Como será o amanhã?
Amália Goulart
No final, a economia e uma nova perspectiva de governo falaram mais
alto. Mas, assim como na canção “O Amanhã”, cantada pela primeira vez no
desfile da União da Ilha, no Rio de Janeiro de 1978, o que irá nos acontecer?
Não existem vitórias ou derrotas para um Brasil que mais se parece com
alguns de nossos vizinhos latinos. Temos que torcer para que o PMDB - um dos
partidos que mais dinheiro recebeu e diretores indicou no Petrolão – não nos
traga de volta velhos fantasmas. Quem não se lembra do governo Sarney? Da
Inflação Sarney? Temos que pedir ao destino que nos conceda um sistema político
diferente. Mesmo sabendo que o novo não é exatamente a novidade. É a realidade.
O dia de ontem começou com empresários ligando para deputados para
“pedir” que votassem contra o governo. O argumento: a economia não mais tolera
o governo Dilma Rousseff. Certamente que não. Mas, tolerará um governo Temer?
Do outro lado, deputados da base governista acordaram indecisos, nas
residências deles, para pedir um voto de confiança. Mais um? “O meu destino
será como Deus quiser”.
E o que irá querer o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)? O calor não nos
deixa pensar. No entanto, a Corte suprema, dirigida pelo anti-petista Gilmar
Mendes terá que decidir, até o próximo ano, se cassa a chapa formada por
Dilma-Temer. Pode até, em uma decisão inédita tupiniquim, retirar o vice da
chapa. Porém, é tão inusitado quanto confiar à cigana, de “O Amanhã”, o
destino.
Há ainda a promessa comum feita por Dilma e Temer: um novo pacto pelo
Brasil. Com quem? PP, PR, PDT e os outros, que são governo enquanto o governo
não cair. Que espécie de pacto une todo mundo no mesmo barco para tratar do
mesmo velho assunto? Um pacto que é muito mais por “espaço” no governo, seja
ele qual for. Se Lula negocia cargos em hotel, Temer o faz em Palácio.
E até as eleições municipais – arrefecidas pelo calor do impeachment –
entraram no pacote.
Em Minas, o PMDB decidiu apoiar o vice, com perspectivas maiores de
ascensão, nas pode ficar sem a candidatura à Prefeitura de Belo Horizonte.
Gilberto Kassab, do PSD, espertamente negocia com Temer a fidelidade em troca
da aliança nas três principais capitais para a legenda: São Paulo, Rio de
Janeiro e Belo Horizonte. Cidades essenciais às eleições para governadores,
deputados, senadores e presidente da República em 2018.
E o crime de responsabilidade? Parece o que menos importa. Nos discursos
em plenário ontem, foram raros os deputados que analisaram os motivos
jurídicos, de fato, que renderão ou não o impedimento da presidente Dilma
Rousseff. Por falar na presidente, o discurso não mudou: “É golpe”. Dilma
pedalou, almoçou com Lula e tentou dissuadir mais uma meia dúzia de
“traidores”.
Temer fez o mesmo, mas com os aliados. “Não é golpe”, sustenta ele.
Golpe ou não a única certeza que temos é da incerteza. Dilma está ruim. Temer
pode ser pior. Ou não. E se Dilma ficar, pode melhorar. Ou não. Enquanto isso,
tudo vale no balcão de negócios. Isso dá samba!
“Como será amanhã? (Como será?) Responda quem puder (Quem sabe é Deus!)
O que irá me acontecer? O meu destino será Como Deus quiser Como será?...”
Queira ele uma economia que nos propicie voltar a crescer, um novo
governo, que não seja velho e uma força extraordinária para superar esse
histórico 2016 (que não seja a Força do Paulinho)!

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