quinta-feira, 26 de maio de 2016

O MAU CARÁTER NÃO TEM CONSCIÊNCIA MORAL



Mau-caratismo tem cura?

Simone Demolinari 



"O SUJEITO ERA  TÃO MAU CARÁTER QUE ATÉ SOZINHO ELE ESTAVA MAL  
ACOMPANHADO"
JÔ SOARES

Mau-caráter é o indivíduo que trás no traço de personalidade a “maldade essencial”. Podemos incluir nessa condição o ladrão, contraventor, trapaceiro, criminoso, facínora, desonesto, caloteiro, charlatão e todos os tipos analfabetos morais.

No intuito de disfarçar sua maldade, esses indivíduos se tornam exímios sedutores. É importante destacar a diferença entre sedutor e encantador. O encantador é alguém naturalmente simpático que impacta positivamente pela sua forma genuinamente encantadora. Não faz para agradar, ele simplesmente é. Já o sedutor usa seu charme a serviço dos seus interesses. É perspicaz, está sempre atento aos detalhes, é prestativo, despachado, tem iniciativa e mostra-se sempre à disposição do outro, tudo com um único objetivo: seduzir para levar vantagem. Pessoas mal-intencionadas são sempre sedutoras.
O mau-caráter em sua essência, ou perverso como é chamado na psicanálise, não pratica a maldade como uma opção e sim porque ele sofre de ausência de consciência moral. O que significa que ele não planeja ser ruim, ele é sem fazer esforço nenhum. Esta é a sua maneira natural de agir.

Não podemos desprezar nossa capacidade de mudar e evoluir, porém, precisamos ter em mente que não há cura para tudo.

Isso significa que ele não tem culpa das atrocidades que comete? Não. Não significa. O mau-caráter, mesmo agindo de forma natural, tem plena consciência do seu erro. Não lhe falta clareza dos fatos e sim freio moral. Suas falcatruas são sempre arquitetadas, o que lhe permite total discernimento da ilicitude do ato, contudo, isso não é fator impeditivo para ele recuar.
Embora seja difícil acreditar que existam pessoas essencialmente ruins, tapar o sol com a peneira também não resolve o problema. A dor é ainda maior quando se percebe alguém assim na família. Nessa hora, uma das opções é indicar uma terapia. Mas aí vem a dúvida: terapia resolve desvio de caráter?
É importante pontuar que o indivíduo que busca uma terapia, o faz considerando que o terapeuta tem algo a lhe contribuir. Já o perverso se acha sabedor de todas as coisas e mais esperto que os demais. Quando ele faz terapia ou é para obter vantagens ou por imposição dos pais, marido, esposa, que já estão no limite da tolerância.

Não podemos desprezar nossa capacidade de mudar e evoluir, porém, precisamos ter em mente que não há cura para tudo. Esta fábula ilustra bem o assunto:
“Certa vez, um escorpião, com medo de ser levado pelas águas do rio, pediu ao jacaré que o ajudasse a chegar até a outra margem. O jacaré, conhecendo a má fama do escorpião, recusou, alegando que após a travessia ele lhe picaria. O escorpião, indignado com tal desconfiança disse ao jacaré: “Você acha que eu faria isso com você? Jamais lhe picarei, ao contrário, serei eternamente grato por salvar a minha vida”.
Convencido de que o escorpião não lhe faria mal, o jacaré cedeu-lhe o lombo e o transportou. Ao chegar do outro lado, sem demonstrar nenhum remorso, o escorpião o picou. O jacaré surpreso indagou: “por que você fez isso com quem só lhe ajudou?”. Ele respondeu: “essa é a minha índole, por mais que eu tente, não consigo evitar”.

Há momentos na vida que o melhor a se fazer é aceitar a realidade como ela é.

