Começa a contagem
regressiva pela manutenção ou queda da presidente
Janaína Oliveira
DIDA SAMPAIO/Estadão
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Deputados contrários
ao governo comemoram vitória durante votação que ficará na história. Vários
parlamentares deixaram Câmara e foram ao encontro do vice-presidente
Vinte e quatro anos após o impeachment do ex-presidente Fernando Collor,
o Brasil volta a assistir a aprovação pela Câmara dos Deputados da abertura do
processo de impedimento contra a chefe da República. Agora, começa a contagem
regressiva até a votação no Senado, casa Legislativa em que, hoje, o governo
não tem maioria, conforme cálculos da oposição.
Em uma sessão tumultuada, repleta de troca de farpas e acusações entre
apoiadores do governo e integrantes da oposição, a vitória do “sim” pela saída
de Dilma Rousseff foi de 367 votos a 146 na Câmara. Foram sete abstenções e
duas ausências.
A estratégia do Palácio do Planalto e do ex-presidente Lula, que montou
um “QG” em um hotel em Brasília para tentar salvar o mandato de Dilma,
convencer indecisos e esvaziar o plenário, não surtiu efeito. Mais feliz foi o
vice-presidente Michel Temer (PMDB), que recebeu mais de cem aliados no Palácio
do Jaburu na véspera do Dia D, e vê a Presidência cada vez mais perto.
Chamados nominalmente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB),
os deputados tinham, pelas regras, 10 segundos para proferir o voto. Mas a
maioria extrapolou o tempo.
A chamada foi feita por Estado, começando por Roraima, na Região Norte, seguida por Rio Grande do Sul, no outro extremo do país, e assim sucessivamente.
A chamada foi feita por Estado, começando por Roraima, na Região Norte, seguida por Rio Grande do Sul, no outro extremo do país, e assim sucessivamente.
Não foram poucos os dissidentes. Na avaliação de líderes do governo,
políticos do PP, PR e PMDB não cumpriram a palavra e se posicionaram contra a
presidente, provocando um “efeito manada”.
Ex-ministro do Transporte do governo Lula e Dilma, Alfredo Nascimento
usou o microfone para dizer que renunciava ao cargo de líder do PR para votar
pela saída de Dilma. A legenda havia orientado pelo voto contra o impeachment.
Deputada pelo PDT de Goiás, Flávia Morais também contrariou orientação, ignorou
a ameaça de expulsão e disse sim ao impedimento.
Em Minas, Estado onde Dilma nasceu, a presidente sofreu uma derrota por
41 a 12. Até dias atrás ministro da Aviação, o deputado Mauro Lopes (PMDB)
afirmou que guarda gratidão pelo cargo que ocupou. Em lealdade ao partido,
entretanto, optou pelo voto ao impeachment.
Irônicos, vários deputados disseram “tchau, querida” após a declaração
ao voto, numa analogia à frase de Lula em grampo telefônico com Dilma, flagrado
pela PF, em conversa sobre a nomeação do ex-presidente para o Ministério da
Casa Civil.
Antes de votar pela saída de Dilma, Eduardo Cunha pediu a Deus que
“tenha misericórdia da nação”. Envolvido nas fraudes da Petrobras,
</CW>ele ouviu gritos de “Fora, Cunha”. Quase nenhum parlamentar citou as
pedaladas fiscais.
Temer já conversa com aliados
Passado o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na
Câmara, uma das primeiras medidas do vice-presidente Michel Temer deve ser a
divulgação da sequência do documento “Uma Ponte para o Futuro”, reafirmando a
preservação dos programas sociais. Com ele, será feito um gesto de aproximação
com aqueles que hoje apoiam a presidente Dilma Rousseff, segundo informou um
interlocutor.
O documento, elaborado por uma equipe de 18 pessoas, faz parte de um
trabalho de construção de um amplo arco de apoio político.
Com isso, a expectativa é retomar a governabilidade e ampliar a margem, hoje estreita, para fazer reformas na economia.
Com isso, a expectativa é retomar a governabilidade e ampliar a margem, hoje estreita, para fazer reformas na economia.
No entorno do vice-presidente, segundo interlocutores, a discussão é
justamente sobre como dosar medidas impopulares, como cortes nos gastos, com
sinalizações para uma população agastada pelas crises na economia e na
política. Os dois, aparentemente contraditórios, são urgentes.
Tudo ainda será pesado politicamente, mas a tendência é que não seja colocada na rua, logo no início, uma proposta de reforma da Previdência, por exemplo.
Tudo ainda será pesado politicamente, mas a tendência é que não seja colocada na rua, logo no início, uma proposta de reforma da Previdência, por exemplo.

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