quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

TUDO OU NADA NA POLÍTICA




Orion Teixeira



Como já abordamos aqui, a nova lei eleitoral, que proibiu o financiamento empresarial de campanhas, não será, por si só, capaz de impedir a corrupção eleitoral, influência do poder econômico e, principalmente, a prática do caixa dois. Com boa ou segunda intenção, o Congresso Nacional se omitiu sobre importante ponto. Ao limitar as doações de dinheiro a pessoas físicas, de até 10% de acordo com os ganhos do ano anterior, a mesma norma liberou o financiamento de iniciativa dos próprios candidatos.
Ou seja, não haverá limite para o autofinanciamento. Os candidatos ricos e seus amigos abonados agradecem. Os primeiros poderão colocar até 100% de seus patrimônios na campanha, e os segundos obedecerão aos limites de 10% sobre os ganhos milionários de 2015. Tudo somado, o poder econômico está cada vez mais vivo e forte e legalizado pela meia-sola chamada de reforma, que foi aprovada por deputados federais e senadores e sancionada pela presidente da República; para alguns especialistas, foi mais uma contrarreforma política.
Ainda neste período de pré-campanha eleitoral, antes do registro da candidatura, o pretendente também poderá realizar todas as etapas de preparação por meio de empresas (pessoas jurídicas), como técnicas de media training (capacitação para entrevistas à Imprensa), treinamento para desempenho nos programas eleitorais e debates de televisão, pesquisas caríssimas de opinião pública, entre outras. Isso fará muita diferença em relação a candidatos de menor poder econômico ou que não tenham amigos ricos, ou ainda, empresários apoiadores.
Sem falar, é claro, que lei alguma barra totalmente a prática de crimes, eleitorais ou não, como o caixa dois; aí a competência é da Polícia Federal e Ministério Público Federal, com veredito da Justiça Eleitoral. Por essa razão, boa parte dos partidos políticos está caçando ricos para serem candidatos a prefeito nas eleições deste ano. Desta forma, não enfrentarão riscos e nem terão problemas com o trio de órgãos fiscalizadores citados.
O PT, por exemplo, que está no centro de investigações há mais de dois anos, decidiu, por meio de sua direção nacional, na terça (26), que, a partir de agora, os seus candidatos a prefeitos e a vereadores serão “plenamente responsáveis” pelos feitos e malfeitos na arrecadação e nos gastos de campanha.
Cassações devem dobrar
Há também aqueles que não acharão os pretendentes ricos e que também não sabem fazer diferente. Sempre praticaram o caixa dois e vão continuar. Os advogados agradecem. Desde a última eleição, já foram cassados 300 prefeitos em todo o país, dos quais 19 em Minas (transitado e julgado) e outros 12 estão sub judice (jurisdição eleitoral); sem falar de cassações pelas Câmaras Municipais ou pela Justiça Comum (o que é mais raro). A expectativa é de que o número de cassados chegue a 600 a partir do próximo quatriênio.
Ainda tem os dossiês
De um jeito ou de outro, em outubro, vai haver eleições nos mais de 5.500 municípios brasileiros. Quem entrar na disputa tem que saber que, do modo como a política está sendo feita, não há como não enfrentar problemas. Se evitar os erros primários, os adversários cuidarão de produzir ou contratar dossiês.

O MAIS HONESTO OU O MAIS MENTIROSO




Simone Demolinari


Há um ditado popular que diz: falar é fácil; difícil é fazer. Essa dificuldade fica evidente quando proferimos discursos impecáveis, dando palavras de encorajamento a alguém, conselhos de como obter sucesso, superar a dor do amor, mas... quando passamos por situações semelhantes não conseguimos fazer nem a metade daquilo que falamos.
Para os outros o rigor, para nós a misericórdia.
A tendência de falar mais do que fazer, parece bastante comum, sobretudo para quem gosta de passar uma imagem de pessoa bem sucedida, superior, com grande maturidade emocional. Mas essa suposta superioridade se limita a verborragia, pois na prática as convicções não se aplicam.
O ideal seria que ao sugerir ao outro que varra a casa, o mesmo esteja com a sua casa limpa. Mas isso nem sempre acontece.
Muitas vezes, as pessoas defendem enfaticamente valores que não possuem. E nem percebem que não possuem. Por exemplo, se dizem providos de ética, mesmo falando mal do amigo ausente, fazem alusão a fidelidade mesmo espalhando o segredo alheio, se dizem intolerante ao preconceito ao mesmo tempo que se gabam de tratar de maneira igual o porteiro e o presidente da empresa, discursa sobre o respeito ao próximo querendo levar vantagem na negociação, se dizem praticantes da verdade e pedem ao filho para dizer ao telefone que não está em casa, pregam versículos bíblicos e fazem negócios ilícitos. Falas e fatos completamente destoantes. É como fazer um discurso sobre as maravilhas de não fumar, com um cigarro na boca.
Mas de onde vem essa mania de discursar aquilo que não se pratica?
Vem da baixa autoestima. Desde criança somos constantemente submetidos a comparações e estimulados à competitividade. São pais que comparam os filhos uns com os outros, as vezes exaltando a inteligência de um, escola que incentiva o primeiro lugar entre os alunos, a família que disputa a autoridade da casa, a comparação com o vizinho bem sucedido. Atitudes que não motivam, ao contrário, frustram, deixando o comparado com a nítida sensação de inferioridade e menos valia. O pior é que às vezes somos induzidos a cobiçar “modelos de sucesso” que nem sabemos se de fato admiramos. São tantos moldes que fica difícil diferenciar o condicionamento da essência.
Mesmo podendo seguir um arbítrio, ainda que pouco livre e romper com os modelos impostos, às vezes é mais fácil sucumbirmos a eles. Quem não consegue chegar lá, finge que chegou. É dessa desonestidade emocional que nasce um paradoxo intrigante: a dupla moral – adultos com vergonha de admitir suas fraquezas, mas sem nenhum pudor de escondê-las atrás de uma mentira.
É a famosa hipocrisia – a arte de discursar aquilo que não se pratica. Uma atitude pusilânime, sobretudo consigo.
Mesmo trazendo para si o maior prejuízo, muitos se apegam a essa farsa, com medo de que, se ficarem sem ela, os outros descobrirão que não há nada ali. Assim, seguem pregando um discurso irreal para esconder a covardia de assumir-se ou reinventar-se.
Nesse caso, a mentira, é tudo aquilo que gostariam que fosse verdade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CUIDADO CHEFÃO



