quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

CEOS DE EMPRESAS DEFENDEM NOVO TIPO DE CAPITALISMO EM DAVOS


Em Davos, CEOs defendem um novo tipo de capitalismo
Para presidentes de multinacionais, as empresas não devem mais se preocupar apenas com seus acionistas, mas também com funcionários, comunidades locais e outras companhias da cadeia produtiva




Ginni Rometty, CEO da IBM, no Fórum Econômico Mundial 2020, em Davos (Foto: World Economic Forum/Mattias Nutt)

Em debate que fechou o primeiro dia do Fórum Econômico Mundial, executivos de diversas áreas reafirmaram o compromisso com o “capitalismo stakeholder”, que faz parte do manifesto desta edição do evento. A ideia deste sistema é voltar os interesses das empresas ao “stakeholder”, ou seja, a qualquer um que dependa — diretamente ou não — do sucesso da companhia. Isso inclui acionistas, funcionários, a comunidade local e outras empresas na cadeia produtiva.
O sistema é uma reação ao “capitalismo shareholder”, voltado apenas para o interesse dos acionistas.
“A economia 'shareholder' nos trouxe desigualdade e uma crise climática,” diz Marc Benioff, CEO e fundador da Salesforce. “A Terra é o nosso maior stakeholder.”
A conversa “Economia Stakeholder: O que esperar das lideranças corporativas?” também teve a participação de Ginni Rometty, CEO da IBM; Feike Sybesma, CEO da DSM; Brian T. Moynihan, CEO do Bank of America; e Jim Hagemann Snabe, presidente da Siemens.
SAIBA MAIS
Sybesma também é “líder climático global” pelo Banco Mundial. Ele ecoou a ideia do planeta Terra como stakeholder e criticou o modelo velho de capitalismo.
“Nós servimos ao modelo econômico ou o modelo econômico serve a nós?”, questionou. “Perdemos o rumo. E ninguém irá ter sucesso em um mundo que está ruindo.”
Em dezembro de 2019, o Fórum Econômico Mundial divulgou o Davos Manifesto 2020, em que clama por esse novo tipo de capitalismo. “O propósito de uma empresa é se empenhar com todos os stakeholders para criar um valor sustentável e compartilhável,” diz o manifesto, assinado pelo fundador do Fórum, Klaus Schwab.
Painel sobre "capitalismo stakeholder" reuniu executivos de diversas áreas (Foto: World Economic Forum/Mattias Nutt)
A tecnologia neste novo cenário
Ginni Rometty, CEO da IBM, vê com bons olhos o papel de sua empresa nesta transição. Perguntada sobre a chegada da indústria 4.0, afirmou que o desafio será no treinamento dos trabalhadores.
“Vai ser necessária uma mudança de paradigma em relação a habilidades,” diz. A IBM tem um programa, chamado P-Tech, especializado em a ensinar jovens as habilidades requeridas desde o ensino médio. “Não é altruísmo, não é caridade. É uma boa decisão comercial.”
Ainda segundo Rometty, o novo cenário tecnológico não deve deixar nenhum profissional para trás. “Não é interessante para ninguém um futuro digital que não seja inclusivo,” afirma.
“Você (empresário) precisa decidir: o que significa, para você, estar no lado certo da história?”, completa.


