quarta-feira, 18 de maio de 2016

REMÉDIOS ANTIGOS NA ECONÔMIA PODEM NÃO FAZER MAIS EFEITO



Pode não dar certo

Paulo Haddad 



Ao se iniciar esta nova etapa da administração do Governo Federal, é preciso que, na formulação da estratégia de política econômica, sejam incorporadas as condicionalidades e restrições ao processo de decisão político-institucional. Há três condicionalidades dominantes no curto prazo: a cronologia política, a cronologia econômica e a cronologia da precedência.

A cronologia política é restritiva. Não se pode formular estratégia de política econômica convencional como se estivéssemos no início de um mandato presidencial tradicional. A opinião pública anda inquieta, insatisfeita e ansiosa por resultados sob pena de se aprofundar a frustração no novo contexto político-institucional. É evidente que a busca de resultados imediatos para acomodar as expectativas dos segmentos mobilizados da sociedade civil pode levar a decisões que tendem a aprofundar a atual crise econômico-financeira.

Por exemplo: ideias equivocadas como o uso de parte das reservas cambiais para financiar um programa de investimento em infraestrutura, expandir o endividamento como forma de realizar uma política anticíclica, aumentar a carga tributária para cobrir o déficit fiscal etc. São propostas imaginadas fora do contexto das experiências históricas do Brasil e de muitos países que estão vivenciando crises equivalentes ou isomorfas. No nosso caso, as decisões de política econômica têm de ser cadenciadas em busca de rapidez, eficácia, exatidão, leveza e racionalidade no curto e no longo prazo.

A cronologia econômica está prenhe de incertezas e crueldades. Muitas decisões de política econômica equivocadas e inconsistentes tomadas nos últimos meses da administração Dilma Rousseff terão impactos espraiados e intensificados ainda nos próximos meses. As taxas de desemprego podem não diminuir; as taxas de inflação podem permanecer inercialmente elevadas; as taxas de crescimento podem com certeza continuar na sua trajetória de declínio.
Não basta a melhoria de expectativas e do ambiente de negócios para reverter os profundos estragos que a economia brasileira vem sofrendo desde 2012.

Assim, enquanto a nova administração formula os fundamentos de uma nova política econômica pensando no futuro, as decisões da velha política econômica ainda comandam os indicadores do presente. Mesmo havendo rapidez e eficácia na concepção de nova política econômica, devemos pensar numa rede de precedência das decisões a serem implementadas. Muitas podem não ter a intensidade necessária para resolver os problemas a que se propõem. Outras podem ser tomadas mais prontamente segundo sequência determinada pela maior ou menor resistência política dos grupos sociais de vocalidade expressiva, e não pela prioridade programática.

Neste ponto, corre-se o risco de colocar juntas e misturadas muitas ações de sequência e intensidade diferenciadas que acabam por diminuir as chances políticas de serem aprovadas as mais essenciais em favor das que têm prioridade questionável. Por exemplo: um ajuste incremental (redução do número de cargos comissionados) pode prevalecer sobre um ajuste estrutural (o equacionamento do déficit da Previdência Social).

Estamos vivendo uma crise socioeconômica e política extremamente grave. Mais grave talvez que a de 1929 no Brasil ou a da década perdida dos anos 1980. O cenário tendencial, sem uma grande transformação estrutural, mostra a nossa economia transitando da recessão para a depressão, a taxa de desemprego em direção a 15% e o endividamento comprometendo a solvabilidade financeira do país.

Em períodos históricos como o que estamos vivendo há necessidade de serem tomadas decisões ousadas e destemidas politicamente. De outra forma, corremos o risco de caminharmos para mais do mesmo e, pior, no curto prazo, apesar das soluções alentadoras no médio e no longo prazo. Por exemplo: criar a CPMF agora é medida rápida mas recessiva que pode diminuir a arrecadação e ampliar o déficit fiscal; por outro lado, uma reforma tributária não oferece resultados imediatos pois para ser negociada politicamente, regulamentada e implantada pode levar de dois a três anos para que os seus resultados benéficos venham a aparecer de forma sustentada na economia.

