sabido, o fechamento de empresas e o isolamento social
impuseram prejuízos às empresas e aos trabalhadores, e desorganizaram o
sistema produtivo e o abastecimento. A inflação que atingiu os Estados
Unidos – e, de resto, toda a economia global – prejudicou o crescimento
econômico, situação que foi agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia e
a elevação dos preços da energia, combustíveis e alimentos.
Recentemente, o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros em 0,75
ponto porcentual pela segunda vez consecutiva, medida essa destinada a
combater a maior inflação no país em 40 anos. Há sempre aqueles que
discordam e não faltaram vozes para criticar essa medida; porém,
considerando a dívida pública gigantesca e que parte dela é representada
por títulos nas mãos de credores internacionais, a não elevação da taxa
de juros diante de uma inflação que passou dos 9% ao ano significaria
fuga imediata dos investidores, e isso imporia ao Tesouro
norte-americano dificuldades para rolar a dívida pública. E, mesmo com o
aumento recente da taxa de juros – que subiu para 2,5% ao ano diante de
uma inflação de 9% –, a taxa real de juros continua sendo negativa, com
desestímulo ao espírito de poupança em face dos prejuízos aos
poupadores que confiaram na estabilidade da economia do país e aplicaram
seu dinheiro em títulos do governo.
Esse cenário, portanto, faz que a recessão técnica agora verificada
não constitua surpresa nem seja evento distorcido: é resultado de
problemas graves, que têm consequências políticas internacionais. Um
exemplo: até algum tempo atrás o maior detentor de títulos da dívida
pública norte-americana era a China, que tinha mais de US$ 1 trilhão em
títulos, mas vem reduzindo sua posição, fazendo dessa medida mais uma
arma que o governo chinês usa para enfraquecer os Estados Unidos. Vale
ressaltar que a China também vem enfrentando problemas graves,
especialmente nos setores de infraestrutura, construção civil, crédito
imobiliário, inadimplência bancária e sinais recessivos setoriais.
Os analistas internacionais estão prevendo que a China crescerá a um
ritmo muito menor do que se propagava, podendo mesmo flertar com
recessão econômica. A coexistência de crise nos Estados Unidos e na
China tem o poder de agravar a economia global, pois o comércio
internacional é altamente dependente dessas duas economias gigantes.
Aqui está o ponto capaz de afetar os países emergentes, reduzir o
comércio exterior e espalhar desaceleração econômica, inclusive no
Brasil. Restar saber como será o desempenho desses dois grandes países
nos próximos trimestres e que rumo tomarão suas economias. No caso da
economia norte-americana, acredita-se que ela tem maior capacidade de
suportar recessão do que aguentar inflação elevada, e as recessões são
vistas como eficientes para jogar a inflação para baixo. A conferir.
Para recuperar a agenda contra a corrupção preciso “mudar a
música que toca” no Congresso Nacional| Foto: Luis Macedo/Câmara dos
Deputados
Ao longo dos anos 90, até a eleição de Lula, em 2002, o
PT se apresentava aos cidadãos brasileiros como o único partido
verdadeiramente imaculado, contra a corrupção dos partidos “de elite”
que comandavam o país. A experiência nos municípios e estados geridos
pelo PT até então demonstrava que não era bem assim, mas o país precisou
viver os dois mandatos de Lula e o mandato e meio de Dilma Rousseff
para finalmente ver derrubada a máscara da ética petista.
Jair Bolsonaro foi eleito na esteira da decepção dos incautos dos
tempos do PT e com a promessa de extirpar a prática do toma lá da cá da
chamada velha política. O ex-capitão e deputado federal de muitos
mandatos de fato conseguiu convencer uma parcela significativa do
eleitorado de que era o autêntico candidato contra a corrupção.
Mas antes mesmo de ele assumir a Presidência, já se revelavam para o
Brasil as maracutaias típicas do baixo clero parlamentar que ocorriam
nos gabinetes da familia, como a prática da rachadinha.
Ao longo de seu mandato, Bolsonaro não avançou na pauta contra a
corrupção, seja por não mover uma palha pela aprovação do projeto nesse
sentido de seu então ministro e ex-juiz Sergio Moro, seja por não ter
apoiado a Operação Lava Jato como havia prometido na campanha. E pensar
que muita gente acreditou que faria isso.
Depois, passou a minimizar as evidências de que a corrupção continuou
existindo na cúpula do Poder Executivo, como se fosse inevitável.
Mas é injusto afirmar que o presidente é o único responsável pelo
retrocesso na agenda contra a corrupção no país. Os ocupantes do
Congresso Nacional têm sua parcela significativa de culpa. Esquerda,
direita e o velho Centrão uniram-se para esvaziar leis que coibiam o
comportamento antiético na gestão pública e para tirar o poder
investigativo do Ministério Público. E juntaram-se para reconduzir à
chefia do MP um procurador-geral da República que se gaba de “não
criminalizar a política” — o que para bom entendedor significa pegar
leve com malfeitos por parte daqueles que deveriam representar o povo,
em vez de expoliá-lo.
Diante de um cenário eleitoral em que os cidadãos brasileiros parecem
dispostos a deixar de lado o tema da integridade para optar entre Lula e
Bolsonaro, o caminho que resta para avançar, ou recuperar, a agenda
contra a corrupção é o de eleger deputados federais e senadores
comprometidos com o tema da ética pública.
É nesse caminho que aposta um novo movimento da sociedade civil
chamado Projeto 200+, que pretende apoiar a eleição de parlamentares que
se comprometam a atuar e votar no Congresso Nacional em favor de uma
lista básica de questões consideradas essenciais para criar um ambiente
de maior integridade ética na política.