 

CHAVISMO BOLIVARIANO FRACASSOU



A tragédia venezuelana

Manoel Hygino 



Há quase dois anos, o escritor e diplomata chileno Jorge Edwards, hoje com 85 anos, publicou um artigo muito interessante sobre a Venezuela inserida nas Américas. Embaixador em Cuba e na França, autor de “A Origem do Mundo”, vencedor do prêmio Miguel Cervantes de Literatura, é lúcido e objetivo em suas considerações. Até porque sabe das coisas.
Edwards comentou, então, que o castrismo ressurgiu sob a forma de chavismo, as políticas bolivarianas, seguindo o prognóstico de Fidel de que os Andes seriam a Sierra Maestra da América. Imaginando os heróis da independência do continente como Bolívar, Fidel reconheceu que seus projetos em só uma ilha estavam condenados; necessitavam expandir-se.
Chávez mudou o panorama: homem de armas, orador popular e populista, era dirigente de uma fábrica de petrodólares. Em consequência, Castro e Chávez formaram uma aliança astuta, a ALBA – Alternativa Bolivariana para a América, que pretendia mudar o hemisfério. Mas o diplomata chileno se perguntou em seguida: “Como a antiga Venezuela se transformou na atual? É um processo que exige longa explicação, mas não é pura literatura, não é realismo mágico. O que se demonstra uma vez mais é que as ditaduras pertencem à esfera das soluções falsas”.
Não é difícil constatar a verdade na afirmativa do parágrafo anterior. A falsidade das ditaduras se pode identificar em todos os lugares e tempos, não só na Venezuela, em que não poucos foram ditadores. O próprio Bolívar temia e chegou a declarar que “este país cairá, infalivelmente, nas mãos da multidão desenfreada, para depois passar ao controle de tiranetes de todas as cores e raças”. Lamentavelmente, tem sido assim.
E o povo paga, como sempre. Quem acompanha pelos veículos de comunicação o que ora acontece no vizinho ao Norte, divide as dores de um período lúgubre em carências, em que falta desde a energia para abastecer desde os lares e repartições públicas até o papel higiênico. Nenhuma solução à vista, enquanto o presidente Maduro briga com seus fantasmas político-ideológicos (?).
Li reportagem de Nicholas Cosey, do “The New York Times”, em que se relata minuciosamente a luta do sistema de saúde para pelo menos suportar as adversidades cotidianas. Chega a dizer que, sem água, luvas e remédios, hospitais da Venezuela entram em colapso. A crise econômica do país explodiu na emergência da saúde pública que vem custando a vida de inúmeros venezuelanos. E isso é apenas parte do desmoronamento do país, tão grave que levou o presidente a decretar “estado de emergência”, levando a população a crer que o governo entrará em coma. Mas convocou simultaneamente a mobilização de 520 mil homens das Forças Armadas para exercícios militares... Sob pretexto de ameaças externas.