Algumas decisões de grande impacto são indispensáveis de imediato. O tempo do ajuste fiscal é diferente do tempo das reformas estruturais. O que se sugere é: 1) transformar o superávit primário em meta e não em resíduo da execução orçamentária com valor (3%?) necessário para estabilizar a relação da dívida pública com o PIB; desta forma pode-se acalmar o sistema financeiro quanto à solvabilidade do país; 2)realizar a experiência de orçamento de base zero com déficit zero para evitar mais uma rodada de expansão da dívida pública; o exercício político de realizar um orçamento de base zero permite redefinir prioridades do papel da intervenção do governo na economia e estruturar uma reforma administrativa; 3) com expectativas inflacionárias inflexionadas, reduzir significativamente a taxa de juros básica que se encontra contaminada pela desconfiança em relação ao futuro da economia e pelas medidas corretivas dos controles de preço relativos no passado; essa redução pode induzir a expansão da economia que opera com crescente capacidade ociosa; 4) propor, negociar e implantar reformas de base da economia até o final do primeiro semestre de 2018, num tempo político indispensável para a gestão dos conflitos de interesses de regiões, de grupos sociais e de segmentos produtivos; 5) articular medidas de ajuste com plano de desenvolvimento sustentável de médio e de longo prazo, considerando as oportunidades de transformar investimentos em infraestrutura em áreas de negócios privados e de reorganizar as principais cadeias de valor numa perspectiva da globalização econômica.

Qualquer proposta para encaminhar soluções para a atual crise econômica deverá conter elevado grau de incertezas. As dificuldades são múltiplas para se encontrarem as portas de saída mais corretas. A nossa crise é de natureza multicausal e as suas diferentes causas são interdependentes, ampliando as incertezas com as quais teremos de conviver. Mas como dizia Kant “Avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar”.


EQUIPE DE NOTÁVEIS, PORÉM, CONSERVADORES



Nova equipe, receita antiga

José Antônio Bicalho 



A equipe econômica anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi muitíssimo bem recebida pelo mercado (leia matéria do Bruno Moreno nas páginas 4 e 5). Não é para menos. Meirelles fez o que dele se esperava: aproveitou a carta branca que lhe foi dada por Michel Temer e montou um time de qualidade técnica insuspeitável e surpreendente.
Meirelles sabe que o principal neste primeiro momento será criar expectativa positiva. Se conseguir incutir nos agentes do mercado e nos empresários confiança nas ações da equipe econômica, tudo ficará mais leve. Inclusive a aprovação das propostas de reformas estruturais que deverão ser enviadas ao Congresso.
A convocação da equipe de notáveis persegue, portanto, o objetivo inicial de gerar otimismo, o que é indispensável para quebrar a dinâmica recessiva. Deu certo na bandeirada de saída. Mas dará no médio e longo prazos? Qualidade técnica é garantia de sucesso? Não quero posar de corvo, mas continuo cético.
O perfil da equipe (veja infográfico na página 4) e, principalmente, do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, levam a crer que teremos ainda um ciclo longo de aperto monetário. A inflação, embora já mostre sinais de desaceleração, ainda está alta. E até por conta de uma necessidade de autoafirmação da nova equipe, eles deverão ser duros no controle da liquidez.
Não há como prever quando a taxa básica de juro iniciará a trajetória de queda, mas é certo que esse ponto de inflexão ainda está longe, a coisa de, digamos, uns dois ou três trimestres. Além disso, torneiras alternativas que poderiam irrigar o crédito, sendo a mais óbvia e eficiente delas a redução do compulsório, continuarão fechadas.
Se não será pelo crédito, poderíamos pensar numa saída para a crise pelo investimento. Ok, privatizar a infraestrutura é um objetivo declarado do presidente em exercício e do novo ministro da Fazenda. Mas, além de não ser rápido, é pouco para recolocar em marcha uma economia complexa e pesada como a do Brasil.
Para que os investimentos ganhassem a dimensão necessária para mover a economia, precisaríamos incluir no pacote a modernização e a ampliação do parque industrial. Mas isso significaria aumentar os gastos do governo com financiamento (via BNDES e bancos públicos), o que por hora está absolutamente descartado.
Se não é pelo crédito nem pelos investimentos, ainda nos restariam as importantes cadeias de exportação para atuar como mola propulsora da economia. Sim, não fosse o mundo em crise e a China desacelerando.
Então, não temos saída? De minha parte, não as vejo, pelo menos enquanto reinar a atual equipe econômica de notáveis, mas extremamente conservadores, convocada por Meirelles. Pelo tamanho da encrenca em que nos metemos, apenas uma gestão flexível, criativa, adaptada a realidade e distante dos dogmatismos seria capaz de nos guindar para fora do buraco.
Um pouco mais de velocidade na queda dos juros, uma pitada de redução dos compulsórios, algum capital para a renovação do parque de setores estruturantes da indústria, um dólar mais ajustado para os exportadores, um naco das reservas internacionais para financiamento da infraestrutura. Se bem conjugados os ingredientes, poderíamos ver o bolo crescer. Mas não é essa a receita usual da atual equipe econômica. Independentemente do bom currículo dos cozinheiros, o prato será amargo e duro de engolir.

