terça-feira, 12 de julho de 2016

UMA PONTE PARA O FUTURO



Pronta desde 2011, ponte que liga Brasil a Guiana deve ser inaugurada em 2017

Agência Brasil 




Oiapoque - O anúncio do projeto de ligação entre a cidade brasileira e o território francês aconteceu em 1997 e a ponte foi concluída em 2011

A ponte binacional que liga a cidade de Oiapoque, no norte do Amapá, a Saint Georges, na Guiana Francesa, só deve ser aberta para circulação depois de junho do ano que vem. Essa é a data estimada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a conclusão das obras de instalações de fronteira, que envolvem a construção do posto da Polícia Federal e da Receita Federal, para controlar a circulação de pessoas e mercadorias pela ponte.
Segundo o Dnit, as instalações de fronteira estão parcialmente concluídas, restando apenas a execução dos serviços e obras de vídeo segurança, pavimentação dos pátios e cercamento do complexo alfandegário. Estes serviços finais foram contratados em maio e a previsão de término das atividades é no dia 3 de junho de 2017. Depois que a construção for concluída, faltará ainda a instalação dos órgãos no local para o efetivo funcionamento da ponte. Em janeiro, a previsão era de que a ponte pudesse ser inaugurada até junho deste ano.
O anúncio do projeto de ligação entre a cidade brasileira e o território francês aconteceu em 1997 e a ponte foi concluída em 2011, mas nunca foi aberta para a circulação de carros e de pessoas. Além da construção do posto aduaneiro, acordos comerciais entre os dois países eram entraves para a abertura da ponte. Mas, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não existem mais pendências em relação a essa questão, pois os acordos entre o Brasil e a França, que definem as regras de transportes de mercadorias entre o Oiapoque e Saint Georges, já foram aprovados pelos legislativos dos dois países.

A inauguração da ponte será assunto de uma reunião hoje (12) no Itamaraty, entre o ministro das Relações Exteriores, José Serra, o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili, o governador do Amapá, Waldez Goes, e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Na semana passada, o senador reuniu-se com o embaixador da França para tratar do assunto. O parlamentar diz que o governo francês vai propor ao governo brasileiro que a inauguração da ponte seja feita até novembro deste ano. Para Randolfe, falta interesse do governo brasileiro para agilizar a inauguração da ponte. “O Brasil tem que passar a tratar isso como prioridade. Há cinco anos o Brasil sequer consegue dar conta de concluir um posto aduaneiro. O governo brasileiro tem que arcar com essa responsabilidade para a inauguração da ponte”, disse o senador àAgência Brasil.
A Embaixada da França explica que o objetivo de abrir a ponte binacional antes do final de 2016 foi acertado entre autoridades francesas e brasileiras e é uma decisão conjunta dos dois países. “Estamos trabalhando em cooperação com nossos parceiros brasileiros para resolver as últimas pendências”, informou a Embaixada, em nota à Agência Brasil. Segundo a Embaixada, não há mais obstáculos jurídicos para a inauguração da ponte e todas as obras do lado francês já estão prontas.
Além de prejudicar a imagem do Brasil, o senador Randolf destaca que a demora no início do funcionamento da ponte traz prejuízos econômicos para a região e para o país. “Essa será uma ponte entre o Brasil e a Europa. Ela pode representar a constituição de um mercado comum entre Amapá, Guiana Francesa, Suriname e República da Guiana de mais de um milhão de pessoas, é a melhor e mais viável alternativa econômica para o Amapá.

O VERDADEIRO "MÃOS-LIMPAS"



