sexta-feira, 22 de julho de 2022

FUNDOS PARA STARTUP PODEM SER CHEQUES SEM FUNDO

 

Por Victor Marques, da Captable Brasil.

Além de levantar uma rodada de investimento, os fundadores de startup também precisam se certificar de que as promessas são reais. Conheça o caso de 3 startups que foram enganadas nesse processo.

Levantar uma rodada de investimento com fundos é uma tarefa e tanto. São diversas conversas, reuniões, análises e documentos assinados até chegar numa carta de intenção e – só então – ter o dinheiro na conta da startup. Não é por acaso que muitas startups morrem no meio desse longo processo. Não bastando isso, os empreendedores também precisam se certificar que os investidores são, de fato, sérios.

Segundo reportagem do O Globo, cinco empreendedores não tiveram esse cuidado e caíram nas promessas falsas de um fundo de investimento: o RC Prime ou RC Group. Os donos das startups dizem (e mostraram documento comprovando) que tiveram prejuízos de US$ 50 mil dólares. Os cinco dizem que uma aceleradora de startups paulista havia os indicado para a rodada.

SHIMEJITO URBAN FARMS

Um empreendedor brasileiro, que opera a Shimejito Urban Farms em Portugal, uma startup de economia circular, agricultura vertical e produção de cogumelos descentralizada, foi um dos que acreditou nas promessas do fundo. O empreendedor pagou US$ 5 mil para o suposto gestor do fundo, contratou novos colaboradores, realizou investimentos e assinou contratos de confidencialidade – tudo acreditando em um documento assinado da RC Group que garantia investimento de 10,5 milhões de euros na startup.

O resultado? O tempo passou, o empreendedor recebeu um comprovante de depósito falso do fundo e acabou processado em Portugal, sendo chamado de ladrão, causando revolta nos funcionários e, por fim, investigado por estelionato. Segundo o empreendedor, o gestor do fundo chegou a enviar uma foto, montada, como se tivesse sofrido um acidente.

AGROTHINGS

O fundador da AgroThings pagou US$ 7220 para estruturar um suposto deal com o mesmo fundo. O golpe, nesse caso, durou oito meses e incluiu: falsificação de documento de abertura de uma empresa, comprovante bancário falso e até mesmo colocou o empreendedor em contato com suposto gerente do banco e contador. Como resultado, a queixa agora está registrada na Polícia Federal e no FBI.

4DMAIS

Outro caso foi o da startup de metaverso 4Dmais, a empreendedora diz ter percebido o golpe antes de prosseguir com o recebimento do investimento. O primeiro sinal de alerta foi quando a empreendedora buscou a aceleradora que supostamente havia indicado a startup para receber a rodada do fundo, que disse não ter conhecimento do assunto.

Depois, o fundo disse que havia aberto conta em um banco no nome da empreendedora, sem ela ter assinado qualquer documento. Foi então que tudo ficou claro e a empreendedora percebeu a enrascada que estava prestes a entrar.

POR QUE IMPORTA?

Além do longo tempo e do envolvimento necessário em uma captação via fundos de investimento, as startups também precisam estar atentas às promessas vazias de alguns fundos de investimento. Para evitar cair em armadilhas, é importante buscar players conhecidos e estabelecidos na hora de estruturar uma rodada.

Outra via é recorrer às plataformas de equity crowdfunding, como a Captable, com histórico comprovado de investimentos em mais de 50 startups. Todo o processo, da inscrição ao recebimento do valor, pode ser de menos de 30 dias, com a média ficando em 45 dias – muito mais rápido que fundos de investimento.

Com a nova CVM 88, startups de tamanhos maiores, com faturamento de até R$ 40 milhões (ou R$ 80 milhões em um mesmo grupo econômico) e captações maiores (de até R$ 15 milhões) são possíveis. Portanto, a modalidade agora também é uma opção para um maior número de startups.

A Captable ainda conta com relacionamento com diversos grupos de investidores-anjo, aceleradoras e fundos, com reputação comprovada por outros investimentos realizados em conjunto. As novas regras também significam que as startups podem trazer players distintos para participar de uma rodada via plataforma – potencializando o alcance desse tipo de captação.

Para ter a chance de ser sócio desses negócios com crescimento acelerado, conheça a Captable, plataforma de investimento em startups da StartSe e confira as startups disponíveis para investimento. Para ficar sabendo em primeira mão de novas oportunidades, participe do grupo exclusivo do Telegram! Se você quer captar conosco, saiba mais e se inscreva no nosso processo de seleção.

ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON

1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?

O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes, lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com CNPJ ou não e coloca-las na internet.

2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?

A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer outro meio de comunicação.

Viemos para suprir as demandas da região no que tange a divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao utilizar a plataforma da ValeOn.

3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?

Estratégias para o crescimento da nossa empresa

  1. Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
  2. Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro, controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de crescer.
  3. Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao destino final.
  4. Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
  5. Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.

O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.

Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas é um equívoco geralmente fatal.

Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim, desenvolver a bossa empresa.

4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa? Descreva suas marcas.

Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área, sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.

Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.

5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?

A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo, desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que representem mudanças catastróficas.

“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, diz Paul Earle, professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.

6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?

A escalabilidade é um conceito administrativo usado para identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento, sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou seja: a arte de fazer mais, com menos!

Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem acertadas.

Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e eliminando a ociosidade.

Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.

Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:

  • objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
  • etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
  • decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
  • gerenciamento de recursos focado em otimização.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

SONHAR COM A VIDA MELHOR O POVO MERECE

 

**Samuel Hanan – Engenheiro

Viver é melhor que sonhar, cantava Elis Regina, a grande intérprete da MPB. Há verdades na bela composição de Belchior, porém é possível sonhar com uma vida melhor, o que o povo brasileiro merece.

Qual o habitante deste país que não gostaria de ter saúde pública mais digna, com a expansão das unidades do SUS, melhor remuneração dos médicos e demais profissionais da área, menos filas, atendimento humanizado?

Quem, entre os 213 milhões de brasileiros não ficaria feliz com educação de qualidade, professores com remuneração justa, unidades escolares modernas e confortáveis, sem falta de vagas nas creches, nas pré-escolas e no ensino fundamental, e acesso amplo ao ensino público superior?

É possível imaginar algum descontente se o déficit habitacional de 6 milhões de casas fosse zerado em poucos anos, com a construção de moradias dignas, construídas em locais adequados, servidas por transporte público, redes de água e esgoto, rede wi-fi e energia fotovoltaica (que representaria economia de 10% do valor do salário-mínimo), e subsidiadas em 90% de seu custo?

Qual cidadão não comemoraria o aumento significativo na segurança pública a garantir-lhe tranquilidade quanto ao seu patrimônio e à sua vida e de sua família, por meio de maior controle das fronteiras, da malha fluvial, dos portos e aeroportos (homologados e clandestinos), portas de entrada de armas, munições e drogas?

Quem daqueles que gastam metade de sua jornada de trabalho no transporte coletivo lotado, saindo de casa de madrugada e voltando somente no meio da noite, mal conseguindo ver os filhos acordados, não ficaria feliz com transporte público mais veloz e confortável?

