sexta-feira, 23 de agosto de 2019

GOVERNO BOLSONARO PODE SOFRER APAGÃO POR FALTA DE VERBAS


Com bloqueio de verbas, 13 ministérios correm risco de apagão até setembro

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli 


 


© ANDRE COELHO/ESTADAO Paulo Guedes e sua equipe teriam apresentado a Rodrigo Maia (DEM-RJ) um plano para conseguir R$ 20 bilhões em receitas

Um grupo de 13 ministérios e órgãos do governo federal está com a faca no pescoço e deve entrar entre agosto e setembro num quadro de “apagão” pela penúria de recursos. Outros nove ministérios estão em situação apertada e começarão a ter que “desligar” serviços e programas por falta de dinheiro entre outubro e novembro, mostra levantamento feito pelo Estado com base no que foi autorizado em gastos do orçamento de cada órgão.

Os ministérios e órgãos em situação mais crítica são os de Infraestrutura, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Advocacia-Geral da União, Minas e Energia, Defesa, Ciência, Tecnologia, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cade, Controladoria-Geral da União, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Desenvolvimento Regional.
Há risco de desligamento também de serviços da Receita e atrasos maiores no Minha Casa, Minha Vida. Na faixa 1 (para famílias com renda de até R$ 1,8 mil) do programa habitacional, o atraso dos pagamentos subiu para 70 dias. O nível de comprometimento de despesas na Antaq já chega a 99,9%. Ou seja, o agência terá dificuldade para contratar novos gastos.
Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe, em reunião na quarta-feira, apresentaram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a um grupo de deputados um plano para conseguir R$ 20 bilhões em receitas para desafogar o Orçamento e conseguir dar um socorro aos ministérios.
Maia já tinha alertado para a gravidade da situação: ou o governo aumenta a receita em 40 dias ou terá que propor a mudança da meta fiscal, que hoje permite déficit de até R$ 139 bilhões, para conseguir desfazer uma parte do contingenciamento e evitar uma situação de caos, com paralisação de serviços, situação conhecida como “shutdown”.
A reportagem apurou que Guedes é contra a mudança de meta e está buscando ampliar as receitas rapidamente, o que inclui a antecipação de pagamentos de R$ 13 bilhões em dividendos pelo BNDES e pela Caixa. Outras medidas estão sendo pensadas para evitar o apagão, como o uso de reservas e “arrecadação extra”.
O problema para o governo é o tamanho do bloqueio, que já chega a R$ 34 bilhões. Ele pode aumentar em setembro porque o desempenho Produto Interno Bruto (PIB) não tem reagido, o que tem obrigado o governo fazer seguidas redução da previsão de receitas.
‘Escancarar’
A estratégia traçada pelo ministro Paulo Guedes é “escancarar” a situação. Portaria do Ministério da Economia, publicada na quinta-feira, 22, prevê desde a limitação do expediente dos funcionários até a suspensão do tradicional cafezinho servido na pasta para priorizar sistemas de atendimento ao cidadão, como os da Receita Federal e do INSS. O órgão que paga as aposentadorias e pensões deve ficar sem dinheiro para quitar a conta de luz já a partir de setembro.
O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, e o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, têm sido os principais porta-vozes do quadro dramático que vive a Esplanada. Planos de contingência estão sendo feitos pelos ministérios. O presidente Jair Bolsonaro já foi avisado da situação e tem, em seguidas entrevistas, apontado para a falta de dinheiro.
O levantamento do Estado mostra que, se nada for feito até setembro, quando haverá a necessidade legal da terceira revisão do Orçamento, um novo bloqueio poderá ser necessário.
Segundo um integrante da equipe econômica, o dilema é que o governo espera mais dinheiro no final do ano com o megaleilão de petróleo, marcado para novembro, mas precisa sobreviver até lá. O dinheiro que está preso por conta do fenômeno do “empoçamento”, quando os ministérios não conseguem executar um conjunto de gastos carimbados apesar da verba disponível, não pode ser usado para aliviar o contingenciamento.
Com parte de seus recursos contingenciada, o Exército poderá ser obrigado a dispensar pelo menos 25 mil dos 80 mil recrutas no início de outubro, antecipando a primeira baixa, que estava prevista para dezembro.
Outro lado
A maioria dos ministérios e órgãos que estão na situação mais crítica confirmaram que já comprometeram a maior parte do Orçamento disponível para este ano.
O Ministério do Desenvolvimento Regional, que opera o Minha Casa Minha Vida, informou que tem trabalhado junto com a Casa Civil, a Presidência e o Ministério da Economia para ampliar os limites de gastos. Segundo a pasta, o bloqueio “não afeta consideravelmente o custeio da administração”, mas reconheceu que já encerrou contatos de terceirização para reduzir despesas internas. Os recursos disponíveis, disse o MDR, têm sido distribuídos conforme estudos de demanda, priorização de programas e andamento de projetos e obras.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que, da autorização de R$ 137,47 milhões, já comprometeu R$ 114,5 milhões, o equivalente a 83% do orçamento. No entanto, o órgão afirma que as despesas já pagas estão em R$ 67,5 milhões e ainda há disponibilidade de quase metade do valor, o que diminui a necessidade de empenhar novos gastos até o fim de 2019. Nos últimos anos, a Anac afirma que reduziu gastos com aluguéis, apoio administrativo, condomínio, transporte e limpeza, poupando R$ 51,7 milhões.
O Ministério da Infraestrutura afirmou que já enxugou postos de trabalho e fundiu secretarias, obtendo economia de R$ 14,5 milhões. “Além dessa reestruturação, a revisão de contratos e o corte de gastos com diárias e passagens devem elevar essa economia a R$ 26,2 milhões”, disse.
O Ministério da Defesa e as Forças Armadas informaram que ainda trabalham com a possibilidade de liberação dos recursos bloqueados. “No entanto, estudam alternativas caso se prolongue o referido bloqueio”, disse a nota, sem informar detalhes.
A AGU informou que tem adotado diversas medidas para cortar despesas, como substituição da vigilância física por eletrônica, diminuição de serviços de copa e de alugueis de veículos, além de renegociar aluguéis de imóveis. A economia chegará a pelo menos R$ 32,2 milhões até o fim do ano, segundo o órgão.
O Cade confirmou que já comprometeu R$ 26,9 milhões dos R$ 30,9 milhões que estão disponíveis após o contingenciamento – o equivalente a 87% do orçamento liberado. A lei orçamentária autorizou R$ 42,29 milhões, dos quais R$ 11,4 milhões foram bloqueados. “Ressaltamos que o Cade é um dos órgãos com menor orçamento da estrutura da administração e que a autarquia é parcimoniosa na utilização dos recursos públicos à disposição”, diz a nota.
A Aneel informou que o orçamento destinado à agência em 2019 “é suficiente para custear as atividades de fiscalização, ouvidoria, os convênios com as agências estaduais, bem como as demais atividades da Aneel até o fim do ano”. “Estamos concentrando esforços para reduzir despesas, de modo a não usar o limite disponível”, informou em nota. No ano passado, a agência diz ter economizado R$ 18 milhões.
Em nota, a Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que tem a preocupação constante de economizar e usar de forma "otimizada" os recursos públicos. "Em momentos de contingenciamento, o órgão aprimora ainda mais essa conduta, com a revisão dos custos e das contratações", diz a nota. O órgão citou exemplos de cortes adotados, como contrato de copeiragem e fornecimento de café.
Procurados no fim da tarde de de quinta-feira, 22, os demais órgãos em situação mais crítica não responderam até o fechamento deste texto.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