Um exemplo não seguido

Manoel Hygino 



Quando se conhecem as somas percorrendo bancos nacionais e estrangeiros, em grande parte ilegalmente desviada dos cofres públicos e das estatais, pergunta-se se é efetivamente um crime da República que Deodoro assumiu em novembro de 1889.
A corrupção reside não unicamente em governos das Américas ou da Europa. Mas no Brasil de nosso tempo, ela parece alcançar o clímax. No fundo, tudo coberto pelo dinheiro do cidadão, responsável pela manutenção da máquina administrativa gigantesca e pelos malfeitos (o substantivo se popularizou) que nela se consumam.
Laurentino Gomes, em seu “1889”, conta mais do que indica a capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”. O jornalista escritor observa que a complexa personalidade do imperador revelou um conjunto notável de heranças familiares.
Pedro II recebeu do pai a austeridade no uso do dinheiro público. Exemplo é a dotação da família real de 800 contos por ano, nunca mudada durante todo o Segundo Reinado e corroída pela inflação. Bom lembrar que o Império durou 67 anos de nossa história e que só o segundo imperador carregou a coroa por quase meio século; exatamente 49 anos. No início, o montante representava 3% da despesa do governo central. Ao final, 0,5%.
Para se ter ideia de como isso influía na vida do soberano, bastaria registrar que, para não depender do erário, Pedro se via constrangido a recorrer a empréstimos junto a amigos e aliados. Nada escandaloso ou escabroso. No quase meio século à frente de governo, teve de utilizar-se do expediente 24 vezes.
E não era dinheiro para despesas pessoais ou familiares. Em 1867, por exemplo, determinou que se descontasse 25% de sua dotação orçamentária para ajuda no esforço de guerra que a nação empreendia na longa guerra contra o Paraguai.
Além dos recursos para o conflito, Pedro os oferecia e custeava bolsas de estudos para jovens talentosos. Cento e cinquenta e um deles obtiveram contribuição, dos quais 41 para estágios fora do país, entre os quais os celebrados pintores Pedro Américo e Almeida Junior. Não esqueço, como escrevi em livro sobre medicina, que beneficiária também foi a carioca Maria Augusta Generoso Estrela, primeira brasileira a diplomar-se para exercício da profissão. Não era capricho da mocinha ou proteção do monarca, pois naquela época era proibido o ensino superior a mulher por aqui. Para superar a dificuldade, Maria Augusta estudou e se formou em Nova York.
Pedro II registrou em seu rico diário: “Não devo, e quando contraio uma dívida cuido logo de pagá-la. E a escrituração de todas as despesas de minha casa pode ser examinada a qualquer hora. Não ajunto dinheiro”.
Clementino comenta: Pedro II era também meticuloso na administração dos negócios públicos. Envolvia-se em tudo, mesmo nos detalhes mais insignificantes. Essa característica fazia dele “um modelo de empregado público, um exemplar burocrata (...), sisudo, metódico, pautado grave...”

IGREJA DA PAMPULHA EM BELO HORIZONTE PRESTES A SER RESTAURADA



Aguardada restauração da Igreja da Pampulha começa em novembro, diz Iphan

Renato Fonseca 




HARMONIA – Em março, templo foi alvo de vandalismo e foi necessária uma força-tarefa para que espaços como os azulejos de Cândido Portinari voltassem a ser admirados pelos turistas

Ela nasceu do sonho de um visionário político e foi transformada em concreto pelos traços de um gênio da arquitetura. Chegou a ser conhecida como templo do diabo, devido à ousadia do projeto, mas se tornou sagrada, imponente e admirada. Nos últimos anos, sofreu com a falta de zelo e, agora, aguarda ansiosa por novas e importantes conquistas.
Batizada Igreja São Francisco de Assis, na boca do povo Igrejinha da Pampulha, a construção modernista de BH ganha sobrevida. O tão esperado restauro do cartão-postal sairá do papel em novembro. A garantia foi dada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O restauro ocorrerá. O dinheiro já estava assegurado, mas havia casamentos agendados” (Célia Corsino, superintendente do Iphan em Minas)
Além de recuperar o templo, a certeza de que a obra será tocada foi uma condição imposta pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco). A intervenção integra as ações solicitadas pela entidade para que o conjunto moderno da Pampulha figure na seleta lista de patrimônio cultural da humanidade.
Conforme o Hoje em Dia tem mostrado desde o último domingo, a capital mineira está em contagem regressiva pela obtenção da chancela internacional. Daqui a quatro dias, a metrópole saberá se o complexo pensado por Juscelino Kubitschek (1902 – 1976) e projetado por Oscar Niemeyer (1907 – 2012) terá o aval da Unesco. A decisão está prevista para sexta-feira em reunião que acontece em Istambul, na Turquia.


A necessidade de reparos emergenciais e obras de conservação se arrastam desde meados de 2013. Infiltrações, mofo, manchas e até painéis danificados saltam aos olhos de quem visita o espaço.
O governo federal chegou a anunciar a liberação de verba para a empreitada, mas houve atraso no repasse e outros entraves. Dentre eles, a reforma esbarrou na agenda de casamentos na igreja. Só para este ano, mais de 200 celebrações estavam previstas.
“Na Igreja, o barroco curvo é revisitado de forma plena, sem, contudo, que se esqueça do modernismo” (Leônidas Oliveira, presidente da FMC)
Garantia
A superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, garante que, desta vez, a restauração será uma realidade. A obra, orçada em R$ 1,4 milhão, conta com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. A licitação foi finalizada e a expectativa é a de que seja necessário um ano para a conclusão dos trabalhos.