Quais pessoas não gostariam que a cidade onde vivem fosse dotada de 100% de rede de água, coleta e tratamento de esgoto, iluminação pública, coleta de lixo, conservação permanente e equipamentos de esportes e lazer?

Transformar a realidade atual é uma utopia? Faltam recursos para implementação desses benefícios, como costumam alegar os governantes para justificar sua inação? A resposta, nos dois casos, é não. Para expandir em 50% a rede de saúde e aumentar a remuneração dos profissionais da área em 30%, seriam necessários de R$ 60 a R$ 70 bilhões por ano.

Transformar a educação e valorizar os professores custaria de R$ 50 a R$ 60 bilhões anualmente. Construir 600 mil unidades habitacionais por ano exigiria recursos anuais de R$ 90 a R$ 100 bilhões. Com investimento de mais R$ 30 a R$ 50 bilhões por ano, seria possível reforçar a segurança pública em nível jamais visto. Outros R$ 20 a R$ 25 bilhões seriam suficientes para dotar as cidades brasileiras da infraestrutura urbana necessária para garantir vida digna à população. A mesma quantia alocada ao transporte público restauraria a dignidade dos que dependem dele para se locomover.

A alocação desses recursos plurianuais somaria, então, cerca de R$ 270 bilhões, ou R$ 330 bilhões se pensarmos em investimentos mais generosos. Nominalmente gigante, essa soma representa apenas de 3,40% a 4,10% do Produto Interno Bruto (PIB) anual do Brasil. Se o País conseguir reduzir pela metade a corrupção que consome de 1,30% a 2,35% do PIB anual, alcançará a economia de 0,70% a 1,17% do PIB todo ano. O gigantismo da máquina pública consome hoje cerca de 13,4% a 13,7% do PIB do país, valor este que supera em muito os 9,60% da média desse tipo de despesa dos 37 países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma simples redução de apenas 50% deste excesso de 3,80% a 4,00% representaria uma economia de 1,90% a 2,00% do PIB.

É factível, ainda, a drástica redução dos gastos tributários, em grande parte ilegítimos, sem observância de prazos e regressividade e que não visam a redução das desigualdades regionais e sociais, ao contrário do que manda a Constituição. Tais gastos correspondem hoje a 4,00% do PIB e sua redução para 1,50% representaria economia anual adicional de 2,50% do PIB. A soma das reduções propostas é suficiente para alcançar o patamar entre 5,10% a 5,65% do PIB economizados, muito superior aos investimentos propostos acima.

Isso prova que o país tem recursos suficientes para a transformação que o Brasil reclama. Fica claro que tais investimentos, embora necessários, não são feitos pela simples razão de que o povo deixou de ser prioridade para a maioria de nossos governantes.

A situação nacional é tamanha gravidade que somente a refundação do país será capaz de transformá-lo após tantas décadas perdidas. Sem isso, o Brasil jamais será novamente o país das oportunidades, nunca reencontrará o caminho do desenvolvimento e seremos brasileiros de classe única somente nos discursos, desmentidos pela doída realidade.

A guinada radical pode ser viabilizada se houver trabalho alicerçado na harmonia dos três poderes da República, com efetiva e indispensável participação do Legislativo, aliado a um plano de metas, tudo lastreado na ética, na moralidade e na transparência, com foco na dignidade dos brasileiros, cada dia mais sofridos e desesperançosos.

Para devolver a esperança e a confiança à nação, é preciso também reduzir a sensação de impunidade e reduzir privilégios. Esse caminho passa pela drástica redução do foro por prerrogativa de função – limitando-o aos chefes dos Três Poderes e excetuando-se os crimes comuns -, pelo restabelecimento da prisão após condenação em segunda instância e pela mudança para tornar imprescritíveis os crimes relacionados à corrupção, além do aprimoramento legislativo sobre sinais exteriores de riqueza.

É necessário, ainda, reduzir o número de partidos políticos e os custos das eleições, englobando-se, nesse caso, os fundos partidário e eleitoral, hoje bilionários. Acabar com a reeleição – que somente põe a máquina a serviço de um novo mandato do governante – também é fundamental, aumentando-se o tempo de mandato. E, ainda, o Brasil precisa reavaliar a legislação sobre indicações e aprovações de membros não concursados dos tribunais superiores.

As eleições legislativas de outubro serão importante oportunidade para o povo dar sua colaboração em direção a essa mudança, sinalizando que a Casa do Povo precisa, efetivamente, defender os interesses do povo e cumprir adequadamente seu papel constitucional.

Viver é melhor que sonhar. Entretanto, é preciso agir para transformar o país e concretizar o sonho de viver uma vida digna num país que pode ser muito melhor do que é.

 **Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor do livro “Brasil, país à deriva”.

IMPOSTOS NO BRASIL PENALIZAM OS MAIS POBRES

Sistema tributário

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasil. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100.


Cobrança de impostos no Brasil se concentra no consumo, pesando proporcionalmente mais sobre os mais pobres| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo/Arquivo

De quase 5 mil proposições legislativas relacionadas ao sistema tributário apresentadas à Câmara dos Deputados desde a promulgação da Constituição de 1988, apenas 5% visaram tornar o regime mais progressivo. A conclusão é de um estudo recente conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Samambaia Filantropia.

Um sistema tributário progressivo é considerado mais justo porque recolhe mais de quem dispõe de mais recursos, ou seja, de quem tem mais renda e patrimônio. No Brasil, no entanto, a cobrança de impostos se concentra no consumo, pesando proporcionalmente mais sobre os mais pobres, que destinam a maior parte ou a totalidade de seus rendimentos na aquisição de bens e serviços.

De acordo com dados Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Economia, em 2021, 43,5% da arrecadação de União, estados de municípios veio de tributos sobre o consumo, como PIS, Cofins, IPI, IOF, Cide, DPVAT, ICMS e ISS. Países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) arrecadam, em média, 10% de suas receitas com esses tributos, segundo o estudo.
Maior carga em 12 anos: quais impostos mais pesam sobre pessoas e empresas no Brasil
Segundo a nota técnica “O que o Congresso brasileiro prefere em matéria tributária”, produzida pela equipe do CEM, o Legislativo é bastante ativo na proposição de mudanças na legislação de impostos, mas o comportamento dos parlamentares não objetiva reformar essa regressividade do sistema.

Eduardo Lazzari, Marta Arretche e Rodrigo Mahlmeister encontraram 4.841 projetos de lei ordinária ou complementar, medidas provisórias e propostas de emenda à Constituição (PEC), do período entre 1º de janeiro de 1989 e 31 de dezembro de 2020, relacionadas ao tema na Câmara. “Essa cifra representa uma média de 154 proposições ao ano, o que está longe de caracterizar baixa prioridade parlamentar a esse tipo de matéria”, dizem.

