sexta-feira, 15 de abril de 2016

"O MAL QUE OS HOMENS FAZEM SOBREVIVE DEPOIS DELES. O BEM É QUASE SEMPRE ENTERRADO COM OS SEUS OSSOS"



WILLIAN SHAKESPEARE  


Júlio César (The Tragedie of Julius Caesar, no original inglês) é uma tragédia de William Shakespeare, provavelmente escrita em 1599. Retrata a conspiração contra o ditador romano Júlio César, seu assassinato e suas consequências. É uma das diversas peças romanas que ele escreveu, baseada na verdadeira história romana, que incluem também Coriolano e Antônio e Cleópatra.
Embora o título da peça seja Júlio César, César não é a personagem central de sua ação; ele aparece em apenas três cenas, e é morto no início do terceiro ato. O protagonista da peça é Marco Júnio Bruto, por fornecer um psicodrama e um conflito íntimo entre sua honra, seu patriotismo e sua amizade.
A obra reflete a ansiedade geral da Inglaterra sobre a sucessão de liderança. Na altura de sua criação e da primeira performance, a Rainha Elizabeth, uma grande governante, estava idosa e recusaram indicar um sucessor, levando preocupação de que uma guerra civil semelhante ao de Roma poderia acontecer após sua morte.
A peça começa com os plebeus de Roma a celebrar o regresso triunfal de César após a derrota dos filhos de Pompeu na Batalha de Munda. Dois tribunos, Flávius e Marrullus, encontram os plebeus a comemorar, insultam-nos pela mudança da sua lealdade de Pompeu para César e dispersam a multidão. Também planeiam remover todas as decorações das estátuas de César e terminar quaisquer outras festividades. Na cena seguinte, durante o desfile de César na festa da Lupercália, um adivinho adverte César para ter "Cuidado com os Idos de março", um aviso que ele ignora. A ação então vira-se para a discussão entre Brutus e Cássio. Nesta conversa, Cássio tenta convencer Brutus de que César deve ser morto, pretendendo que Brutus se juntasse à sua conspiração para matar César. A seguir, eles ouvem de Casca que Marco António ofereceu a César a coroa de Roma três vezes, e todas vezes César recusou, desmaiando após a última recusa. Mais tarde, no segundo ato, Brutus junta-se à conspiração, embora depois de um longo debate moral, acabando por decidir que César, apesar de seu amigo e nunca ter feito nada contra o povo de Roma, devia ser morto para o impedir de fazer algo contra o povo de Roma se chegasse a ser coroado. Ele compara César a "um ovo de serpente/ que eclodindo, como a sua espécie, cresceria malevolamente,/ pelo que o urge matar na casca" e decide juntar-se a Cássio para assassinar César.
O assassinato de César é uma das mais famosas cenas da peça, ocorrendo no Ato 3, Cena 1 (a outra é a oração fúnebre de Marco António "Amigos, romanos, compatriotas"). Depois de ignorar o adivinho, bem como as premonições da sua própria esposa, César chega ao Senado. Os conspiradores criam um motivo superficial para se aproximarem o suficiente para assassinar César através de uma petição trazida por Metellus, que intercede em nome do seu irmão que havia sido banido. Previsivelmente, César rejeita a petição, Casca atinge César na nuca, e os outros apunhalam-no sendo Brutus o último. É neste ponto, que Shakespeare faz César proferir a famosa frase "Também tu, Brutus?"[3] Shakespeare fá-lo acrescentar "Então cai, César", sugerindo que tal traição destruiu a vontade de César de viver.
Os conspiradores deixam claro que cometeram este ato a favor de Roma, não pelos seus próprios objetivos e não tentam fugir do local. Após a morte de César, Brutus faz um discurso defendendo as suas ações e, no momento, a multidão está do lado dele. No entanto, Marco António, com um discurso eloquente e sutil sobre o cadáver de César — começando com a muito citada Amigos, Romanos, Compatriotas, emprestem-me os vossos ouvidos[4] — habilmente vira a opinião pública contra os assassinos manipulando as emoções dos cidadãos comuns, em contraste com o tom racional do discurso de Brutus, havendo, no entanto, método no seu discurso retórico e gestual: ele recorda-lhes o bem que César tinha feito a Roma, a sua solidariedade com os pobres e a sua recusa em ser coroado na Lupercal, assim questiona a acusação de Brutus sobre a ambição de César; ele mostra à multidão o corpo ensanguentado e sem vida de César para os sensibilizar e ganhar a simpatia deles para o seu herói; e lê o testamento de César, pelo qual cada um dos cidadãos romanos receberia 75 dracmas. Marco António, mesmo que afirme que seja contra tal, incita a multidão a afastar os conspiradores de Roma. No meio da violência, uma poeta inocente, Cina, é confundido com o conspirador Lucius Cinna e é assassinado pela multidão.
O início do Ato Quatro é marcado pela cena da discussão, em que Brutus ataca Cássio por sujar o nobre ato de regicídio ao aceitar subornos ("Não sangrou o grande Julius pela justiça ? / Que vilão tocou o seu corpo, que o esfaqueou, / e não pela justiça?").[5] Os dois reconciliam-se, especialmente após Brutus revelar que a sua amada esposa, Porcia, se suicidou angustiada pela sua ausência de Roma; eles preparam-se para uma guerra civil contra Marco António e o filho adotivo de César, César Augusto. Nessa noite, o fantasma de César aparece a Brutus com um aviso da derrota ("Vais ver-me em Filipos"[6] ).
Na batalha, Cassius e Brutus, sabendo que provavelmente irão ambos morrer, sorriem entre si e seguram as mãos um do outro. Durante a batalha, Pindarus, servo de Cássius, mata o seu senhor depois de saber a captura do melhor amigo dele, Titinius. A seguir, Titinius, que realmente não tinha sido capturado, vê o cadáver de Cassius, e comete suicídio. No entanto, Brutus vence esta fase da batalha - mas a vitória não é definitiva. Com o coração apertado, Brutus vai para a batalha de novo no dia seguinte. Mas é derrotado e comete suicídio com a sua própria espada, que é segura por um soldado chamado Strato.
A peça termina com uma homenagem a Brutus por Marco António, que proclama que Brutus foi sempre "o mais nobre de todos os Romanos"[7] porque foi o único conspirador que agiu, segundo crê, pelo bem de Roma. Há então uma pequena indicação do atrito entre Marco António e César Augusto que irá caracterizar outra peça de Shakespeare sobre Roma, António e Cleópatra.



