Ministério investiga se
óbitos por febre amarela em Minas foram provocados por vacina
Renata Galdino e
Alessandra Mendes
INDICAÇÃO – Ministério da Saúde recomenda duas doses para adultos, com
dez anos de intervalo entre elas
O Ministério da Saúde investiga se quatro das oito mortes por febre
amarela confirmadas ontem por exames laboratoriais em Minas Gerais teriam sido
causadas após as vítimas receberem a vacina contra a doença. Nos demais óbitos,
comprovou-se transmissão pelo mosquito em área rural. Até o momento, 206 casos
suspeitos e outras 45 mortes no Estado estão pendentes de análises clínicas.
Apesar da suspeita, a possibilidade de febre amarela vacinal é
considerada pelo governo como um “evento raro”. O número de casos de morte
relacionadas à vacina, conforme a União, varia de um em cada 400 mil doses ou
um a cada um milhão de doses, de acordo com a metodologia da pesquisa.
Diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do
ministério, Eduardo Hage reforçou que raramente a vacina, produzida a partir de
vírus vivo atenuado, causa febre amarela. “Nos últimos anos não tivemos casos
(do tipo). Mas, em situações de vacinação de grande número de pessoas, pode vir
a ocorrer, e em especial, muitas vezes em pessoas que não teriam indicação de
vacinação”, explicou.
Professor da UFMG, o infectologista Unaí Tupinambás reforça que a
imunização é bastante segura, recomendada pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) e vem sendo usada há anos. “O que há são contraindicações que devem ser
observadas para crianças, idosos e portadores de doenças crônicas ou que fazem
uso de medicações que reduzem a defesa do organismo. Para essas pessoas, o mais
indicado é não ir ao locais com possibilidade de contaminação ou se prevenir
usando roupas e repelentes”.
O especialista afirma não haver motivo para pânico nem para deixar de se
vacinar. Agora, segundo Tupinambás, é preciso saber se as mortes decorreram da
imunização ou se, de fato, havia contraindicação para o paciente. “Se a pessoa
havia tomado duas doses em curto espaço de tempo ou se ocorreu outra interação
medicamentosa”, completou.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado de Saúde de
Minas Gerais (SES-MG) informou não haver motivo para alarde da população,
porque a vacina é totalmente segura. A pasta deve se pronunciar hoje sobre a
situação.
Surto
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, evita falar em epidemia da doença.
De acordo com ele, há no momento um “surto localizado” de febre amarela em
Minas. “A situação está sob controle”, disse.
Em comunicado publicado na internet, a SES-MG informou estar preparando
uma documentação que será enviada ao governo federal. Dentre as demandas, o
Estado irá pedir ajuda da Força Nacional nos municípios com surto de febre
amarela para conter o avanço da forma mais grave da doença.

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