O maior interesse dos deputados federais na área tributária, no entanto, tem sido a concessão de benefícios fiscais. Do conjunto de proposições analisadas, 67,2% criavam despesa dedutível do Imposto de Renda (IR), isenção do mesmo tributo ou do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou ainda um regime especial, beneficiando grupos específicos.

Os números levantados indicam que parlamentares de regiões mais pobres priorizam regimes especiais, ao passo que os que representam áreas mais prósperas priorizam deduções do IR. A análise geográfica mostra ainda que, de forma geral, as bancadas de todas as regiões apresentam patamar baixo de proposições consideradas progressivas. Deputados federais da região Nordeste, entretanto, submeteram um número maior, enquanto os das regiões Sul e Norte apresentaram taxa inferior à média.

Para os pesquisadores, além do peso desproporcional dos impostos sobre consumo, considerados indiretos, a baixa importância dada à tributação sobre propriedade e o tratamento privilegiado dado a rendimentos de capital estão entre os fatores que fazem com que o sistema tributário brasileiro amplie a desigualdade de renda no país.

Em 2021, apenas 4,8% do que foi recolhido por todos os níveis de governo veio de tributos sobre patrimônio, como ITR, IPTU, ITBI, ITCD e IPVA. “A propriedade de bens, que aumenta à medida que aumenta a renda, é muito pouco taxada no Brasil”, diz trecho da nota técnica.

Já as alíquotas do IR, além de baixas quando comparadas às taxas praticadas por países desenvolvidos ou em nível de desenvolvimento semelhante ao do Brasil, também conferem tratamento privilegiado aos rendimentos auferidos pelo capital, com redução de sua incidência. Alienação de imóveis, ganhos com ativos financeiros e lucros, por exemplo, são comparativamente menos taxados do que salários.

Há ainda brechas para que altos salários sejam enquadrados como rendimentos de capital. Lucros e dividendos auferidos como pessoa jurídica e distribuídos para acionistas, por exemplo, são isentos de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Como é a nova proposta de reforma tributária que prevê apenas três impostos
Falta de correção na tabela do IRPF aumentou carga tributária sobre mais pobres
Adicionalmente ao modelo de tributação sobre renda, a falta de atualização na tabela do IRPF desde 2016 tem aumentado a carga tributária e penalizado de maneira mais acentuada o contribuinte de menor renda.

Dados do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) apontam que em 1996 eram considerados isentos do imposto contribuintes que ganhavam até nove salários mínimos. Hoje, esse índice está em 1,73 salários mínimos, de acordo com estudo publicado no início do ano pela entidade.

Se houvesse uma política de correção das alíquotas do IRPF com base no IPCA, estariam livres do imposto quem recebe até R$ 4.427,59 mensais – hoje a faixa de isenção cobre renda de até R$ 1.903,98. A defasagem média da tabela do IRPF chega a 134,52%, segundo o Sindifisco.

No ano passado, o governo de Jair Bolsonaro encaminhou ao Congresso um projeto de lei (PL 2.337/2021) de reforma do IR com caráter progressivo em termos tributários. Entre as medidas previstas estavam o aumento na faixa de isenção do IRPF (dos atuais R$ 1.903,98 para R$ 2,5 mil) e a tributação em até 20% sobre lucros e dividendos e em 15% os rendimentos de fundos de investimento imobiliário (FII).

O texto, no entanto, acabou bastante desidratado durante a tramitação na Câmara e está parado desde setembro no Senado, onde não tem perspectivas de prosperar na atual legislatura.


Como os impostos sabotam o produto brasileiro – e qual a solução, segundo a indústria

Progressividade no IRPF diminuiu desde a redemocratização
Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), também da USP, mostra, de forma semelhante, que apenas 15% das mudanças legislativas no IRPF aprovadas nas últimas décadas tiveram o objetivo de alterar a distribuição de renda.

Ao todo, foram analisadas 118 leis que mudaram regras do imposto entre 1947 e 2020. Dessas, 28% foram justificadas como formas de aumentar o crescimento econômico de longo prazo e 20% de modernizar o sistema tributário. O restante dispunha sobre questões de curto prazo, como inflação, arrecadação e cenários de crise.

No período da ditatura militar (1964-1985), houve mais leis baseadas na distribuição de renda, especialmente a partir de 1975, mas sua adoção não foi suficiente para reverter a tendência de aumento da concentração de renda durante o período.

Já durante a redemocratização, há poucas leis motivadas por uma preocupação com a desigualdade de renda, e a justificativa mais comum para as propostas de mudanças no IRPF são de “modernização” do tributo.

“Podemos afirmar que, desde a redemocratização, a diferença de alíquota efetiva de quem recebe 15 vezes a renda média em relação a quem recebe três [vezes a renda média] tem constantemente sido reduzida, indicando uma queda efetiva da progressividade do sistema tributário”, concluem os autores Nikolas Shiozer, João Victor Sales Marcolin, Isabella Comini Bouza e João Pedro Viegas de Moraes Lemes.

Essa perda de progressividade pode ainda estar subestimada, uma vez que não foram consideradas isenções, abatimentos e deduções, apenas a alíquota efetiva dos impostos.

Outro estudo do Made, este de autoria de Rodrigo Toneto, Theo Ribas e Laura Carvalho, de 2020, apontava que a elevação da tributação no topo da pirâmide para transferir renda para a base pode ser um instrumento de recuperação da atividade econômica.

Com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento mostra que enquanto os 10% mais pobres gastam cerca de 90% de sua renda adicional em consumo, esse índice cai para 24% entre o 1% mais rico.

Levando em consideração a atual estrutura distributiva da economia brasileira e as distintas propensões a consumir em cada estrato de renda, os autores sugerem que cada R$ 100 transferidos do 1% mais rico para os 30% mais pobres são capazes de gerar uma expansão de R$ 106,70 na economia.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/como-os-impostos-avancam-sobre-a-classe-media-e-os-mais-pobres/
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GASTOS DO TSE PELO MUNDO EM BUSCA DE APOIO

 

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo


Fachada do edifício sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm intensificado as viagens pelo mundo em busca de apoio internacional, troca de experiências e formas de combate à desinformação e às fake news. Mas a estratégia tem um custo. Só as despesas com diárias somaram R$ 410 mil em quatro meses. O presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, por exemplo, esteve em Washington, no início de julho, quando afirmou que o Brasil poderá ter episódio mais grave do que a invasão do Capitólio, sede do Congresso americano. As diárias e passagens da comitiva custara R$ 93 mil.

Acompanhado de dois servidores da Assessoria de Assuntos Internacinais do TSE, Fachin assinou acordo da Missão de Observação Eleitoral da OEA e participou de mesa-redonda sobre eleições gerais no Brasil. O ministro apontou medidas que serão adotadas caso seja contestado o resultado da eleição presidencial. Afirmou que as Forças Armadas são “chamadas para defender e gerar segurança das instituições, e não o contrário”. E destacou que a questão democrática no Brasil “terá efeitos não só aqui [EUA], como também na Europa. Há um dever planetário de preservar o básico da democracia liberal”.