"O mal que os homens fazem sobrevive depois deles. O bem é quase sempre enterrado com seus ossos."
(Marco Antonio, "Julius Caesar" de Shakespeare)

Este discurso é uma das mais belas peças oratórias fúnebres. É talvez o momento mais emocionante da tragédia Julius Ceasar de Shakespeare, e um dos mais exigentes testes de eloquência para as legiões de intérpretes de Marco Antônio ao longo da história.
Este discurso foi interpretado de forma inesquecível por Marlon Brando, no filme dirigido por Joseh L. Mankiewicz, em 1953

Frente ao corpo de César

Nas escadarias do Senado

O discurso foi pronunciado por Marco Antônio, nas escadarias do Senado Romano, em frente ao corpo de Cezar, assassinado a facadas pela conspiração de Brutus e Cassius

Para se entender o lance político do discurso é preciso explicar um pouco o contexto em que foi feito. O assassinato de César havia sido bem aceito pela população, já que a explicação dada por seus autores foi a de que César estava prestes a dar um golpe e se auto-nomear Rei, o que em Roma era absolutamente inaceitável.

Júlio César foi traído por Brutus e Cassius

Marco Antônio era muito próximo de César, correu o risco de morrer junto com ele, e, para evitar que reagisse ao ataque, foi distraído por um dos senadores da conspirata para uma conversa fora do local do crime.

Consumado o assassinato de César, Marco Antônio, procurado pelos conspiradores, acertou com eles que falaria no Senado em prol da pacificação dos ânimos. Preservou assim a sua prerrogativa de fazer o discurso fúnebre de César.

Neste discurso, frente a uma massa de cidadãos que até há pouco apoiavam e admiravam a César, mas que agora o condenavam, Marco Antônio começa dando razão aos conspiradores, para ganhar tempo e ser ouvido pela massa.

Seguindo uma estrutura em que: na primeira frase condena Cezar, reitera que Brutus é um homem honrado, para na próxima frase dizer "mas...", e dar um exemplo real da grandeza, bondade, lealdade e do amor que Cezar tinha pelo povo de Roma, pouco a pouco Marco Antônio consegue mudar o estado de espírito da massa voltando-a contra os assassinos de Cezar.

O orador, com invulgar habilidade, inicia submetendo-se ao sentimento dominante (anti-César), mas encontra uma forma sutil de dialéticamente afirmar ao mesmo tempo a crítica e a observação positiva. Como esta última é mais poderosa que a primeira, aos poucos vai recuperando a imagem positiva de César, relembrando suas boas ações, seu patriotismo, suas virtudes, de forma a deixar para o povo a conclusão da enormidade do crime praticado não mais contra César, mas sim contra Roma e o povo romano.

O César odiado volta a ser o César amado, e ressurge para a vida política com os que lhe permaneceram fiéis, e no ódio aos seus inimigos. É tentador lembrar a dramática mudança da reação popular à morte de Getúlio, depois dos discursos de políticos como Tancredo e Brizola. O Getúlio impopular de um dia atrás, ressurgia para a política nas palavras dos seus representantes, e na emoção popular.


O discurso

"Amigos, romanos, conpatriotas ouçam-me. Eu vim para enterrar César e não para exaltá-lo. O mal que os homens fazem sobrevive depois deles, o bem é quase sempre enterrado com seus ossos. Assim seja com César. 

O nobre Brutus lhes disse que César era ambicioso. Se isso é verdade, foi uma falta grave e gravemente César respondeu por ela. Com a permissão de Brutus e dos demais, porque Brutus é um homem honrado, assim eles todos, todos homens honrados, venho eu aqui falar nos funerais de César. Ele era meu amigo, leal e justo comigo. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Ele trouxe muitos prisioneiros para Roma cujos resgates encheram os cofres públicos. Era nisto que César parecia ambicioso? Quando os pobres choravam, César chorava. A ambição devia ser de uma substância mais dura. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Todos vocês viram que nas Lupercais, três vezes eu lhe ofereci a coroa real e três vezes ele recusou? .Era isto era ambição? Mas Brutus disse que ele era ambicioso e sem dúvida alguma Brutus é um homem honrado. 


Eu falo não para desaprovar o que Brutus falou. Mas estou aqui para falar o que sei. Todos vocês o adoravam e não sem motivo. Que motivo os impede então de chorar por ele agora?


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