sábado, 25 de abril de 2020

COMO VAI SER O ESTADO PÓS CRISE?


O Estado pós-crise
Novas ideias além dos paradigmas teóricos, ideológicos e políticos




Na última semana falamos da mudança brusca do papel do Estado na gestão da crise sanitária e econômica derivada da pandemia do coronavírus. Havia uma onda liberalizante e conservadora, temperada com o chamado “populismo autoritário”, a partir de diversos governos liderados por Donald Trump, Boris Johnson, Jair Bolsonaro, entre tantos outros.
De repente, todos os governos, independente de orientação ideológica, foram impelidos a adotar políticas keynesianas, ampliando gastos e dívida pública, para suportar o necessário aumento das despesas com a saúde e com programas de sustentação do emprego e da renda. Entre as diversas mudanças que ocorrerão no pós-crise, certamente ganhará corpo a discussão sobre o papel do estado e o nível ideal de intervenção governamental. A crise reforçou a ideia da necessidade de um governo forte, ágil, eficiente e que tem um papel central nas ações que o mercado e a sociedade não dão conta de forma descentralizada realizar. Nada que se confunda com um Estado inchado, obeso, onipresente e perdulário.
Esse debate tem raízes históricas e teóricas que vale a pena revisitar. Durante todo o século XX ocorreu um embate entre as concepções do Estado mínimo liberal, o Estado do bem-estar socialdemocrata e o Estado máximo do socialismo real. A configuração concreta dos modelos de intervenção governamental não seguiu um figurino rígido. A história foi desenhando o caminho dependendo do grau de desenvolvimento e maturidade de cada economia, do perfil cultural e histórico de cada país, do desenvolvimento das instituições nacionais e do processo político resultante da disputa de interesses na sociedade.
Desde a Revolução Industrial, no final do século XVIII, a evolução da nascente economia capitalista exigia o rompimento com a herança feudal e mercantilista, quebrando barreiras alfandegárias, monopólios coloniais, condenações morais ao lucro, intervenções governamentais inibidoras da livre iniciativa. Quanto maior a liberdade, maior a perspectiva de desenvolvimento. Talvez a melhor representação da utopia liberal tenha sido a famosa “mão invisível” de Adam Smith. O indivíduo, ao procurar maximizar seus ganhos, involuntariamente estaria produzindo o maior bem-estar possível para a sociedade. O Estado deveria se limitar a assegurar o império das Leis e da Constituição, garantir a defesa nacional e a segurança pública e defender a estabilidade da moeda.
Durante todo o século XIX e início do século XX, apesar das inúmeras guerras que traduziam a luta por mercados e a luta dos trabalhadores denunciando as iniquidades sociais produzidas pela nascente economia de mercado, predominou a concepção derivada da Lei de Say – a oferta gera sua própria demanda, e as teorias de equilíbrio geral. Ou seja, não haveria crises de superprodução e subconsumo, deficiência de demanda efetiva, ciclos e recessões. As crises seriam pontuais e passageiras, e as próprias forças de mercado superariam desequilíbrios momentâneos. Essa escola de pensamento se manteve viva no pensamento de Von Mises, Hayek e Milton Friedman, que sempre advogaram a necessidade de que a ação estatal se resumisse ao mínimo necessário, não devendo o governo procurar protagonismo nem na dinamização da economia, nem no combate às desigualdades sociais. O mercado cuidaria de quase tudo.
No início do século XX surgiram dois movimentos alternativos à concepção clássica liberal. A experiência soviética de Estado Máximo, a partir da revolução de 1917, que naufragou na dissolução da URSS e na queda do Muro de Berlim, ao final do século XX. E a experiência socialdemocrata do Estado do Bem-Estar Social, que combinava compromisso com a democracia política, combate às desigualdades via políticas públicas ativas e respeito à economia de mercado socialmente regulada. No campo do pensamento econômico, as teorias de Keynes e muitos outros, nascidas no enfrentamento da Grande Depressão de 1929, legitimou a intervenção estatal já que a realidade tinha derrotado a Lei de Say e a ideia do equilíbrio geral automático e foi o pensamento hegemônico até a década de 1970, quando a crise fiscal começou revelar os limites da intervenção estatal.
Hoje, a partir das crises globais de 2008 e do coronavírus, um mundo novo se abre. Um mundo novo exige ideias novas. O esgotamento dos três paradigmas teóricos, ideológicos e políticos, dominantes no século XX, abre um vasto campo para uma nova formulação criativa e inovadora sobre o funcionamento da economia e da sociedade contemporâneas. Haverá um retorno ao protecionismo e um recuo na globalização? E o capitalismo de Estado da China? Quais são seus limites e suas vantagens? Como se comportarão os governos que foram pegos pela Covid-19 em momento de fragilidade fiscal e tiveram que ampliar gastos e endividamento? Como conciliar democracia, economia de mercado e combate às desigualdades sociais?
Antes que o atual ambiente brasileiro de polarização medíocre reproduza confrontações sectárias recentes de coxinhas versus mortadelas, bolsominions versus isentões versus “comunistas”, cabe aprender com a história, desarmar espíritos, abrir corações e mentes. O grande pensador liberal Milton Friedman que fazia uma defesa apaixonada do Estado Mínimo e da economia de mercado, nem por isso propunha governo nenhum. Tanto que defendeu o imposto de renda negativo, um programa de renda mínima, para garantir a sobrevivência da população mais pobre. Por outro lado, Keynes nunca propôs que todo aumento de gasto público e toda intervenção estatal, em qualquer circunstância histórica, fossem sempre positivos. Falava de uma depressão profunda, aonde era preciso incrementar a demanda efetiva, neutralizar a preferência pela liquidez e garantir renda e investimentos visando à superação do desemprego e a retomada do crescimento rumo ao pleno emprego.
O pensamento humano sempre avançou nas crises. Há aqueles que desprezam os fatos e ficam dogmaticamente presos às suas convicções. Mas um tempo novo exige novas ideias que iluminem a realidade e descortinem novos horizontes. Com a palavra a inteligência brasileira!

