quarta-feira, 24 de maio de 2017

EXCESSO DE IMPOSTOS - O GOVERNO ARRECADA 50% DE TUDO QUE É PRODUZIDO



Alta carga tributária elimina empregos no Brasil

Tatiana Moraes e Ivana Andrade












INCENTIVOS – Lincoln Gonçalves avalia que a forma como o setor agrícola é tratado deveria ser seguido

Milhares de empregos poderiam ser gerados se a carga tributária da indústria nacional, de 33% em média, fosse mais leve, ou melhor distribuída. A afirmação é do economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e professor do Ibmec, Sérgio Guerra. Ele ressalta que 47,4% da riqueza gerada pela indústria da transformação é convertida em impostos. Como reflexo, as companhias investem cada vez menos, deixando o parque nacional menos moderno e desestimulando a criação de novos postos de trabalho.
“A carga da indústria da transformação é proporcionalmente muito elevada. É um desestímulo ao investimento”, critica. O segundo setor com maior carga tributária é serviços industriais de utilidade pública, como energia elétrica e telefonia, com 38,7%, conforme destaca o economista. O índice é parte de um levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
A alta carga tributária, ainda conforme o especialista, não é o único problema da indústria. A complexidade dos dados e fórmulas, segundo ele, deve ser levada em consideração. “Cada estado tem uma regra diferente para o ICMS, por exemplo. Se uma indústria atua em vários estados, ela tem que entender as regras de todos”, diz.
Na avaliação do presidente do Conselho de Política e Economia da Fiemg, Lincoln Gonçalves, a forma como o setor agrícola é tratado pelo governo federal deveria ser seguida como modelo. “O setor tem média de 6% de tributação, tem linhas de crédito com taxas atrativas e apresenta fortes crescimentos”, ressalta.
O professor de direto tributário da PUC-Minas e sócio do escritório Henriques Advogados, Guilherme de Almeida Henriques, cita o economista Edmar Bacha para classificar a carga tributária do país. “O Brasil é uma ‘Belíndia’, como diz Bacha. Pagamos tributos como a Bélgica, de 40%, mas temos serviços públicos como os da Índia, precários”, lamenta.
A carga tributária média da indústria brasileira, de 33%, deveria voltar para a população em forma de bons serviços públicos. O que, visivelmente, não acontece. Henriques critica, ainda, a forma como os impostos são cobrados no Brasil.
“Nos países desenvolvidos a carga tributária incide sobre patrimônio, renda e lucro. Dessa forma, o imposto é pago de forma progressiva, por quem tem mais recursos. No Brasil o imposto é sobre o consumo. Pessoas com poucos recursos veem a renda ser corroída pelos tributos”, diz.
Especialista reforça importância da reforma da Previdência
Em meio à turbulência econômica e política que abala o país, a redução dos gastos públicos é questão prioritária e preocupante para especialistas que debateram ontem a “Solvência do Estado Brasileiro e as Reformas Tributária e da Previdência”, evento promovido pela Fiemg.
Em 2016, somente a despesa com Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) alcançou 13,1% do PIB, o que representou cerca de 54% da despesa primária da União. Já considerando o BPC/LOAS chegou a 13,8% do PIB (R$ 867,6 bilhões). A informação é do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rogério Constanzi.
Ele explicou que a despesa previdenciária total, que atingiu o patamar de 13% do PIB no ano passado, chegaria, sem reforma, a 23% do PIB em 2060, conforme projeção do Tesouro Nacional. “Embora o Brasil não seja um país velho, temos uma despesa típica de países que têm o dobro ou mais da participação de idosos na população total”.
Ele acrescentou que só as aposentarias e pensões do regime geral e do regime próprio representariam despesas de 20% a 23% do PIB em um cenário sem reforma. “Isso não tem mágica. Ou vira aumento de carga tributária ou explosão da dívida pública. Não fazer reforma significa contratar um aumento de carga tributaria da ordem de 9% do PIB para as próximas décadas”.
Ele acrescentou que a população com 60 anos ou mais crescerá a um ritmo médio de 1 milhão a mais por ano até 2060. “A Europa levou demorou 50 anos para passar de 10% para 20% a população idosa. O Brasil fará mesmo percurso em 20 anos”.
De acordo com o coordenador de Economia Aplicada do IBRE/FGV, Armando Castelar Pinheiro, a Previdência e a Assistência Social consomem 64% das receitas do Governo Federal. Ele lembrou que simulações do Banco Mundial mostram que a sustentabilidade do sistema será agravado com o envelhecimento populacional. “Se o Brasil quiser evitar o rápido crescimento do déficit do RGPS, sem alterar o valor das aposentadorias, será preciso dobrar a alíquota de contribuição dos trabalhadores em 2035 para aproximadamente 60% do salário bruto”.
O cientista político Paulo Sérgio Tafner ressaltou que o sistema previdenciário brasileiro é incompatível com o que existe no mundo. De 177 países, apenas 13 como o Brasil ainda não estabeleceram uma idade mínima para a aposentadoria. “Caso a reforma da Previdência não seja aprovada ainda neste governo “a gente não estará dançando mais Carnaval à beira do precipício fiscal, como já havia falado, mas começaremos a cair”. Para o vice-presidente da Fiemg, Lincoln Fernandes, “ficou evidente a urgência da reforma Previdenciária visto à crise política que Brasil enfrenta”.