O ministro Sérgio Banhos esteve em Paris, de 19 a 25 de abril, para reuniões com o Ministério do Interior, os Conselhos Constitucional e de Estado, a Comissão das Contas de Campanhas, a Prefeitura de Paris e a Embaixada do Brasil. Recebeu diárias no valor de R$ 24,5 mil. Foi acompanhado de dois servidores, que receberam diárias no valor de R$ 19 mil cada um. O assessor de Assuntos Internacionais, Gilberto Scandiucci, que estava nessa viagem, acompanhou mais três ministros em outros eventos.

Como mostrou reportagem do blog, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também retomaram o ritmo de viagens anterior ao período da pandemia da Covid-19. Mas com uma diferença: o tribunal não informa para onde vão, o que fazem e quanto custam as viagens dos seus ministros.

O ministro do STF Luís Roberto Barroso, que presidiu o TSE até fevereiro deste ano, reforçou no exterior o discurso do risco de uma ruptura institucional no país. No dia 25 de junho, em palestra na Universidade de Oxford, na Inglaterra, o ministro classificou como “abominável retrocesso” a volta do voto impresso defendido por Bolsonaro. Barroso afirmou que, na Presidência do TSE, teve de “oferecer resistências aos ataques contra a democracia”.


Ponte aérea para a Colômbia
O ministro Mauro Campbell Marques esteve na Colômbia, de 7 a 14 de março, na Missão de Observação Internacional nas eleições do Congresso da Colômbia. Sua passagem custou R$ 27 mil. Foi assessorado por um assessor que recebeu diárias no valor de R$ 11 mil. O servidor Francisco Dejardene esteve em Bogotá de 24 de fevereiro a 10 de março, em missão técnica de informática para observar e avaliar as eleições parlamentarias da Colômbia. Recebeu diárias num total de R$ 13,7 mil.

Em maio, o ministro Benedito Gonçalves esteve cinco dias em Bogotá, na missão de observação internacional no primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, com diárias no valor de R$ 18,8 mil. Foi acompanhado por dois assessores, que receberam diárias no valor de R$ 7,4 mil cada um.

A ministra Cármen Lúcia liderou uma comitiva a Bogotá, de 16 a 20 de junho, para participar da Missão de Observação Eleitoral na Colômbia. Foi acompanhada de dois juízes eleitorais e assessores do Cerimonial e de Assuntos Internacionais. As diárias somaram R$ 65 mil; as passagens aéreas, mais R$ 64 mil. Contando diárias e passagens aéreas, as despesas com os deslocamentos para a Colômbia totalizaram R$ 232 mil.

Servidores também receberam missões no exterior. Cinco servidores do TSE integrantes da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação fizeram o roteiro Bruxelas/Paris/Berlim, de 2 a 10 de julho, recebendo um total de 63 mil em diárias. Como parte do acordo de cooperação entre o Brasil e a União Europeia, estavam em missão técnica para conhecer “as melhores práticas na luta contra a desinformação e as notícias falsas”. Não há ainda no tribunal informações sobre gastos com passagens em julho.

O ministro Carlos Horbac esteve em Luanda para participar do Seminário sobre o Voto Antecipado e o Voto no Exterior. Recebeu R$ 14,4 mil em diárias. O assessor de Assuntos Internacionais Tiago Wolff Beckert recebeu mais R$ 11,3 mil

O ministro Benedito Gonçalves viajou para Costa Rica no início de março, na missão de Observação Eleitoral na Costa Rica – segundo turno das eleições. Foram pagos R$ 17,7 mil de diárias para o ministro e mais R$ 17 mil para um assessor.

Passagens econômicas, diz TSE

Questionado pelo blog sobre as despesas com as viagens internacionais, o TSE afirmou que “todas as passagens aéreas são emitidas em classe econômica e pelo menor custo do mercado.  O TSE não emite passagens em classe executiva, nem para ministros nem para servidores”.

A respeito da comitiva que esteve em países europeus para discutir estratégias de combate à desinformação, o TSE afirmou que convite aos servidores partiu da União Europeia para “reforçar estratégias de combate à desinformação e promover intercâmbio de experiências no enfrentamento desse fenômeno no processo eleitoral. A viagem integra projeto de cooperação entre o TSE e a UE, que resultará em estudos específicos sobre o tema”.

Acrescentou que, além das passagens aéreas, a UE forneceu aos servidores ajuda de custo. O TSE afirma que “apenas complementou o valor para cobrir as despesas relacionadas com viagens a trabalho no território europeu, tais como hospedagem, alimentação e deslocamento entre os países. O objetivo do complemento foi equiparar o valor da ajuda de custo da UE com as diárias oferecidas pela Corte Eleitoral, uma vez que a ajuda seria menor do que o patamar fixado no âmbito do Tribunal”.

TSE quer atrair estrangeiros para as eleições

Segundo o TSE, as missões de observação eleitoral “são exercícios frequentes ao redor do mundo, ocasião em que autoridades de outros países realizam análise técnica das eleições e colaboram para o aprimoramento e integridade do sistema. O TSE procurou participar de algumas dessas missões com o objetivo de inserir o Brasil nos diálogos internacionais de observação e atrair estrangeiros para as eleições gerais de outubro”.

O tribunal afirmou que a viagem a Paris teve por objetivo “ampliar a cooperação com outros países e promover a transparência do processo eleitoral brasileiro. O país realizava o segundo turno do pleito presidencial; a viagem foi custeada pelo Tribunal. Houve a manifestação de interesse, por parte do Ministério do Interior da França, em ampliar o sistema eletrônico de votação no país e, para tanto, gostariam de contar com a cooperação do TSE.

Sobre as viagens a Bogotá, Costa Rica e México, o TSE afirmou que os membros da comitiva brasileira reuniram-se com autoridades locais e com representantes de organismos internacionais, para “tratar de temas de cooperação e de aspectos relativos às missões de observação que ocorrerão em outubro, no Brasil. A Costa Rica manifestou interesse em desenvolver sistema eletrônico de votação no país, similar ao brasileiro. O México intensificou as atividades de cooperação com o TSE em matéria de combate à desinformação”, completou o tribunal brasileiro.

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A VERDADE SOBRE AS DESPESAS DA LAVA JATO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, durante entrevista no estúdio do jornal Gazeta do Povo


O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.| Foto: Gazeta do Povo

Se os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) têm demonstrado claramente seu desejo de perseguir os responsáveis pela Operação Lava Jato no Ministério Público Federal, dando sua contribuição ao desmonte do combate à corrupção no Brasil, o país pode ao menos se alegrar com o fato de o corpo técnico da instituição se pautar pela isenção e pela busca da verdade dos fatos. A Secretaria de Controle Externo da Administração do Estado (SecexAdministração) do órgão já havia afirmado anteriormente que não havia nenhum indício de irregularidade no processo que tenta obrigar o ex-procurador Deltan Dallagnol a desembolsar inacreditáveis R$ 2,8 milhões, e um novo parecer da mesma secretaria tem tudo para colocar uma pá de cal neste absurdo.

