terça-feira, 27 de agosto de 2019

O GRUPO G7 ENCERRA E NO DOCUMENTO FINAL A AMAZÔNIA NÃO É CITADA.


Documento final do G7: compromissos sobre Irã, Hong Kong e OMC

Da Redação EXAME 




© Philippe Wojazer/Reuters Donald Trump e Emmanuel Macron na cúpula do G7: comunicado conjunto tocou em temas urgentes, mas não trouxe ações específicas para o meio ambiente

São Paulo – A cúpula do G7chegou ao fim com um comunicado conjunto que traz os compromissos sobre uma série de questões globais urgentes, mas sem tocar no clima e no meio ambiente, temas que estremeceram a relação do governo Bolsonaro com a comunidade internacional nos últimos dias.
Embora o assunto tenha ficado de fora do documento, o G7 anunciou nesta segunda-feira, 26, desbloquear uma verba de cerca de R$ 91 milhões, para combater os incêndios florestais na Amazônia. O anúncio foi visto como “excelente” pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Já Bolsonaro questionou as intenções que estariam por trás da promessa.

O documento foi divulgado pela França, país que sediou o encontro entre os líderes dos países mais ricos do mundo, e tratou de assuntos como os protestos em Hong Kong, a crise nuclear com Irã e disposições de comércio internacional.
Abaixo, veja os compromissos assumidos por Emmanuel Macron (França), Angela Merkel (Alemanha), Justin Trudeau (Canadá), Boris Johnson (Reino Unido), Shinzo Abe (Japão), Donald Trump (Estados Unidos) e Giuseppe Conte (Itália).

Crise nuclear com Irã

Se antes era a Coreia do Norte que estava no meio de uma crise nuclear, a bola da vez é o Irã. No ano passado, os Estados Unidos subiram o tom das críticas em relação ao país e se retirou do acordo nuclear firmado em conjunto França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China. Para o G7, o objetivo nas relações com o país, daqui em diante, são dois: evitar que os iranianos desenvolvam armas nucleares e agir para manter a estabilidade na região.

Protestos em Hong Kong

Há mais de onze semanas sendo palco de protestos pró-democracia, Hong Kong enfrenta a sua pior crise política desde a devolução à China pelo Reino Unido em 1997. O G7 reafirmou a importância do tratado sino-britânico assinado pelos países em 1984 e que garantiu a autonomia da cidade em algumas áreas e o modelo “um país, dois sistemas”.

Estabilidade no comércio global

O grupo disse comprometido com “comércio aberto e justo”, bem como com a estabilidade da economia global. Firmou, ainda, a intenção de uma reforma na Organização Mundial do Comércio, especialmente focando na proteção à propriedade intelectual, e concordou em atuar para simplificar barreiras regulatórias.

Conflito na Ucrânia

Outro tema polêmico tratado no encontro foi a situação na Ucrânia. Foi justamente por causa da anexação da Crimeia, que fica na região leste da Ucrânia, em 2014, que a Rússia foi expulsa do grupo. Sobre esse assunto, o grupo prometeu reativar cúpula da Normandia, paralisada desde 2016, e que contará com a participação da França, Alemanha, Rússia e Ucrânia.
Neste ano, Vladimir Putin até passou pela França dias antes da cúpula para uma reunião bilateral com Macron que tratou de temas gerais. A Ucrânia, inclusive. Segundo a agência estatal de notícias da Rússia, Tass, Putin admitiu a possibilidade de o encontro acontecer.

Guerra civil na Líbia

A Líbiaestá no meio de uma violenta guerra civil. De acordo com estimativas da ONU, quase três mil pessoas já foram mortas em embates entre os grupos que disputam o poder no país, o Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela entidade, e os rebeldes liderados por Khalifa Haftar. As potências do G7 se manifestaram em apoio a um cessar-fogo e uma solução política para o conflito.


GOVERNO BRASILEIRO DIZ QUE VAI RECUSAR A OFERTA DO G7 DE 20 MILHÕES DE EUROS


Planalto diz que recusará ajuda de US$ 20 milhões oferecidos pelo G-7

Mateus Vargas









O Palácio do Planalto informou na noite desta segunda-feira, 26, que rejeitará ajuda de US$ 20 milhões, equivalente a R$ 83 milhões, prometidos pelo G-7, o grupo de países mais ricos do mundo, para auxiliar no combate a incêndios na Amazônia.
O Planalto não informou o motivo para recusar os valores. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ministros têm dito que não há anormalidade nas queimadas e que países europeus tentam fragilizar a soberania do Brasil sobre a floresta.

A informação do Planalto, no entanto, contradiz o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que mais cedo disse que a ajuda do G7 era "bem-vinda".

Bolsonaro voltou a se reunir nesta segunda com ministros para tratar dos incêndios na floresta. Após a conversa com o presidente, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo disse que a situação na Amazônia está controlada e que cerca de 2.700 militares das Forças Armadas estão prontos para atuar na região.

Ainda nesta segunda, o governo teve novo embate com o presidente da França, Emmanuel Macron, que falou sobre conferir status internacional à floresta. "Sobre a Amazônia falam brasileiros e as Forças Armadas", rebateu o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros.

CRISE EM TORNO DA QUESTÃO AMBIENTAL NA AMAZÔNIA


No calor da crise

Manoel Hygino








Uma crise internacional que poderia ter sido evitada. Esta foi produzida em torno da questão ambiental, que tem como centro as queimadas na Amazônia e que, por motivos óbvios, atraíram a atenção do mundo. A imprensa, sempre tão criticada, teve razão mais uma vez, limitando-se a transmitir o que conhecera e apurara. Jornais de grande representatividade na comunidade brasileira, no dia 23, tinham como manchetes de primeira página:
Folha de São Paulo: “Queimadas acuam governo, que opta por ampliar críticas”. O Estado de São Paulo: “Queimadas na Amazônia provocam reação mundial”. O Globo (Rio): “Amazônia vira crise internacional”. Zero Hora (Porto Alegre): “Após críticas de Macron, Bolsonaro anunciará medidas contra queimadas”. Valor Econômico (São Paulo): “Amazônia vira preocupação global e gera crise ambiental”.
O Brasil inteirinho sabe dos problemas que inquietam os produtores rurais, os moradores de áreas atingidas pelos incêndios, ou destruição da selva, na Amazônia. Em Belo Horizonte, tão distante do palco dos acontecimentos, teme-se o fogo que se ergue nas fraldas da Serra do Curral, ameaçando a mataria, residências da elite ou de proprietários de baixa renda, até casas de saúde.
É bom que todos sintam o problema e procurem evitar danos maiores, até à vida humana. Aqui, situamo-nos no Sudeste, de mais recursos, inclusive em equipamentos de defesa e para debelar o fogo. Imagine-se lá nos rincões recônditos da maior floresta do planeta. Tem-se de cuidar, ao invés de dilatar um bate-boca, fora dos padrões de chefes de Estado ou da diplomacia, atitude que em nada ajuda, antes atrapalha.
Pode ser que o presidente Emanuel Macron tenha se precipitado, até para apresentar-se como protagonista em um drama, de que o Brasil não é ator sozinho, como se demonstrou antes da reunião do G7, em Biarritz. Aparentemente, Brasília permaneceu na conversa, enquanto os fatos se avultavam, resultando numa crise dispensável. Será que o papa também se precipitou?
O general Villas Bôas, uma das grandes lideranças das Forças Armadas, enganou-se na colocação da matéria, em recentes declarações. Os testes nucleares franceses na Polinésia, há tantos anos, jamais serão esquecidos, mas a situação agora é outra. A pátria de De Gaulle esteve ao lado do Brasil em inúmeras oportunidades no decorrer da história. Não é hora, nem há razões suficientes, para desencontros. Ademais, a Guiana Francesa faz fronteira com o Brasil, e suas angústias pela tragédia amazônica são pertinentes a ambas as nações.
Os governos da França e da Irlanda chegaram a anunciar o bloqueio do acordo com o Mercosul, o que seria altamente danoso ao Brasil, se o Planalto não tomasse providências para proteger a floresta, depois de mais de 20 anos de negociações. Logo, a questão está equacionada e clara. Nada de suscetibilidades feridas.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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