AS ESCUTAS TELEFÔNICAS ESTÃO AJUDANDO A PASSAR O BRASIL A LIMPO



Grampos abalam República e põem em xeque seu futuro

Orion Teixeira 



Impressiona a apatia, frieza e o silêncio do presidente do governo provisório, Michel Temer (PMDB), ante os abalos avassaladores provocados por gravações telefônicas que ameaçam sua gestão, a República e o futuro dela. A primeira das revelações derrubou em menos de 24 horas, na segunda-feira (23), seu ministro do Planejamento e presidente nacional interino do PMDB, Romero Jucá, um de seus homens de sua estrita confiança. Nessa quarta (25), foi a vez do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do ex-presidente da República (85/89), José Sarney (ambos do PMDB), serem flagrados em confissões não premiadas nem republicanas.
Pela sequência, as delações não premiadas insinuaram que, depois deles, a bola da vez seria o senador mineiro, Aécio Neves (PSDB), mais uma vez citado de ser beneficiário de algum esquema. Tudo leva a crer que, se todos os políticos brasileiros fossem investigados, nenhum escaparia de algum malfeito que o tornaria inelegível e alvo de processo de cassação, outros de prisão. Na política, ninguém chega ao poder porque é corrupto ou porque nasceu assim, mas permanecer nele faz de boa parte culpada, ou pelo menos, omissa, ou ainda, cúmplice desse sistema que sustenta a República. Ninguém move uma palha sequer para mudá-lo ou extingui-lo.
Deixar como está, fingir que não é comigo e nada fazer é negligenciar responsabilidades à espera de um abalo ainda maior e, talvez, mais trágico. As jornadas de junho de 2013 foram bastante significativas a respeito de uma insatisfação que, de uma hora para outra, pode reemergir como aquela, porém, dessa vez, de forma mais contundente.
Os consecutivos malfeitos e parcialmente revelados lançam suspeitas, mais de uma vez, até sobre ministros da mais alta corte do país, o STF, apontando uma grande operação política que tinha, como objetivo maior, o impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT), hoje afastada por 180 dias para seu julgamento político.
De seu lado, Dilma e aliados vão usar as gravações para reforçar a defesa e sustentar a tese de que o impeachment foi um golpe parlamentar contra a presidente. É improvável que alcancem o efeito desejado de ou paralisar o processo ou inocentá-la de eventuais crimes administrativos que não justificariam, até onde se sabe, a pena de morte política. Com certeza, servirão para o julgamento jurídico dos envolvidos pela Suprema Corte, depois que a Procuradoria Geral da República usá-las para abrir novos inquéritos.
Ninguém duvida que a economia é uma questão emergencial a ser tratada, mas não é a única prioridade. Também não se pode reduzir a ação de governo a isso nem ignorar o desleixo como a política tem sido praticada no país desde a redemocratização em 1985 (sabido que antes não havia política nem democracia). O Brasil de hoje é todo uma emergência só e não pode ser tratado com frieza, apatia e omissão. Do contrário, comemorar vitória, como fez Michel Temer, sobre o resultado da aprovação da nova meta fiscal na madrugada dessa quarta-feira (25), poderá dar-lhe sobrevida, deixando-o, ao mesmo tempo, refém de um Congresso Nacional que cobra, cada vez mais caro, pelo pedágio de um sistema que não é republicano nem democrático.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

OU A LAVAJATO ACABA COM OS POLÍTICOS CORRUPTOS OU ELES ACABAM COM A LAVAJATO



Renan Calheiros defende mudança na lei de delação em gravação obtida por jornal


     Renan Calheiros  
 
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu, em conversa gravada pelo ex-presidente do Transpetro Sérgio Machado uma mudança na lei de delação premiada. Segundo o peemedebista, em diálogo divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, é preciso impedir que alguém preso se torne delator. "Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso", disse.
No diálogo, Renan sugeriu que poderia "negociar" com os ministros do Supremo Tribunal Federal uma "transição" para Dilma Rousseff. O senador disse que seu plano A para a crise política do Brasil é um semiparlamentarismo. O impeachment da petista seria o plano B. Segundo Renan, os ministros não negociavam com Dilma porque estavam "putos" com ela.
O presidente do Congresso diz ainda que os políticos estão com medo da Lava Jato e que foi procurado pelo senador Aécio Neves (PSDB) para saber detalhes da delação do senador cassado Delcídio Amaral.
Na madrugada desta quarta-feira Calheiros deixou seu gabinete no Congresso sem comentar o assunto.
Lei da delação
As colaborações premiadas são o principal instrumento para o avanço das investigações da Lava Jato e têm sido questionadas no meio jurídico, principalmente depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo início da aplicação da pena após condenação em segunda instância, e não com o julgamento de todos os recursos. Vários advogados defendem que a lei proíba delações de presos cautelarmente. A Lava Jato argumenta que a maioria das colaborações foi fechada quando os investigados estava em liberdade.
Jucá
Machado também gravou diálogos com Romero Jucá (PMDB-RR) em que o ex-ministro do Planejamento disse que era preciso "mudar o governo" para "estancar a sangria" da Lava Jato. No áudio, ele também levantou suspeitas de corrupção contra políticos do PSDB. A delação premiada do ex-presidente da Transpetro foi homologada nesta quarta-feira, 25, pelo ministro Teori Zavascki.
Jucá, um dos principais articuladores do impeachment e um dos mais próximos aliados do presidente em exercício Michel Temer, acabou deixando o cargo e reassumindo o mandato no Senado para evitar mais desgastes ao governo.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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