Um presidente Michel Temer
Editorial Jornal
Hoje em Dia
Um projeto para o Brasil, concluído em outubro do ano passado, já dava
mostras de uma mudança bastante significativa na direção da política econômica
do país. “Ponte para o Futuro”, contendo as propostas de governo do
vice-presidente Michel Temer, antecipava a postura que ele só tomaria depois:
de se contrapor à presidente Dilma Rousseff. Ou seja, o vice fez seu dever de
casa em prol da própria carreira, num momento em que aparentava estar ainda do
lado da petista e nem tinha certeza da aprovação do impeachment pela Câmara dos
Deputados.
Claro que Temer tem o apoio do empresariado e, não por acaso, deve
abrigar na sua equipe de governo o presidente da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Há, no documento elaborado ainda no ano
passado, inclusive a possibilidade de ampliação das privatizações no país.
Ainda que venha dando garantia da manutenção dos programas sociais,
criticados por muitos, mas essencial para boa parcela da população brasileira,
essa nova política econômica terá certamente outro viés. O que é preciso, nesse
caso, é transformar os repasses meramente assistencialistas a programas que
permitam o crescimento profissional e social das famílias, levando-as a uma
situação de independência de programas governamentais. Será Michel Temer o
político que, enfim, tomará essa medida? Apesar do reconhecimento de que muitos
brasileiros dependem do dinheiro da Bolsa Família para a sobrevivência, o certo
é que dê a vara e se ensine a pescar. O documento coordenado pelo mineiro Roberto
Brant não contém esse avanço na formulação das políticas sociais, mas tendo
influência da social-democracia do PSDB – partido que deve liberar membros para
comporem o governo no caso da aprovação do impeachment de Dilma Rousseff –
poderá fazer a proposição.
O fato de ter antecipado um programa de governo mostra que Michel Temer
não só acredita no fim do governo do PT, como está disposto a levar o país para
um outro rumo. No entanto, não só de boas ideias se faz uma gestão. Claro que,
se conseguir assumir o cargo de presidente, o peemedebista terá apoio político
suficiente, mas enfrentará um país disposto a cobrar do governo medidas
imediatas de reversão da crise econômica. E elas serão mais complexas se os
sindicalistas ligados ao PT conseguirem greves, como ameaçam.

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