Minas permanece em alerta
Manoel Hygino
Um belo-horizontino no ministério de Temer. Poucos talvez o saibam, consoante
a tradição de que Minas trabalha em silêncio, um slogan do tempo de Magalhães
Pinto, governador do Estado. Pois bem, o novo ministro é Fabiano Augusto
Martins Silveira, do Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle da
União, a antiga CGU.
Formado em Direito pela UFMG, com pós-graduação pela PUC e na Itália,
Fabiano foi membro do Conselho Nacional do Ministério Público, liderado pelo
hoje procurador-geral da União, Rodrigo Janot, e servia como conselheiro do
CNJ, presidido pelo ministro Lewandowski, do Supremo.
O ministro, ao assumir o cargo, criado pela Medida Provisória 726, passa
a exercer papel da maior relevância, principalmente pelas circunstâncias atuais
do país. Ele declarou: “Nossos esforços continuam sendo conjuntos para dar ênfase
às medidas de combate à corrupção. Esse é um direito dos cidadãos brasileiros”.
Adiante, afirmou: “Transformar a CGU em um ministério é uma forma de dar
maior visibilidade a esse que se tornou um órgão no qual a sociedade confia
plenamente e por isso manteremos todas as funções da Controladoria”.
Muito trabalho pela frente para missão árdua. A nova pasta segue como
órgão central do Sistema de Controle Interno e do Sistema de Correição, ambos
do Executivo Federal, mantendo todas as atividades relativas à defesa do
patrimônio público e ao incremento na transferência da gestão, por meio das
atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e
combate à corrupção, e ouvidoria.
Tudo isso demonstra, mais uma vez, que Minas jamais se omite, principalmente
nos momentos graves da vida republicana, como aliás o fez na monarquia. Fatos e
personagens o comprovam à suficiência. E o Manifesto dos Mineiros sintetiza a
posição da gente das montanhas no sistema político implantado em 1937.
O período que se atravessa preocupa. O Brasil exige medidas que impeçam
a perenização do clima de suspeição e de corrupção, que tornou a nação motivo
até de chacota em nível internacional. O Brasil que agora temos não é o que
queremos para os brasileiros. Nosso conceito, em âmbitos interno e externo,
está duramente ferido por acontecimentos recentes.
Em verdade, cumpre à geração de agora, conhecedora do mar de lama em que
nos enchafurdamos, a tarefa magna de ajudar a levantar-nos. Como no Manifesto
de 1943, “queremos espaço realmente aberto para os moços, oriundos de todos os
horizontes sociais, a fim de que a nação se enriqueça de homens experimentados
e eficientes, inclusive de homens públicos, dentre os quais venham a surgir, no
contínuo concurso das atividades políticas, os fadados a governá-la e a
enaltecê-la no concerto das grandes potências...” Minas, fiel a si mesma,
jamais abandona sua instintiva inclinação para sentir e realizar os interesses
fundamentais de toda a nação. Aos maus brasileiros, aos que nos traem
diariamente nos conciliábulos da perversão administrativa, financeira e social,
resta o caminho do calabouço.
A grande imposição deste momento, quando paira sobre o país a pesada
nuvem da corrupção, é definir quem realmente se aliou no combate a essa perversidade
e aqueles outros que apenas fazem de conta.
Jesus já disse: o homem não pode montar simultaneamente dois cavalos,
nem pode estender dois arcos. O servo não pode servir a dois senhores; se ama
um, odiará o outro.

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