RECUPERAÇÃO – Obra do PAC na Igrejinha da Pampulha prevê troca do forro de madeira danificado pelas infiltrações

“A obra já poderia ter sido anunciada. O dinheiro estava assegurado, mas tinha a questão dos casamentos. A arquidiocese acompanhou o processo e agora houve um bloqueio nas agendas”, disse Célia.
A intervenção promete acabar com as infiltrações na estrutura e recuperar parte dos azulejos em tons azuis do pintor Cândido Portinari. O forro de madeira será trocado e a edificação receberá nova pintura, polimento do piso de mármore e limpeza da fachada.
Recentemente, o entorno da capela passou por grande intervenção com a criação de uma esplanada integrando o templo à praça Dino Barbieri. O tráfego de veículos foi proibido na avenida Otacílio Negrão de Lima (sentido Mineirão/Zoológico). Atualmente, o fluxo acontece na parte de cima da via, próximo ao Parque Guanabara, em um trecho de 300 metros de pista.
Na época, as mudanças geraram divergências com moradores e comerciantes. Mas hoje, porém, parecem ter caído no gosto popular. “Ficou ótimo. Valorizou a área dando preferência paras as pessoas e não para os carros. Crianças podem andar tranquilamente e os pais fazerem as fotos”, afirma a professora Nívia Rocha, de 32 anos, que na semana passada passeava com o filho Mateus, de 5 anos.
Assim como ela, milhares de pessoas vão ao monumento. A média é de pelo menos 5 mil visitações por mês. “O movimento é intenso durante todos os dias. São crianças, adultos, idosos, estrangeiros. Todo mundo gosta de vir aqui”, diz Elma de Fátima Vilaça da Silva, uma das funcionárias da igreja.









segunda-feira, 11 de julho de 2016

POLÍTICA ECONÔMICA AINDA MUITO SOFRÍVEL PARA DEBELAR A CRISE



Onde está o Banco Central?

Paulo Haddad 




Durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, ocorreu uma profunda desorganização das finanças do governo Federal. Ao longo de quatro anos de uma gestão pública desastrosa, transformou-se o superávit primário em um mega déficit nominal.

As despesas públicas cresceram bem acima da expansão da economia; muitos empréstimos subsidiados foram distribuídos segundo a lógica do capitalismo de compadrio; incentivos fiscais alimentaram o caixa de empresas com maior capacidade de lobby para defender os seus interesses muitas vezes velados.

O resultado desse chorrilho de distorções e de malversações na alocação dos recursos públicos foi a perda do grau de liberdade do governo Federal para conceber e executar políticas fiscais em defesa dos níveis de renda e de emprego, numa economia que entrava em recessão no segundo semestre de 2014, com o risco de caminhar para uma depressão econômica a partir de 2017. Atualmente, o esforço da equipe econômica do governo Federal se concentra, principalmente, em domar o crescimento da despesa e da dívida pública.

Assim, o peso maior das saídas para as questões da recessão econômica, do desemprego alarmante e da deterioração dos serviços públicos essenciais nos estados e municípios deverá recair sobre uma gestão bem-sucedida da política monetária do Banco Central. A preocupação é que, até o momento, a contribuição da atual política monetária no equacionamento dessas questões tem sido lamentável, para não dizer sofrível.

Isso porque, para controlar altas taxas de inflação, o Banco Central está praticando uma política monetária restritiva, com base em uma taxa de juros absurdamente elevada. Disso resultam os desestímulos ao consumo das famílias e aos investimentos das organizações produtivas, a atração dos investimentos externos em portfólios financeiros que ajudam a valorizar o Real e desestimulam as nossas exportações, ampliando as desigualdades sociais de renda em benefício dos detentores da riqueza financeira. Enfim, uma contribuição que, caso persista, conduzirá a economia brasileira para uma paralisia e para a especulação financeira.

Em muitos países desenvolvidos, como resposta à crise econômico-financeira deflagrada a partir do final de 2008, os Bancos Centrais assumiram a liderança de uma intervenção agressiva, concebida para salvar a economia mundial de políticas nacionais extremistas e de uma depressão longa e devastadora do tecido social. Desenvolveram políticas monetárias não convencionais e surpreendentes (taxas de juros negativas, por exemplo) para proporcionar às sociedades a retomada do crescimento econômico, empregos, inflação baixa e estável, supervisão e regulamentação do sistema financeiro, apesar de cientes de que essas políticas iriam induzir incomensuráveis custos e riscos no futuro, por causa de danos colaterais e consequências não esperadas.

Mesmo sabendo que nossa trajetória econômica apresenta grandes diferenças estruturais e contextuais em relação às economias das nações mais desenvolvidas, espera-se que o nosso Banco Central não se limite, simplesmente, a manter a meta de inflação.

E que não aguarde até que todas as incertezas da economia sejam sensivelmente reduzidas para começar a ser proativo, inovador e o principal protagonista para retirar o país da crise. Lembrando que políticas não convencionais devem ser conduzidas sem hubris, ou seja, sem confiança excessiva, sem presunção e sem arrogância. 

Para controlar altas taxas de inflação, o Banco Central está praticando uma política monetária restritiva, com base em uma taxa de juros absurdamente elevada

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...