O processo foi aberto após representação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) e da bancada parlamentar do Partido dos Trabalhadores; pretendia-se que Dallagnol, outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato e o ex-procurador-geral Rodrigo Janot fossem investigados e punidos por supostamente torrar dinheiro do contribuinte com viagens e diárias de procuradores que participavam da investigação do petrolão, um gasto que, no olhar dos perseguidores, teria sido tanto excessivo quanto desnecessário. O ministro relator, Bruno Dantas, apadrinhado de Renan Calheiros e chegado ao ex-presidente, ex-presidiário e ex-condenado Lula, ignorou o parecer inicial da SecexAdministração, seguiu adiante com o processo, atropelou etapas e chegou a antecipar seu voto quando, em despacho de novembro de 2021, chamou os investigados de “malversadores de recursos públicos”. Tudo isso com a ajuda dos demais integrantes da Segunda Câmara do TCU, todos eles envolvidos de alguma forma com a Lava Jato, seja como denunciados ou citados em delações premiadas.

A área técnica do TCU concluiu que não houve nem desperdício, muito menos irregularidade nas despesas da Lava Jato

Os absurdos na condução do processo – para não falar da própria iniciativa de realizar tal investigação – foram tantos que a Justiça, na primeira e segunda instâncias, concedeu e manteve liminar suspendendo a chamada “tomada de contas especial”, mas o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins (cujo filho foi citado em delação premiada e denunciado pela Lava Jato), cassou a liminar e permitiu a retomada do processo. Em 18 de julho, a assessora Angela Brusamarello, da SecexAdministração, assinou o mais recente parecer, que elimina definitivamente quaisquer dúvidas a respeito da lisura na condução das despesas da Lava Jato e recomenda “acatar as alegações de defesa apresentadas” por Dallagnol e pelos demais investigados, pois elas “foram suficientes para elidir as irregularidades que lhes foram atribuídas”.

Brusamarello analisou uma por uma as alegações dos perseguidores da Lava Jato, e concluiu que “o modelo administrativo escolhido para viabilizar a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba (…) não implicou violação à regra da economicidade ou aos princípios do interesse público, finalidade, motivação e proporcionalidade, eis que os gestores implementaram medidas de racionalidade administrativa e de zelo compatíveis com os procedimentos e processos de trabalho do órgão para viabilizaram a operação” (o destaque é da própria assessora); que “não restou identificada prova de locupletamento” da parte dos procuradores; e que não é razoável cobrar-lhes valor algum a título de devolução, pois todos os deslocamentos registrados estavam devidamente justificados.


Ao tratar especificamente das acusações contra Dallagnol, Angela Brusamarello atesta que ele “não participou da concepção do modelo, nem era o procurador natural no momento de sua instalação [da força-tarefa]”, acrescentando que, mesmo que Dallagnol “tivesse ciência do pagamento de diárias, passagens e gratificações aos membros, foge ao razoável exigir que, além do extenso, complexo e intrincado trabalho finalístico de oficiar, coordenar e executar as atividades da persecução penal, desempenhasse gestão administrativa da força-tarefa. (…) o papel precípuo de um coordenador de força-tarefa era tão-somente o gerenciamento jurídico e processual do grupo e a gestão operacional (trabalho de campo)”. Ou seja, se não há razão nenhuma para cobrar valores dos demais procuradores, muito menos razão haveria para arrancar quase R$ 3 milhões de quem não tinha relação alguma com o planejamento financeiro da operação.

Em resumo, não houve nem desperdício, muito menos irregularidade nas despesas da Lava Jato – fato atestado também pela Procuradoria-Geral da República, que em documento de centenas de páginas, datado de 30 de maio, comparou as possíveis alternativas ao modelo de força-tarefa e concluiu que não havia opção mais barata para as necessidades daquela investigação. Se ainda restar um fiapo de decência a todos os que promoveram ou deram seu aval à perseguição a Dallagnol e seus ex-colegas de MPF, a lata do lixo é o destino óbvio deste processo.


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ELEITORES DE LULA ACREDITAM NAS PESQUISAS ELEITORAIS E OS DE BOLSONARO NÃO

Convenções

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Ao lado da esposa Giselle, Ciro Gomes discursou para filiados na convenção nacional do PDT.| Foto: Mariana Alves Fotografia/PDT

Nesta quarta o PDT homologou a candidatura de Ciro Gomes para a Presidência da República, numa convenção em Brasília. E nesta quinta, em São Paulo, o PT vai homologar a candidatura de Lula a presidente e Alckmin a vice. Lula não estará presente, porque é um evento meramente protocolar. As convenções são assim. Estou em Brasília há 46 anos e ouço isso desde sempre: a convenção é para confirmar o que foi decidido na véspera, entre os cabeças do partido.

Lula está em Pernambuco. Acho que está preocupado com os candidatos de lá, com o problema entre o PT e o Partido Socialista Brasileiro, e deve estar tentando botar água fria na fervura. Eu vi a chegada dele, bem discreta, praticamente só algumas pessoas que estavam juntas ali. Depois ele pretende ir para o interior de Pernambuco.

Ciro Gomes, na convenção, disse que vota em Lula quem não quer Bolsonaro, e vota em Bolsonaro quem não quer Lula. Com isso, ele quis dizer que este não é um voto positivo, e sim um voto de rejeição. Então, ele apareceria como alternativa aos dois. Eu entendo a estratégia, mas acho que o enunciado não está completo. Quem vota em Lula adora tanto o Lula que não quer nem saber o que aconteceu nos 14 anos de governo do PT – e morre de medo de Bolsonaro. Já o que vota em Bolsonaro é quem aprova seus três anos e meio de governo, adora Bolsonaro e tem medo de que Lula volte ao governo, faça a mesma coisa e até mais. Aí, sim, está a definição do eleitor de um e de outro. Se a intenção de Ciro foi se apresentar como terceira via, isso só confirma que a real importância é dos dois.


Rigidez do Mercosul atrapalha desejos de livre comércio do Uruguai
Por falar nisso, Bolsonaro não foi à reunião do Mercosul – que é um futuro de burocracia, nunca será uma União Europeia – e ficou em Brasília, foi ver o jogo à noite. No fundo, essa história de Mercosul deixa o Uruguai oprimido entre Brasil, principalmente, e Argentina. O Uruguai está tentando uma saída como fez o Chile. O Chile, espremido entre a Cordilheira dos Andes e o Pacífico, fez acordos comerciais, assinou tratados com países asiáticos no tempo de Pinochet e dos “Chicago Boys”, e foi em frente. Ganhou muito com isso.

Se as pesquisas dão como certa a vitória de Lula, por que o desespero dos petistas?

Estou vendo que quem não está acreditando nas pesquisas eleitorais são os que apoiam Lula, porque a mídia apoiadora de Lula, e em campanha contra Bolsonaro, está cada vez mais desesperada – assim como os militantes da candidatura Lula. Porque se Lula já ganhou, como mostram as pesquisas, pra que se preocupar com Bolsonaro?