A JUSTIÇA ELEITORAL CONSIDEROU LEGAIS AS DOAÇÕES DE EMPRESAS MESMO SENDO PROPINA



Delator diz que JBS pagou R$ 43 milhões a partidos para apoiarem Aécio em 2014

Janaína Oliveira e Paula Coura










Ao menos 12 partidos políticos receberam dinheiro da JBS em troco de apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República, em 2014. A holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista repassou às legendas R$ 43,170 milhões a pedido do então candidato.
A informação consta no acordo de delação premiada do diretor de Relações Institucionais do grupo J&F, Ricardo Suad.
No documento da Procuradoria Geral da República (PGR), a que o Hoje em Dia teve acesso, Saud diz que “Aécio orientou que a propina fosse distribuída para a compra de partidos políticos que integrassem a coligação (de Aécio) à Presidência da República”.
Assim, atendendo ao pedido do tucano, Saud conta aos procuradores que o PTB foi o que mais recebeu: R$ 20 milhões. Do montante, segundo o delator, R$ 17,950 milhões se referem a doações oficiais aos diretórios dos estados. Os repasses foram feitos entre 23/6/2014 a 14/04/2014. Outros R$ 2,050 milhões em espécie foram entregues a um interlocutor da legenda.
Com R$ 15,270 milhões, o Solidariedade foi o segundo que mais embolsou recursos no esquema. Do total, R$ 11 milhões foram doados oficialmente ao diretório nacional, presidido pelo deputado federal Paulinho da Força.
De acordo com o executivo da JBS, “orientado por Aécio, Paulinho da Força procurou Joesley Batista no antigo escritório da J&F e ajustou os pagamentos”. Assim, Paulinho teria recebido “R$ 4 milhões por meio de liquidação de notas fiscais”. O restante do dinheiro destinado ao Solidariedade foi distribuído para representantes de empresas dos ramos de transporte, material de construção e elétrica.
Para o PMDB, partido que compunha chapa com a então candidata Dilma Rousseff (PT), rival de Aécio, foram R$ 1,5 milhão, em doação oficial em 24/10/2014.
Já o DEM foi destinatário de R$ 2 milhões. Conforme a delação de Ricardo Saud, inicialmente a quantia acordada por Aécio para a direção do partido teria sido de R$ 10 milhões. Mas o tucano mudou de ideia e “autorizou a redistribuição”, o que deixou o representante do DEM “indignado”.
Ao diretório nacional do antigo PTdoB, rebatizado de Avante mas ainda presidido pelo deputado Luis Tibé, foram repassados R$ 1 milhão, em doação oficial em 11/9/2014. Menos de uma semana mais tarde, o PMN foi agraciado com R$ 1,3 milhão, de forma oficial.
PSC, PSL e PEN receberam, respectivamente, R$ 100 mil, R$ 150 mil e R$ 500 mil, todas de forma oficial. Já para o PTC foram dois repasses: R$ 400 mil para o diretório nacional, em doação oficial em 11/9/2014, e R$ 250 mil para o comitê financeiro regional de Minas, também em doação oficial feita quatro dias depois.
O PTN também foi contemplado em dose dupla. Foram R$ 250 mil para o diretório de Minas e R$ 400 mil para o nacional, ambas registradas. Ainda segundo o delator, R$ 50 mil foram doados ao PSDC.
Danilo de Castro
Homem forte nos governos do PSDB em Minas, o ex-deputado Danilo de Castro também foi citado na delação de Ricardo Saud.
Ainda no anexo dedicado a Aécio Neves, o delator contou aos procuradores que Danilo de Castro foi indicado pelo tucano para interceder a favor dos interesses do grupo em Minas.
De acordo com Saud, “Aécio prometeu a Joesley Batista” liberar créditos de ICMS de duas empresas do grupo no valor total de R$ 24 milhões.
Segundo o delator, cinco ou quatro reuniões para agilizar a liberação dos recursos foram realizadas entre o executivo e Danilo, “que telefonava para a SEFAZ-MG (Secretaria de Estado de Fazenda de Minas) e pedia a liberação dos créditos”. Apesar das tratativas, os recursos não foram liberados.
Em nota, Danilo disse que recebia os executivos da JBS enquanto estava na secretaria de Governo da mesma maneira que recebia diversas pessoas que me procuravam. “Eles me apresentaram as demandas relativas à empresa e encaminhei para a área técnica. Como a resposta foi de que não era possível atender o pleito, dei a eles esse retorno”, disse.


