sábado, 5 de março de 2016

GOVERNO SITIADO



  

Célio Pezza 




Toda semana aparecem fatos novos mostrando indícios de corrupção envolvendo Lula, Dilma, Eduardo Cunha e muitos outros políticos de peso. Por meio de delação premiada, executivos da empreiteira Andrade Gutierrez afirmaram que pagaram, de forma ilegal, R$ 5 milhões para a agência Pepper, que trabalhou para a campanha de Dilma em 2010. Emilio Odebrecht, pai do presidente da empreiteira Odebrecht, já ameaçou falar o que sabe e disse que no caso do seu filho ser preso e condenado, devem abrir outras celas: “uma para mim, outra para o Lula e outra para a Dilma”.

Vamos aguardar, pois seu filho Marcelo já foi preso. Ao mesmo tempo, Lula se coloca acima da lei e se recusa a depor sobre o caso de algumas propriedades supostamente em seu nome e não declaradas. Na mesma semana, o marqueteiro do PT, João Santana, e sua mulher, Mônica Moura, articuladores das campanhas de Dilma, foram presos pela Polícia Federal, em uma nova fase da Lava Jato.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apuram se contratos de publicidade serviram para ocultar propina. O cerco está se fechando em volta da cúpula do PT e, numa clara manobra para tentar parar as investigações, Dilma troca o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que sai alegando não aguentar mais as pressões dos políticos ligados a Lula, e entra Wellington César Lima e Silva, indicado pelo Ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, ligado a Lula.

O ex-presidente já está se distanciando de Dilma e pensando em sua própria salvação. Dilma, cada vez mais isolada, perde força dentro do seu próprio partido e não tem mais condições de governar o país. Enquanto isso, a economia do Brasil está à deriva, a inflação e o desemprego aumentando a cada dia e todos esperam por uma mudança política séria, que seria o início de uma salvação nacional.

Vamos aguardar mais algumas semanas para ver o que vai acontecer. Enquanto esperamos, vamos nos distrair com uma notícia curiosa. Existe uma nova religião criada em 2005, nos Estados Unidos, chamada Pastafarianismo, que conseguiu o direito de celebrar casamentos na Nova Zelândia, pois ela cumpre todos os requisitos legais para fazer celebrações.

Seus membros dizem que o criador do homem é um ser chamado Monstro do Espaguete Voador, formado por tentáculos de espaguete com duas almôndegas como olhos, parecido com uma lula gigante. Existe um Evangelho que inclui a criação do mito, um conjunto de mandamentos e um guia para evangelização. Seus fiéis usam um escorredor de macarrão na cabeça e seu criador diz que a Igreja do Monstro do Espaguete Voador oferece aos seus adeptos as mesmas oportunidades das outras religiões.

*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo.