Inflação americana e britânica logo será maior que a brasileira
E, por falar em preocupação, vocês viram que a inflação no Reino Unido e nos Estados Unidos é a maior dos últimos 40 anos? E daqui a pouco está maior que a brasileira, chegando a 10%. Só que nós, brasileiros, estamos acostumados com ela e sabemos como lidar. Eles não sabem, tanto os consumidores quanto os empresários e investidores.


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URNAS ELETRÔNICAS SÃO TORRADEIRAS DO TSE

 

Pão torrado auditável

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo


Torradeiras.| Foto: Abdias Pinheiro/TSE

A confiabilidade das torradeiras está sendo novamente questionada pelo presidente Jair Bolsonaro. E está sendo mais uma vez reafirmada enfaticamente pelo Judiciário. De um lado, uma dúvida que, independentemente de ser ou não paranoica na origem, está por aí. No ar, no éter. De outro, a arrogância inexplicável e teimosia idem de todo um grupo que existe justamente para garantir que sobre as eleições e suas torradeiras maravilhosas não paire qualquer dúvida – por mais infundada que ela pareça.

Numa conversa recente com amigos bem mais velhos do que eu, fui levado a lembrar que as torradeiras, ao contrário do que diz a campanha do TSE, nunca foram exatamente uma unanimidade. Se temos essa impressão, é porque aqueles eram outros tempos. Tempos de calmaria política, de estabilidade econômica e de tranquilidade com a queda razoavelmente recente do Muro de Berlim. “A gente achava que era impossível alguém continuar comunista depois de ver as torneiras de ouro dos governantes da Alemanha Oriental”, disse um deles. Apesar do clima geral de alienação, sempre houve quem olhasse com desconfiança para as torradeiras. Nem que essa desconfiança nascesse de um espírito que misturava nostalgia, tradição e uma pitadinha de ludismo.

Hoje a gente gosta de rir dos luditas porque eles eram basicamente contra as máquinas que permitiram a Revolução Industrial e, à la Boulos, invadiam as fábricas destruindo tudo. E por “tudo” leia-se “principalmente teares”, que eram o ápice da tecnologia da época. É muito fácil, com o olhar contemporâneo, ridicularizar essas pessoas. Mas a gente não pode esquecer que o sustento e o estilo de vida delas estavam sendo ameaçados por uma geringonça sem alma. E nem chegava a ser uma torradeira dessas que o TSE jura por tudo o que é mais sagrado que são seguras.

Avançando um pouco no tempo, do começo à metade do século XX temos a “era de ouro da ficção científica”, gênero que consagrou muitos escritores de imaginação exuberante e estilo sofrível. E, em essência, do que fala a ficção científica? Da relação sempre complicada entre o homem e a tecnologia criada pelo homem. E nem por isso filmes e livros com máquinas malvadas são considerados luditas. É natural, pois, que muita gente se sinta profundamente ameaçada quando se trata de confiar o destino de um país a máquinas tão simples quanto torradeiras.

Em relação às nossas torradeiras, a dúvida é natural. Naturalíssima. De uma naturalidade tão grande que há não mais de uma década os próprios parlamentares, representantes democraticamente eleitos da população, aprovaram uma norma que determinava que o pãozinho torrado eletrônico viesse acompanhado por um paõzinho torrado físico, verificável. Em 2015, porém, os ministros do STF, talvez deslumbrados com o potencial ideológico da manipulação sutil das torradeiras, deram início à teimosa iniciativa de garantir a legitimidade das eleições na marra.

Inatural é a teimosia nascida da soberba tecnocrata. Uma arrogância que ignora um desejo que você pode considerar “retrógrado”, irracional, equivocado, mas que é autêntico dentro da ordem democrática: o desejo de ver suas ideias devidamente representadas por meio do voto. O quanto esse desejo é ilusório não está em questão aqui. O que está em questão é a recusa inexplicável das autoridades competentes. Uma recusa que tem potencial para jogar o país num abismo maior ainda.

Afinal, se as torradeiras derem a vitória ao ex-presidiário Lula (toc, toc, toc), a legitimidade de uma eleição que tem por base apenas a canetada do ministro Edson Fachin e a fé na tecnologia das torradeiras será, evidentemente, questionada. Ou melhor, negada e rejeitada por uma parcela nada desprezível da população. Nesse ambiente, não se pode esperar de um presidente eleito legalmente, mas ilegitimamente, que ele governe o país em paz. Porque não haverá paz. E, na falta de paz, os governos tendem a usar o que lhes resta: a força.

A crer na honestidade dos ministros & suas torradeiras infalíveis, resta a hipótese não menos absurda de que STF e TSE agem movidos pela empáfia, pelo desprezo aos sentimentos – insisto: legítimos – de parte da sociedade, e pela certeza (essa, sim, infundada) de que a história reserva aos ministros um lugar de honra pela defesa arrogante que eles fazem dessa democracia com contornos muito particulares.


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TENDÊNCIA MARXISTA NA AMÉRICA DO SUL BENEFICIA A CHINA

 

Artigo
Por
Timothy Doescher e Luke Posegate
The Daily Signal – Gazeta do Povo

Chinese yuan on the map of South America. Trading between China and Latin American countries, economy and investment


Em 2021, o comércio da América Latina com a China totalizou US$ 450 bilhões, e os economistas preveem que esse número crescerá para US$ 700 bilhões até 2035| Foto: BigStock

No mês passado, os colombianos elegeram um ex-terrorista de extrema esquerda como seu novo presidente.

Gustavo Petro, um ideólogo marxista que fez parte da organização guerrilheira M-19, é o mais recente de uma lista cada vez maior de líderes de extrema esquerda que venceram eleições na América do Sul. Ele deve assumir o cargo em 7 de agosto.

Tradicionalmente, a Colômbia tem sido uma forte aliada e amiga dos Estados Unidos, então este é um revés devastador para o avanço da liberdade na Colômbia e em outras nações da região. Mas o verdadeiro beneficiário é o Partido Comunista Chinês, com a ameaça cada vez maior que representa para os EUA.

Em um episódio recente do podcast “Heritage Explains”, o jornalista Mike Gonzalez discutiu como o “furacão marxista” que sopra na América do Sul já afetou Chile, Argentina, Honduras, Peru e Colômbia, com Equador e Brasil potencialmente seguindo o exemplo. (O Daily Signal é o veículo de notícias da The Heritage Foundation.)

Gonzalez fala sobre como este é um plano marxista, no qual os marxistas se infiltram nas instituições para mudar a cultura, e como está sendo realizado e apoiado pela Venezuela e seu regime comunista patrono em Cuba.

“Ele entende a natureza da cultura, onde você precisa primeiro assumir as instituições culturais antes de assumir a economia e o país. … [A] situação é terrível”, disse Gonzalez.

Essa situação cada vez mais terrível fica mais complicada quando você vê que abre mais as portas para o Partido Comunista Chinês aumentar sua presença no Hemisfério Ocidental.

