terça-feira, 8 de março de 2016

IRA DA NATUREZA



  

Luiz Carlos Amorim (*)




O ser humano deve, com certeza, ter feito coisas muito ruins, coisas terríveis para termos contra nós a ira gigantesca da natureza que estamos vendo a se manifestar de várias maneiras e em diferentes partes do mundo. São tragédias umas mais terríveis do que as outras, acontecendo com frequência cada vez maior.
E não podemos dizer, nós, brasileiros, que estamos assistindo as calamidades terríveis acontecerem ao longe, pois elas têm se abatido sobre o Brasil, também.
Enquanto acontecem terremotos, tsunamis, guerras, terrorismo e outras tragédias pelo mundo, por exemplo, as chuvas torrenciais e a irresponsabilidade e a ganância humana, como no caso das barragens em Mariana, causam enchentes, deslizamentos, destruição de cidades e do meio ambiente, e mais mortes.
Mortos aos milhares, desabrigados aos milhões, cidades devastadas, um sem número de lares destruídos. O ser humano precisa refletir sobre a sua trajetória sobre o nosso planeta, pois tudo o que fazemos de errado parece que está se voltando contra nós.
Sei que o ser humano não tem influência sobre tragédias como terremotos, mas sabemos o que fizemos errado e a natureza suporta até certo ponto ser agredida. Chega uma hora que ela não aguenta, se exaspera e dá nisso que estamos vendo.
Gostaria que o que já tivemos fosse tudo, que as tragédias parassem por aí, mas sabemos que mais deve vir. Quando vamos aprender? Não quero ser pessimista, mas receio não termos mais tempo para nos redimirmos. Ou será que temos?
*Escritor, editor e revisor, fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA (luizcarlosamorim.blogspot.com.br)

AS MALANDRAGENS DA OAS SÃO BEM ANTIGAS




Manoel Hygino




Os mais recentes acontecimentos deixam uma imagem crescentemente duvidosa sobre o futuro do Brasil, atingido pela mais avassaladora crise ético-política que a história registra. Parece, contudo, positivo que as instituições resistem, a despeito dos apelos furiosos de acusados pela vindita.
Por muito menos, Getúlio se matara em 1954. E em março de 1987, a situação também se agravou, evidentemente muito distante em dimensão e profundidade da extensão da crise dos dias de hoje.
No governo Sarney, houve uma série de denúncias, enfatizados em reportagens na “Folha de S. Paulo”, “um festival de descalabros”, na opinião do jornalista Gilberto Dimenstein, que resultou no livro “República dos Padrinhos”, que exigiu várias edições. Então, foi elaborado um rol dos beneficiários de dinheiros públicos desviados ou mal empregados. O repórter declarou: “A lista da fisiologia”, como foi batizada pela Folha, seria marco para uma guerra sangrenta. Uma guerra que desnudou a batalha de lobbies que envolvem os ministérios, a ponto de os inquéritos da Polícia Federal se reproduzirem velozmente”. Na batalha, envolveu-se o alto escalão da República, inclusive o próprio presidente.
Constituiu-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito, presidida pelo senador José Ignácio Ferreira. Este afirmou ser “inevitável” a convocação de Jorge Murad, secretário particular de Sarney, seu genro, e auxiliar predileto. Propalara-se que Jorginho estaria envolvido numa “negociata” de U$ 3 bilhões, operada por seu protegido Michel Gartenkraut, ex-secretário-geral do Ministério do Planejamento. Admitia-se que, caso confirmada, a convocação de Murad para depor na CPI da Corrupção acenava com a possibilidade de um suicídio, como o de Vargas, ou renúncia. Nem uma, nem outra.
Formado o clima de tempestade no Planalto, o senador Ulysses Guimarães aconselhou clama: “Take it easy”. O ambiente era quente no Congresso e no Palácio, Lembra-se de que Sarney tinha comprado benfeitorias, em 1975, na Fazenda Maguary. O presidente contestou que não comprara a terra, mas as benfeitorias, por saber da existência de problemas legais.
Pólvora por todos os lados e Antônio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia, em plena atividade. O baiano se tornou famoso por ser duro nas respostas,tanto que apelidado de Toninho Malvadeza. Acusado de favorecimentos, seu opositor Jutahy, também Magalhães, admitia que não existiam provas de corrupção contra o já ministro de Sarney, mas suspeitava de posses em nome de testas-de-ferro e parentes.
Houve o caso de Paulo Gabem Souto, também baiano, seu amigo, ex-diretor da OAS, cujos proprietários eram César Araújo Pires, genro de Antônio Carlos e sócio de seu filho, Eduardo Magalhães, na TV Bahia, retransmissora da Globo. Entrevistado pela Folha sobre o novo superintendente da Sudene e por suas ligações com a atividade privada de sua família e com o diretor da OAS, Antônio Carlos se exaltou: - Ele é diretor de uma empresa que é muito injustiçada por vocês, porque vocês não poupam injustiças quando querem ferir uma pessoa. “Ele trabalhou na parte de consultoria da OAS, que só faz dignificá-lo”. Concluiu: “Eu repito a pergunta com a energia do homem de bem”.

