sábado, 9 de abril de 2016

DEBATES NA COMISSÃO DE IMPEACHMENT



Após 13 horas, termina sessão sobre parecer de impeachment de Dilma

Estadão Conteúdo
Hoje em Dia - Belo Horizonte


                                 Deputados manifestação sobre voto por meio de cartazes

Após mais de 13 horas de sessão, a Comissão Especial do Impeachment na Câmara dos Deputados encerrou às 4h42 deste sábado (9) a primeira fase da discussão do parecer favorável ao impedimento da presidente Dilma Rousseff.
Ao todo, discursaram 61 dos 116 deputados que haviam se inscrito para falar. Entre eles, 39 se posicionaram a favor e 21 contra o impeachment. Houve ainda um indeciso: o deputado Bebeto (PSB-BA).
Entre as principais legendas que compõem a comissão, o Partido da República (PR) foi o único em que nenhum representante discursou. Assim como PP e PSD, o PR tem negociado com o Palácio do Planalto mais espaço no governo em troca de apoio da bancada contra o impeachment. Tanto no PP quanto no PSD, apenas dois deputados discursam na sessão, todos a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff.
A sessão começou por volta das 15h30 dessa sexta-feira (8), mas os discursos de fato só iniciaram cerca de uma hora depois. Governistas e oposicionistas se alternaram em suas falas contra e a favor do impeachment. Governo e oposição acabaram deixando em segundo plano o teor do parecer do relator, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), favorável ao impeachment, e focaram seus discursos nas críticas um ao outro.
Governistas ressaltaram que partidos da oposição também são acusados de corrupção e acusaram opositores de não aceitar perder as últimas eleições e querem tirar Dilma por meio de um "golpe". Focaram ainda na estratégia de lembrar que a linha de sucessão presidencial é integrada por membros investigados por corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo na linha de sucessão.
Já a oposição centrou suas críticas em outras acusações e suspeitas contra o governo Dilma, algumas alheias ao parecer de Arantes, bem como contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Opositores apostaram também na estratégia de dizer que aqueles que votarem contra o impeachment estarão concordando com os crimes de responsabilidade a que a petista é acusada na representação.
Tumultos
Durante toda a sessão, houve princípio de tumulto em apenas dois momentos. O primeiro foi quando, seguindo a linha adotada por governistas, o deputado Pepe Vargas (PT-RS) afirmou que PSDB e DEM são os partidos com maior número de políticos cassados no País. O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), e o deputado Mendonça Filho (PE) reagiram com gritos de "mentira".
O segundo bate-boca mais acalorado aconteceu durante o discurso do deputado Sílvio Costa (PT do B-PE), vice-líder do governo na Câmara. O parlamentar ironizou o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) pelo fato de ele ser pastor evangélico e chamou o deputado Danilo Forte (PSB-CE) de "merda", "corrupto" e "imbecil", o que gerou a reação imediata de parlamentares pró-impeachment.
Cansaço
O cansaço era visível nos rostos de deputados, assessores e jornalistas que participavam da sessão da comissão. Para amenizar a situação, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) distribuiu energéticos para funcionários que estavam trabalhando, que se somou ao cafezinho servido pela Câmara. O presidente da comissão, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), também mandou fazer sanduíches de pão francês e queijo para distribuir.

Do lado de fora do plenário, manifestantes contrários ao impeachment distribuíam pão com mortadela. Diante da polarização política no país, convencionou-se relacionar mortadela aos apoiadores do governo e coxinha aos defensores do impeachment. Os sanduíches foram oferecidos tanto aos parlamentares governistas, que levaram o lanche para o plenário, quanto para os oposicionistas.
Para tentar evitar que o plenário não ficasse esvaziado durante a sessão, os parlamentares se revezavam, principalmente os da oposição. Por volta das 2 horas deste sábado, houve um momento em que havia somente um parlamentar governista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Alguns deputados só chegaram na hora de falar e deixavam após o discurso, indo para casa ou reunir-se em restaurantes com colegas.

