Afetada pela Covid-19,
locadora Hertz anuncia falência nos Estados Unidos
RFI
© Getty/AFP/Archivos
A empresa de aluguel de carros Hertz, impactada pela pandemia de
coronavírus, anunciou na sexta-feira (22) que entrou com pedido de falência nos
Estados Unidos e no Canadá.
"O impacto da COVID-19 na demanda de viagens foi repentino e
dramático, levando a uma queda acentuada na receita da empresa e reservas
futuras", declarou a companhia em comunicado.
A Hertz disse que tomou "medidas imediatas" para priorizar a
saúde e a segurança dos funcionários e clientes e eliminar "todas as
despesas não essenciais".
"No entanto, permanece a incerteza sobre quando as receitas
retornarão e quando o mercado de veículos usados voltará a reabrir inteiramente
às vendas, o que exigiu ação imediata", acrescentou.
As principais regiões operacionais globais da Hertz, incluindo Europa,
Austrália e Nova Zelândia, não estão incluídas no pedido de falência.
Em 21 de abril, a Hertz havia anunciado o corte de 10.000 empregos na
América do Norte, 26,3% de sua força de trabalho global, para economizar
dinheiro após o confinamento pelo coronavírus paralisar as viagens e a
economia. O grupo explicou na sexta-feira que finalmente demitiu 20.000
pessoas, metade de sua força de trabalho global.
A empresa recorreu ao capítulo 11 da lei de falências nos Estados
Unidos, um mecanismo que permite que uma empresa que já não pode mais pagar sua
dívida se reestruture sem a pressão dos credores.
Franquias Hertz não estão incluídas na falência
As franquias Hertz, que não são de propriedade da empresa, não estão
incluídas no procedimento do capítulo 11. A Hertz não mencionou o valor de sua
dívida, mas o Wall Street Journal informou na sexta-feira que totalizava cerca
de US$ 19 bilhões (cerca de R$105 bilhões).
"A reorganização financeira fornecerá à Hertz o caminho para uma
estrutura financeira mais robusta que posicione melhor a empresa para o futuro,
enquanto navega no que poderia ser uma jornada prolongada e uma recuperação
econômica global", afirma o comunicado da empresa.
A pandemia de coronavírus levou vários países a impor medidas de
contenção que paralisaram as atividades econômicas. A direção da Hertz teme que
o retorno à normalidade seja demorado, e a generalização do home office durante
a pandemia levanta dúvidas sobre se a empresa será capaz de recuperar sua
clientela comercial assim que a crise terminar.
Hertz sofre com concorrência
A empresa, com sede em Estero, na Flórida, empregava 38.000 pessoas no
final de dezembro, incluindo 29.000 nos Estados Unidos. Há alguns anos, a Hertz
sofre com a concorrência da Avis Budget e com serviços de transporte com
motorista como o Uber.
A empresa registrou uma perda líquida anual em 2019, pela quarta vez
consecutiva. Mas 2020 começou bem, com um aumento no faturamento de 6% em
janeiro e 8% em fevereiro, em comparação com os mesmos meses do ano passado.
A falência ilustra a magnitude da crise que os Estados Unidos sofrem
como resultado das medidas para conter o coronavírus, que devastaram setores
inteiros da economia, como transporte e turismo. Desde meados de março, 38,6
milhões de pessoas solicitaram auxílio-desemprego nos Estados Unidos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário