sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O PROGRESSO ESTÁ NA EDUCAÇÃO



Pesquisador mineiro da UFV é premiado com US$ 100 mil pela Fundação Bill Gates
Hoje em Dia*




O projeto criado por um mineiro venceu um concurso com outras 2.700 propostas de cientistas do mundo todo. A máquina leve, específica para mulheres agricultoras, foi uma ideia do Ricardo Capúcio de Resende, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e levou o prêmio da 11ª edição do Grand Challenges Explorations, iniciativa da Fundação Bill e Melinda Gates.



                              Máquina foi ideia do professor Ricardo Capúcio de Resende                                O equipamento projetado por Resende não tem similar no mercado. “É uma máquina simples e, por isso, o custo é baixo e a manutenção é mais barata”, diz o engenheiro. “Além disso, qualquer pessoa pode manusear. Tenho certeza de que vai ajudar muita gente.” Ele pensou em uma ferramenta que ajudasse no plantio. Projetou uma máquina com duas rodas, capaz de criar buracos no solo e, simultaneamente, lançar sementes. Seria a opção artesanal às semeadoras automatizadas usadas em grandes propriedades. "É como um carrinho de mão que pode ser usado inclusive pelas mulheres, uma ferramenta ideal para a agricultura familiar."
Além de Ricardo, outros dois brasileiros foram premiados: o farmacêutico Floriano Paes Silva Junior, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e o engenheiro agrônomo Mateus Marrafon, pesquisador do Instituto Kairós, de Itu, São Paulo.  Floriano Paes propôs o desenvolvimento de um software capaz de interpretar imagens de parasitas feitas com microscópio para avaliar quais medicamentos já existentes podem ser úteis para combatê-los. Essa análise automatizada da reação do parasita à substância poderia ajudar até a dizer qual será a dose ideal para matá-lo.
Já Marrafon desenvolveu protótipos de uma fita biodegradável que envolve as sementes selecionadas para uma determinada plantação. Dentro da fita, que é enterrada no solo, as sementes são distribuídas de acordo com o espaçamento ideal para o crescimento.
Os projetos dos três pesquisadores terão o aporte de US$ 100 mil ((R$ 219 mil), garantidos pelas fundação da família Gates e por outras instituições de amparo à pesquisa. Se forem bem sucedidos, podem concorrer a um financiamento de mais US$ 1 milhão.

LUCRO ACIMA DA PREVENÇÃO



  

Eduardo Costa




Minhas filhas sofrem com a repetição: “A vida é resultado de escolhas”. A mais velha ouve desde a infância o lembrete da Nair, amiga de velha data, que todo mundo tem o que merece. Afinal, pé de jabuticaba não dá banana e quem planta mandioca não espera colher batata.
A Samarco vai pagar um preço justo – e alto – por não ter cuidados básicos ao longo de seus 40 anos. Na verdade, sabemos que governadores, prefeitos, deputados, jornalistas especializados e quase todos os ambientalistas sempre estiveram de joelhos diante do poderio da mineração.
Assim, ao longo de décadas, acidentes e mais acidentes foram acontecendo, matando, destruindo, e sempre fomos ajeitando, de sorte que a atividade – essencial à nossa economia e importante para o mundo – não tivesse controle, decência e imposto justo.
Um dia, o caldo entornou com a mais festejada das empresas. Em todos os encontros, seminários, cursos de pós-graduação e papos informais, a Samarco sempre foi referência de cuidado com seus trabalhadores, sem manchas na relação com o meio ambiente e queridíssima por Mariana – a cidade que bate todos os recordes de prefeitos “removidos” neste milênio.
Quando a lama começou a descer sobre Bento Rodrigues, mostrou ao mundo um acidente sem precedentes e uma verdade dolorida: a nossa empresa modelo não tinha cuidados elementares com seu negócio muito lucrativo. Você pode até perguntar pelas outras, as menores, e lhe direi que é melhor esquecer, neste momento, para não sofrer.
O jornal Folha de São Paulo publicou nessa quinta uma relação de perguntas que está tentando fazer à Samarco desde o acidente. Duas delas coincidem com as preocupações que tenho manifestado aqui desde 5 de novembro: por que Bento Rodrigues estava tão perto e por que a lama foi tão longe?
Francamente, com a experiência de quem já construiu algumas casas, cuidou da base, reforçou o alicerce, caprichou na ferragem, eu fico tentando respeitar os técnicos que cuidavam da barragem, mas é difícil. Não faço a menor ideia do peso de 40 bilhões de litros de rejeitos. No entanto, pela lógica matemática, sei que é uma infinidade de sujeira...
Então, como deixar aquelas pessoas morando logo ali embaixo, no caminho? Todo dia me pergunto se o rompimento da barragem tivesse acontecido de madrugada qual seria o tamanho do estrago.
Outra coisa é o fato de que a lama saiu de Bento Rodrigues e foi parar no mar. Prefeitura, governo do Estado, Feam, Ibama, governo federal, DNPM e outras siglas que só funcionam no papel não me surpreenderam.
Mas como uma empresa que lucra bilhões não tinha um plano para conter a lama? E como não responde, agora, que vidas e sonhos estão debaixo do barro?