A lista de compromissos que precisa ser assinada pelos candidatos que
pretendem aderir à proposta consiste em fortalecer a democracia com
práticas de maior transparência e fiscalização e com a rejeição do uso
do orçamento em troca de apoio político; reduzir o fundo eleitoral;
apoiar a prisão em segunda instância e o fim do foro privilegiado;
renunciar caso seja condenado por corrupção e crimes afins; capacitar-se
constantemente para o exercício do mandato.
Para os candidatos que já exercem um mandato legislativo, há a
exigência adicional de que tenham trabalhado e votado contra o aumento
do fundo eleitoral, contra a PEC que tentou reduzir o poder de atuação
do MP e contra a mudança na Lei de Improbidade Administrativa.
Os fundadores do Projeto 200+, que já conseguiram a adesão de
candidatos de mais de uma dezena de estados e partidos, afirmam que a
iniciativa pretende-se apartidária e aberta a todas as ideologias.
“Sem entrar no mérito do porquê, mas o fato é que a agenda contra a
corrupção regrediu nos últimos anos. E percebemos isso porque vimos um
corrupto sendo solto e porque continua existindo corrupção no alto
escalão do governo”, diz Charles Putz, um dos coordenadores do projeto.
“Atualmente, em qualquer discussão sobre política as pessoas começam a
falar sobre a disputa para a presidência. Já o voto para o Legislativo
não está recebendo a atenção que merece. Esse é o poder mais importante,
que escreve as leis nas quais o Judiciário vai ter que se basear para
julgar e que o Executivo terá que seguir, além de ter a responsabilidade
de fiscalizar o governo e aprovar o orçamento”, lembra Putz.
“A gente precisa aproximar o Congresso dos eleitores”, complementa Guy Manuel, também coordenador do Projeto 200+.
A diversidade ideológica e a adesão de candidatos de diferentes
regiões do país são importantes para os organizadores da iniciativa,
pois estão convencidos de que essa não é uma pauta exclusivamente de
direita ou de esquerda, urbana ou dos rincões do país.
Segundo um levantamento feito pelo grupo, na atual legislatura não
chegou a 8% a proporção de parlamentares que votaram de acordo com a
lista acima. Aqueles que atuaram em favor dessa agenda pertencem a
quinze partidos diferentes e apenas dois, de espectros políticos
antagônicos, têm uma maioria de deputados que votaram de maneira
consistente pela pauta da integridade: o Novo e o Psol.
Guy Manuel atribui esse dado em parte ao fato de ambos os partidos
terem linhas ideológicas coerentes e por haver um alto grau de coesão de
seus integrantes a essas linhas. Mas isso não significa que outros
partidos não possam vir a ter também essa característica de adesão
majoritária à agenda da integridade ética. Basta mudar a “música que
toca no Congresso”, segundo a metáfora usada por Charles.
A meta do Projeto 200+, como o próprio nome indica, é eleger mais de
200 deputados federais e senadores que se comprometam com a lista acima.
Mas por que 200 e não a totalidade dos deputados e senadores? Afinal, o
desejável seria que todos dançassem conforme a música da ética pública.
Charles Putz explica que, em um grupo de pessoas, haverá sempre uma
minoria que está sempre fazendo coisa errada e, no outro extremo, uma
minoria radicalmente íntegra e correta. No meio há uma massa grande de
pessoas que dançam conforme a música. “Dentro dessa lógica, entendo que
no Congresso está tocando a música errada. Se colocarmos lá 20
parlamentares compromissados com essa agenda, vamos provocar bastante
ruído na música atual. Se colocarmos 200 ou mais, porém, esses serão
capazes, talvez, de mudar a música que está tocando.”
“Trata-se de uma barreira de 40% contra práticas não republicanas na política”, resume Guy.
E o que fazer com os candidatos que, depois de eleitos, resolverem
virar as costas para o compromisso assumido com a agenda contra a
corrupção? Aí entra o trabalho mais importante e mais difícil da atuação
cidadã: acompanhar, fiscalizar e cobrar a atuação dos parlamentares.
Aqueles que descumprirem a promessa serão expostos publicamente. Em
última instância, podem até ser processados.
Da mesma forma que ganharam vitrine para alavancar suas candidaturas, virarão vidraça caso se afastem dos compromissos firmados.
Diogo Schelp Diogo Schelp, jornalista, foi editor executivo da
revista Veja, onde trabalhou durante 18 anos. Fez reportagens em quase
duas dezenas de países e é coautor dos livros “Correspondente de Guerra”
(Editora Contexto), finalista do Prêmio Jabuti 2017, e “No Teto do
Mundo” (Editora Leya). **Os textos do colunista não expressam,
necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo. veja + em Diogo Schelp
No ano de 1924, o
eminente civilista brasileiro Pontes de Miranda, em inquérito realizado
juntamente com educadores, historiadores e sociólogos para o Anuário do
Brasil, sob o título à Margem da História da República, denunciava uma
das origens dos nossos males: o vício tão brasileiro de “copiar os
estrangeiros” nas leis e nas instituições – um fetiche de aderir a
legislações e sistemas de direito abstratos, alheios à nossa cultura e,
sobretudo, à nossa soberania.
De lá para cá, a situação se tornou ainda mais dramática. Perdemos
até mesmo a doce hipocrisia e o cinismo de copiar com leves alterações
os sistemas jurídicos internacionais. Adotamos diretamente os acordos de
cooperação internacional – ou mesmo tratados e políticas determinadas
pelas comissões da ONU – como fonte direta de compromissos geopolíticos,
sem que possam ser alterados pelo Legislativo, ou adequados a
estratégias nacionais em face do mundo. Silenciosamente aprovamos o
pegar ou largar jurídico internacional.