BOLSONARO SOFRE INÚMEROS PEDIDOS DE IMPEACHMENT


Bolsonaro se aproxima do número de pedidos de impeachment de Collor

Caio Spechoto 






© Sérgio Lima/Poder360 Presidente Jair Bolsonaro fez pronunciamento em resposta a acusações do ex-ministro Sergio Moro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, está próximo de igualar o número de pedidos de impeachment que recebeu 1 dos presidentes cassados desde a redemocratização, Fernando Collor. Bolsonaro, porém, segue distante do número alcançado pela outra presidente deposta do Planalto no período, Dilma Rousseff.
Os pedidos de impeachment são protocolados na Câmara dos Deputados. Quem decide se dá andamento ao processo ou não é o presidente da Casa. Quem ocupa o cargo hoje é Rodrigo Maia (DEM-RJ), que há semanas está em atrito com o governo federal. Maia, porém, demonstra estar pouco propenso a abrir o procedimento.
Enquanto Dilma foi alvo de 68 pedidos, Collor teve 29. Os números dos históricos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Sobre a legislatura atual, o Poder360 teve acesso a 1 levantamento da Secretaria Geral da Mesa da Câmara que inclui os pedidos até 22 de abril.


© Fornecido por Poder360

O infográfico acima tem apenas os números que a Câmara confirmou. Depois de 22 de abril, porém, novos pedidos de impeachment contra Bolsonaro foram anunciados. Não há como checar se eles já foram protocolados por meio dos mecanismos de transparência ativa –informações disponíveis para consulta imediata.
Nesta 6ª feira (24.abr.2020) acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro motivaram o anúncio de outros 3 pedidos. Dizem ter protocolado os documentos políticos da Rede, do PSB e até Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-aliada de Jair Bolsonaro.
Com isso, o atual presidente chegaria a 28, apenas 1 a menos que Fernando Collor.
O número indica 1 ambiente político hostil. Ter muitos pedidos de impeachment, porém, não significa que o presidente terá o mandato cassado. Lula (37) e Temer (33) foram alvos de mais pedidos do que Collor, por exemplo. Nenhum dos 2 perdeu o mandato. O número de Temer conta 2 pedidos de quando ele ainda era presidente interino, no período entre a abertura do impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara e a confirmação da deposição pelo Senado.
No pronunciamento em que anunciou sua demissão, Sergio Moro também detonou uma nova crise política. Ele afirmou que o presidente da República tenta fazer uso político da Polícia Federal. Também nega ter assinado a demissão do agora ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. O documento da exoneração tinha o nome de Moro.
Há interpretações das falas de Moro que vão de crime de responsabilidade de Bolsonaro até a falsidade ideológica. A PGR (Procuradoria Geral da República) pediu a abertura de 1 inquérito sobre as acusações no STF (Supremo Tribunal Federal).
Bolsonaro negou as acusações e atacou seu ex-ministro. Diz que ele barganhou uma futura indicação ao STF em troca da queda de Valeixo. Moro rebateu a acusação do presidente.