Segundo a defesa de Aécio, a solicitação de apoio de partidos aliados à candidatura à Presidência em 2014 ocorreu de acordo com a lei. “Os recursos não envolveram qualquer contrapartida ou uso de dinheiro público”

Legendas afirmam que doações foram legais e estão declaradas na Justiça Eleitoral
Todos os partidos políticos citados na delação de Ricardo Saud como receptores de dinheiro a pedido de Aécio, então candidato à Presidência da República, foram procurados pela reportagem.
O PTB confirmou que Aécio intermediou as doações recebidas pela legenda, mas reiterou que os valores estão “dentro das normas legais, declarados à Justiça Eleitoral”.
Quem falou pelo PMDB foi o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, destinatário dos R$ 1,5 milhão. Segundo ele, os valores repassados à sua campanha em 2014 foram “declarados e com recibo”.
A assessoria de imprensa do PSL disse o envolvimento da sigla em possível esquema de propina não tem nenhuma referência com a atual administração.
O diretório do PSC em Belo Horizonte declarou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
Em nota, o PSDC declarou que recebeu R$ 50 mil de forma espontânea da JBS por meio de doação oficial e que o recurso foi disponibilizado a diversos candidatos do partido. “Em momento algum houve condicionamento a apoio de quaisquer candidatos, nem da candidatura de Aécio Neves”, disse o presidente do PSDC em Minas, Alessandro Marques.
Segundo a assessoria do Solidariedade, as doações recebidas em campanha foram declaradas na prestação de contas, entregues ao TSE, tais como às destinadas a Paulinho da Força.
De acordo com o presidente do PEN, Adilson Barroso, os valores recebidos da JBS foram declarados na prestação de contas ao TSE. “Não tivemos o intermédio de Aécio Neves para nada. Foi uma doação direta da empresa ao partido”, disse.
Os escritórios de DEM, PMN e PTN não retornaram as ligações nem responderam aos e-mails.
O PTdoB disse que os valores destinados “à campanha presidencial do partido” foram declarados ao TSE. O diretório do PTC não quis se pronunciar.






terça-feira, 23 de maio de 2017

VISITA DE DONALD TRUMP A ISRAEL



Trump diz que compartilha de 'causa comum' com Israel e muçulmanos sobre Irã

Estadão Conteúdo





O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu sua primeira visita a Israel nesta segunda-feira dizendo que vê um crescente reconhecimento entre as nações muçulmanas de que os dois compartilham uma "causa comum" com Israel em uma determinação de combater as ameaças colocadas pelo Irã.

Chegando diretamente de Riad, na Arábia Saudita, Trump expressou sua esperança de cooperação entre os aliados dos EUA no Oriente Médio. Sua segunda parada em sua primeira viagem internacional como presidente tem como objetivo fazer testes para a possível implementação de um acordo de paz palestino-israelense.

"Temos, diante de nós, uma rara oportunidade de trazer segurança, estabilidade e paz para esta região e para o seu povo", disse Trump ao chegar a Tel-Aviv. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o presidente americano é um "verdadeiro amigo" de Israel e expressou otimismo sobre o papel do presidente no processo e paz no Oriente Médio. Fonte: Associated Press.

