Câmara tem ‘plano B’ para fundo eleitoral
Camila Turtelli e Renato Onofre
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LUIS MACEDO/DIVULGAÇÃO Acordo. O deputado Paulinho da Força, que articula
negociação com outros líderes partidários em defesa do aumento do fundo
Sem ambiente político para elevar em
R$ 2 bilhões o dinheiro para campanhas eleitorais no ano que vem, líderes de
bancadas na Câmara preparam um “plano B”, que inclui um aumento menor no
chamado fundo eleitoral – usado para financiar as candidaturas – e
regras mais brandas para uso de recursos públicos pelos partidos. A previsão é
de que as legendas tenham de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões para as disputas
municipais, valor maior que o R$ 1,7 bilhão destinado em 2018.
A articulação está sendo conduzida
pelo presidente do Solidariedade, Paulinho da Força
(SP), e já recebeu o aval de líderes de outras siglas do chamado
Centrão – bloco informal formado ainda pelo PP, PL, Republicanos (ex-PRB) e DEM
– e do PT. Juntos, eles formam maioria na Câmara. Num almoço, ontem, na
residência oficial, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou os
principais pontos da proposta.
Durante a negociação da Lei de Diretrizes
Orçamentária (LDO), o deputado Cacá Leão (PP-BA) anunciou a retirada da
proposta de aumento do fundo. O recuo foi motivado pela reação das redes
sociais e também por crítica do presidente Jair Bolsonaro a Maia.
O presidente da Câmara pediu ao governo o uso de um
fundo com recursos recuperados da Lava Jato para ajudar no combate às queimadas
na Amazônia. Bolsonaro rebateu afirmando que, se o deputado estivesse tão
preocupado com a preservação ambiental, que utilizasse recursos do fundo
eleitoral.
Tanto parlamentares do Centrão quanto do PT não
descartam elevar o valor destinado ao fundo, mas admitem, reservadamente, que a
manobra está mais difícil agora. De acordo com Paulinho, o acordo já tem
maioria da Casa.
“Não temos acordo na redistribuição do fundo
eleitoral. Nós queremos travar a possibilidade de virar um balcão de negócios.
Queremos que o fundo eleitoral seja distribuído baseado na proporção de
deputados e senadores de cada partido de acordo com a última eleição”, disse.
Atualmente, as campanhas são
financiadas com recursos públicos de duas formas. A principal é o fundo
eleitoral, que tem uso exclusivo nas disputas, e o outro é o Fundo Partidário,
que é uma espécie de “mesada” com dinheiro público destinado a bancar despesas
do dia a dia dos partidos, como aluguel de imóveis, passagens aéreas,
realização de eventos e contratação de pessoal, mas que também pode usar para
bancar gasto de candidato.
A mudança defendida por Paulinho tem como base a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento impositivo, aprovado em
junho no Congresso. Isso porque o fundo eleitoral é composto por recursos de
emendas de bancadas estaduais, que teve seu valor atrelado a 0,8% da receita
corrente líquida da União com a PEC.
Partidos na TV. A medida retoma ainda propostas que
podem trazer novos custos indiretos à União, como a volta do programa
partidária no rádio e na TV, extinto em 2017 para criação do fundo eleitoral.
Essas inserções são revertidas em benefícios fiscais às emissoras. A proposta
permite ainda que as siglas usem o dinheiro para impulsionar postagens na
internet, hoje previsto apenas como gastos eleitorais.
Outra regra que deve ser flexibilizada é a que
trata sobre o pagamento de advogados em defesa de filiados. Em maio, o TSE
endureceu as penas impostas aos partidos no julgamento das contas anuais e
proibiu que partidos paguem a defesa de investigados.
A restrição tem como objetivo impedir que o
dinheiro público do Fundo Partidário seja usado para defender políticos na mira
da Lava Jato, por exemplo.
A proposta tem sido tratada na Câmara como uma
minirreforma eleitoral, já que uma mudança mais ampla nas regras já para o ano
que vem é dada como improvável. No início do mês, Maia chegou a afirmar que
iria pautar uma mudança na forma de eleger vereadores no ano que vem e adotar o
sistema distrital misto. O modelo, porém, sofre resistência de algumas siglas.

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