Infelizmente, a não adesão às determinações internacionais, em
flagrante abuso do uso de legislações transnacionais, não vêm
desprovidas de penalidades. Há restrições como não acesso a crédito, ou
mesmo à possível perda de mercados estratégicos ao país e até mesmo
acesso a novas tecnologias, refletindo, assim, uma imposição regulatória
com sanções dramáticas ao comércio internacional em caso de não
aderência a essa nova espécie de contrato de adesão criado pelos países
que comandam a ONU.
Não é razoável que um órgão distante e obscuro imponha tarifas
adicionas a um brasileiro que queira comer um hambúrguer ou visite sua
mãe de avião, por estar influenciando o aumento do carbono no mundo.
O fato, inconteste, é que a ONU passou a atual sobre o Estado, em
flagrante abuso de sua autoridade e legitimidades. Considerados seus
objetivos e fundamentos, a ONU se tornou uma superestrutura doutrinária,
burocrática e jurídica com base étnica e geográfica alienígena aos
interesses, cultura e formação brasileira.
O selo ESG (Environmental, Social and Governance), neste sentido, é a
mais nova forma de translação e usurpação de soberania inventada por um
órgão ilegitimamente supranacional, que viola não somente direitos
individuais, econômicos, mas também põe em risco a segurança nacional.
Tal selo busca determinar uma série de práticas e leis que devem ser
seguidas de maneira a preservar ou atingir objetivos de sustentabilidade
ambiental, impondo quais as formas de atingi-las, determinando
inclusive o comportamento alimentar futuro dos indivíduos.
Não é razoável que um órgão distante e obscuro imponha tarifas
adicionas a um brasileiro que queira comer um hambúrguer ou visite sua
mãe de avião, por estar influenciando o aumento do carbono no mundo.
Estamos falando de uma restrição estrangeira a direitos fundamentais
garantidos na Constituição.
Se levado a cabo, o ESG, o mais novo contrato de adesão
internacional, inauguraria a submissão de direitos naturais do indivíduo
e das empresas a um coletivismo abstrato, ou seja, a determinação
jurídica de seus atos a depender de uma ofensa a um bem jurídico
abstrato internacional – o impacto na emissão de carbono. E é preciso
notar que os critérios de medição, averiguação, penalidades e outros
métodos coercitivos relacionados à emissão de carbono estão submetidos a
um órgão supranacional onde o Brasil tem representatividade
insignificante, mesmo sendo uma potência ambiental e agrícola.
Artigo: Empresas priorizam sustentabilidade e esquecem das pessoas Como o mercado investidor usa o ESG para impor ideologia às empresas Quem lacra não lucra: boicotar funciona?
Seria ainda instrumento de subversão social, escolhendo não mais
quais países podem ou não negociar internacionalmente, mas que grupos
dentro dos países podem ter acesso a mercados e capitais. Também atua
como instrumento de divisão social e aumento da desigualdade, criando um
regulador de mercados transnacional que poderia escolher quais empresas
continuariam ou não no mercado, a depender de sua capacidade de aderir e
cumprir os requisitos internacionais.
É a corrupção do direito pela lei, ou o uso da legalidade viciada de
ilegitimidade para subversão da Constituição e da ordem jurídico-formal,
a criação de uma ideologia abstrata que submete todos os diretos
fundamentais ao coletivismo mundial. Ou seja, o ESGismo.
Sabemos ainda que, no âmbito das relações internacionais a segurança
de um país só pode decorrer de políticas externas dirigidas com firmeza
no sentido dos objetivos nacionais, sendo uma situação de garantia e
independência existente que permita a realização de objetivos
permanentes da nação e dos indivíduos, mantendo-se a coesão social.
O selo ESG subverte esse critério, invadindo a vida privada, a
decisão econômica e estratégica de desenvolvimento em nosso território. É
a criação indireta através de forças econômicas de um bem abstrato,
superior a qualquer direito fundamental ou soberano do país.
O ESG é uma revolução vinda do topo para a base, o mais novo efeito do mal que nos acomete.
Artigo Por Filipe Regueira de Oliveira – Gazeta do Povo
Imagem ilustrativa.| Foto: Unsplash
Qual o papel do
cidadão comum em uma democracia? O que justifica uma grande meio de
comunicação substituir os termos “assaltantes” ou “ladrões” por
“vulneráveis”? Como é possível um professor universitário afirmar que é a
favor do assalto?
Há muito tempo, Ricardo Dip e Volney Moraes Jr, ex-desembargadores do
Tribunal de Justiça de São Paulo, denunciavam a ambiguidade com que
alguns intelectuais brasileiros definiam o papel do povo brasileiro no
espaço da cidadania.
Eles perceberam que esses intelectuais costumavam ter grande
consideração com a vontade do povo brasileiro apenas quando essa vontade
coincidia com o que eles pensavam. Caso contrário, esse mesmo povo
deixava de ocupar posto respeitável no espaço do processo democrático
para se tornar um populacho de vingadores, bando de “paranoicos”
sedentos de sangue, um aglomerado de ignorantes que não possuem
capacidade de exercer qualquer papel no tracejar de políticas criminais,
por ser tema supostamente interdito ao cidadão comum e reservado apenas
aos poucos iluminados da intelligentsia brasileira.
Para maioria dos brasileiros, o criminoso não é vítima, e sim, um
indivíduo comum, capaz de exercer a livre escolha, incluindo a de se
afundar na delinquência selvagem.
Essa ambiguidade de tratamento é evidenciada quando percebemos as
frequentes notas públicas de entidades não governamentais, integradas
por especialistas em segurança púbica, membros da academia e até
magistrados, disparando pesados ataques contra quaisquer projetos de lei
lançados no Congresso Nacional que busquem atender as aspirações
coletivas da maioria esmagadora do povo brasileiro em combater o
banditismo violento e o estado de impunidade que domina nosso país.
