terça-feira, 28 de abril de 2020

COLUNA ESPLANADA DO DIA 28/04/2020


Base no forno

Coluna Esplanada-Leandro Mazzini 




 



Depois de descobrir que não reinventaria a roda da política no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro começou a ouvir dos partidos do Centrão a demanda pelo apoio à sua governabilidade. PSD, de Gilberto Kassab, pode herdar o Ministério da Agricultura. O Republicanos deve ficar com todo o segundo escalão da Saúde. A bancada da bala deve ser atendida na recriação do Ministério da Segurança Pública, e já tem um nome, o ex-deputado federal Alberto Fraga, do DEM – partido do presidente da Casa, Rodrigo Maia. Deputados do DEM, MDB e PSD já falam manso e pedem cautela sobre eventual processo de impeachment. É do jogo.

E o meu?
A despeito da demanda do Republicanos, Valdemar Costa Neto, dono do PL, quer indicar o Secretário Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde.
Solidários
O Solidariedade, de Paulinho da Força Sindical, não foi esquecido. Também dialoga com o Palácio e quer seu naco.
Calculadora
Bolsonaro pode chegar a 420 dos 513 deputados na coalizão que planeja. A conferir.
Mr. Moro
O ex-ministro Sérgio Moro fica à toa se quiser, após a quarentena por opção. Ele tem convites para dar aulas nas Universidades de Harvard (Boston) e Columbia (Nova York). Moro não tem registro na OAB para advogar ou fazer pareceres encomendados.
Oi, chefe! 
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, viajava de carro para Belo Horizonte quando soube da convocação de Bolsonaro para aparecer na coletiva, no Palácio, sobre a saída de Sérgio Moro. Apressou-se em telefonar para o chefe e dizer onde estava.
Comadres
A advogada Rosângela, esposa de Moro, continua amiga da primeira-dama Michelle Bolsonaro. E só. O casal ex-inquilino de Brasília não quer papo com Bolsonaro.
Fora do ar
Caiu no BB o diretor de Marketing, Alexandre Alves de Souza, pressionado internamente para ajudar emissoras pró-Governo, contam fontes.
De carona
O comando do Banco Central está irritado com a credenciadora de cartões Stone. Depois de saber que a equipe econômica contava com estudo sobre o possível uso das maquininhas para conceder crédito a pequenas empresas, a companhia passou a fazer propaganda da ideia alheia como se fosse dela. O formato da solução ainda está em estudo pelo BC.
Made in China
Os médicos de Brasília, das redes pública e particular, estão enfurecidos com os kits chineses de testes para covid 19. Fato é que alguns óbitos no HRAN, unidade pública da capital, tiveram laudo confirmado para contaminação do coronarívus em pacientes que testaram duas vezes negativos.
Sem selo
Questionado pela Coluna, o Sindicato dos Médicos do DF afirma que “é uma situação que merece atenção redobrada”. Completa que infectologistas têm revelado “preocupação com a qualidade dos testes que estão sendo oferecidos no mercado” E que os kits não passaram por testagem prévia em laboratórios como Inmetro e Lacen (DF).
Povo sofre
Não bastasse a crise na saúde, o coitado do brasileiro não consegue receber os R$ 600 do auxílio emergencial da Caixa por erro do banco. Dois casos de Brasília, aos quais tivemos acessos: mulheres desempregadas foram barradas no cadastro porque sistema constatou que têm ocupação. Já deram baixa na CTPS há dois anos.
Boa iniciativa
A Prefeitura de Porto Alegre vai ganhar um hospital definitivo, com 60 leitos, bancado pela Ipiranga, Gerdau, o Hospital Moinhos de Vento e o Grupo Zaffari. Será um centro de tratamento de combate ao novo coronavírus. Investimento de R$ 10,4 milhões.
ESPLANADEIRA
# A rede de Supermercados Guanabara optou por continuar abrindo as lojas aos domingos para diluir o fluxo de clientes na semana. #A Ternium Brasil e a Firjan vão consertar 68 respiradores fora de uso nos Hospitais Municipais Pedro II e Ronaldo Gazolla, no Rio. # Edital de Inovação para a Indústria vai investir R$ 24,5 milhões em 25 projetos de combate ao Covid-19. # Senador Eduardo Gomes, líder do Governo, lamentou a morte do ex-deputado federal Asdrubal Mendes Bentes (PA).


ABERTURA DE INQUÉRITO CONTRA O BOLSONARO É MANCHETE NA IMPRENSA FRANCESA


Abertura de investigação sobre acusações de Moro a Bolsonaro tem forte repercussão na imprensa francesa




