Maradona, soldado em Caracas
Manoel Hygino
Os noticiários são
amplos: a Venezuela ferve, o cidadão passa necessidade até na alimentação,
milhares escapam pelas fronteiras. Pelas imagens da televisão, parece sentirmos
cheiro de pólvora, ardem os olhos com os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo
e de efeito moral.
De longe, não sei
exatamente de onde, Maradona envia mensagem de apoio ao presidente Nicolás
Maduro. Oferece-se como “soldado” da revolução bolivariana e “para combater o
imperialismo. Nós somos chavistas até a morte. E quando Maduro ordenar, estarei
vestido de soldado para libertar a Venezuela, para lutar contra aqueles que
querem apoderar-se de nossas bandeiras, que é o mais sagrado que temos”,
afirmou em página pessoal no Facebook. Maradona repete as bravatas de seu
feitio e natureza. Apoiou a candidatura presidencial de Maduro em 2013, na
Venezuela, ostenta no braço direito uma tatuagem com o rosto de Che Guevara.
Para ele, Fidel era “como um pai”.
Diego Armando
Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960, no modesto bairro de Villa Fiorito,
em Lenús, na Grande Buenos Aires. Começou no futebol aos 9 anos no infantil de
Los Cebollitos, com 15 foi contratado pelo Argentinos Juniors, da primeira
divisão e, um ano após, estava na seleção nacional. Já começava a ser chamado
de “El pibe de oro”, “o garoto de ouro”. Aos 17 anos, incluía-se entre os 25
melhores jogadores da Argentina e, em 1979, foi capitão da equipe que ganhou o
Mundial Sub-20 no Japão. Em 1980, ingressou no Boca Juniors, um dos maiores
clubes do país. Em 1984, no Nápoli, da Itália, brilhou ao conquistar dois
campeonatos Italianos, uma Copa Itália, uma Copa UEFA e uma Supercopa, em 1990.
O seu auge como
jogador foi na Copa do Mundo: conduziu à vitória da seleção argentina contra a
Alemanha (3 a 2). No mesmo mundial, marcou contra a Inglaterra, nas quartas de
final, dois de seus tentos mais memoráveis: o gol de mão que passou à
posteridade como “a mão de deus”, e a jogada eleita como “o gol do século”:
partindo do círculo central, driblou cinco rivais e também o goleiro antes de
meter a bola na rede. O placar de 2 a 1 garantiu a eliminação da Inglaterra e
representou, no plano simbólico, uma espécie de redenção para os argentinos,
que tinham sido derrotados na Guerra das Malvinas quatro anos antes.
A relação de
Maradona com as drogas se tornou pública em 1991, quando expulso do Nápoli após
um teste antidoping por uso de cocaína. Voltou então à Espanha, jogando pelo
Sevilla, e logo à Argentina para jogar pelo Newell’s Old Boys. O problema com
as drogas voltaria a ser pesadelo na Copa de 1994 nos Estados Unidos; o
antidoping detectou que ele havia utilizado efedrina e a FIFA o proibiu de
jogar por um ano. A seleção argentina, que dependia muito de seu capitão,
acabou sendo eliminada precocemente nas oitavas de final.
Para tratar-se contra
as drogas foi recebido em Havana, daí a afeição por Fidel. De volta à pátria,
desempenhou-se por poucos meses como técnico do pequeno Desportivo Mandiyú e,
depois, do tradicional Racing Club. Em 1995, voltou ao Boca Juniors como
jogador e esteve no clube até se aposentar definitivamente em outubro de 1997,
dia do seu 37º aniversário. Em 2003, terminou seu casamento com Claudia
Villafane, mãe de suas filhas Dalma e Giannina, embora ele tenha outros três
filhos, hoje reconhecidos: Diego Júnior (1986), Jana (1996) e Diego Fernando
(2013).
A esta altura do
campeonato da vida, resta saber se o controverso Dom Diego vai deixar de ser
treinador do Al Fujairah SC, dos Emirados Árabes, onde evidentemente tem alto
salário, para ser “soldado” ao lado de Nicolás Maduro, que não consegue
alimentar sequer seus cidadãos. Além do mais, está com 57 anos e, com essa
díade, meu pai faleceu.

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