terça-feira, 17 de maio de 2016

QUALQUER ATIVIDADE FÍSICA REGULAR É BENÉFICA PARA O CORPO



Atividades físicas regulares reduzem risco de 13 tipos de câncer

AFP 




Praticar atividades físicas regularmente reduz o risco de desenvolver 13 tipos de câncer, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista da Associação Médica Americana (JAMA).

"Nossos resultados mostram que a relação entre execício e redução do risco de câncer pode ser generalizada em diferentes grupos de pessoas, incluindo aquelas com sobrepeso e as que foram fumantes", explicou Steven Moore, autor principal do estudo.

Estima-se que 51% dos adultos nos Estados Unidos e 31% no mundo não fazem o mínimo de exercício físico recomendado para estar em boas condições de saúde, destacam os autores do estudo, pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer.

As atividades às que o estudo se refere são: caminhar, correr, nadar ou pedalar, em um ritmo que pode ir de pausado a intenso durante 150 minutos por semana, precisam os especialistas.

Os autores do estudo trabalharam com dados provenientes de 1,44 milhão de pessoas de entre 19 e 98 anos nos Estados Unidos e Europa. Os participantes foram acompanhados durante em média 11 anos, período durante o qual 187.000 novos casos de câncer foram diagnosticados.

O estudo não só confirmou a relação, já comprovada por estudos anteriores, entre atividade física e redução do risco de câncer de cólon, de mama e de endométrio, senão que também revelou este vínculo em outros dez tipos da doença.

Os pesquisadores quantificaram, ainda, a redução do risco para os seguintes tipos de câncer: esôfago (-42%), fígado (-27%), pulmão (-26%), rim (-23%), estômago (-22%), endométrio (-21%), sangue (-20%), cólon (-16%) e mama (-10%), entre outros.

Na maioria dos casos, a relação entre atividade física e redução do risco de câncer se manteve independente do peso da pessoa e de se era fumante ou não. Para o total de cânceres, a diminuição do risco em consequência do exercício foi de 7%.

Por outro lado, as atividades físicas foram relacionadas com um aumento de 5% do risco de câncer de próstata e de 27% de melanoma, um câncer agressivo da pele, principalmente nas regiões mais ensolaradas dos Estados Unidos.

SE CONSEGUIREM SERÁ UM GRANDE AVANÇO DA CIÊNCIA



Empresa americana recebe autorização para tentar reanimar cérebro de pacientes mortos

BBC BRASIL


 
    "Não é que irão pular e sair correndo, mas se tivermos êxito, estarão tecnicamente vivos."

