quarta-feira, 28 de outubro de 2015

GÊNIO DA LÂMPADA



Cunha tornou-se o gênio da lâmpada de Dilma

Josias de Souza


Suponha que você se chama Dilma Rousseff e preside um país chamado, digamos, Brasil. Você é uma pessoa bem-intencionada. Governa para todos os brasileiros, mas se vangloria de dar prioridade aos mais pobres. Assumiu o seu segundo mandato há menos de dez meses. Embora você se ache a melhor gestora que você já viu, admite que a coisa está feia. Porém, dispõe de três anos, dois meses e três dias para mudar tudo.
Suponha que você está pedalando sua bicicleta nas imediações do Palácio da Alvorada e atropela uma lâmpada mágica. De dentro da lâmpada sai um gênio. Ele diz que quer ajudar você a honrar os compromissos que o João Santana assumiu com povo na campanha passada. O gênio pergunta quais são as quatro prioridades da sua gestão. Ele não costuma atender a mais de três pedidos por pessoa. Mas foi com a sua cara. E decidiu conceder-lhe um bônus.
Você responde rapidamente: “Engavetar o pedido de impeachment, aprovar a meta de fechar as contas de 2015 com um rombo de algo entre R$ 51,8 bilhões e R$ 103 bilhões, além de destravar na Câmara as votações da DRU e da CPMF. O gênio se irrita. Faz cara de nojo. E volta para o interior da lâmpada resmungando: “Você não precisa de mim. Tente o Eduardo Cunha.”
A esse ponto chegou Dilma Rousseff. Tornou-se 'cunhodependente'. E o gênio da Câmara condiciona a felicidade do governo à preservação do seu mandato.

É TUDO, MENOS UMA META



  

Eduardo Costa




Com o título acima – e a autoridade de consultor respeitado –, Luis Borges fez uma análise em seu blog “Observação e Análise”, que ouso dividir com os que me prestigiam nas reflexões. Eis a íntegra:
“A meta de superávit primário, a economia que é feita para pagamento dos juros da dívida pública, novamente não foi atingida. A meta inicial era encerrar o ano de 2015 com uma sobra de R$ 66,3 bilhões, o equivalente a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho, era visível que a meta não seria atingida. Por isso, ela foi revisada para baixo, passou a R$ 8,747 bilhões – 0,15% do PIB. Em outubro, sem atingir a segunda meta – que ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional, conforme exigem as Leis de Responsabilidade Fiscal e Diretrizes Orçamentárias –, o Ministério do Planejamento está propondo a terceira meta para fechar o ano. Dessa vez, será com um déficit, que pode chegar aos R$ 90 bilhões. Além disso, está em discussão a meta de superávit primário para 2016 que, em função das várias variáveis que a cercam, pode ficar muito aquém dos 0,7% do PIB atualmente previstos.
Onde vão parar as metas? O superávit primário é mais um exemplo de indicador com sucessivas metas não atingidas. Outro exemplo de meta fracassada é a da inflação anual, com seu ‘centro da meta’ em 4,5%. Essa incapacidade de atingir os indicadores cria ambiente propício para heresias em relação ao sistema de gestão de negócios. A presidente da República solicitou opções para a criação de uma meta flexível, casuísmo que finalmente tornará a meta atingível em função da mudança dos números conforme os choques conjunturais. É como se num jogo de futebol um pênalti fosse batido com o gol vazio, dependendo apenas do jogador chutar a bola com alguma direção para marcar.
Na prática, isso significa se isentar da gestão de riscos ao mesmo tempo em que são revogados conhecimentos científicos que fundamentam e conceituam uma meta como sendo um objetivo que possui valor e prazo para ser atingido. Meta flexível, nem eufemismos como ‘centro da meta’, ‘limite inferior’ e ‘limite superior’. O objetivo a ser atingido é o alvo que faz movimentar todo um plano de ação. Não existe sub alvo. Para quem, como eu, acredita na essencialidade do conhecimento gerencial e que a gestão é o que todos precisam para resolver problemas de qualquer natureza, fica a certeza de que a catequese tem que continuar. Não existe substituto para o conhecimento, que deve ser continuamente buscado e aplicado com a disciplina e constância de propósitos que os sistemas e seus métodos exigem. Esse é o caminho para quem quer ter uma credibilidade sustentável”.

QUAL SERÁ O PRÓXIMO ESCÂNDALO?



  

