Oi pede recuperação
judicial de R$ 65 bilhões, maior valor já apresentado no Brasil
Tatiana Lagôa
Em mais um capítulo da crise financeira e degradação das contas, a
operadora Oi pediu recuperação judicial nesta segunda (20). No total, a empresa
incluiu R$ 65 bilhões em dívidas no processo, o maior valor já apresentado no
Brasil.
Até então, o recorde pertencia à OGX, do empresário Eike Batista, que
declarou à Justiça ter dívidas de R$ 11,2 bilhões em 2013.
A operadora divulgou que conseguiu 180 dias para renegociar suas dívidas com os credores em acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
A operadora divulgou que conseguiu 180 dias para renegociar suas dívidas com os credores em acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Em Fato Relevante direcionado ao mercado, a empresa justificou que o
pedido visa a preservação da continuidade dos serviços prestados aos clientes,
dentro das regras estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), além de proteger o caixa e os interesses da operadora, das
subsidiárias e dos acionistas.
A Oi encerrou o primeiro trimestre do ano com prejuízo líquido de R$
1,64 bilhão. Em março, a dívida líquida dela estava em R$ 40,84 bilhões – alta
de 7% ante o fim do ano passado, enquanto o caixa disponível ficou em R$ 8,53
bilhões, queda de 49,3% sobre o trimestre imediatamente anterior.
No dia 10, o então diretor-presidente da empresa, Bayard Gontijo,
renunciou ao cargo, assumido no início do ano. O anterior, Zeinal Bava,
renunciou ao cargo após calote de quase 1 bilhão de euros da holding Rioforte,
do Grupo Espírito Santo, maior sócio da Portugal Telecom, com quem a Oi estava
se fundindo. Ao assumir, Gontijo prometeu equilibrar o caixa da empresa. Ele
foi substituído pelo diretor financeiro Marco Schroeder.
Segundo o analista do setor, Guilherme Canaan, em caso de piora do
serviço prestado, a Anatel pode suspender os serviços da companhia. Nesse caso,
um novo leilão ocorreria para definir qual empresa ficaria com a concessão. “A
empresa chegou nessa situação por causa de um erro estratégico. Ela apostou que
a liderança em telefonia fixa era suficiente para se manter no mercado e não
investiu em novas tecnologias”, afirma.
Qualidade
Já o consumidor, não pode ser lesado com a situação. Segundo o gerente
do Procon Assembleia, Gilberto Dias de Souza, enquanto a empresa estiver no
processo de recuperação judicial a qualidade do serviço tem que ser mantida.
Caso haja uma piora, o cliente pode pedir a portabilidade para outra operadora
sem pagar nenhuma multa, mesmo que fidelizado.
Se a empresa for à falência, o cliente só terá como opção a
portabilidade. Sem garantias, porém, que serão mantidas as mesmas condições de
contrato, já que o mercado é livre.
*Com agências

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