quinta-feira, 16 de abril de 2020

BOLSONARO PROCURA SUBSTITUTO PARA O MINISTRO MNDETTA DA SAÚDE


Bolsonaro recebe cotados para assumir a Saúde no lugar de Mandetta
Correio Braziliense 





© Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press Primeiro da lista é o oncologista Nelson Teich, que atuou na campanha eleitoral de Bolsonaro e tem apoio da classe médica O presidente Jair Bolsonaro ainda não bateu o martelo sobre a troca no Ministério da Saúde porque teme reação negativa do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, ele sofreu derrota na Corte — os ministros decidiram que estados e municípios têm poder para aplicar restrições no comércio e na circulação de pessoas em razão da política sanitária necessária para impedir a disseminação da Covid-19.
Na Câmara, parlamentares afirmam que o presidente tem buscado um nome com o perfil mais técnico do que político, justamente para evitar desgastes ainda maiores com a demissão de Luiz Henrique Mandetta. A conversa é de que tudo deve ocorrer até amanhã.
A expectativa é que Bolsonaro começará a receber, hoje, no Palácio do Planalto cotados para a vaga. O primeiro da lista é o oncologista Nelson Teich, que atuou na campanha eleitoral do chefe do Executivo e tem apoio da classe médica. A decisão sobre o novo titular da Saúde, no entanto, ainda não está tomada, afirmam interlocutores do governo.
Devem participar da conversa com o médico os ministros Walter Braga Netto, da Casa Civil, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Teich atuou como consultor informal da área de saúde na campanha eleitoral de Bolsonaro, em 2018. À época, a aproximação ocorreu por meio do atual ministro da Economia, Paulo Guedes. Na transição do governo, Teich foi cotado para comandar a Saúde, mas perdeu a vaga para Mandetta, que havia sido colega de Bolsonaro na Câmara de Deputados e tinha o apoio do governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM-GO), agora ex-aliado do chefe do Executivo, e de Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi chefe da Casa Civil e agora é ministro da Cidadania.
O oncologista tem o respaldo da Associação Médica Brasileira (AMB), que referendou a indicação ao presidente e possui boa relação com empresários do setor de saúde. O argumento pró-Teich de parte da classe médica é o de que ele trará dados para destravar debates hoje “politizados” sobre o enfrentamento da Covid-19. Integrantes do setor de saúde afirmam que a ideia não é ceder completamente a argumentos sobre o uso ampliado da cloroquina ou de isolamento vertical (apenas para idosos ou pessoas em situação de risco), por exemplo. Dizem, porém, que há exageros na posição atual do ministério.
CorridaA possível demissão de Mandetta provocou uma corrida entre aliados de Bolsonaro para indicar o sucessor no comando da Saúde. Um dos nomes na mira é o da diretora de Ciência e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Ludhmila Hajjar. A profissional tem o apoio do médico Antonio Luiz Macedo, cirurgião geral que acompanha o presidente desde que ele foi atingido por uma faca em ato de campanha, em setembro de 2018. No entanto, ela não é adepta do discurso de que a hidroxicloroquina é a grande salvação no combate ao coronavírus, como defende Bolsonaro. Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta semana, Ludhmila disse que a medicação “está sendo vista como salvadora, e não é”. Questionada pela reportagem, a cardiologista negou convite do presidente. “Não fui convidada, não fui sondada. Sigo trabalhando normalmente”, disse ontem.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, também aparece como cotado para o posto, mesmo que de forma temporária, até que o presidente decida por um nome definitivo. Questionado sobre o assunto, Gabbardo disse que sai com Mandetta, pois está no cargo a convite do ministro, mas se dispôs a continuar colaborando com uma equipe de transição.
Dentro do ministério, as informações são de que a relação entre ele e o titular da Saúde é bastante conflituosa. Mas o secretário é visto como um perfil mais técnico do que Terra e menos resistente às vontades do governo. Seria uma solução mediana para tentar conter reações adversas à saída de Mandetta.
Sem forçaNa lista de indicações para substituir Mandetta aparece ainda Claudio Lottemberg, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein. Lottemberg, no entanto, preside o Lide Saúde, grupo ligado ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto de Bolsonaro.
Os nomes do deputado Osmar Terra (MDB-RS) e do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, perderam força no Planalto, apesar de terem a confiança de Bolsonaro. A leitura é de que a escolha de um deles não seria bem-aceita no Congresso e entre entidades médicas, por causa da mudança radical de discurso que levariam ao ministério. Defensora do uso da hidroxicloroquina, a oncologista Nise Yamaguchi também teria perdido força por ter pouco apoio da classe médica.
Temor no PlanaltoCom a saída de Mandetta dada como certa, o governo teme que uma debandada nos cargos de segundo escalão leve à paralisia do ministério em meio à pandemia. A preocupação quanto a um possível desmonte da pasta vem do 4º andar do Planalto, onde ficam os ministros militares. Eles estão mapeando quais integrantes dos escalões inferiores não são ligados umbilicalmente a Mandetta e poderiam continuar no governo caso se confirme a troca na Saúde. O ministro se reuniu, ontem à tarde, em clima de despedida, com deputados que integram a comissão sobre o enfrentamento do coronavírus. Visivelmente abatido, disse que teria pouco tempo à frente da pasta. “Me desculpem por qualquer coisa aí”, afirmou.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