© Valter Campanato/ Agência Brasil

A abertura de um inquérito na Polícia Federal (PF) sobre as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro, determinada nesta segunda-feira (27) pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem forte repercussão na imprensa francesa.
O portal France Info, os jornais Le Monde, Le Parisiene e La Croix tratam a decisão de Mello como uma das principais manchetes internacionais da manhã desta terça-feira (28). Com base em informações da agência AFP, os veículos dizem que o Supremo deu o prazo de 60 dias para que a PF interrogue Moro sobre as acusações feitas em sua demissão, na sexta-feira passada. As conclusões podem tanto abrir o caminho para um pedido de impeachment contra o presidente quanto uma acusação de falso testemunho contra Moro.
A decisão de Mello foi provocada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, que na sexta-feira (24) pediu ao STF a abertura de inquérito para apurar declarações de Moro sobre a suposta tentativa de interferência do presidente na autonomia da Polícia Federal, o que Bolsonaro nega.
O portal da rádio France Info informa que até um eventual impeachment de Bolsonaro o caminho será longo.
"O presidente de extrema direita continua dividindo fortemente os brasileiros. Segundo uma pesquisa, 45% deles pensam que o Congresso deveria abrir um processo de destituição e 48% que não deveria", destaca o site. O portal recorda que "Moro mostrou na televisão uma troca de mensagens no WhatsApp, onde o chefe de Estado parecia exercer pressão sobre ele". A mídia brasileira informou que o ex-juiz manteve imagens que poderiam incriminar o presidente, acrescenta.
Caso a Procuradoria Geral da República encontre elementos para apoiar uma denúncia formal contra Bolsonaro, caberá à Câmara dos Deputados autorizar o STF a permitir a investigação. Se a denúncia for confirmada, caberá novamente ao Congresso abrir um processo de "impeachment" contra Bolsonaro, esclarece o site.
Le Monde destaca "sete infrações" apontadas pela PGR. As declarações de Moro atribuem a Bolsonaro crimes como falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça e corrupção passiva.
Segundo o diário Le Parisien, Bolsonaro enfrenta uma fase ruim. "Ele está enfraquecido pela renúncia de Sergio Moro, o ministro mais popular do governo, e pela demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, favorável ao confinamento – ao contrário do presidente. Agora, acumula preocupações com a Justiça", escreve o diário.
O católico La Croix observa que o chefe de Estado "enfrenta, há várias semanas, crescente oposição da população", que promove panelaços em várias cidades do país. Apesar disso, "Jair Bolsonaro ainda mantém uma base de apoio – um terço dos brasileiros – equivalente à que ele possuía em dezembro de 2019", destaca o jornal. "A substituição do diretor da Polícia Federal é percebida como uma tentativa de Bolsonaro de controlar a investigação que interessa muito sua família e seus aliados políticos", conclui o diário.



BOLSONARO EVITA A SAÍDA DO PAULO GUEDES PROVISORIAMENTE


Bolsonaro faz afago a Guedes, mas cobra plano de recuperação da economia ainda em 2020

Jussara Soares e Adriana Fernandes 






BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro fez um afago nesta segunda-feira, 27, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, ao dizer que é seu "Posto Ipiranga" quem decide sobre a política econômica, mas cobrou que o ministro negocie com os colegas um plano de recuperação econômica para começar ainda em 2020.
"Acabei mais uma reunião aqui tratando de economia. E o homem que decide a economia no Brasil é um só: chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir”, disse Bolsonaro, pela manhã, em frente ao Palácio da Alvorada.
O entendimento de auxiliares do Planalto é que qualquer sinal de enfraquecimento do ministro da Economia pode potencializar uma instabilidade no governo. Bolsonaro é alvo de 31 pedidos de impeachment na Câmara de Deputados e de um pedido de investigação da Procuradoria-Geral para que o Supremo Tribunal Federal (STF) apure as acusações do ex-ministro da Justiça,Sergio Moro.
A declaração ocorre uma semana depois de o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, anunciar um programa de recuperação econômica e social, o Pró-Brasil, sem a participação da equipe de Guedes. A iniciativa fomentou rumores de que Guedes poderia deixar o governo porque o plano prevê o aumento de gastos públicos em infraestrutura, indo de encontro ao que defende a cartilha liberal do ministro.
Apesar de reforçar a autonomia de Guedes, em reunião no Alvorada com a participação dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Tereza Cristina (Agricultura), e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Bolsonaro cobrou do ministro da Economia investimento para o pós-covid-19. O governo entende que, neste momento, é preciso ter uma conciliação entre o que defende equipe econômica e a agenda política.
Como mostrou o Estado, Campos Neto foi escalado por Guedes para alertar que a gastança de recursos públicos previstas no plano desenvolvimentista já tinha efeito no aumento dos juros futuros. "A disciplina fiscal é que vai nos manter em curso e fazer com que o País consiga viver com juros baixos e inflação controlada”, reforçou Campos Neto ontem. "Queremos reafirmar a todos que acreditam na política econômica que ela segue, é a mesma", disse Guedes.
Outro motivo de divergência com o ministro da Economia é a aproximação do governo com liderança partidárias do chamado Centrão. Em troca de apoio, o Executivo tem prometido cargos às legendas.
A interlocutores, Guedes demonstrou contrariedade com a possibilidade de o comando do Banco do Nordeste ser entregue para o líder dos Progressistas, o deputado Arthur Lira (AL). Em conversas reservadas, o ministro diz que ele se tornou um obstáculo para as lideranças do Centrão que querem aumento de gastos para se beneficiarem eleitoralmente em suas regiões, enquanto ele tem o dever de manter o Orçamento sob controle.
Para Guedes, tanto no programa Pró-Brasil quanto na aproximação do governo com o Centrão, o responsável é o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, com quem está rompido. O chefe da Economia tem isentado os ministros militares de culpa neste processo.
Em uma tentativa de obter apoio de outros colegas da Esplanada, Guedes participou de um almoço na última sexta-feira, 24, com os ministros Onyx Lorenzoni (Cidadania),Tereza Cristina (Agricultura), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Abraham Weintraub (Educação) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Neste mesmo dia, o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou as redes sociais para dizer que Guedes seguiria no governo. “Para que não haja dúvidas: PG segue tendo nosso total apoio”, escreveu. O grupo ideológico que integra o governo e tem grande influência nas redes sociais também reforçou a defesa da agenda econômica de Guedes.


AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...