Já sabemos que a China vem assumindo compromissos financeiros incríveis na Colômbia, inclusive vencendo a licitação para a construção do metrô de Bogotá e em outros países sul-americanos. Atualmente, a Colômbia não faz parte da Iniciativa do Cinturão e Rota da China, ao contrário de 20 outros países da América Latina e do Caribe, mas isso pode mudar.

Por meio desses projetos, a China investe bilhões de dólares em projetos de infraestrutura globalmente. Esses projetos resultam em maior influência chinesa e maior acesso a portos e recursos naturais, e ajudam a moldar a imagem global de Pequim.

Nossos colegas da Heritage escrevem: “A China está aumentando constantemente sua influência política e econômica na Colômbia para complementar sua presença na Venezuela. A China agora exercerá influência sobre infraestrutura crítica na capital e maior cidade da Colômbia.”

Além disso, a relação comercial da China continua a crescer na região da América Latina. Em 2021, o comércio com a China totalizou US$ 450 bilhões, e os economistas preveem que esse número crescerá para US$ 700 bilhões até 2035.

Mas ainda mais preocupante é a crescente ameaça militar chinesa em nosso próprio quintal.

De acordo com um relatório recente, a Venezuela receberá China, Irã e Rússia para uma operação militar conjunta chamada Sniper Frontier em agosto, com o objetivo de posicionar ativos militares avançados na América Latina. Esta será a primeira vez que essas potências realizarão operações militares no Hemisfério Ocidental.

Esta não é a primeira vez que a China e outras potências malignas fazem parceria com os militares venezuelanos. Sabemos que, além da colaboração militar, a China forneceu mísseis antinavio, aviões de combate K-8 e rastreamento por satélite do Exército de Libertação Popular para uma base aérea militar.

Embora Gonzalez esteja preocupado com a proximidade desses exercícios com os Estados Unidos, ele está ainda mais preocupado com a fraca resposta do governo Biden e se ele tem um plano para combater a crescente ameaça marxista, exibida mais recentemente na Colômbia.

“Ao contrário do [ex-presidente Ronald] Reagan, que veio em auxílio das democracias na América Latina quando foram igualmente ameaçadas pelos comunistas, [o presidente Joe] Biden provavelmente não fará nada”, disse Gonzalez.

Essa preocupação se reflete na resposta apaziguadora de Biden à vitória de Petro. Embora o atual presidente colombiano Ivan Duque tenha demorado meses para receber uma ligação de Biden, e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro não falou com Biden por mais de um ano até que ele ameaçou boicotar a Cúpula das Américas, Biden ligou para Petro menos de um dia depois de sua vitória.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, também disse em resposta:

“Em nome dos Estados Unidos, felicito o povo da Colômbia por fazer ouvir suas vozes em uma eleição presidencial livre e justa. Elogiamos os muitos funcionários, servidores públicos e voluntários cuja dedicação tornou possível essas eleições.”

Na medida em que a recente eleição na Colômbia é outro sinal de alerta de que o “furacão marxista” na América do Sul está se tornando cada vez mais forte, podemos ver que o Partido Comunista Chinês e sua ameaça à liberdade continua se expandindo cada vez mais para os Estados Unidos .

Vamos esperar que os líderes em Washington encontrem coragem e força para combater essa ameaça com um plano real, antes que seja tarde demais.

Timothy Doescher é diretor associado no Institute for Economic Freedom da Heritage Foundation.

Luke Posegate é membro do Programa de Jovens Líderes da Heritage Foundation.
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CONHEÇA OS CÃES E EVITE ACIDENTES

 

Adriana Arruda

Olá! Diante de tantos acidentes e mortes noticiados semanalmente, provocados, por cães da raça pitbull, o que fazer para mudar este cenário? Será que eles são os cães que “mais matam” por ataques no Brasil? Camilli Chamone, editora de todas as mídias sociais “Seu Buldogue Francês” e criadora da metodologia neuro compatível de educação para cães no Brasil, traz embasamento científico para entender a realidade e explica como resolver o problema. Fique à vontade para divulgar o texto; ela está à disposição para entrevistas.

Ataques de pitbull: conhecer os cães pode evitar acidentes

O cérebro dessa raça é idêntico ao de um shih tzu e situações estressoras podem levar qualquer cão a morder; mudança de cenário passa por conhecimento e educação

Acidentes e mortes causados por cães da raça pitbull são semanalmente noticiados por todo o Brasil. O potencial de sua mordida pode, realmente, ser fatal; mas qual a realidade do País e como agir para evitar situações como estas?

Camilli Chamone, geneticista, consultora em bem-estar e comportamento canino, editora de todas as mídias sociais “Seu Buldogue Francês” e, também, criadora da metodologia neuro compatível de educação para cães no Brasil, buscou embasamento científico para entender o contexto brasileiro.

Embora existam falhas nas estatísticas, Chamone destaca um excelente levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, publicado no Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia: em um ano, foram notificadas 20 mil agressões por cães de qualquer raça e entrevistadas 594 pessoas, sendo que, 48,4% dos acidentes vem de cães sem raça definida (SRD); 57,6% acontecem dentro de casa, e 56,2% com pessoas da própria família ou conhecidas.

Outros resultados do estudo ajudam a mapear o cenário em São Paulo: 80,4% dos ataques geraram lesões leves, a maioria das vítimas tem entre 5 e 14 anos. As lesões profundas correspondem a 19,1% e envolveram cachorros de porte médio e grande.

O levantamento aponta, ainda, a raça pitbull como responsável por 5,8% dos acidentes, ficando atrás inclusive do poodle, com 7,4%.

Em comparação à situação nos Estados Unidos, os dados divulgados pelo site de educação pública DogsBite nos mostram uma grande diferença – lá, os pitbulls são responsáveis por 72% de ataques fatais a humanos. E, entre 2005 e 2020, 568 americanos foram mortos por cães, sendo que pitbulls (380) e rottweilers (51) contribuíram para 76% (431) dessas mortes.

“A maior parte dos acidentes fatais foi causada por pitbulls, mas a relevância estatística de cães abandonados ou considerados SRD é pequena – totalmente diferente da realidade brasileira. Existe, portanto, uma ‘americanização’ das notícias quando os acidentes são causados por pitbull no Brasil. Quando provocados por SRD (algo muito mais comum), raramente são divulgados”, pontua Chamone.

Com essa análise, é possível, portanto, desmistificar o pitbull como a raça que “mais mata” por ataques no Brasil.

No entanto, a lógica nos diz que o potencial de dano da mordida de um pitbull é maior que, por exemplo, o de um shih tzu – e o morder, inclusive, é uma forma dos cães se defenderem por estarem estressados. Mas será que o cérebro e, consequentemente, os comportamentos dos pitbulls, são muito diferentes dos cães menores?

Pitbull e shih tzu: cérebros idênticos

Ao contrário do senso comum, que traz o temperamento da raça como um problema, a neurociência nos confirma que o cérebro de um pitbull funciona exatamente da mesma maneira que o de um shih tzu – ou qualquer outro cachorro, de qualquer tamanho ou raça.

