quinta-feira, 23 de junho de 2016

QUAL ESTATAL NO BRASIL QUE DÁ LUCRO?



Temer pressiona para que Minas venda suas estatais

José Antônio Bicalho 



Diante da pressão do governo federal para que os estados vendam ativos em troca da renegociação de suas dívidas, o governo do Rio de Janeiro se adiantou e, em sinal de boa vontade, informou que concorda em privatizar a Cedae, a companhia de água e esgotos, estatal que faturou R$ 4,1 bilhões no ano passado. O governo de Goiás também disse que concorda vender a Celg, sua distribuidora de energia, que está virtualmente quebrada.

O governador Fernando Pimentel, como era de se esperar de um governador do PT, que ainda faz cara feia para o governo que derrubou Dilma, não se posicionou. Mas, digamos que Pimentel tope privatizar estatais para renegociar a dívida. O que poderia ser vendido e qual o impacto na recuperação das finanças estaduais?

O governo mineiro possui 16 estatais. A maior parte delas deficitárias ou que exercem atividades que não são interessantes do ponto de vista de negócios. Mas também possui empresas interessantíssimas. Vamos a elas.

Primeiro grupo
No primeiro grupo, das empresas que só fazem sentido se forem públicas, estão a Caixa de Amortização da Dívida (Cadiv), a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig), a Companhia de Habitação (Cohab), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig), o Instituto de Desenvolvimento Integrado (Indi). Estas empresas existem unicamente para implementar políticas públicas e não são rentáveis.

Grupo intermediário
Existe um grupo intermediário, de empresas que teoricamente poderiam interessar à iniciativa privada, mas que existem exclusivamente para servir ao Estado. Seu funcionamento sai mais barato que a contratação de uma empresa privada para fazer o mesmo serviço. Vendê-las, portanto, não seria um bom negócio no longo prazo. É o caso da Companhia de Tecnologia da Informação (Prodemge), responsável pelo gigantesco processamento de dados do governo, e da Minas Gerais Participações (MGI), que fornece todo tipo de mão de obra e de serviços ao governo e evita o inchaço do corpo de funcionários públicos.

Temos, ainda, empresas que atuam em áreas afins da iniciativa privada, mas que são francamente deficitárias e exigiriam apoio financeiro do Estado para funcionar, o que quebra a lógica da privatização. São elas a Metrominas, que administra o metrô, e a Companhia Mineira de Promoções, responsável pelo Minascentro. Coloco neste grupo, ainda, a Rádio Inconfidência, que poderia ser lucrativa se repassada à iniciativa privada, mas que tem valor irrisório.

As óbvias
Restaram, então, as óbvias Cemig, Copasa e Gasmig. São estas as únicas empresas que podem entrar num programa de privatização com o objetivo de abater de maneira significativa o principal da dívida do governo mineiro, de modo a permitir uma renegociação que torne sustentável o pagamento.



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