Preocupação também em agir
Editorial Jornal
Hoje em Dia
Há 22 dias da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, maior
evento da história do país, a cúpula do governo esteve reunida ontem para
discutir a segurança, após os atentados de 14 de julho, em Nice, na França, que
vitimou, mais de 80 pessoas. A intenção foi revisar os procedimentos de segurança
e, caso haja algo errado, reforçar as ações.
Anteontem, aqui mesmo, já havíamos alertado para temor de que o Brasil
fosse alvo de um ataque terrorista, após a notícia de que o governo francês
havia identificado um possível terrorista planejando alguma ação durante a
Olimpíada. Se essas ações estavam em curso, como garantiram os gestores, não
houve, até então, uma preocupação em demonstrá-las à população, aumentando a
sensação de segurança dos moradores das cidades que sediarão jogos e de quem
planeja viajar para acompanhar os eventos.
“Em Nice, os feridos foram atendidos nos corredores das unidades de
saúde. Aqui, no Brasil, os corredores já estão cheios de pacientes”
A reunião com as presenças de Michel Temer, presidente interino, Raul
Jungmann, ministro da Defesa, Alexandre Moraes, ministro de Justiça, e de
Sergio Etchegoyen, ministro chefe do Gabinete de Segurança, pelo menos,
demonstrou alguma ação coordenada da cúpula pensando nos jogos, o que não se
viu até agora. Jungmann deixou o encontro falando em contingente de reserva da
Força Nacional e mais bloqueios nas entradas das cidades.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, também declarou que a população local
deverá se acostumar com “mais bloqueios e mais contingências” nos locais de
competição. Enfim, tenta-se, naturalmente, demonstrar que a situação está sobre
controle.
A sequência de três ataques em 18 meses na França mostra também que, por
mais que haja o preparo das forças policiais, não há garantia completa de que
qualquer país está livre do terror. É possível também um preparo ainda maior
para reagir a casos do tipo.
Exemplo maior é a situação da saúde no Rio de Janeiro, já em situação
calamidade pública. As principais unidades na cidade não suportam o número de
atendimentos normais. Uma tragédia do tipo geraria muitos feridos, que ficariam
praticamente sem local para serem atendidos. Em Nice, os feridos foram
atendidos nos corredores das unidades de saúde. Aqui, no Brasil, os corredores
já estão cheios de pacientes.
As condições de trabalho também preocupam. Na edição do dia 13 de julho,
publicamos um artigo do cardiologista Antônio Alceu dos Santos, no qual o
profissional afirma que não haverá sangue suficiente nos estoques dos
hemocentros caso várias pessoas precisem do material ao mesmo tempo. Muitos
podem morrer por atendimento inadequado.
Mesmo que tardiamente, assim como a preocupação com a prevenção, o
Brasil já deveria pensar em como vai reagir se a ameaça de um ataque se
concretizar.

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