Quem faz a afirmação é Iro Pastor, diretor do Reanima, um projeto da empresa americana de biotecnologia Bioquark que acaba de obter permissão para tentar ressuscitar parte do cérebro de pacientes que foram declarados clinicamente mortos.
"Não somos médicos tipo Frankestein. Trabalhamos dentro dos limites do sistema tradicional de saúde", diz ele.
A iniciativa contou com aprovação do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental dos Estados Unidos e da Índia.
Pastor diz que a empresa está trabalhando com o hospital Anupam de Rudrapur, uma cidade do norte da Índia, para selecionar os pacientes que farão parte dos testes.
Serão pacientes que, após sofrer um acidente ou outro tipo de trauma, foram declarados clinicamente mortos, mas seguem conectados a aparelhos de suporte vital.
Ou seja, pessoas sem atividade nenhuma no sistema nervoso central - o complexo sistema que percebe estímulos procedentes do mundo exterior, processa informações e transmite impulsos a nervos e músculos - e que perderam consciência e capacidade de respirar.
"Acabamos de receber a aprovação para selecionar os primeiros 20 pacientes e estamos trabalhando com o hospital para identificar famílias que tenham algum membro clinicamente morto e que, por barreiras religiosas ou condições médicas de algum tipo, não possam doar seus órgãos", explica Pastor na conversa com a BBC Mundo.
Várias terapias
Os pesquisadores por trás do Reanima acreditam que as células-tronco do cérebro são capazes de "apagar" sua história e começar a viver de novo, baseando-se no tecido a seu redor.
É um processo que já foi observado em animais, como no caso da salamandra, cujas extremidades voltam a crescer.
Da mesma forma, outras espécies de anfíbios e alguns peixes também podem regenerar uma porção considerável de seu cérebro, inclusive após sofrerem algum trauma grave.
Assim, baseando-se neste princípio, os cientistas utilizarão várias terapias para tentar reanimar partes de cérebros de humanos dados como clinicamente mortos. "É uma iniciativa complexa e combinaremos instrumentos da medicina regenerativa com outros que normalmente são utilizados para estimular o sistema nervoso central de pacientes com graves desordens de consciência", assinala Pastor.
Os pesquisadores injetarão células-tronco na medula espinhal dos "pacientes" a cada duas semanas, um coquetel de peptídios a cada dia e estimularão os neurônios com laser, entre outras técnicas.
Na Índia
Tudo isso será feito no hospital indiano. "Escolhemos fazer isso na Índia ( e não nos EUA) por dois motivos", explica Pastor à BBC Mundo.
"Em parte, a razão é econômica: os custos dos EUA seriam de US$ 10 mil por paciente, enquanto na Índia são de US$ 1.000", diz.
"Por outro lado, na Índia não se pode ter um cadáver conectado a uma máquina por tanto tempo quanto em outros países (por causa da lei local)."
A BBC Mundo fez contato com o Conselho Médico na Índia, encarregado de analisar e aprovar o projeto sob o ponto de vista ético e a única resposta que obteve é que os termos do acordo são confidenciais.
O site do setor correspondente no Departamento de Saúde dos EUA diz apenas que se trata de um "conceito aprovado".
Apesar de considerar-se que os "pacientes" estão clinicamente mortos, seus corpos seguem digerindo alimentos e reagem, entre outros, a estímulos sexuais.
Isso é sugerido por estudos recentes, que indicam que restaria algum tipo de atividade elétrica no cérebro e que o sangue continuaria circulando mesmo depois da morte cerebral.
Para o diretor do projeto, "os dilemas éticos não tem cabimento". "São casos terríveis de pessoas que perderam seu filho de 17 anos por acidente de moto. Temos permissão das instituições e das famílias, estamos cobertos."
A tarefa de reanimar um cérebro ou partes dele é um desafio científico maior do que lidar com os dilemas éticos. "Vale a pena fazer o teste", disse à BBC Mundo Guoping Fan, professor do Departamento de Genética Humana da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
O especialista advertiu, porém, que haverá obstáculos maiores no caso de pacientes que tenham permanecido em estado vegetativo durante muitos anos.
"É como um carro abandonado, que requer a troca de muitas partes para funcionar", disse.
Por sua parte, Dean Burnett, neurologista do Centro para Educação Médica da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, é cético sobre a pesquisa.
"Salvar algumas partes pode ser útil, mas falta um longo caminho para ressuscitar todo o cérebro em um estado funcional e sem danos", disse ao jornal britânico "Telegraph".
"Ainda que tenham havido inúmeras demonstrações recentes de que o cérebro e o sistema nervoso podem não ser tão imutáveis e irreparáveis como se acreditava, a ideia de que a morte cerebral poderia ser facilmente reversível parece disparatada, dadas nossas atuais capacidades e conhecimento de neurociência", acrescentou.
Os pesquisadores do Reanima esperam ter os primeiros resultados de seus testes em dois ou três meses. Então, se saberá o quão perto - ou longe - estão de conseguir seus objetivos.


AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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