Uber liberado
para rodar em Minas; taxistas de BH prometem manifestações
Raul Mariano e
Mariana Campolina
Após a decisão da
Justiça, taxistas fecharam o trânsito na avenida Afonso Pena, no Centro da
capital mineira
Aplicativos de
transporte de passageiros, como o Uber e o Cabify, podem atuar livremente em
todo o Estado. A liberação das plataformas foi decidida ontem pela Justiça
mineira e deixou taxistas revoltados. Em protesto, os condutores fecharam o
trânsito no Centro da capital, no fim da tarde. Novas manifestações não são
descartadas.
Com o aval, os
motoristas dos aplicativos podem continuar trabalhando normalmente sem a
necessidade de seguir as regras impostas a taxistas da cidade. Os
permissionárias da BHTrans prometem recorrer ao Executivo municipal.
O TJMG também considerou inaplicável aos motoristas do Uber o artigo
231, do Código de Trânsito Brasileiro, que trata de penalidades para quem
efetua irregularmente o transporte remunerado de pessoas; a decisão vale
para todo o Estado
Por sete votos a um,
os desembargadores da 1ª Seção Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
(TJMG) decidiram pela parcial ilegalidade da lei municipal 10.900/16, que
regulamenta o transporte de passageiros em BH. Nesse sentido, os artigos que
tratam o credenciamento e o licenciamento dos condutores foram considerados
ilegais pelos magistrados.
Na prática, os
motoristas dos aplicativos não estão obrigados a se credenciarem na prefeitura
e nem podem ser multados pela fiscalização.<EM>
Revolta
A decisão gerou
revolta nos mais de dois mil taxistas que passaram toda a tarde de ontem em
frente à sede do TJMG, na região Centro-Sul da cidade.
O presidente do
sindicato dos Taxistas (Sincavir-MG), Avelino Moreira, afirmou que a categoria
vai propor ao prefeito Alexandre Kalil a criação de uma nova lei para contornar
a decisão judicial. “Para nós é uma grande frustração, já que vivemos uma
situação muito difícil”, disse.
Trabalhando há 21
anos com táxi na capital, Gilberto Simão afirmou que a categoria não vai
desistir de lutar por igualdade de competição.
Para ele, a derrota afronta uma classe de trabalhadores que sempre seguiu regras rígidas impostas pelo poder público. “Não vamos permitir que a concorrência desleal continue. Vamos protestar e muito”.
Para ele, a derrota afronta uma classe de trabalhadores que sempre seguiu regras rígidas impostas pelo poder público. “Não vamos permitir que a concorrência desleal continue. Vamos protestar e muito”.
Legalidade
Uma fonte ligada aos
motoristas do Uber disse que, a partir de agora, os condutores cadastrados no
aplicativo ficam livres para circular sem nenhum receio por todo território
mineiro.
Por meio de nota, a
empresa afirmou que a decisão do TJMG consolidou o entendimento de que o
serviço oferecido pelo sistema é legal no Brasil.
O texto diz, ainda,
que a decisão “reforça o direito de escolha da população de Minas Gerais e,
principalmente, o direito de gerar renda dos motoristas parceiros da Uber”.
Recurso
De acordo com o
presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes Cibernéticos da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB-MG), Luís Felipe Silva Freire, a decisão ainda é
passível de recurso. “Os taxistas podem recorrer nos tribunais superiores em
Brasília, mas a chance de ganharem é mínima”, explica.
Para o especialista,
a decisão a favor dos aplicativos é acertada, já que esse é um serviço privado,
que visa suprir a má qualidade dos serviços de transporte regulamentados e
ofertados atualmente.

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