GOVERNO TRUMP QUER PRENDER CRIANÇAS E IMIGRANTES POR MAIS TEMPO


Nova regra de Trump permitirá deter famílias imigrantes por tempo indeterminado

Estadão Conteúdo








Um acordo judicial limitava a 20 dias o período em que o governo poderia manter crianças

A administração Trump revelou nesta quarta-feira (21), que vai remover os limites legais para permitir a detenção por tempo indeterminado de famílias imigrantes que cruzam a fronteira ilegalmente. Um acordo judicial limitava a 20 dias o período em que o governo poderia manter crianças imigrantes sob custódia. Esse acordo também determinava um nível básico de cuidado que o governo deveria fornecer a essas crianças, o que também será revisto.

Por mais de um ano, a Casa Branca tem pressionado o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) para encontrar uma maneira de eliminar esse acordo judicial - conhecido como Acordo Flores, de 1997. Os mais radicais contra a imigração dentro da administração republicana dizem que a mudança é crucial para conter o fluxo de imigrantes que cruzam a fronteira sul do país.

A nova regulação de Washington pode modificar o requisito de condições mínimas para os centros que detêm famílias e eliminar o limite de 20 dias que as famílias podem ficar em uma cela. No ano passado, enquanto executava sua política de "tolerância zero" contra a imigração, Trump reclamou repetidamente da prática de "pega e solta" as famílias imigrantes da América Central e de outros lugares nos EUA.

"O Acordo Flores, que data de décadas, está defasado e não leva em conta a mudança em massa da imigração para famílias e menores da América Central", disse a Casa Branca, em um comunicado.

A nova política, a ser implementada em 60 dias, não limitará quanto tempo as crianças ou suas famílias poderão ficar sob custódia das autoridades migratórias. Segundo o DHS, a regra vai permitir mudanças significativas.

"Este ano, vimos um fluxo sem precedentes de unidades familiares, a maioria da América Central, que chega à nossa fronteira sul", disse Kevin McAleenan, o secretário interino do Departamento, antes de viajar para o Panamá. No país, ele se reúne com o presidente Laurentino Cortizo e com ministros centro-americanos para falar de segurança.