sexta-feira, 4 de março de 2016

BURACO NEGRO DO GOVERNO DILMA



Dilma, cinco anos destruídos

Vinicius Torres Freire  




Cinco anos da economia desapareceram no buraco negro do governo de Dilma Rousseff. Como se jamais tivessem existido. A renda brasileira voltou ao nível em que estava ao final dos governos Lula, em 2010. Em 2016, continuaremos no caminho de volta para o passado.
O desempenho da economia em 2015, o resultado do PIB, apenas confirmou o que era sabido faz pelo menos uns três meses. Como se pode estimar, porém, o que vai ser deste 2016 ainda no início, embora já pareça um ano tão velho?
Sem surpresas quase milagrosas, a recessão será quase tão grande quanto no ano passado, quando chegou a 3,8%.
A renda do trabalho começou a diminuir no final do ano passado, em ritmo cada vez mais rápido. O dado nacional mais recente é de novembro, mas há indícios seguros de que a degradação continua até aqui.
Um esteio do consumo poderia ser o crédito. Mas não haverá mais crédito. Os maiores bancos preveem que o total de empréstimos vai cair mais ou menos no mesmo ritmo do ano passado. Os consumidores estão com o ânimo no mínimo histórico, o que dificilmente deve melhorar com a alta do desemprego, inevitável em uma economia menor. A depender do aumento da inadimplência, calotes nos bancos, a oferta de crédito pode ser ainda menor que a prevista.
Poderia ser que o investimento se recuperasse –aumento de despesas em novas instalações produtivas, empresas, máquinas, construções. Neste ano, o tombo foi inédito nos últimos 20 anos, baixa de mais de 14%. Faz dois anos e meio que o investimento produtivo diminui. Por ora, as estimativas são de outra queda em 2016, de 10% a 15%, chutes informados ainda dispersos.
Mas por que as empresas modificariam suas intenções de investir de modo relevante e cedo o bastante para salvar o efeito negativo da queda do consumo (pois não haverá renda e crédito bastante para fazer o consumo aumentar)?
O medo do futuro não diminuiu, pelo contrário. Não desapareceu nenhum dos motivos que levaram a confiança das empresas ao colapso. O investimento dos governos, que poderia incentivar o setor privado, na melhor das hipóteses será igual ao de 2015. A baixa do consumo e a já imensa ociosidade da indústria (um terço) não vão incentivar expansão da capacidade produtiva.
As contas são disparatadas, mas atribui-se metade da queda do investimento em 2015 aos problemas na área de petróleo, construção pesada (empreiteiras) e crise no mercado imobiliário. A área de petróleo continuará a minguar, não há obras ou concessões de infraestrutura para animar novas construtoras (ou estrangeiras) e o mercado imobiliário está afogado em imóveis encalhados.
Por último e mais importante, não há nenhuma previsão de que se vá dar conta de um dos problemas centrais que paralisam o empresariado de medo: a penúria atual e sem fim visível do governo, o crescimento descontrolado da dívida pública e suas sequelas, como juros altos. Ainda que houvesse um plano de tratar dessa desgraça, um encaminhamento prático e crível das soluções apareceriam apenas lá pelo fim do ano, em um cenário róseo –apenas então talvez as empresas talvez reconsiderassem suas decisões.
Mas não há ao menos plano. Não há nem propriamente governo. Nem saberemos quando haverá um.
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PIB? QUE PIB?




José Antônio Bicalho



Já era esperado e não causou espanto a queda do PIB brasileiro em 3,8% no ano passado, divulgado ontem pelo IBGE (leia matéria do repórter Bruno Moreno nas páginas 8 a 10). Mas prestem atenção a alguns dados que mostram mais fielmente o tamanho da encrenca.
O primeiro, a evolução do PIB trimestre a trimestre, comparado ao mesmo período do ano anterior: -2% no primeiro; -3% no segundo; -4,5% no terceiro e -5,9% no quarto. A conclusão óbvia é a de que a retração vem se acelerando e não se sabe onde irá parar. Mas não é bem assim.
Quando observamos a evolução do PIB novamente trimestre a trimestre, mas desta vez comparado ao trimestre imediatamente anterior, encontramos os seguintes percentuais: -0,8% no primeiro, -2,1% no segundo, -1,7% no terceiro e -1,4% no quarto. Isso significa que a maior aceleração da retração da economia se deu na passagem do primeiro para o segundo trimestre do ano passado, para a partir de então perder velocidade.
Esta leitura é importante porque somente a desaceleração da queda nos permite alguma previsão sobre a inversão da curva recessiva. Quando acontece o contrário, ou seja, quando a economia cai de maneira cada vez mais acelerada, fica impossível calcular até onde se dará o mergulho.
Se seguirmos ao ritmo verificado na passagem do terceiro para o quarto trimestre, em que o fator de desaceleração da queda do PIB foi de 0,3 ponto percentual, demoraríamos cinco trimestres para voltarmos a crescer. Ou seja, voltaríamos à área azul do gráfico do PIB apenas no primeiro trimestre de 2017.
Instrumentos
É lógico que existem instrumentos e maneiras de fazer com que essa passagem da recessão para o crescimento se dê de maneira mais rápida e vigorosa. Ontem, o próprio Ministério da Fazenda, em referência aos números do PIB divulgados, soltou nota na qual prevê a estabilização da economia para o terceiro trimestre deste ano e retorno ao crescimento no quarto trimestre.
O problema é que a economia está contaminada pela deterioração do ambiente político. A insegurança gerada pela possibilidade de uma ruptura do processo democrático simplesmente tirou toda a confiança dos empresários para investir.
A evolução dos investimentos das empresas em capital fixo (máquinas, equipamentos, infraestrutura e modernização) mostra isso e é de impressionar. Estes investimentos, que são parte significativa da composição do PIB, caíram 14,1% no ano passado, e 18,5% no último trimestre.
Os números mostram que ninguém está disposto a investir sem uma perspectiva de recuperação da demanda. Quem deveria sinalizar isso é o governo, que mesmo fragilizado ainda detém em suas mãos as ferramentas para a indução do crescimento, mas que insiste em não ousar na condução da política macroeconômica.