O grande problema é o estresse no qual os cães são submetidos, rotineiramente, sem que seus donos sequer percebam. Esse estresse traz sofrimento e, consequentemente, problemas comportamentais.

Isso geralmente ocorre quando os peludos têm uma rotina entediante – ficam trancados em casa ou no canil o dia inteiro, sem nenhuma atividade, cochilando o tempo todo –, passam muito tempo sozinhos, não praticam atividade física de forma regular e são alimentados de maneira inadequada.

“Por causa desse estresse, os cães tendem a fazer comportamentos compensatórios, como destruição frequente de objetos, cavar a cama constantemente e se lamber de forma compulsiva, além de latir demais, ter ações hiperativas, comer o próprio cocô, até chegarem ao ponto de redirecionarem a frustração que sentem, sob a forma de agressividade. A questão é que a mordida de um pitbull causa muito mais estrago, na sociedade, do que a de um shih tzu, mas ambos os cachorros estão em sofrimento”, lamenta a geneticista.

Comportamentos agressivos de raças de pequeno porte, inclusive, são comumente ridicularizados – viram até memes nas redes sociais. “Um cão pequenino e ‘fofo’, ‘engraçadinho’, ao morder algo ou alguém, está com sua saúde mental comprometida tal como um grande. Precisamos olhar para o sofrimento de todos e deixar de romantizá-lo ou torná-lo uma comédia nos pequenos”, ressalta Chamone.

Assim, é importante entender que o cão nunca é o maior culpado por seus comportamentos disfuncionais – ocasionados, na realidade, por negligência com sua saúde física e mental. A boa notícia, no entanto, é que, ao adquirir conhecimento sobre a espécie, é possível mudar esta realidade.

Mudança cultural e ações

Para evitar situações de agressão, Chamone defende a necessidade de uma mudança cultural na sociedade, que passa por políticas públicas.

“O cachorro com grande potencial de mordida é como uma arma; pode, mesmo, matar. Neste caso, o ideal seria a proibição de sua posse a pessoas sem conhecimento do animal que levaram para a casa e que não fazem ideia de como cuidar dele”, ressalta.

Segundo a geneticista, ainda falta consciência do dono sobre o que é adequado para o cachorro. “Para raças como pitbull, o uso de focinheira nos passeios é correto – e obrigatório pela Lei nº 11.531, de 2003, no Brasil – para proteger a sociedade; uma forma simples de garantir que ninguém seja colocado em risco”, sintetiza.

Além disso, como o cérebro do pitbull funciona de forma idêntica ao de um cachorro pequeno, as técnicas de aprendizado e educação também são as mesmas. Assim, deveria ser obrigatório entender o básico sobre comportamento canino e, com isso, saber prevenir e diferenciar comportamentos disfuncionais.

“Com qualquer cachorro, de qualquer raça ou tamanho, é essencial trabalhar intensamente os quatro pilares do bem-estar: gerenciamento das emoções, alimentação de qualidade, sono satisfatório e rotina de exercícios físicos”, relata a geneticista.

O que varia, claro, é a necessidade individual de cada um, de acordo com suas particularidades. Raças de trabalho, como pitbull, rottweiler, dobermann, golden retrievier e border collie, por exemplo, naturalmente demandam intenso gasto de energia, por isso precisam de mais atenção nesse sentido.

Interação com família e enriquecimento do ambiente também são ações importantes para a saúde física e mental dos peludos. “É preciso tempo e dedicação para assegurar o seu bem-estar”.

Assim, a educação canina responsável, sem uso de punições ou castigos, permitirá ter qualquer cão emocionalmente equilibrado – e, consequentemente, evitar acidentes e danos à sociedade.

EFEITO PENDULAR NO COMÉRCIO É O CRESCIMENTO E RETROCESSO

 

Junior Borneli – StartSe

O que é o efeito pendular e como ele pode explicar o movimento da Magazine Luiza durante a pandemia

O Magazine Luiza, em novembro de 2020, chegou a valer R$ 165 bilhões. Estávamos no intervalo entre a primeira e a segunda onda da pandemia e o e-commerce estava em alta.

Hoje, depois da quarta onda, o Magazine Luiza vale R$ 33 bilhões, cerca de 20% daquilo que valia há 18 meses. É uma queda impressionante, assim como foi a ascensão.

O fato é que o Magazine Luiza pode estar sofrendo do “efeito pendular”, onde situações extremas levam a efeitos extremos. Vou tentar explicar melhor.

Efeito pendular do Magazine Luiza

No meio da pandemia, com lojas fechadas, a única opção era o e-commerce. Todo mundo correu pra lá e, com isso, empresas como a Magazine Luiza e Mercado Livre tiveram crescimento exponencial de vendas.

Quando ficou claro que as coisas voltariam à normalidade e que o varejo físico ainda existiria, aquele crescimento incrível não manteve o ritmo e, em muitos casos, teve um retrocesso.

Então, a correção no valuation da empresa foi consequência desse movimento. Num momento, era tudo e-commerce. No outro, era tudo como estava. O pêndulo foi de uma extremidade à outra.

O Mercado Livre também teve seu valuation inflado na pandemia, pelo aumento das vendas online. Mas, ao contrário do Magalu, não tem lojas físicas. Então, o movimento do pêndulo foi menos agressivo.

Tanto que hoje o Mercado Livre vale mais do que antes da pandemia, apesar de ter perdido 50% do seu valor de mercado atingido durante este período.

Em algum momento o pêndulo vai atingir seu “ponto ótimo” e apontar o valor exato das companhias depois desse turbilhão todo. Mas até lá, haverá muito perde e ganha.

O que mais está em jogo?

+ Como será o varejo no Brasil pós-covid

Claro, existem outros fatores em jogo. O cenário macroeconômico brasileiro e mundial, por exemplo, afeta em cheio o varejo. Com a inflação em alta, afetando a confiança do consumidor, e taxa de juros pouco convidativa ao consumo, que estagnou o crédito, a empresa se viu prejudicada pelo mau desempenho das vendas de bens duráveis, como eletrodomésticos.

Além disso, existe a concorrência: a Americanas viu suas vendas aumentarem mais de 30% no mesmo período de 2021. Outros players como Amazon e Shopee, além do próprio Mercado Livre, também contribuíram para a desaceleração do Magalu.

A inovação não envolve apenas ideias radicais, mas é sobre se abrir para novas experiências que transformam nossas vidas para melhor. Inovações significativas vão além do técnico e fornecem uma plataforma para que nosso dia a dia se torne mais rico e versátil – abrindo-nos para mais possibilidades do que nunca.

Vendas pela internet com o site Valeon

Você empresário que já escolheu e ou vai escolher anunciar os seus produtos e promoções na Startup ValeOn através do nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace aqui da região do Vale do Aço em Minas Gerais, estará reconhecendo e constatando que se trata do melhor veículo de propaganda e divulgação desenvolvido com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas daqui da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e conseguimos desenvolver soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nas lojas passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nas lojas a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para as empresas.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 140.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por mais de 1.900.000 de pessoas, valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos.

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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