Somos todos prisioneiros
Manoel Hygino
A Organização Mundial de Saúde concluíra que há uma epidemia de
homicídios, estando o Brasil no 11º lugar no ranking do planeta, contribuindo
para os 475 mil registros anuais. Com 32,4 mortes em cada 100 mil pessoas,
nossa proporção se aproxima da África do Sul, com 45,7, e da Colômbia, com
43,9. A liderança está com Honduras, que registra 103,9 mortes em cada 100 mil
pessoas, e a segunda colocação com a Venezuela bolivariana, de Chávez e Maduro,
com 57,6, dados de 2012.
Não só em tiros letais o Brasil tem destaque. O país apresenta taxa de
23,4 mortes no trânsito por 100 mil habitantes, segundo a OMS. Quedamos com o
quarto pior desempenho no continente, atrás de Belize, República Dominicana e
Venezuela – sempre ela. O total de vítimas fatais nas estradas do mundo deverá
chegar a um milhão por ano em 2030.
A Organização atribui estas estatísticas nos países de baixas e médias
rendas à regulamentação fraca, à qualidade inadequada das vias, às condições
dos veículos e ao aumento da frota.
No entanto, o mais grave no Brasil, parece-me, é a agressividade com que
se matam as pessoas, crimes bárbaros contra mulheres e crianças – não mais só
adolescentes, as formas brutais com que agem os assassinos (entre os quais
menores), os homicídios até coletivos em famílias desajustadas ou não
preparadas suficientemente para a união, a falta de respeito entre seres
humanos, enfim uma série de nuances macabras que antecipam o desfecho fatal ou
caracterizam os atos de eliminação das pessoas. Quem lê os jornais, ouve os noticiários
radiofônicos ou assiste às reportagens pelas televisões se espanta com os
espetáculos de hediondez. A crueza e a ignomínia se vulgarizaram em nossos
costumes, como jamais ocorreu em tempo pretérito.
Os bandidos se transformaram em heróis na imaginação dos que ainda não
têm consciência dos fatos e não distinguem o bem do mal, numa sociedade em que
a autoridade não age em defesa do homem e de seus valores, como devido.
Os fatos registrados no Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, abençoada
por Deus, comprovam-no. Mais de duas dezenas de bandidos, armados de fuzis,
pistolas e explosivos invadiram, de madrugada, o tradicional Hospital Souza
Aguiar para resgatar um traficante internado e mataram um paciente que nada
tinha a ver com os desígnios dos delinquentes. Os fatos testemunham e atestam o
ponto a que chegamos. Vieram somar-se aos muitos outros que, em grupos,
praticam mortes e ocupam espaços nos HPS das grandes cidades. Ainda resta algo
a fazer pelo próximo neste vendaval de violência?
A nação passa presentemente por um dos períodos mais graves de sua
história. Não está o quadro restrito aos desvios de conduta de cidadãos
escolhidos para ocupar cargos importantes e exercer funções de elevada
responsabilidade política e administrativa. Assim como na cúpula dos negócios
públicos, há aviltantes registros de desvios de conduta e gestão, a morte
circula em todos os recintos e recantos, com armas modernas que matam muitas
dezenas de pessoas todos os dias, além das que são vítimas de estupros, como no
morro do Barão, no Rio de Janeiro. Somos prisioneiros e não temos quem
efetivamente nos assegure um mínimo de paz.

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