segunda-feira, 7 de março de 2016

LULA É O MAHATMA GANDHI BRASILEIRO - NÃO TEM NADA



Lula usa cobertura em São Bernardo que foi comprada por primo de Bumlai

Estadão Conteúdo 



   
Um primo do empresário José Carlos Bumlai, preso na Operação "Lava Jato", é o dono de uma cobertura usada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e família no prédio onde o petista mora em São Bernardo do Campo. O imóvel foi alvo de busca e apreensão na 24.ª fase da Operação "Lava Jato", após o síndico do prédio indicar aos policiais federais que o imóvel pertenceria ao ex-presidente.

Lula é suspeito de ocultar patrimônio e receber vantagens de empreiteiras envolvidas em esquema de corrupção na Petrobras. Para os investigadores, ele seria o verdadeiro dono de um sítio em Atibaia, registrado em nome de dois empresários sócios de seu filho, e de um tríplex no Guarujá que oficialmente é da OAS.

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo revelam que Lula usa mais um imóvel em nome de outros. A cobertura número 121 do edifício Hill House fica em frente à que pertence ao petista, a 122. Nesse caso, o aposentado Glaucos da Costamarques garante que Lula lhe paga aluguel - ele é primo de Bumlai, cujo nome completo é José Carlos Bumlai da Costa Marques, e disse ter comprado o apartamento em 2011.
Desde 2003
Essa segunda cobertura já era usada por Lula desde o primeiro ano na Presidência, em 2003. Até 2007, o PT pagou pelas despesas do imóvel para que ele guardasse o acervo que doou ao partido. No segundo mandato, o governo assumiu os custos sob a justificativa de que era necessário para a segurança do então presidente.

Glaucos nega que a compra do imóvel tenha sido um pedido de Bumlai, amigo de Lula e investigado na "Lava Jato" por suspeita de contratar empréstimos simulados para beneficiar o PT e de pagar parte da reforma do sítio em Atibaia. Morador de Campo Grande (MS), o primo de Bumlai disse à reportagem que adquiriu a cobertura por sugestão do advogado Roberto Teixeira. A "Lava Jato" investiga se Teixeira atuou para ajudar Lula a ocultar a propriedade do sítio em Atibaia.

"Eu sou amigo do Roberto Teixeira e ele me falou: 'Olha, tem um negócio bom aqui. O governo vai parar de alugar (o imóvel) e comprando você consegue uma boa porcentagem se quiser alugar.'"

Glaucos disse que, após uma única visita à cobertura em 2011, aceitou a sugestão e desembolsou cerca de R$ 500 mil pela propriedade. Lula foi mantido como inquilino e paga R$ 4,3 mil por mês, segundo ele, por meio de transferência bancária.

No cartório, a cobertura comprada por Glaucos está registrada em nome de Elenice Silva Campos, que morreu em fevereiro de 2015. Ela vendeu o imóvel que pertencia ao marido e não pagou o imposto que permitiria a transferência do registro. O caso agora está na Justiça. O primo de Bumlai é representado por Teixeira.