PRESIDENTE DA CÂMARA RECLAMA DO TRATAMENTO DO GOVERNO


Maia rebate líder do governo e reclama de tratamento a deputados no Planalto
Camila Turtelli e Jussara Soares

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu nesta terça-feira as declarações do líder do governo na Casa, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), e reclamou da forma como o Parlamento tem sido tratado pelo Palácio do Planalto. “Você entra por uma porta e quando sai leva um coice”, disse ele ao falar com jornalistas.



© Marcelo Camargo/Agência Brasil O presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Em entrevista ao Estado, Vitor Hugo disse “ver excesso de críticas de Maia ao Executivo”. Afirmou ainda que o governo pretende mudar de conduta na relação com o Congresso e se aproximar de líderes de partidos, contrariando discurso do presidente Jair Bolsonaro desde o início do mandato. A estratégia tem como objetivo esvaziar o poder de
Maia e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que costuma fazer a interlocução entre governo e Legislativo.
“Não tenho nenhuma intenção de ser líder e comandar esse governo. Claro, os partidos têm toda liberdade e condição de dialogar com o governo. O problema é que você entra por uma porta e, quando sai, leva um coice. Essa tem sido a relação que o governo tem tido com os políticos do Congresso Nacional desde que assumiu o poder”, disse Maia.
“Não cabe ao presidente da Câmara organizar a base do governo, mas, com todo respeito, se não fosse o trabalho da presidência da Câmara com os líderes não teríamos aprovados muitas matérias, inclusive a reforma da Previdência”, disse Maia.


© Dida Sampaio / Estadão Vitor Hugo vê ‘disposição maior’ do presidente de se aproximar do Legislativo

Em reunião com ministros na tarde desta terça no Palácio do Planalto, Bolsonaro convocou Vitor Hugo para que ele falasse sobre a tentativa de restabelecer uma nova relação com o Legislativo. O líder defendeu a aproximação do presidente com os partidos políticos está tendo reflexos positivos no Congresso.
No encontro, Vitor Hugo ainda sugeriu que os ministros estejam mais abertos à ideias de deputados e que, se possível, convidem parlamentares em viagens às suas bases eleitorais.
Pela manhã, Bolsonaro recebeu Alcolumbre no Palácio da Alvorada. O convite para o café da manhã partiu do próprio presidente, que quer retomar uma relação com presidente do Senado, que na crise do coronavírus subiu o tom contra o presidente. A avaliação é que o senador, eleito com o apoio do governo, é mais aberto e cordial do que Maia.
Na semana passada, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, já havia feito um convite para um encontro com o presidente, mas Alcolumbre negou, alegando que não havia “clima político”. Ele mudou de ideia após ser convidado diretamente pelo chefe do Executivo, alegando, segundo interlocutores, que é um momento de “união” para atravessar as dificuldades da pandemia.