AS EMPREITEIRAS RECEBERAM O DINHEIRO DA PROPINA GASTARAM NO SÍTIO QUE LULA DIZ NÃO SER DELE



Schahin, Odebrecht e OAS gastaram R$ 1,02 mi em obras no sítio, diz Procuradoria

Estadão Conteúdo
Hoje em Dia - Belo Horizonte








Na nova denúncia criminal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a força-tarefa da Operação Lava Jato sustenta que as empreiteiras Schahin, Odebrecht e OAS pagaram R$ 1,02 milhão em reformas do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. A propriedade do sítio é atribuída ao petista, o que ele nega.

Segundo a Procuradoria, a Odebrecht e a OAS gastaram R$ 870 mil no empreendimento. A Schahin, por sua vez, desembolsou R$ 150,5 mil.

É a primeira vez que a Procuradoria da República aponta envolvimento da Schahin nas obras de Atibaia. Anteriormente, os procuradores já haviam atribuído à Odebrecht e à OAS responsabilidade por melhorias no imóvel.

Segundo a denúncia, a Odebrecht e a OAS pagaram propinas no valor total de R$ 155 milhões a partidos políticos da base de Lula - R$ 128 milhões da primeira e R$ 27 milhões da outra - relativas a 7 contratos firmados com a Petrobras.

"Esses valores (R$ 155 milhões) foram repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o PT, o PP e PMDB, bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro", afirma a força-tarefa da Lava Jato.

Parte dos R$ 155 milhões, de acordo com a Procuradoria, foi investida no sítio.

Os procuradores destacam que os R$ 870 mil supostamente investidos pela Odebrecht e pela OAS foram lavados "mediante a realização de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia, para adequá-lo às necessidades da família do denunciado Luiz Inácio Lula da Silva, assim como mediante a realização de melhorias na cozinha do referido sítio e aquisição de mobiliário para tanto".

Além de Lula, também foram denunciados os empreiteiros José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro da OAS - crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro -; e Marcelo Bahia Odebrecht, este por corrupção ativa. A acusação inclui o executivo Agenor Franklin Magalhães Medeiros, da OAS, pelo crime de corrupção ativa. E ainda o pecuarista José Carlos da Costa Marques Bumlai, amigo de Lula, além de Rogério Aurélio Pimentel, assessor do ex-presidente, por lavagem de dinheiro.

A nova denúncia contra Lula pega ainda, pela primeira vez, o patriarca da Odebrecht Emílio Alves Odebrecht, pai de Marcelo. A acusação recai também sobre os executivos da Odebrecht Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Carlos Armando Guedes Paschoal, Emyr Diniz Costa Júnior, Fernando Bittar e o executivo da OAS Paulo Roberto Valente Gordilho, além do advogado Roberto Teixeira - compadre de Lula, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.

Ainda segundo a Procuradoria, "também foi objeto de lavagem de dinheiro uma parte dos valores de propina oriunda dos crimes de gestão fraudulenta, fraude à licitação e corrupção no contexto da contratação para operação da sonda Vitória 10000 da Schahin pela Petrobras, a qual foi utilizada, por intermédio de José Carlos Bumlai, para a realização de reformas estruturais e de acabamento no Sítio de Atibaia, no valor total de R$ 150,5 mil".

Defesa

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, divulgou a seguinte nota:

"A denúncia apresentada hoje (22/05) pela Força Tarefa da Lava Jato contra Lula mostra uma desesperada tentativa de procuradores da República justificar à sociedade a perseguição imposta ao ex-Presidente nos últimos dois anos, com acusações frívolas e com objetivo de perseguição política. A nota que acompanhou o documento deixa essa situação muito clara ao fazer considerações que são estranhas à área jurídica e às regras que deveriam orientar a atuação de membros do Ministério Público, como a legalidade e a impessoalidade.

A peça buscou dar vida à tese política exposta no PowerPoint de Deltan Dallagnol, para, sem qualquer prova, atribuir a Lula a participação em atos ilícitos, envolvendo a Petrobras, que ele jamais cometeu. Os procuradores reconhecem não ter qualquer prova de que Lula seja o proprietário do sítio, embora tenham repetido esse absurdo por muito tempo em manifestações formais e em entrevistas impropriamente concedidas à imprensa: 'A forma de aquisição da propriedade e seu registro, mediante possíveis atos de ocultação e dissimulação, não são objeto da denúncia'.