O Congresso Nacional sabe, e sabe muito bem, o que o povo pensa a
respeito da segurança pública. Mais de 87% dos brasileiros defendem a
redução da maioridade penal. Três em cada quatro brasileiros acreditam
que a punição adequada para um estuprador seria a pena de prisão
perpétua. Diante do estado de violência desenfreada em que se encontra o
país, mais da metade já apoia a pena de morte, número que vem crescente
assustadoramente a cada ano.
Por que, então, medidas práticas, reais, factíveis e menos drásticas,
com grande potencial de redução dos índices da criminalidade violenta e
forte apoio popular, como os projetos de lei que tratam da prisão em
segunda instância, da exigência de exame criminológico para progressão
de regime, da vedação de penas em meio aberto para criminosos dotados de
periculosidade, da redução da maioridade penal ou do fim das saídas
temporárias, por exemplo, não são aprovados no Congresso Nacional?
A resposta pode estar no chamado “lobby da insegurança pública”. O
termo foi cunhado por Georges Fenech, ex-juiz de direito francês e autor
de diversos estudos criminológicos, que na década de 90 identificou no
Parlamento, na mídia e nas universidades de seu país, interesses ocultos
de determinados grupos que buscavam incentivar motins e pequenos
delitos de modo a fomentar a instabilidade social.
Esses grupos, segundo Fenech, muito ativos na intelligentsia
midiática, nos meios políticos, judiciais, sindicais ou associativos,
sustentavam que a sociedade francesa era a única responsável pelos
crimes praticados pelos delinquentes porque ela própria gerava
desigualdades sociais. Esta corrente de pensamento único, que
influenciou por algum tempo as universidades francesas foi chamada por
Fenech de “cultura da desculpa”, uma espécie de desresponsabilização
generalizada dos criminosos, que segundo o autor, teve forte influência
na França desde a década de 70 até o final do século XX.
VEJA TAMBÉM: Editorial: Terras sem lei, operações policiais e reações apressadas Artigo: É preciso falar sobre a epidemia silenciosa de suicídios entre policiais Deputado vê conflito de interesses em ação de ONG no STF contra operações policiais no RJ No
entanto, passados os efeitos da segunda grande guerra, notou-se que
riqueza e abundância, além da expressiva melhora dos indicadores sociais
obtidos após a forte recuperação econômica da Europa ao final do século
XX, não vieram acompanhados da redução da criminalidade. Pelo
contrário, os números foram inversamente proporcionais. Na França, os
índices de crimes como estupros, roubos e homicídios cresceram
exponencialmente no período, demonstrando a deficiência das teses
criminológicas que apontavam a pobreza e o desemprego como principais
causas do aumento da delinquência violenta, teoria que no Brasil é
sustentada pela chamada “Criminologia Crítica”, “Radical”, “Marxista”,
ou “Nova Criminologia”, fortemente propagada e, ao que parece, dominante
nas universidades brasileiras.
Esse é o motivo pelo qual as grandes democracias ocidentais, apesar
da abundância e riqueza econômicas, não renunciaram ao cárcere punitivo
como instrumento de controle da criminalidade, pelo contrário,
recrudesceram as penas repressivas a partir do final do século XX. A
reintrodução da prisão perpétua em 2015 no Código Penal Espanhol, as
penas relativamente indeterminadas em Portugal, as leis de tolerância
zero alemãs de 1998 contra os agressores sexuais e outros delinquentes
perigosos, a previsão de prisão permanente para criminosos violentos na
França e Itália, e, por fim, a manutenção da pena de morte até os dias
atuais em países como Japão e EUA, demonstram que todas as nações de
primeiro mundo possuem tratamento repressivo penal muito mais severo do
que o Brasil, recordista mundial em crimes violentos como feminicídio e
estupro.
Por aqui, é de se questionar se parte desses intelectuais, assim como
ocorreu na França, não estão a esconder algum tipo de preconceito
ideológico contra o modelo econômico vigente, buscando fomentar e
perpetuar o caos da violência urbana. A criminalidade desenfreada seria o
preço a pagar pelas vítimas e por toda a “sociedade capitalista
opressora”, causadora das desigualdades sociais – ainda que as vítimas,
em sua grande maioria, sejam oriundas das camadas de baixa renda da
população. Ricos e pobres deveriam suportar o custo da criminalidade ao
mesmo nível que um acidente da estrada ou uma doença do capitalismo
moderno.
Para buscar seu intento, ONG’s e entidades de classe – que não
representam a maioria da população – rotulam rapidamente de
ineficientes, retrógadas, até mesmo de maldosas e desumanas, quaisquer
iniciativas que busquem adotar mais rigidez no tratamento do banditismo
violento, contando com auxílio de parte da mídia engajada e da academia.
“Redução da maioridade penal?”, pergunta o cidadão comum atormentado
pela violência. “Não resolve o crime”, responde o especialista. “E
restringir ou excluir regimes abertos para criminosos violentos e
perigosos?”, insiste o cidadão sofrido. ”Não diminui a violência”,
responde o expert. Aumentar as penas? Nem pensar!
A criminalidade desenfreada seria o preço a pagar pelas vítimas e por
toda a “sociedade capitalista opressora”, causadora das desigualdades
sociais.
Mas então qual medida pode resolver então?A resposta dos intelectuais
é de que se trata de um problema complexo e que a solução também o é.
Em seguida, ao invés de oferecer medidas concretas para mitigar a
violência urbana, o penalista moderno passa a divagar sobre abstrações
teóricas soltando chavões como “educação”, “inteligência policial,
“emprego”, em um tautologismo enfadonho, sem nunca apontar soluções
factíveis para o cidadão comum, que junto com sua família, estão
sofrendo – agora, neste exato momento – as consequências da violência
diária que tomou conta do país.