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

CHINA QUER ACABAR COM O USO DE PLÁSTICO DESCARTÁVEL


China quer acabar com uso de plástico descartável até 2025

Agência Brasil








O governo chinês anunciou nova medida para combater a poluição. O país quer que as maiores cidades fiquem sem sacos de plástico descartável até o fim deste ano. As embalagens desse material vão ser banidas nos próximos anos.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente anunciaram que a produção e o uso de plástico em grande quantidade vão ser gradualmente eliminados em todo o país até 2025.
Os sacos de plástico vão ser proibidos nas principais cidades chinesas até o fim de 2020 e, até 2022, a medida vai se estender a todas as cidades e vilas.
Até o fim deste ano, o uso de canudinhos, utensílios de plástico usados em restaurantes take away (pegue e leve) e envelopes almofadados de envio de encomendas serão eliminados. Os mercados que vendem produtos frescos estão isentos dessa proibição até 2025.
Também até 2025, os hotéis terão de deixar de fornecer itens de plástico.
A China quer que, nesse mesmo período, as cidades e vilas reduzam em 30% a utilização de plástico descartável na restauração.
Algumas regiões e setores vão ter restrições maiores em relação à produção e venda de plástico. Contudo, ainda não é claro a que áreas se aplicam.
A medida, da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente, inclui a proibição da produção e venda de sacos plásticos com espessura inferior a 0,025mm, bem como de películas com menos de 0,01mm de espessura.
A China é o maior fabricante de plástico do mundo, produzindo cerca de 29% dos produtos de plástico.
O governo chinês aumentou as taxas de reciclagem, com a construção de locais de “utilização abrangente de recursos”, de forma a garantir que alguns produtos possam ser reutilizados.
Até o fim deste ano, a China pretende atingir uma taxa de reciclagem de 35% em 46 cidades e realizar um sistema de reciclagem urbana em nível nacional até 2025.
Esta não é a primeira campanha contra o uso de plástico no país.
Em 2008, a China proibiu a distribuição de sacos plásticos de forma gratuita e a produção de sacos ultrafinos.
Em 2018, devido às preocupações ambientais, a China – que era um dos principais importadores de desperdício produzido por outros países – proibiu a importação de resíduos de plástico.
Entre 1992 e 2016, a China recebeu cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos de plástico, o que representa metade das importações desse produto no mundo, segundo a BBC.
A China não é o único país asiático a tentar acabar com o uso de plástico descartável. A Tailândia declarou, no início deste ano, a proibição do uso de sacos plásticos nas principais lojas do país, anunciando uma proibição completa até 2021.
A Indonésia implementou também medida em que proíbe o uso de sacos de plástico descartável em lojas, supermercados e mercados tradicionais até junho de 2020.

O BRASIL DEVE ENTRAR PARA A OCDE


Prós e contras envolvem entrada do país na OCDE

Daniela Franco 





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Sediada na França, entidade tem diretrizes liberais que podem favorecer e prejudicar economia brasileira 

O anúncio da recomendação dos Estados Unidos para que o Brasil ocupe uma cadeira entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi amplamente comemorado pelo governo federal, ao longo da semana.
Especialistas dizem, contudo, que o “preço” pago para obter tal sinalização pode ter sido bem mais alto do que os benefícios obtidos, caso o país entre de fato para o chamado “clube dos ricos”.
A pedido dos EUA, por exemplo, o Brasil abriu mão do status de país em desenvolvimento junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na prática, o país passa a competir em pé de igualdade com nações desenvolvidas nas transações internacionais.
Segundo o consultor para assuntos internacionais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Alexandre Brito, deixamos de ter direito ao Tratamento Especial Diferenciado em relação à OMC, traduzido em prazos para se adequar a certas normas e mais liberdade para a prática de políticas protecionistas.
Indústria
Como possível membro de uma instituição regida por princípios neoliberais, caso da OCDE, o Brasil precisaria abolir tais práticas protecionistas, algumas responsáveis por fomentar a indústria nacional.
Para o professor do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG Fabrício Missio, abrir mão desse tipo de incentivo à indústria pode prejudicar o desenvolvimento. “Já não temos uma indústria muito madura, sobretudo a de tecnologia, e permitir a entrada de produtos importados competindo diretamente com ela pode não ser o mais interessante, principalmente a curto e médio prazo”, opina.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor no Brasil é responsável por 21,2% do valor do Produto Interno Bruto. A indústria de transformação, que é a de maior valor agregado, representa 11,4% do PIB do país, índices considerados baixos por Missio. O setor no Brasil representa 2,1% da produção mundial. Em Minas, a indústria gerou 25,4% do PIB em 2017.
“O interesse dos EUA é sempre comercial, e é claro que a retirada dessas medidas protecionistas internas abre a concorrência para os produtos vindos de lá para um mercado importante, como é nosso caso”, pondera o professor. Embora considere precipitada a decisão de abrir mão do status na OMC, o especialista acredita que a chancela da OCDE será vantajosa, a longo prazo, se o país souber aproveitar as oportunidades oferecidas.
Algumas delas são destacadas pela coordenadora da Assessoria Técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso. Ela considera, por exemplo, que, mesmo com a retirada de vantagens na OMC, a entrada na OCDE pode incentivar os setores exportadores do país a investirem em inovação e a tornarem-se mais competitivos. “Temos pessoas, temos vontade e estamos num momento oportuno para adotar essas ações e aproveitar essas oportunidades”, diz ela.
Impasses
Vale lembrar ainda que, embora o presidente Jair Bolsonaro tenha agenda liberal, táticas como a que tem sido usada pelo Banco Central para manter o controle cambial, por exemplo, não serão vistas com bons olhos, caso o país ingresse na OCDE.
A adesão do país ao organismo internacional, se a recomendação dos EUA for aceita pelos demais membros, deve ser concluída em até cinco anos.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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