A Casa Branca disse que o presidente Trump está tomando medidas para assegurar que as famílias estrangeiras possam ficar juntas durante seu processo migratório. Várias organizações de direitos humanos advertiram que vão recorrer aos tribunais para evitar a revogação do Acordo Flores.

"Este é outro ataque cruel contra as crianças, atacadas pelo governo Trump repetidas vezes com suas políticas contra os imigrantes", denunciou a ACLU.

A organização de defesa dos direitos humanos disse ainda que "o governo não deveria estar prendendo crianças e certamente não deveria estar buscando uma forma de pôr essas crianças na prisão por mais tempo".

O presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, Tom Pérez, denunciou a "crueldade sem fim" do governo Trump.

"Os demandantes de asilo e os imigrantes merecem ser tratados com um mínimo de dignidade humana e de decência, mas, mais uma vez, o governo de Donald Trump e seus aliados republicanos os estão demonizando para dividir o povo americano. Não há uma justificativa moral para a detenção indefinida de crianças", afirmou Pérez. "Não há desculpa para o trauma que essa política vai gerar nas famílias."

O pré-candidato democrata à Casa Branca Beto O'Rourke denunciou que a "crueldade vai apenas piorar se não for contida". "Milhares de crianças separadas de seus pais. Sete crianças mortas sob nossa custódia. Muitos mais dormindo direto no chão de concreto, com mantas de alumínio. Hoje, Trump decidiu que a solução é prendê-los por mais tempo", disse no Twitter.

No mês passado, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, declarou-se "profundamente impactada" pelas condições de detenção dos migrantes nos Estados Unidos.

A Academia Americana de Pediatras (AAP) criticou reiteradamente a detenção de crianças, alertando para os riscos à saúde dos menores.

GOVERNO PRETENDE INSTITUIR O IMPOSTO SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS


Imposto sobre transações financeiras é opção do Congresso, diz Guedes

Agência Brasil









O ministro disse que caberá aos parlamentares decidir pela criação do tributo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (21) que encaminhará em breve ao Congresso Nacional proposta de reforma tributária. Segundo ele, poderá ser proposta a criação de um imposto sobre transações financeiras, parecido com a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, e depois extinta.
“O imposto sobre transações foi usado e apoiado por todos os economistas brasileiros no governo Fernando Henrique. O imposto tem uma capacidade de tributação muito rápida, muito intensa. Ele põe dinheiro no caixa rápido.”
O ministro disse que caberá aos parlamentares decidir pela criação do tributo. “A conversa toda sobre imposto sobre transações, isso aí estava em um contexto, que a gente ainda considera, de desoneração da folha, que é opcional”, afirmou.
Guedes explicou que, para que ocorra a volta do tributo, haverá redução na tributação sobre a folha de pagamentos para estimular o emprego formal.
“Se for baixinho [o imposto], não distorce tanto [a economia]. Mas essa vai ser uma opção da classe politica. Eles têm que decidir. Podemos propor uma desoneração forte na folha de pagamentos, a troco desse imposto. Se a classe política achar que as distorções causadas por esse imposto são piores do que os 30 milhões de desempregados sem carteira de trabalho, eles decidem. É uma opção difícil, é um trabalho difícil", disse.
O ministro deu a entrevista após se reunir com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Banco Central, Roberto Campos Neto, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e líderes partidários, no Ministério da Economia, em Brasília.
Maia disse que, quando o governo encaminhar a proposta de reforma tributária, dará celeridade na tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e reabrirá o prazo de discussão e emendas. Segundo Maia, o texto do governo federal poderá ser incluído na proposta de reforma tributária que está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados.
“Estamos fazendo uma proposta tributária bastante conciliatória. Achamos que o governo federal tem que mandar a mandar a parte dele. E naturalmente o Congresso vai encaixar o resto”, acrescentou Guedes.
Eletrobras
Maia afirmou ainda que a privatização da Eletrobras vai garantir mais recursos para investimentos no país, como a revitalização do Rio São Francisco, saúde, educação e infraestrutura. Segundo Maia, caberá ao governo decidir se enviará um novo projeto ao Congresso ou se será levado adiante o projeto de lei enviado pelo ex-presidente Michel Temer.
“A Eletrobras tem uma capacidade de investimento de R$ 3 bilhões por ano e precisa investir R$ 16 bilhões. Todo esse recurso que colocamos na Eletrobras poderia ser privado”, resssaltou.
Guedes disse ainda que a Eletrobras tem hoje cerca de 30% da geração de energia do Brasil e 44% da transmissão. “Caso não consiga manter o ritmo de investimentos vai colapsar. Daqui a 10 anos, terá menos de 10%. A empresa está lutando para sobreviver, como todas as estatais.”

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...