Curiosamente, talvez por sofrer na pele os efeitos da violência, o
cidadão médio brasileiro, apesar de bombardeado com tardo-modernas teses
da criminologia crítica através da grande mídia, já há muito superadas
em países como França, Espanha, Itália, Japão e Estados Unidos, não tem
sido receptivo a essas teorias, postulando tratamento cada vez mais
rígido e medidas efetivas tendentes a dissuadir e conter o criminoso
violento.
Para maioria dos brasileiros, o criminoso não é vítima, e sim, um
indivíduo comum, capaz de exercer a livre escolha, incluindo a de se
afundar na delinquência selvagem. Curiosamente, as pesquisas de opinião
apontam que os integrantes das camadas menos favorecidas rechaçam ainda
com mais força quaisquer teorias que consideram a criminalidade como uma
espécie de redistribuição de bens em favor dos oprimidos. Eles são os
que clamam, ainda mais fortemente, por leis mais duras contra a
criminalidade violenta.
No entanto, apesar de desmascarado o falso humanismo daqueles que
veem na criminalidade uma legítima forma de violência reparadora de
injustiças sociais – ou até mesmo uma lógica no assalto – é desconhecido
o motivo pelo qual o lobby da insegurança pública possui tão forte
influência sobre os integrantes do Congresso Nacional, ao ponto de
desconsiderar as reivindicações coletivas da verdadeira vítima da
criminalidade violenta: o cidadão comum brasileiro.
A correria do dia a dia muitas vezes nos faz passar batido por
aprendizados e referências contínuas, o que afeta a percepção e o
exercício de uma das competências mais necessárias no presente e futuro
do trabalho: a criatividade.
E hoje, vamos falar sobre como exercitar mais a percepção e o uso de referências no dia a dia do trabalho.
Velocidade. A palavra do século, também a causa do
aumento de casos de ansiedade, depressão e burnout, é um dos principais
fatores pelos quais você – e, provavelmente, boa parte do seu time – não
percebe questões sutis como o quanto se aprende em um dia comum, com
coisas e situações comuns. E, por não perceber o quanto se aprende em
situações diversas, exercitar a criatividade se torna um desafio.
Criatividade é uma das principais competências do
presente e do futuro por algumas razões: é o principal gatilho da
inovação, a melhor forma de resolver problemas complexos com menos
esforços e/ou custos e amplia a resiliência – ou a capacidade de errar e
corrigir a rota rapidamente. É também parte do que forma o processo de
antifragilidade e crescimento.
O problema é que a criatividade é uma competência que precisa ser
exercitada. E isso em nada tem a ver com áreas específicas, com
marketing ou conteúdo; embora essas áreas tenham mais costume de fazer o
exercício criativo. Tampouco tem a ver com sessões de ideação ou design
thinking, ainda que tais sessões sejam ferramentas para se exercitar a
livre associação.
Porém, existem maneiras mais simples de exercitar a criatividade – e
as empresas e profissionais podem se beneficiar disso. Um exemplo é
voltar o olhar para talentos diversos que seu time pode ter. Seja a
prática de um esporte ou um hobby, estimular que seus colaboradores
adaptem competências relacionadas a este talento para a realidade do
trabalho é um grande avanço no exercício criativo. E a repetição deste
exercício torna natural a aprendizagem por associação. E, com o tempo,
toda situação tem um aprendizado: só que agora seus colaboradores são
capazes de ver e compreender qual é.
A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional,
desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em
divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo
as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade,
ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como
vantagem competitiva.
Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um
marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das
empresas da região e alavancar as suas vendas.
A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região
no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma
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de mais clientes e públicos.
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forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus
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todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o
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atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos
pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no
comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
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ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das
suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil
habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os
produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a
micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua
audiência.
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Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade,
comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de
nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.
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Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de
Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando
relacionamentos duradouros.
Tropas russas em Kherson: retomada de cidade no sul da Ucrânia
reforçaria Zelensky como líder em tempos de guerra, mas uma eventual
derrota poderia acelerar tentativa russa de desacreditá-lo e derrubá-lo|
Foto: EFE/EPA/SERGEI ILNITSKY
O governo ucraniano prepara uma
contraofensiva de grande magnitude para tentar libertar a cidade de
Kherson, no sul do país. O resultado dessa ação tem potencial para
influir no destino político do presidente Volodymyr Zelensky e no apoio
das potências do Ocidente às tropas ucranianas.
Diversas unidades militares ucranianas, que lutavam em Donbas, no
leste, foram transferidas há cerca de duas semanas para a cidade de
Mykolaiv – considerada um bastião de defesa no sul do país. As tropas
estacionadas na cidade impediram que a Rússia completasse a conquista do
litoral ucraniano no início da guerra. Lá, esses militares trocaram
suas armas da era soviética por equipamentos americanos e se prepararam
para o que pode ser a maior contraofensiva da Ucrânia até agora.
Rammstein, um atirador de elite que pediu para ser identificado
apenas por seu apelido, lutava em Donbas usando um fuzil de assalto
AK-12 (versão modernizada do clássico AK-47 soviético), equipado com uma
mira telescópica improvisada. Essa arma é adequada para soldados
regulares, mas é pouco precisa para um atirador de elite ou sniper como
ele.
Em Mykolaiv, Rammstein recebeu uma arma adicional: um fuzil
antimaterial americano Barrett M82, calibre .50, com silenciador.
Desenhado para abater veículos ou aeronaves, o Barrett pode atingir
alvos a 1,8 quilômetro de distância ou abater inimigos protegidos atrás
de paredes ou em posições pouco fortificadas. Ou seja, o estado da arte
para um atirador.