PÁ DE CAL NO GOVERNO DILMA




  Eduardo Costa




Lembram que no dia 7 de dezembro do ano passado publiquei texto neste mesmo espaço com o título “Não haverá impeachment de Dilma”. A convicção não existe mais, depois do que já se conhece das 400 páginas de delação premiada do senador Delcídio do Amaral. Ele trouxe para a rinha as evidências que faltavam de participação direta da presidente Dilma e de seu padrinho Lula na safadeza que as instituições estão apurando sob o nome de ‘Lava Jato’. Continuo lembrando que o PT não inventou a corrupção; estou apavorado porque não vejo entre os caciques da política brasileira – especialmente os que têm efetivas chances de vitória – gente com folha corrida que recomende a sucessão, mas, não sei se por incompetência ou sede demais de ir ao pote, o PT deixou as pegadas, as provas estão aparecendo e dá uma tristeza danada em qualquer brasileiro... De forma especial ao repórter que entrevistou Lula desde os tempos em que ele pedia pelo amor de Deus algum espaço, torceu por ele, o aplaudiu em políticas sociais, se emocionou ao vê-lo tratado como estadista lá na China e, agora, descobre que o operário que teve chance de desbancar as elites foi amestrado por elas.
Sempre me perguntei por que famílias comandam o país desde que ele foi descoberto, por que mais da metade dos deputados que estão em Brasília são filhos, netos ou bisnetos de caciques; sempre sonhei com um sujeito vindo de baixo, destronando os chefes, destruindo as amarras, abrindo os ouvidos para o lamento do pobre. Lula era uma grande esperança. E como me iludi com ele! Agora, sabe-se, é mais um que, em se aproximando do banquete, tratou de catar as sobras, de forma sorrateira e sair de fininho para continuar posando de gente boa.
Não podem dizer que Delcídio não merece credibilidade. Ele é da cozinha. Ele negociou com um desembargador federal (ah, o nosso Judiciário!), que, se este fosse nomeado, ia cuidar de tirar da cadeia os presidentes das duas maiores construtoras da América Latina. O “ministro” até que se esforçou, mas, os colegas o venceram, Delcídio foi flagrado com a boca na botija e, como é da natureza dos bandidos, decidiu levar Lula e Dilma com ele.
Também não me venham com essa conversa de que a delação premiada não pode fazer do bandido um santo. A gente sabe que não. A delação é a única arma que o país tem para colocar todos os seus ratos poderosos num só porão e deixar que se comam... E é por isso que, várias vezes, disse da confiança de que o sofrimento de tantos não pode ser em vão – um dia, como sonhou Tiradentes, vamos fazer desse país uma grande Nação.

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