É IMPOSSÍVEL COMBATER O MOSQUITO COM PROMESSAS



  

Márcio Doti


Cada vez fica mais evidente que o mosquito Aedes Aegypti é um ícone de advertência à sociedade brasileira e, principalmente, aos nossos administradores públicos. Porque o mosquito só picava pobres na periferia, as providências foram sendo adiadas até que ele voou, venceu o ar condicionado, entrou nas mansões e para elas levou não apenas a dengue, mas a forma hemorrágica da doença e outras moléstias graves. A ameaça mais recente e também mais terrível é a microcefalia, causada pelo zika vírus e transmitida pelo mesmo Aedes aegypti que transmite a dengue e a chikungunya.
A presidente Dilma chegou a dizer que não há razão para pânico e que o governo vai travar verdadeira batalha para conter os mosquitos. Tomara que não seja com base no que o governo federal investiu até hoje para reduzir a proliferação do Aedes aegypti. O orçamento tem R$13,4 milhões, mas só R$418 mil foram gastos até o meio de novembro último.
O mosquito e as doenças que transmite encontram terreno fértil no Brasil onde faltam campanhas sistemáticas, efetivas e intensas de provocação ao cidadão para que auxilie no enfrentamento dos focos do mosquito. No passado, chegou-se a utilizar intensamente o fumacê e grandes equipes de combate aos focos. Mas não se vai alcançar isso com R$ 13 milhões e muito menos com R$ 418 mil.
Essa é uma das consequências graves da crise que atormenta o Brasil em várias formas, a crise econômica, a crise política e a crise moral. Não se mata o mosquito Aedes aegypti com discurso, muito menos com contingenciamentos produzidos pela ausência de verdadeira noção de prioridades e, menos ainda, quando os recursos são desviados e se perdem numa porção de investimentos inoportunos, inadequados e descoordenados.
Para o combate desse mosquito, uma das formas efetivas é a utilização de larvicidas para combatê-los na origem, nas águas onde são encontrados ou onde preventivamente podem abrigar ovos. Pois falta até larvicida para esse trabalho, além do baixo número de equipes empregadas para essa função.
Não se ouve esse assunto nos nossos plenários. Neles só se fala em eleição municipal, verbas, luta pelo poder e como fazer para driblar as leis e prevalecer nos erros impunemente. O mosquito da dengue que saía por aí espalhando a dengue, a dengue hemorrágica e agora o zika vírus, que provoca uma doença tão terrível que condena não apenas as crianças atingidas, mas até mesmo os filhos que vier a ter.
Minas Gerais não poderia deixar de constar da lista de recordistas entre os piores colocados. É o segundo Estado em número de casos de contaminações precedido apenas por São Paulo. Em Belo Horizonte, o mosquito avançou ao ponto de estar três vezes mais presente do que no ano passado.
Minas Gerais exibe também o triplo do número que ostentava em 2014. Ano passado, foram registrados 49.360 casos de dengue. Neste ano, já são 145.371. E as providências estão sempre muito abaixo do que seria necessário para o verdadeiro enfrentamento do quadro alarmante pelas consequências das doenças espalhadas pelo Aedes aegypti.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

VERDADE VERDADEIRA

DUPLA SERTANEJA


FRAQUEZAS



  

Simone Demolinari




Algumas pessoas escondem o que verdadeiramente são e fingem ser aquilo que não são. Escondem as características que julgam como fraqueza considerando que, se se mostrarem por inteiras, poderão ser rejeitadas, decepcionar ou passar uma imagem negativa.
Fingir ser o que não é parece mais fácil do que se revelar com transparência. No primeiro momento, esta pode até parecer uma boa ideia, mas está longe de resolver o problema.
Quem sustenta uma condição que não possui acaba adquirindo dois problemas em vez de um: primeiro, o de ter que esconder a verdade e, segundo, o de manter a mentira. Isso pode acontecer tanto em relação a uma característica comportamental quanto com uma condição eventual.
Por exemplo, uma pessoa que está passando por uma dificuldade financeira e tenta esconder isso do seu círculo de amizades. Ao tentar mostrar que se está bem e próspero, acaba se endividando ainda mais.
Para manter as aparências, banca situações incompatíveis com suas possibilidades, assumem compromissos que não têm como honrar, pegam empréstimos e afundam ainda mais na sua farsa.
Outro exemplo comum acontece com as pessoas tímidas, que em vez de se mostrarem envergonhadas, preferem disfarçar o desconforto fingindo ser desenvoltas e falantes.
Agem assim por medo de serem rejeitadas, mas acabam criando uma vulnerabilidade ainda maior.
Já aquele que se assume tímido, diminui seu grau de nervosismo e pode conseguir um acolhimento diferenciado e, com isso, sentir menos desconfortável.
Outra situação comum de acontecer disfarces é em relacionamento afetivo amoroso. As mulheres gostam de esconder seu ciúme e sua vontade de casar e os homens gostam de se mostrar super seguros, autoconfiantes e machões. Tudo isso cria uma falsidade que não ajuda em nada, muito pelo contrário, só aumenta a chance de fracasso da relação.
Conversar abertamente sobre os medos e inseguranças seria a forma ideal de se colocar numa situação nova, o problema está exatamente em como a outra pessoa vai reagir a isso.
Tanto pode se criar um clima de compreensão, cumplicidade e ajuda mútua, tanto pode ser um motivo de crítica, deboche e desqualificação.
Mostrar-se de forma verdadeira ajuda e muito a perceber com quem você está se relacionando e como ele se comporta diante da dificuldade apresentada.
Quando há um clima receptivo, evidentemente há sinais de que um aceita o outro independentemente da sua limitação ou fraqueza. Já quando o interlocutor esnoba e mostra uma falsa superioridade acaba deixando claro que aquela será uma relação ruim.
Mostrar a fraqueza, além de ser a melhor forma de se mostrar para o outro, ainda é um sinal de força, pois, mesmo correndo o risco de ser julgado, o indivíduo tem coragem de se mostrar verdadeiramente como ele é.
E isso é uma característica muito positiva.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...