É hora de parar de esconder que Lula é investigado na Operação da Lava Jato

Josias de Souza





Novo alvo da Operação Lava Jato: triplex do edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista

Está cada dia mais difícil fingir que Lula não é alvo de nenhuma investigação. De tanto repetirem que o ex-presidente não é investigado, o brasileiro começou a desconfiar. Será que não é? É grande o esforço para convencer o país de que o Lula que todo mundo vê não é o Lula de verdade, é outro personagem. Até Lula já acredita que o Lula que está na cara não é ele. “O próprio Sérgio Moro disse que eu não sou investigado”, declarou, na semana passada.
O problema é que, toda vez que os investigadores se mexem, esbarram no Lula que a infantaria petista diz que não é o Lula. Deflagrada nesta quarta-feira, a 22ª fase da Operação Lava Jato apura a suspeita de que a empreiteira OAS pagou propinas por meio de transações imobiliárias. O epicentro da apuração é o edifício Solaris, um condomínio de apartamentos assentado à beira mar, na praia de Astúrias, no Guarujá.
No despacho em que determinou mais um lote de prisões e batidas policiais de busca e apreensão, o juiz Sérgio Moro anotou que há a suspeita de que a OAS “teria utilizado o empreendimento imobiliário no Guarujá para repasse disfarçado de propina a agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras''. No papel, os alvos centrais da investigação são o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, uma empresa baseada no Panamá e a própria OAS. Porém…
A lista de 11 apartamentos sob investigação inclui o número 164 A do edifício Solaris. Hummmm… Vem a ser um triplex luxuoso que Lula adquiriu por meio de uma cota da Bancoop, cooperativa que era presidida por Vaccari antes de ir à breca, sob denúncias de corrupção. Do nada, surgiu a OAS. A empreiteira concluiu a obra da cooperativa falida e, de quebra, submeteu o imóvel cuja propriedade era atribuída a Lula a uma reforma do balacobaco. O triplex da família Silva ganhou até elevador privativo. Depois que os mimos ganharam as manchetes, Lula e sua mulher, Marisa Letícia, informaram ter desistido do imóvel.
Batizou-se a nova fase da Lava Jato de “Triplo X”. Por que diabos tenta-se novamente escamotear o fato de que Lula está sob investigação?, eis o ‘X’ da questão. Provocado, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, declarou:
“Nós investigamos fatos. Se houver um apartamento lá que esteja em seu nome [de Lula] ou que ele tenha negociado, vai ser investigado como todos os outros. […] Todos os apartamentos e todas as pessoas que tiveram ligação com este empreendimento são investigadas. Nenhuma pessoa em especial. Temos notícia que a família [de Lula] estaria desistindo de comprar o imóvel.”
Conforme já foi comentado aqui, Lula já havia se tornado personagem de quatro inquéritos. Um deles refere-se justamente ao apartamento do Guarujá. Responsável pelo processo, o promotor Cássio Conserino, de São Paulo, avisou que formalizará uma denúncia contra o ex-presidente e sua mulher. Vai enquadrá-los no crime de lavagem de dinheiro. Acusa-os de ocultar a posse do triplex reformado pela OAS.
Nas outras investigações, Lula é chamado ora de “informante” ora de “testemunha”. Mas é tratado nos interogatórios como investigado. Num processo, a Polícia Federal apura, em Brasília, a suspeita de envolvimento de Lula no loteamento político que deixou a Petrobras vulnerável à pilhagem. Noutro, a mesma PF esquadrinha o suposto envolvimento de Lula no caso de venda de medidas provisórias. Noutro mais, a Procuradoria da República apura indícios de que Lula traficou influência no exterior em favor de empreiteiras que remuneraram suas palestras.
Se Lula não é investigado, que personagem é esse que está pendurado de ponta cabeça nas manchetes? Ou o PT providencia rapidamente um exame de DNA ou alguma autoridade precisa comparecer à boca do palco para dizer, sem subterfúgios, algo assim: “Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil, é, obviamente, investigado. Suspeita-se do seu envolvimento em crimes variados. Ao final dos processos, assegurado o amplo direito de defesa, vai-se saber se o personagem é culpado ou inocente. Por ora, é suspeito, muito suspeito, suspeitíssimo.”