Fogo amigo
Durante os discursos, o governo  recebeu críticas até de deputados aliados do Palácio do Planalto. Embora tenha dito ter convicção de que a presidente Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade que justifique seu afastamento, o líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), fez uma dura crítica à petista durante seu discurso, feito já na madrugada deste sábado.
Picciani afirmou que o Brasil chegou a atual situação, "porque quem ganhou a eleição não teve a humildade de reconhecer que ganhou uma eleição dividida e chamar o País a uma reconciliação e quem perdeu não teve a resignação de aceitar o resultado e pensar no País; preferiu contestar e pensar apenas na sua ambição política". "Essa página, sim, seja qual for o resultado, tem que ser virada", disse.
Votação
A discussão do parecer será retomada na segunda-feira (11). Nessa fase, somente os líderes partidários poderão falar. A previsão é de que a votação aconteça no mesmo dia. Se aprovado, o parecer será publicado no Diário Oficial da Câmara. Após 48 horas da publicação, o presidente da Casa poderá levá-lo para votação em plenário.

DIVERSOS FATOS POLÍTICOS



   COLUNA ESPLANADA 


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O FANTASMA DE DANIEL VAI REVELAR O SEU ALGOZ



Os fantasmas se revoltam

Manoel Hygino 





A história se repete? A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002, volta à tona. Ele foi sequestrado, torturado e morto, e oito pessoas, entre os suspeitos e testemunhas de investigadores que trataram do caso, ingressaram no rol dos assassinatos. Ninguém cumpre pena.
A Polícia Federal concluiu, a época, que o executivo petista foi morto por assaltantes e prendeu Dionísio Aquino, o líder do grupo, liquidado no presídio. O Ministério Público de São Paulo denunciou como mandante Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, tido como escudeiro-mor de Celso Daniel. Preso durante sete meses, foi beneficiado por habeas-corpus do STF. Jamais quis colaborar e não foi julgado. Ainda há disso por aqui.
O promotor Roberto Wilder Filho declara que não há dúvida de que o assassinato foi motivado no âmbito de um grande esquema de pagamento de campanha eleitoral na prefeitura do município, em contratos superfaturados de coleta de lixo, obras públicas e transporte, que teriam causado mais de R$ 100 milhões de prejuízo. O promotor afirma ter encontrado indícios de que o dinheiro desviado foi depositado em contas de José Dirceu, mas o MP não teve autorização do Supremo para acesso aos dados.
Muito a imprensa já publicou, mas a Operação Lava-Jato pode mudar o desenrolar da história de um crime sem castigo. Os jornais comentam que os fantasmas se erguem de seus túmulos com as investigações de agora, quem sabe para conseguir desvendar os mistérios de Santo André.
Os acontecimentos atuais nos remetem a um rei da Dinamarca, assassinado pelo próprio irmão, que se unira à rainha viúva, Gertrudes, e assumira o poder. Uma tragédia, contada pela primeira vez pelo frade Saxo Gramatiucus, na segunda metade do século XII, e inspiração para autores ingleses, o mais celebrado deles Shakespeare. O desenlace é trágico e muitas cabeças rolaram após o príncipe, filho da vítima, Hamlet, ouvir a denúncia pelo próprio espectro do pai, no castelo de Elsimore.
O espectro revela: “Escuta, Hamlet! Contaram que uma cobra me picara, quando a dormir, eu no jardim me achava. Assim, foi ludibriado todo o ouvido da Dinamarca por uma notícia falsa de minha morte. Mas, escuta, nobre mancebo! A cobra que peçonha lançou na vida de teu pai agora cinge a coroa dele”.
Identificando o criminoso, Hamlet ouviu muito mais do fantasma no adiantado da noite no alto do castelo: “Sim, esse monstro adúltero e incestuoso, com o feitiço pessoal e com presentes – ó dotes maus, ó brindes, que tal força já tendes de sedução! – pôde a vontade da rainha conquistar, que parecia tão virtuosa, dobrando-a para o vício”.
Os acontecimentos atuais nos remetem a um rei da Dinamarca, assassinado pelo próprio irmão, que se unira à rainha viúva...
O fantasma quer abrir-se diante do príncipe, crescentemente transtornado pela confissão paterna. Hamlet quer vingar, mas titubeia, tem dúvidas cruéis, é considerado louco. Rompe o noivado, revolta-se contra o assassino, “um vil escravo, que não é um vigésimo do outro marido, um rei-bufão, um simples gatuno desta terra, que a coroa empalmou da prateleira e a pôs no bolso”.
O enredo evolui. O espectro, a alma do pai, por algum tempo condenada a vagar durante a noite, prevê que só descansará quando todas as culpas forem purificadas nas chamas, vingado o assassínio estranho, torpe, vil e inconcebível.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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