“Passamos por treinamento aqui em Mykolaiv. Mas a área está muito
perigosa. O comando disse que há muitos espiões russos. Quando estamos
de folga, não podemos andar fardados, porque eles seguem os militares
para descobrir onde ficam suas bases”, disse Rammstein.
Após receber instruções específicas sobre o armamento, Rammstein se
juntou a centenas de colegas, ucranianos e estrangeiros, que começaram a
avançar em direção a Kherson.
O objetivo é libertar a cidade antes do dia 11 de setembro, dia
tradicional de eleições na Federação Russa. O porta-voz do Conselho de
Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, disse em 19 de junho que o
Kremlin se prepara para realizar plebiscitos nas regiões ocupadas de
Kherson, Zaporizhzhia, Donetsk e Luhansk nessa mesma data.
A ideia seria usar a mesma cartilha que possibilitou a controversa
anexação da Crimeia em 2014: realizar votações restritas aos locais em
questão, questionando se os cidadãos querem fazer parte da Ucrânia ou da
Rússia. A legislação ucraniana até prevê esse tipo de plebiscito, mas a
votação tem que ser nacional.
Além disso, autoridades ocidentais dizem que há uma grande
probabilidade de que a Rússia manipule os resultados dos plebiscitos, em
uma tentativa de legitimar anexações formais de território.
Uma vez que o território ucraniano seja declarado oficialmente solo
russo, o presidente Vladimir Putin pode afirmar, direta ou
indiretamente, que a doutrina militar russa – que permite o uso de
armamentos nucleares se solo russo for invadido – pode ser estendida aos
territórios anexados da Ucrânia. A análise é do think tank americano
Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).
Por isso, os ucranianos têm pressa de atacar e seus aliados
ocidentais tentam acelerar o envio de armas e munições. Porém, na
prática, Kherson é a única área ocupada onde a Ucrânia tem chances reais
de vencer os russos no curto prazo. Dificilmente os territórios em
Zaporizhzhia, Donetsk e Luhansk serão libertados antes da anexação.
Kherson é o único território ocupado a oeste do rio Dnipro, que corta
a Ucrânia praticamente ao meio. Entre os dias 19 e 20 de julho, os
ucranianos usaram lançadores de foguetes de precisão americanos Himars
para bombardear as duas únicas pontes sobre o Dnipro – que poderiam ser
usadas pelos russos para levar reforços e armamentos para Kherson.
Uma delas foi quase inutilizada. A segunda, montada sobre o dique de
uma usina hidrelétrica, continua operando, segundo informações recentes.
De acordo com Serhiy Khlan, conselheiro administrativo de Kherson, o
bombardeio de pontes serve para evitar que a Rússia mova equipamentos
pesados para a cidade sem impedir a entrada de comida e suprimentos.
Também teriam sido atingidos ao menos dez alvos, entre depósitos de
munição e centros de logística russos espalhados pela região. Em
paralelo, tropas ucranianas tomaram diversos vilarejos, entre os dias 15
e 22 de julho, em preparação para a invasão.
No último dia 24, o presidente ucraniano anunciou que a
contraofensiva estava em curso. Mas ainda não é possível saber qual a
sua magnitude e se há armamentos e combatentes suficientes para cumprir a
missão.
Segundo outro think tank, o Instituto Internacional de Estudos
Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), a Ucrânia começou a guerra com
aproximadamente 125 mil combatentes no exército e 100 mil membros da
guarda nacional e forças de defesa territorial.
A Ucrânia não divulga seu número de baixas. Mas, com base em
declarações do governo ucraniano de que cem militares são mortos por
dia, órgãos de mídia internacionais estimaram que o número de
combatentes mortos em ação varie entre 35 mil e 45 mil até o momento.
O ministro da defesa Oleksii Reznikov chegou a dizer que o país seria
capaz de juntar 1 milhão de combatentes (700 mil combatentes do
exército e 300 mil paramilitares). Mas ainda não surgiram evidências de
que isso seja factível, nem se os novos recrutas teriam treinamento
suficiente para fazer a diferença no campo de batalha.
Além disso, uma ação militar exitosa depende de muitos outros
fatores, como armas avançadas, logística e organização. Não se sabe
exatamente a quantidade de armas pesadas enviadas pelo Ocidente que
estão em Mykolaiv. Mas, em tese, a Ucrânia leva vantagem na logística
pela posição geográfica da cidade.
Cenário atual na Guerra da Ucrânia
O futuro político de Zelensky pode ser influenciado pelo resultado
dessa operação. Se houver sucesso em libertar Kherson, o presidente
mandará um recado aos Estados Unidos e seus aliados europeus de que as
transferências de armas, treinamento e inteligência fornecidos estão
fazendo efeito. Ele também reforçará sua imagem internamente, mostrando
que é o homem certo para conduzir a nação em tempos de guerra.
No melhor cenário para a Ucrânia, as tropas russas não conseguirão
enviar reforços suficientes a Kherson por causa da barreira do rio
Dnipro e dos disparos de longo alcance dos Himars (que podem atingir
alvos a até 80 km de distância). Em paralelo, um levante liderado por
partisans (guerrilheiros) desestabilizará a defesa da cidade e os russos
terão que fugir abandonando armas e equipamentos pesados com a
aproximação da força de ataque principal ucraniana.
Por sua vez, Moscou vem transferindo tropas da frente oriental para o
sul do país, a fim de sustentar posições em Kherson. Essas tropas
tentarão cruzar o Dnipro pela ponte restante ou utilizando balsas e
pontes temporárias. A aviação russa pode ser utilizada para bombardear
blindados e tropas ucranianos, enquanto drones (que o Kremlin tenta
comprar do Irã) sairão à caça dos lançadores de foguetes Himars e outras
peças de artilharia fornecidas pelo Ocidente.