Autorização

Os policiais federais só conseguiram identificar a existência da segunda cobertura porque o síndico do prédio informou que ela era usada por Lula. Ele teria indicado um terceiro apartamento. Chamou a atenção dos investigadores o fato de a ex-primeira-dama ter autorizado a busca e apreensão nos imóveis que não pertencem ao casal.

Embora alugue a cobertura para Lula há cinco anos, Glaucos disse que, "se falarem no nome dele para Lula, ele não sabe quem é".

Em 2010, o aposentado emprestou o endereço de uma empresa que estava em seu nome, a Bilmaker 600, para que os filhos de Lula Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Luís Claudio Lula da Silva registrassem na Junta Comercial de São Paulo a holding LLCS no mesmo local.

Na época, a Bilmaker era controlada por Glaucos, Otavio Ramos e Fabio Tsukamoto, que eram sócios de Luís Cláudio em outra empresa. Glaucos disse ao Estado que fez o empréstimo do endereço atendendo a um pedido do primo Bumlai. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PARECE QUE É MAS NÃO É!




Paulo Haddad



Os regimes econômicos de países diversos podem se diferenciar em um painel quanto a três dimensões básicas mesmo quando são classificados como capitalistas ou economias de mercado. A primeira dimensão se refere aos mecanismos e aos instrumentos de redução das desigualdades sociais e da redução da pobreza e da miséria. Alguns regimes econômicos nacionais se preocupam apenas em lidar com os problemas sociais dos idosos, dos incapazes e dos deficientes físicos, deixando que os estímulos e a dinâmica dos mercados promovam autonomamente uma distribuição mais equânime da renda e da riqueza nacional no longo prazo. Outros formulam e executam poderosas e abrangentes políticas sociais compensatórias que acabam absorvendo parcelas expressivas dos recursos fiscais e financeiros dos governos.
A segunda dimensão está relacionada com as falhas de mercado, tais como a formação de monopólios, a exploração predatória dos ecossistemas, os elevados custos sociais e ambientais das atividades empresariais, a insaciável especulação financeira, etc. Há regimes que são mais tolerantes com essas falhas no funcionamento dos mercados, mas muitos há que impõem estruturas regulatórias para o exercício do comando e controle da economia visando a preservar a qualidade dos bens e serviços, a conservar o meio ambiente, a garantir a defesa do consumidor, etc.
A terceira dimensão se refere a quais responsabilidades os governos devem assumir sobre a instabilidade dos ciclos econômicos e seus impactos perversos sobre os níveis de desemprego. Nos EUA, o Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) conduz a política monetária com um olho na inflação e outro na manutenção do pleno emprego na economia. Por outro lado, alguns países concentram os seus instrumentos de política econômica apenas na perseguição das metas inflacionárias, utilizando preferencialmente poucas regras discrionárias para evitar intervenções mais frequentes e erráticas nos mercados.
A experiência histórica mostra muitos casos de sucesso de economias nacionais capitalistas com forte intervenção governamental que crescem com estabilidade, distribuindo equitativamente os frutos do crescimento entre os diversos grupos e classes sociais. As escolhas entre os diferentes paradigmas de desenvolvimento resultam de fatores históricos, políticos e culturais específicos em cada país.
Graves problemas surgem, contudo, se essas escolhas paradigmáticas são modificadas inconsistentemente ao longo do tempo de um mesmo mandato presidencial como tem ocorrido no Brasil ao longo do último lustro.
Haja visto o que tem ocorrido nos últimos anos no comportamento político-ideológico cambiante e voluntarista do governo federal quanto aos processos de privatização (no caso de petróleo e gás, por exemplo), quanto às intervenções casuísticas no sistema de preços dos setores de energia, quanto ao regime de concessões da infraestrutura econômica, etc. As regras do jogo foram se modificando em função da vocalidade política ocasional e oportunística dos interesses velados de pequenos grupos com intensa militância partidária junto a governantes fragilizados.
Daí à formação de um ambiente de desconfiança e de incertezas é um passo, que pode eventualmente paralisar a economia do país que passa a investir menos, a consumir menos e a empregar menos numa dinâmica de marcha a ré.
Enfim, é sempre possível governar com um mosaico de ideologias pró-mercado e pró-comando e controle, mas não com a escolha casuística, inconsistente e voluntarista de paradigmas.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...