Mas recorreram a pedalinhos e outros absurdos para sustentar a tese de que Lula seria o beneficiário de obras realizadas no local e que os valores utilizados seriam provenientes de supostos desvios ocorridos em contratos firmados pela Petrobras. A afirmação colide com todos os depoimentos já colhidos em juízo, até a presente data, com a obrigação de dizer a verdade, que afastam o ex-Presidente da prática de qualquer ato ilícito.

A Lava Jato age de forma desleal em relação a Lula, com acusações manifestamente improcedentes e com a prática de atos que são ocultados de sua defesa. Hoje mesmo, o ex-Senador Delcídio do Amaral reconheceu em depoimento prestado na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba que participou no Mato Grosso de Sul de interrogatório solicitado por autoridades americanas com a participação do Ministério Público Federal e com representantes da Petrobras. O ato, embora relacionado às acusações feitas contra Lula, não havia sido revelado e os documentos correspondentes ainda são desconhecidos.

A falta de justa causa para o recebimento da ação penal proposta nesta data é flagrante e um juiz imparcial jamais poderia recebê-la."


Roberto Teixeira divulgou a seguinte nota:

"A denúncia apresentada hoje (22/05) contra mim é mais um ato de intimidação da advocacia e de desrespeito às garantias fundamentais praticado pela Força Tarefa da Lava Jato. O anúncio ocorre no dia seguinte ao encontro que reuniu em São Paulo 260 grandes nomes da advocacia brasileira para repudiar a perseguição e a violação aos profissionais que atuam no âmbito da Operação Lava Jato.

O ato colide com os "Princípios Básicos Relativos à Função dos Advogados", aprovados pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas em 1990, segundo o qual "Os Governos deverão assegurar que os advogados (a) possam desempenhar todas as suas funções profissionais sem intimidações, obstáculos, coacções ou interferências indevidas".

Fui mais uma vez denunciado por integrar a equipe de defesa do ex-Presidente Lula, por com ele manter relação de amizade - após tê-lo conhecido, como Presidente da OAB/São Bernardo do Campo - por ter, como seu advogado, praticado exclusivamente atos inerentes à profissão, como representá-lo, bem como aos seus familiares, em ações judiciais.

A peça sequer se preocupou em esconder seu caráter intimidatório e de tentativa de criminalização da amizade e da advocacia. Diz a denúncia, para justificar a inclusão do nome: (i) 'Nas operações de compra do sítio de Atibaia/SP também se verifica a participação do advogado ROBERTO TEIXEIRA (…), o qual goza da extrema confiança de LULA, sendo responsável por representá-lo, bem como a seus familiares, em ações judiciais'; (ii) É possível verificar, ainda, que as escrituras de venda e compra dos imóveis que compõem o sítio foram lavradas na mesma data (29/10/2010), pelo mesmo escrevente (JOÃO NICOLA RIZZI), e no mesmo local: Rua Padre João Manoel, nº 755, 19º andar, São Paulo/SP. Esse é o endereço em que está situado o escritório de advocacia TEIXEIRA, MARTINS E ADVOGADOS; (iii) 'JOÃO NICOLA RIZZI, ao seu turno, revelou que todas as escrituras lavradas no interesse de ROBERTO TEIXEIRA tiveram as assinaturas colhidas no escritório de advocacia desse'; (iv) 'A relação bastante próxima entre ROBERTO TEIXEIRA e LULA também é evidenciada a partir das informações prestadas por MATUZALEM CLEMENTONI427, em depoimento colhido pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Segundo ele, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA teria sido padrinho de casamento da filha de ROBERTO TEIXEIRA. Ademais, fontes públicas noticiam a amizade de longa data entre os dois'.

A estapafúrdia denúncia coloca como indício da prática de crime o fato de eu haver prestado serviços advocatícios a Fernando Bittar e Jonas Suassuna: 'Em suma, o fato de o advogado ROBERTO TEIXEIRA ter participado da aquisição do sítio, tendo sido, inclusive, lavradas as escrituras das compras em seu escritório, somado à circunstância de ROBERTO TEIXEIRA ser bastante próximo de LULA e de sua família, e não de JONAS LEITE SUASSUNA FILHO e FERNANDO BITTAR, formais adquirentes do sítio, é mais um indício de que esses 'amigos da família' serviram apenas para ocultar o fato de que a propriedade foi adquirida em benefício de LULA'.

Demonstrarei, em todas as instâncias cabíveis, o absurdo das acusações dirigidas contra mim e a responsabilidade daqueles que usaram de suas atribuições legais para promover a perseguição e a criminalização da amizade e da advocacia."

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...