Dia Mundial do
Alzheimer reforça importância do cuidado com os doentes
Flávia Ivo
Especialista diz que
a família é o segredo do sucesso para o tratamento
Durante sete anos, a professora Maria
José Mariano, de 48 anos, e os quatro irmãos encararam uma luta que faz parte
da rotina de milhões de famílias ao redor do mundo: cuidar de um ente querido
com Alzheimer. No caso deles, a mãe. Quando receberam o diagnóstico,
concluíram que aquele era um estágio da vida dela que estava começando e
precisavam de união para lidar com a enfermidade.
“Minha mãe criou uma espécie de mundo
paralelo e nós entrávamos nele. Tudo o que ela falava, a gente concordava na
tentativa de fazer com que sofresse menos”, revela Maria José, que lança, no
ano que vem, um livro de crônicas sobre a história vivida pela família.
46,8 milhões de
pessoas no mundo têm a demência, estima a ADI (Alzheimer’s Disease
Internacional); número praticamente dobrará a cada 20 anos, diz a entidade
Nesta semana, é celebrado o Dia
Mundial do Alzheimer, em 21 de setembro, data em que se busca conscientizar a
população sobre a doença e a importância dos cuidados com o enfermo. “A família
é o segredo do sucesso para o tratamento. Se estiver unida, com carinho, amor e
respeito ao doente e principalmente, que todos os membros estejam
comprometidos, tudo ficará mais fácil”, afirma a neurologista Ana Luisa Rosas,
diretora-científica da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
Compromisso que os filhos de Maria
Gualberto, mãe de Maria José, tiveram até o falecimento dela, em 2009. “Fazíamos
um calendário de cuidados, todos colaboraram. Ela não ficou sozinha momento
algum”, afirma a professora.
Sofrimento
Exemplos como o da família de Maria
José não são comuns quando se trata de ter um parente com Alzheimer. Para
muitas famílias, o sofrimento é o sentimento que acompanha o percurso.
De acordo com a médica e psicanalista
Soraya Hissa de Carvalho, o Alzheimer é uma doença difícil de ser compreendida
e aceita. “O doente sofre por tentar lutar com o que está acontecendo, com
os esquecimentos da memória recente. Quem cuida, muitas vezes não dá conta da
verdade e, a cada dia, vai percebendo as perdas do ente querido”, descreve a
especialista, que há 11 anos lida com os cuidados com a mãe, diagnosticada com
a doença.
Dia a Dia
O Alzheimer é uma enfermidade grave,
progressiva e incurável, que acomete pessoas na terceira idade, embora possam
existir pessoas mais jovens com a doença. “A demência de Alzheimer se
encontra no grupo das doenças neurodegenerativas. Juntamente com ela, temos outros
tipos de demências. No entanto, no caso do Alzheimer, o ‘carro-chefe’, se é que
podemos falar assim, é a queixa da perda de memória que impacta nas funções do
dia a dia”, explica a neurologista Ana Luisa Rosas.
No Brasil, há uma
prevalência de cerca de 7% da doença entre pessoas com mais de 60 anos de
idade, perfazendo um total de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas
com Alzheimer
Conforme Soraya Hissa, à medida em que
a pessoa começa a esquecer a memória recente, reforça para os outras que está
bem relembrando coisas do passado. “Sofrem por uma determinada morte inúmeras
vezes, repetem coisas com frequência. Às vezes, com minha mãe, abro mão da
verdade pois sei que não fará qualquer diferença”, diz a médica.
Prevenção
Segundo especialistas, não é possível
determinar maneiras de se prevenir o Alzheimer. No entanto, é sabido que,
quanto mais a pessoa estuda, aprende e “força” os neurônios, menos a memória
vai sendo afetada.
“A memória é um dos maiores tesouros
que temos na vida. A perda dela significa também perda da identidade,
dignidade, credibilidade e convívio social. É preciso tratar os atingidos por
essa doença com muito amor”, diz Soraya.


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