Sem falar que o Kremlin ainda possui grande estoque de mísseis de cruzeiro que podem atingir qualquer parte da Ucrânia.
Assim, se a contraofensiva ucraniana for incapaz de libertar Kherson,
a capacidade de liderança de Zelensky e de seus generais pode ser
colocada em dúvida. O chanceler russo Sergey Lavrov afirmou neste mês
que um dos objetivos da Rússia é derrubar o presidente ucraniano.
O Kremlin vinha travando uma guerra de atrito (com muita violência e
pouco avanço) que, entre outros objetivos, visava diminuir a moral dos
ucranianos e desacreditar Zelensky. Uma vitória em Kherson poderia
acelerar esse processo.
A Rússia parece estar apostando nessa batalha da mesma forma que a
Ucrânia. Na frente oriental, as tropas fizeram uma pausa para descanso
entre 7 e 16 de julho. Quando o avanço foi retomado, seguiu de forma
mais lenta, apenas em duas direções: Bakhmut e Siviersky. Isso pode
indicar uma reorganização das tropas russas.
Enquanto os dois exércitos se preparam para o enfrentamento em
Kherson, a cidade permanece praticamente isolada. Antes da invasão
russa, a população estimada era de 290 mil pessoas. No último
levantamento, feito em maio, 180 mil ainda estavam na região. Não há
acesso a remédios nem bens essenciais.
O governo ucraniano vem emitindo pedidos para a população deixar a
cidade. Mas a rede de internet e meios de comunicação já teriam sido
substituídos por redes russas.
As pessoas também não têm acesso a bancos e caixas eletrônicos para
sacar dinheiro. Segundo o jornal Kyiv Independent, pró-Ucrânia, muitos
estão conseguindo recursos vendendo seus bens em mercados de pulgas. A
Rússia impôs uso do rublo, sua moeda nacional, mas as pessoas estariam
se recusando a utilizá-la.
O periódico afirmou ainda que a polícia militar russa vem agindo com
violência para tentar identificar membros da resistência ucraniana. Por
sua vez, os partisans têm conduzido tentativas de assassinato contra
autoridades russas.
Em resumo, a Ucrânia tem uma boa oportunidade para obter uma vitória
militar e midiática localizada, devido a fatores como a posição
geográfica de Kherson, a concentração de tropas em Mykolaiv e os
lançadores de foguetes Himars. Mas a Rússia continua tendo superioridade
de armamentos e de combatentes na guerra como um todo. Por isso,
dificilmente Kherson será a última batalha desta guerra.
Milhares de vagas de emprego em
que não é preciso “sujar as botas” estão sendo criadas pelo agronegócio
brasileiro. E está faltando gente habilitada. A rápida digitalização do
campo, aliada a novas demandas ligadas à sustentabilidade, criou um
déficit de profissionais num setor que já responde por um terço das
vagas de trabalho no País.
Apenas nas grandes fazendas, até 2030 o déficit projetado chega a 64%
para técnicos em agricultura digital; ou seja, de cada dez vagas
ofertadas, menos de quatro serão preenchidas. O estudo “Profissões
Emergentes na Era Digital: Oportunidades e desafios na qualificação
profissional para uma recuperação verde”, realizado em 2021 pela Agência
Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) em parceria com o Senai e com a
UFRGS, apontou que em dois anos oito carreiras do agronegócio iriam
gerar 178,8 mil oportunidades, mas haveria apenas 32,5 mil profissionais
disponíveis para preencher essas vagas. Um gap de 82% que, mesmo no
médio e longo prazo (dez anos), deve permanecer relativamente alto, na
casa dos 55%.
Para o Superintende de Educação Profissional e Superior do SENAI,
Felipe Morgado, as previsões não são inevitáveis nem devem criar um
cenário de desânimo, mas de oportunidades. “Somente o Senai tem hoje 2,5
milhões de alunos matriculados. Existe esse gap no agronegócio, mas é
possível ao Senai e ao Senar rapidamente atenderem essa demanda. As
instituições do setor profissional estão se mexendo e passando a
oferecer esses cursos. Precisamos também de um despertar do trabalhador e
que os agricultores busquem incorporar essas novas tecnologias”,
avalia.
Habilidades vão do uso de drones à compreensão da telemetria
Dentre as principais habilidades digitais exigidas nos novos empregos
do agro, estão a operação de drones para vistoriar lavouras e
pulverizar defensivos; o uso da telemetria para coletar dados de
colheita, avaliar condições do solo, distribuir fertilizantes, analisar e
tratar infestações de pragas e plantas daninhas; e o monitoramento do
ambiente por meio de sensores e aplicativos que coletam dados
climáticos, como ventos, temperatura e umidade.
Ao trazer avanços tecnológicos, por questão de competitividade, a
própria indústria busca capacitar os funcionários de seus clientes e sua
assistência técnica. Cláudio Calaça Júnior, diretor de marketing de
produto da fabricante New Holland, destaca que a mudança de paradigma de
mecânica para eletrônica já começou a ocorrer há dez anos. Mais
recentemente, vieram com força a automação e a telemetria. “Para essas
novas posições, de data analyitics e engenheiro de dados, começa a haver
uma participação maior, tanto na indústria como no campo. Uma máquina
no campo com telemetria está transmitindo online inúmeras informações
durante todo o período de funcionamento. A gente precisa de
profissionais numa central de inteligência que consigam fazer essa
análise para que as soluções sejam efetivamente aplicadas”.
Nas fazendas maiores, técnicos em agricultura digital alocados de
forma permanente são indispensáveis, mas para pequenos e médios
produtores, a contratação de serviço bate-volta pode ser uma opção. A
tendência é apontada pelo engenheiro-agrônomo José Carlos Hausknecht,
sócio da MB Agro. “Temos os prestadores de serviço e as startups, que
dão suporte aos agricultores e que devem criar muitos empregos. Nas
fazendas, a gente vai ter cada vez mais o cara do escritório. É a pessoa
que trabalha no back office, que faz planejamento e monitoramento
remoto, com cada vez menos gente no campo. É um trabalho qualificado,
que paga melhor, e a pessoa não precisa necessariamente ficar sofrendo
debaixo do sol”, argumenta.
Cresce demanda por gestores no agronegócio
Do arado para o plantio direto, das anotações no caderno para as
projeções e tabelas no tablet. Não foi apenas a forma de lidar com a
terra que mudou, mas todo o processo de planejamento, administração e
controle da produção e da comercialização. Em função dessa demanda por
mais gestores no agro, desde 2014 a Confederação Nacional da Agricultura
e Pecuária (CNA) mantém sua própria faculdade. São cursos a distância,
como Gestão do Agronegócio (3 anos), Gestão Ambiental (2 anos), Gestão
de Recursos Humanos (2 anos) e Processos Gerenciais (2 anos). “Um número
significativo de estudantes estão fazendo segunda graduação, porque
sentiram esse gap e procuram acessar a área gerencial e tecnológica para
se atualizar”, relata Alberto Santos, coordenador da Faculdade CNA.
O estudo sobre as profissões emergentes na era digital preconiza
“ações imediatas para levar a digitalização até o campo, viabilizando
cultivos mais eficientes que demandem menores áreas e menor desgaste de
solo”. Entre as ações de curto prazo, está a necessidade de atualizar o
currículo de cursos como o de engenharia agronômica, para que passem a
formar engenheiros agrônomos digitais. Segundo estudo da Embrapa (2020) e
da UFSM (2020), o Brasil vai precisar de 74,6 mil engenheiros agrônomos
digitais para suprir a demanda de 40% das grandes fazendas, até 2030.
Nessa onda de mudanças, o levantamento prevê novas oportunidades para
as mulheres das pequenas propriedades, que “podem ter foco no marketing
digital para escoamento da produção ou na utilização de aplicativos
para controle de compras de insumos, controle de precipitações,
planejamento da lavoura, entre outros fatores relevantes, mas ainda
carentes no pequeno agricultor”.
Busca por profissionais que refinem os dados coletados no campo
O setor rural tem a vantagem de requerer, prioritariamente, apenas
uma atualização ou complementação de conteúdos digitais nas formações já
existentes, por meio de cursos específicos ou pós-graduações. Santos,
da CNA, aponta que as tecnologias embarcadas nos maquinários trouxeram
vasta quantidade de dados, que podem acabar sendo inúteis se não houver
quem os refine e interprete. “Esses dados estão disponíveis, às vezes de
forma desmembrada, e precisam ser organizados, com gráficos e
ferramentas de fácil compreensão. E o profissional precisa de uma
formação multidisciplinar para não somente coletar os dados. Hoje a
empregabilidade de quem se qualifica é muito grande, há grande demanda
na área de gestão para o Centro-Oeste, principalmente Goiás, Mato Grosso
e Mato Grosso do Sul”, relata.
Se além de dominar ferramentas digitais do agro, o estudante ou
trabalhador tiver treinamento em práticas ambientais, sociais e de
governança (ESG), ele certamente estará na mira de head-hunters. Estudo
da consultoria Michael Page revela que somente neste ano já houve uma
alta de 50% na busca por profissionais ligados a ESG. Entre os perfis
mais buscados estão o de diretor financeiro e de ESG (salários de R$ 35
mil a R$ 50 mil), head de sustentabilidade (R$ 20 mil a R$ 25 mil),
gestor de projetos para eficiência em carbono (R$ 18 mil a R$ 22 mil) e
especialista em ESG (R$ 10 mil a R$ 15mil). O que está por trás dessa
demanda, segundo Stephano Dedini, diretor da Michael Page para o agro,
são “as demandas de investidores e da sociedade por negócios, operações e
cadeias produtivas sustentáveis. É uma visão transversal do ESG em toda
a companhia”.
Para além das funções de alta qualificação em ESG listadas acima,
veja quais são as demais profissões emergentes no setor agrícola.
Profissões emergentes no agronegócio Profissão Descrição Requisitos Operador
de drones Manejar aviões não tripulados para monitoramento de
plantações e pulverização contra pragas e doenças Drones, aviação,
rotas, velocidade, aceleração Técnico em agricultura digital Entender
de processos do campo e TICs para encontrar soluções práticas na
produção rural Agricultura e plantio, recirculação de águas, tecnologias
sustentáveis e digitais Designer de máquinas agrícolas Buscar
soluções conforme padrões ESG para as máquinas agrícolas Desenvolvimento
de produto, tecnologias digitais, conhecimento de sustentabilidade e
design Agricultor urbano Desenvolver o cultivo de alimentos nas
grandes cidades Tecnologias digitais, plantas e formas de cultivo,
análise de dados, relevo e topografia Engenheiro agrônomo digital
Conciliar conhecimentos agronômicos com as tecnologias digitais, para
aplicação tanto nos processos quanto nos negócios Tecnologia digital,
plantas e formas de cultivo, análise de dados, relevo e topografia Técnico em agronegócio digital Trabalhar com TICs no plantio, cuidado com animais e clima Análise de dados, programação e gestão Cientista
de dados agrícola Entender de mercado agrícola, softwares, plantio e
geoprocessamento Análise de dados, programação, estatística, mercado
agrícola Engenheiro de automação agrícola Trabalhar nos diversos
fronts de automação para a agricultura Tecnologias de automação,
cultivos, processos, trabalho remoto, conectividade Fonte: SEMESP (2018) e experts entrevistados Mais infográficos