Márcio Doti




O que já conhecemos é suficiente para demonstrar que chegamos ao fundo do poço. Mas, diante de tudo o que já vivemos, das surpresas que se sucederam, dos escândalos que se repetiram, não é prudente garantir ser este o fim da linha. Pois não ficamos tão escandalizados com o mensalão? E veio a Petrobras com os bilhões roubados, dólares na cueca, contas secretas na Suíça, compra e venda de refinaria nos Estados Unidos por preços fora da realidade, empreiteiras brasileiras financiadas pelo BNDES com juros subsidiados para construir em países amigos. Também usinas nucleares gerando escândalo mais que energia, montadoras de automóveis pagando por jeitinho em financiamentos privilegiados, propinas em aluguéis de navios petroleiros, sondas, enfim, dinheiro saindo pelos ralos e entrando por bolsos sujos em abundância. E vem em seguida as descobertas da Polícia Federal que colocam sob graves suspeitas Gilberto Carvalho, ministro de parede e meia com Lula e depois com Dilma. A suspeita? Venda de medidas provisórias. Tanto dinheiro em valores tão variados que dá para ficar tonto. Só não fica quem não tem a menor vergonha de ver o país mergulhado em tamanha podridão.
A vez do Brasil sério
Alguns escândalos no país foram descobertos e punidos por acaso. Collor às voltas com um irmão ciumento e deu em impeachment. Um político descontente, Roberto Jefferson, e o mensalão rolou ladeira abaixo levando consigo uma parte do PT e do governo. Um empresário assustado, um juiz corajoso, Sérgio Moro, mais o Ministério Público Federal e a Polícia Federal e lá veio a Operação Lava Jato. E as outras operações, a Acrônimo, que está desvendando os mistérios do hoje governador Fernando Pimentel, sua esposa Carolina Oliveira e os amigos Otílio Prado e Benedito Oliveira, em lances de financiamentos do BNDES, caixa dois de campanha e lavagem de dinheiro. E a surpresa do momento é a outra parte do gabinete da Presidência, de onde saiu José Dirceu e agora se complica com Gilberto Carvalho. Onde mais vamos parar não sei, mas tenho um conselho a dar: que todos fiquem atentos, que todos prestem bastante atenção em tudo o que está acontecendo porque se não perceberam é bom que se diga – a não ser alguns brasileiros bem intencionados, corajosos e firmes em suas atitudes, não podemos contar com ninguém mais.
Surpresa com os escândalos
Se cada um não fizer a sua parte, não cobrar, não pressionar, não ficar muito atento, vamos nos repetir na surpresa com os escândalos. E é certo que seremos nós os prejudicados. Quem vive em Brasília vive num outro mundo, imune às crises políticas e econômicas. Não importa à presidente Dilma se sobram para ela poucos pontos de apoiadores nas pesquisas de opinião pública. Certamente que constituída pelos milhares e milhares de contratados em cargos comissionados no serviço público. Ela continua de braços dados com o ex-presidente Lula e até se compreende: tentam resistir a qualquer custo. Contam com o esquecimento, com a indiferença e com o desconhecimento dos brasileiros. Algo que vai ficando no passado, os brasileiros estão acordando. Estão descobrindo que todas essas leviandades são pagas com o sofrimento da população.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

PREÇOS AO CONSUMIDOR DA BOULEVARD MONDE



ONDE É GASTO TANTO DINHEIRO?



  

José Antônio Bicalho


O presente e o futuro próximo estão definitivamente perdidos. A economia deve encolher gigantescos 3% neste ano (no mínimo) e outros 1,5% em 2016. Se contarmos a estagnação do ano passado (crescimento de 0,1%), serão três anos desperdiçados na economia. Mas o mais grave é que a base para uma futura retomada também está sendo comprometida.
O problema é que o ajuste fiscal ainda não alcançou seu objetivo e não há sinal de quando será alcançado. O governo derrubou propositalmente a economia para colocar suas contas em dia e enquadrar gastos nos limites das receitas. Feito isso, prometia o ministro Joaquim Levy, estariam lançadas as bases para a recuperação econômica e retorno ao crescimento.
Mas não é essa a realidade que vivemos, conforme mostra o Relatório da Dívida Pública, referente a setembro, divulgado nessa segunda pelo Tesouro Nacional (veja matéria ao lado). Nossa dívida continua crescendo de maneira acelerada tanto em termos nominais quanto na sua correlação com o PIB. E isso compromete a capacidade do governo de, no futuro, funcionar como alavanca para a recuperação da economia.
Dívida versus PIB
Mas vamos aos números que preocupam. Em setembro, o estoque da Dívida Pública Federal aumentou 1,8% em termos nominais, passando dos R$ 2,686 trilhões de agosto para R$ 2,735 trilhões. Considerando o Produto Interno Bruto do ano passado, de R$ 5,521 trilhões, a relação entre dívida e PIB passou de 48,6% para 49,5%, quase um ponto percentual de um mês para outro. No entanto, se considerarmos a projeção de recuo do PIB de 3% (Boletim Focus, do Banco Central), a dívida, hoje, já representaria mais da metade do PIB, ou 51,1%.
Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida cresceu 17%. Em nove meses, foram incorporados mais R$ 390 bilhões ao estoque. Uma velocidade estonteante. E ainda temos o problema adicional do aumento do custo de rolagem da dívida. Os juros médios anuais incidentes sobre a dívida subiu de 11,8% em dezembro de 2014 para 16,1% no mês passado. E a expectativa é a de que continuem aumentando em função da deterioração das contas públicas e dos consequentes cortes das notas de risco do Brasil pelas agências de rating.
Pecado
Como já afirmei em outras colunas, dívida não é pecado. Existem países com uma relação entre dívida e PIB maior que a nossa e que vão muito bem (logicamente, pagando juros muito menores que os nossos).
Se o governo toma empréstimos para turbinar a economia, o crescimento do estoque da dívida é contrabalançado pelo aumento do PIB, da arrecadação e da capacidade do governo para honrar seus compromissos. O problema está quando a dívida cresce em meio à recessão. Aumenta o estoque e o custo de rolagem, enquanto diminuem as receitas do governo.
É esse o caminho escolhido pelo governo desde a posse de Joaquim Levy na Fazenda, em janeiro. E o risco é chegarmos a um ponto em que não haverá mais opção de retorno.
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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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