BOLSONARO SE APROXIMA DO SENADO


Bolsonaro tenta isolar Maia, que entra em choque com equipe econômica


© Reuters/ADRIANO MACHADO .
Por Maria Carolina Marcello, Lisandra Paraguassu e Marcela Ayres 

BRASÍLIA, 14 Abr (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro ensaiou nova tentativa de isolar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao convidar para conversa nesta terça-feira Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Congresso Nacional, mas o deputado, em disputa com a equipe econômica, tem conseguido garantir a aprovação das propostas que defende.
Bolsonaro tomou a iniciativa e convidou Alcolumbre para um café da manhã desta terça-feira, um gesto de cordialidade com o chefe do Legislativo. O presidente já havia tentado um encontro com o senador na semana passada, via ministros, mas faltava clima, na opinião do parlamentar.
Nesta semana, no entanto, Bolsonaro telefonou para o senador, que correspondeu ao convite. Os dois debateram a pauta do Senado, mas segundo uma fonte, não houve qualquer definição ou decisão sobre propostas patrocinadas por Maia já encaminhadas para análise dos senadores --a chamada PEC do orçamento de guerra e o polêmico projeto aprovado na véspera de auxílio a Estados e municípios.
Na tarde desta terça, durante sessão do Senado, Alcolumbre anunciou que cobraria "reciprocidade" da Câmara e avisou que só pautará o projeto sobre os entes federativos quando deputados analisarem medidas de autoria dos senadores, referindo-se especificamente a medida que trata de microcrédito para enfrentamento da crise. Já a PEC tem votação prevista para a quarta-feira no plenário da Casa.
Bolsonaro, que praticamente não tem uma base no Congresso, vinha dando sinais de sua movimentação ao convidar, na última semana, lideranças do PP e do PL, na avaliação de uma fonte.
Maia, no entanto, mantém relação próxima com o PL e o PP, além de lideranças da oposição, e tem demonstrado força política ao aprovar medidas que considera prioritárias, inclusive a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do orçamento de guerra, que precisava de quórum especial para ser aprovada.
Mas durante a crise, e principalmente no decorrer das conversas sobre o projeto de auxílio a Estados e municípios por meio da recomposição da queda de arrecadação de ICMS e ISS, a relação de Maia com o Ministério da Economia esgarçou.
Antes encarado como o fiador das propostas de ajuste fiscal, o presidente da Câmara mantinha boa relação com a equipe econômica. Agora, segundo uma fonte, "a corda rompeu" entre o deputado e o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Na avaliação do líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), o ministro tem sofrido pressão por resultados, mas não abandona a visão fiscalista, ainda que o Parlamento já tenha aprovado autorização para o governo desconsiderar a meta fiscal.
Ao lembrar dos problemas de articulação do Executivo, o líder aponta a dificuldade do ministro da Economia em convencer os deputados de suas teses, o que acaba estressando a relação com a Câmara.
"É uma guerra de vaidades. O governo se incomoda com o protagonismo da Câmara, copia, muda o selo e quer adotar a autoria. Aconteceu com renda emergencial, com projeto de qualificação do FPM e FPE e agora se repete", disse Efraim, referindo-se a projetos de iniciativa dos parlamentares posteriormente encampados pelo Executivo.
Fontes da Economia avaliam que Maia assumiu um lado no cabo de guerra entre Bolsonaro e os governadores, e optou pelos chefes dos executivos estaduais.
A escolha não ecoou bem, entre a equipe econômica, por considerar que o custo da crise acaba sendo jogado inteiramente no colo da União, sem que governadores assumam o custo pelas medidas de isolamento social, repetidamente criticadas e questionadas pelo próprio Bolsonaro. Essas mesmas fontes creditam o movimento de Maia a interesse eleitoral do deputado em seu Estado.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...