BOLSONARO PERDE APOIO DE EMPRESÁRIOS E DOS SEUS ELEITORES


Antigos fiéis, empresários reveem apoio ao governo de Jair Bolsonaro

Felipe Mendes






© Youtube/Reprodução Jair Bolsonaro em live nas redes sociais ao lado de Luciano Hang, dono da Havan - 17/10/2019

Diversos empresários, muitos dos quais formam a cadeia dos principais apoiadores do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), estão desiludidos com o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, e das recentes intervenções do ministro da Casa Civil, o general Braga Netto, sobre a economia – escanteando Paulo Guedes, ministro da Economia. Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, é um deles. Em entrevista a VEJA, externou a sua preocupação com a mudança: “O Moro era uma das pérolas do governo. Eu sempre o apoiei, por tudo que ele fez pelo Brasil. Ele é um herói vivo”, disse. “É uma grande perda para o governo Bolsonaro.”
Eles acreditam que o projeto engendrado por Braga Netto é perigoso e, caso confirmado, pode levar o governo ao caminho do ‘desenvolvimentismo’, estratégia usada por governos populistas de crescimento a qualquer custo. “O ministro Paulo Guedes faz um bom trabalho. Eu acredito que, neste momento em que estamos vivendo, nós temos que ter a capacidade de reduzir a máquina pública e acreditar no setor privado. Sou contra a máquina pública voltar a fazer um movimento desenvolvimentista, a criar uma política que era empregada pela Dilma. Já vimos que isso não dá certo”, disse a VEJA Luciano Hang, dono da rede Havan, enquanto visitava a obra de uma futura unidade a ser inaugurada na cidade de Gravataí (RS).
Além do desgosto em ver Guedes perder força à frente da Economia, os empresários se assustaram com a demissão de Sérgio Moro, uma das principais estrelas do governo e o pilar de sustentação de grupos de apoio. “Esperamos não ter uma nova perda do tamanho da do ministro Sérgio Moro, que é um herói vivo da nação brasileira”, afirmou Hang. “O ministro Paulo Guedes e o Sérgio Moro são o que sustentam o apoio do empresariado ao governo. Esperamos que o Paulo Guedes se mantenha no cargo”, complementou.
Para o presidente da rede Polishop, João Appolinário, que também faz parte do movimento Brasil 200, ainda é cedo para avaliar os impactos da saída de Moro na economia e até na popularidade do governo Bolsonaro. “A princípio, não é bom perdermos mais um ministro. Acabamos de ter a saída do Henrique Mandetta [do Ministério da Saúde]. Mas é normal, faz parte da democracia”, disse. “Mas o problema maior do momento é o que estamos vivendo na saúde pública. Isso é ruim. Nós deveríamos estar mais preocupados em resolver esse problema de saúde que estamos vivendo”, alerta.
José Carlos Semenzatto, presidente da rede de franquias SMZTO e amigo de Appolinário – os dois fazem parte do reality show Shark Tank –, também acredita que é cedo para avaliar os impactos da saída de Moro e pede explicações de Bolsonaro. “Obviamente, o presidente perde um elo de apoio muito importante, e isso pode desestabilizar. Queremos ouvir o presidente para ver qual a versão dele, pois não há dúvidas sobre a credibilidade e moralidade do ministro Moro”, disse. “Lamentável terminar uma sexta-feira como esta”, desabafa.
Gabriel Kanner, presidente do Instituto Brasil 200, grupo que reúne empresários liberais — que, até o momento, apoiava o governo Bolsonaro – se diz frustrado com a demissão de Moro. “A saída do Sergio Moro abala qualquer confiança que poderíamos ter no Bolsonaro”, afirmou. “Não só a saída dele destrói um dos pilares de sustentação do governo, mas as acusações feitas pelo Moro em seu discurso são extremamente graves. Mostra uma faceta que nós não conhecíamos do presidente até então, de querer interferir no trabalho da Polícia Federal. É, realmente, uma decepção completa para todos que acreditaram que o Bolsonaro pudesse representar uma transformação profunda da política brasileira, uma verdadeira limpa na corrupção do país. Isso abala completamente o apoio que o nosso grupo e que vários outros empresários detinham no governo”, desabafou.
Segundo ele, além da segurança, o governo passa, neste momento, por um processo de “fritura” do ministro Paulo Guedes, principal peça de apoio por parte do empresariado brasileiro. “Estamos vendo um processo de isolamento e de fritura do ministro Guedes, que é uma pessoa de confiança dos empresários, e que vinha promovendo uma recuperação econômica, com reformas e privatizações. Mas, o anúncio do programa Pró-Brasil, do qual ele não faz parte, é muito ruim. Eu não me surpreenderia se o Guedes saísse do governo em breve”, disse Kanner. Para ele, a equipe econômica de Guedes desempenha bem suas funções como forma de mitigar os impactos da pandemia do coronavírus (Covid-19) na economia nacional. “Nós precisamos adotar o caminho do liberalismo que vinha sendo defendido pelo Guedes. Passada a crise, teremos que rapidamente voltar a destravar o mercado e criar um ambiente de negócios mais propício aos empreendedores. Só assim nós vamos conseguir recuperar a economia do país. Não será por meio de um plano central estatal que isso será feito”, afirmou. A julgar pelo descontentamento do empresariado, Bolsonaro sai enfraquecido desta quebra de braço com Moro. Resta ver até onde irá a pressão exercida sobre o ministro Paulo Guedes.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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