Os 2 Segredos para o Sucesso - Arnold Schwarzenegger

FEZ MAL-FEITO SE DEU MAL ENQUANTO OS OUTROS FAZEM BEM-FEITO NADA LHES ACONTECE.



Após dois meses preso, Delcídio Amaral prepara recurso para sair da prisão

Estadão Conteúdo 



Preso há exatos dois meses, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) trabalha com seus advogados na preparação de recursos a serem apresentados a partir da próxima semana, na volta do recesso forense. Na tentativa de deixar a cadeia, o petista já deu aval para que seus advogados proponham ao ministro Teori Zavascki, relator do seu caso no Supremo Tribunal Federal (STF), um novo pedido de liberdade. A possibilidade de uma delação premiada estaria fora do radar, segundo pessoas próximas ao senador.

O advogado Antonio Figueiredo Basto adiantou ao Broadcast Político que a peça a ser apresentada ao STF está praticamente pronta. Segundo o defensor, um dos principais argumentos é que não há motivos para a manutenção da prisão preventiva do senador, uma vez que a instrução processual contra Delcídio já foi concluída. Ele citou ainda o fato de que a delação premiada feita pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró já foi homologada e aceita pela Justiça.

O STF decretou a prisão do senador - a primeira de um parlamentar no exercício do mandato - pelo fato de, segundo o Ministério Público Federal, Delcídio ter atuado para impedir Cerveró de fazer delação. "Não há mais fatos para justificar a prisão do senador", disse Basto, ao destacar que, conforme o Código de Processo Penal, não existe mais os elementos para mantê-lo detido preventivamente.

Se o recurso diretamente ao relator não for acatado, a defesa de Delcídio deverá impetrar um novo habeas corpus para ser analisado pelo plenário do STF. Na volta do recesso, os advogados do senador também vão apresentar a defesa preliminar à denúncia oferecida pelo procurador-geral da República contra o petista pelos crimes de impedir e embaraçar a investigação criminal contra organização criminosa, patrocínio infiel e exploração de prestígio.

Assessores que visitaram o senador nos últimos dias relataram que o petista está otimista com os recursos que serão apresentados ao Supremo. "Ele está confiante em sua defesa", disse um deles. "Ele vai dar a volta por cima", disse outro. A família, que praticamente se mudou para Brasília na virada do ano, também está esperançosa com a estratégia da defesa do senador.

Partido

Ao menos em outra frente, Delcídio deve ter um alívio temporário. A Executiva Nacional do PT não vai discutir nesta terça-feira, 26, o processo do petista. No dia 4 de dezembro, por sugestão da bancada do Senado, o partido havia suspendido por 60 dias a filiação dele, abrindo processo que pode culminar na expulsão do partido.

A análise do caso do petista só ocorrerá no dia 26 de fevereiro em encontro do Diretório Nacional do partido marcado para o Rio de Janeiro (RJ). O presidente do PT, Rui Falcão, tem defendido nos bastidores que ele deixe a legenda. Segundo pessoas próximas, o foco de Delcídio tem sido garantir sua liberdade. Até o momento, não recebeu nenhuma visita de colegas da bancada no Batalhão da Polícia Militar em Brasília. "Ele (Delcídio) nem comenta do partido", disse uma das pessoas que o visitaram.

O senador ainda é alvo de uma representação no Conselho de Ética do Senado que pode levá-lo à perda do mandato. Ele foi beneficiado pelo fato de ter sido notificado do pedido na véspera do início do recesso parlamentar. Somente a partir de 2 de fevereiro ele terá dez dias úteis para apresentar a sua defesa. A partir daí, começam a correr prazos para o relator do caso, senador Ataídes Oliveira (TO), e o colegiado apreciar o caso.

Senadores do PT e do PMDB, contudo, consideram reservadamente que a perda de mandato dele é uma questão de tempo. A avaliação é que o petista foi no mínimo imprevidente ao ter alardeado, em gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, que tinha influência para retirar da prisão do ex-diretor da Petrobras.

A fala grampeada por Bernardo serviu de base para a prisão de Delcídio. A demora para o processo dele seguir adiante no Conselho de Ética faz parte de um cálculo político de influentes parlamentares, uma vez que há 13 senadores envolvidos na operação, entre eles o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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